O Assassino De Reis - O Desejo De Anna
41 Capítulo 32 : Vista Privilegiada
Local : Castelo de Anor Londo – Sala De Tronos
Status : Amanhecendo
Dia : 09 de fevereiro
Hora : 06 : 00
Personagem : Anna
*
– Isso é alguma brincadeira ? — Perguntou Katherine desconfiada.
– Terei que pedir duas vezes ? — Retrucou Octávio com um tom intimidador. — Traga ela para mim.
– Por que ? Qual o seu interesse na princesa Anna ? — Ela fez uma pausa pensativa e sorriu para Octávio. — A beleza dela cegou você ?
Octávio desviou o olhar para a parede a sua esquerda e bufou de raiva.
– Não vou pedir de novo... — Ele disse fechando os punhos.
– Já faz três dias que ela está presa naquela caverna... Por que só pediu isso agora ?
– Katherine...
– Tá bom...tá bom...
Se segurando para não rir , Katherine deu as costas para Octávio e foi até a porta , mas antes de ir embora ela olhou para Octávio com o mesmo sorriso de antes.
– Não pense que você manda em mim. — Disse Katherine. — Esse é meu castelo , esses são meus guardas... Tudo nesse reino é meu...
Sem dar chances para Octávio retrucar , Katherine saiu da sala de tronos e fechou a porta.
– Tomara que a rainha Elsa venha aqui e congele o seu coração , cretina. — Disse Octávio se referindo à Katherine.
A sós com os dois tronos vazios e empoeirados , Octávio andava em círculos e encarava o nascer do sol que refletia as gigantescas paredes de vidro atrás dos tronos. Pouco a pouco , a luz do sol iluminava a sala banhada à ouro que ia do chão até o teto.
– É Antônio... — Resmungou Octávio encantado com a beleza de tal sala enfeitada por tapetes vermelhos , cortinas gigantescas e o chão feito de ouro. — Você é muito esperto... Transformou pessoas honestas em escravos e investiu no seu exército para que ninguém entrasse ou saísse do reino sem a sua permissão. Enquanto isso , você lucrou mais do que qualquer rei que já pisou nesse mundo... Como eu queria que você estivesse vivo para meter uma flecha na sua testa...de novo.
E então , ele encarou o trono que era de Antônio antes de sua morte. Depois de alguns segundos pensativo , ele começou a andar na direção do mesmo. A vontade de se sentir como um rei era irresistível. Mas ficou imóvel assim que ouviu gritos vindo do lado de fora da sala.
Não demorou muito e a porta se abria novamente e Anna foi empurrada para dentro da sala , caindo no chão com força. Logo em seguida , Katherine e mais um guarda segurando uma espada passaram por Anna e encararam Octávio.
– Saiam. — Ordenou Octávio.
A expressão do rosto de Katherine era de desconfiança , mas ela o obedeceu. Foi até a porta e acabou pisando na mão de Anna que tentava se levantar. Depois do grito de dor de Anna ecoar por toda a sala , Katherine e seu guarda finalmente fechavam a porta , deixando Octávio a sós com Anna.
– Lamento pela Katherine. — Disse ele indo até Anna e estendendo a mão para a mesma.
– Não quero sua ajuda... — Respondeu Anna com dificuldade.
Durante três dias inteiros , Anna foi trancada em uma caverna fria e escura. Não sentia seus joelhos e nem seus dedos , consequência do frio.
– Dá pra deixar a sua arrogância de lado e me ouvir ?
– Por que eu deveria ?
– Porque eu sou o único que pode tirar você daqui. Não é isso que você quer ?
Apesar de ser o que a Anna mais queria naquele instante , ela se recusava à acreditar em Octávio. Mas suas escolhas eram limitadas , pois estava pálida de tanto frio e seu cabelo também estava ficando branco como a neve. Ela olhou para a parede de vidro atrás do trono , onde a luz do sol começou a tomar conta.
– É uma boa ideia. — Afirmou Octávio ao notar o olhar de Anna. — Você consegue levantar ?
Anna tentou no mesmo instante , usando todas as suas forças restantes. Ela conseguiu se apoiar em seu joelho e ameaçou se levantar , mas desabou antes mesmo de esticar a perna.
– Certo... — Disse Octávio se agachando colocando o braço esquerdo de Anna ao redor de sua nuca. — Um passo de cada vez
Pouco a pouco , Anna , com a ajuda de Octávio , conseguia ficar de pé.
– Quase lá...
Começaram a andar juntos para a luz do sol. Mesmo o com somente pouquíssimos passos de distância , Anna nem conseguia ficar de pé direito , só conseguia andar lentamente graças ao auxílio de Octávio que não estava incomodado com o frio do corpo de Anna. Cada passo , cada segundo de pé era uma vitória para Anna.
– Pronto... — Disse Octávio faltando um passo para alcançarem a luz.
E então , Anna praticamente se jogou no chão coberto pela luz. A calor inicial a incomodou na hora , mas não demorou muito para ela notar que o frio estava indo embora. Depois de algum tempo , ela já se sentia bem melhor.
– De nada. — Disse Octávio sentado no chão com as costas apoiadas na parte de trás do trono.
Anna ficou calada e de costas para Octávio , já não sabia mais o que esperar do mesmo. Não importava o que ele fizesse , ela não desviaria os olhos para ele , só encarava o imenso oceano que cercava o reino de Anor Londo , uma paisagem e tanto. Suas únicas memórias de Octávio eram de dar medo. Ela queria poder confiar no mesmo , mas o passado não permitia.
– Como você está vivo ? — Perguntou Anna com mais facilidade e ainda de costas para Octávio.
– Roger. — Respondeu Octávio. — Ele me deu uma nova chance.
– Mas... Você...
– Sim , eu fui o responsável pela morte de Arthur e Thomas. E não tem um único dia em que eu não me arrependa do que fiz.
– Esse crime é um dos milhares que você cometeu. E em todos eles , como punição , levam à sua execução.
– Qual vai ser o reino que vai ter a coragem de me enforcar ? Todos são passivos , principalmente o seu. — Ele esperou pela resposta de Anna , mas ela ficou quieta. — Voltando ao assunto... Depois de ter a minha vida poupada pelo Roger consegui sair de Anor Londo sem levantar suspeitas. Depois de alguns dias navegando ao lado de imigrantes , acabei parando em Florença , Itália. Ninguém sabia quem eu era , mas decidi mudar a minha aparência e meu nome. E eu fiquei lá , começando minha vida do zero.
– Por que você voltou para Anor Londo ? — Perguntou Anna um pouco enfurecida , mas a luz do sol que espantava o frio de seu corpo relaxava a mesma. — Para me atormentar de novo ?
– Não , e eu garanto que eu não lhe farei nenhum mau.
Anna bufou de raiva , duvidava de tais palavras.
– Eu ouvi alguns rumores que o reino de Anor Londo seria invadido pelo exército italiano e , como consequência , muitas pessoas morreriam no processo. Eu quero impedir isso.
– Quer mesmo que eu acredite nisso ?! Eu não sou tola ! E como você sabe de tudo isso ??
Mesmo intimidado com a raiva explícita no tom de Anna , Octávio continuava calmo e respondia tudo sem demonstrar dúvida ou hesitação em suas respostas.
– Na Itália não há segredos. — Respondeu Octávio. — Todos sabem sobre essa "invasão" e a maioria apoia essa ideia. Assim que eu fiquei sabendo disso eu parti para Anor Londo o mais rápido possível para espalhar a mensagem , até porque , a morte de Alcatraz também foi citada nas fofocas dos italianos. Mas...quando eu finalmente cheguei aqui , pessoas desesperadas pularam no navio como loucas. E o resultado...acabei preso aqui , mas felizmente , ou infelizmente , a Katherine me ajudou e eu estou aqui , falando com você.
– É uma bela história. — Disse Anna se virando de frente para Octávio e olhando nos olhos do mesmo. — Mas você esqueceu um detalhe muito importante...
– E qual seria ?
– EU NÃO CONFIO EM VOCÊ !!
E então , os dois ficaram se encarando em silêncio. Anna estava decidida de que Octávio não havia mudado , mas em um determinado momento ela conseguiu notar uma expressão de tristeza no rosto de Octávio que se levantou e começou a procurar algo em seu bolso. Não demorou muito e ele retirou uma pequena chave e a jogou para Anna.
– Espere até o por do sol , abra a porta , suba as escadas e levante a tocha da direita. — Disse Octávio. — Diga para o Salem te levar para o porto secundário , eu estarei esperando você com um barco. — Ele retirou uma adaga prateada de seu cinto e a entregou nas mãos de Anna que já não sabia o que pensar e nem no que dizer. — Quando você ver o porto , acabe com o Salem.
– O que ?! Por que eu faria isso ?
– Porque ele é um lobisomem , uma fera que não pode ser controlada. Salem só pode ser ferido enquanto estiver em sua forma humana , caso contrário ele não poderá ser morto.
– Eu confio nele !
– Mesmo que isso lhe custe a morte ?
A conversa é interrompida pelo barulho de alguém batendo na porta.
– Octávio !! — Disse Katherine. — Traga a princesa , tenho certeza que ela vai amar o espetáculo...
Octávio se levantou e estendeu a mão para Anna , mas ela já se levantara lentamente.
– Relaxa , não vou deixar nada acontecer com você. — Disse Octávio. — Esconda a adaga e a chave.
*
Guiados por Katherine , Octávio e Anna andavam juntos. Depois de passarem por diversos corredores sem guardas , Anna e Octávio subiram um longa escada que levava ao topo do castelo. Anna estava lenta demais , seu corpo ainda estava frio , mas ela conseguiu subir com a ajuda de Octávio.
Quando no topo , foram recebidos por Katherine , Thane , Frosty e um homem que Anna não reconheceu , mesmo ele sendo um pouco familiar.
A paisagem deixava claro que eles estavam no ponto mais alto de Anor Londo com uma vista clara do oceano que refletia a luz do sol. O espaço era aberto e sem nenhum tipo de proteção , parecia uma construção abandonada.
– Você... — Disse Anna assim que viu o rosto de Frosty. — Nós confiamos em você !!! VOCÊ DISSE QUE IA NOS AJUDAR !!
Enfurecida , Anna avançou na direção de Frosty , mas foi impedida por Octávio que a puxou pelo braço.
– Acha que eu tive escolha ? — Perguntou Frosty. — Assim como você , quero o bem dos meus filhos. — Ele desviou o olhar para Thane que estava de costas para a situação encarando o oceano. — Já acabamos ? Pode me contar o que aconteceu com eles agora ?
– Só falta uma última coisa... — Disse Thane se virando e ficando frente a frente com Anna. — Eu prometo que só vai doer durante alguns minutos...
Anna tentou entender o que aquilo significava , mas Thane já estalava os dedos. De repente , Anna começou a sentir os ossos perna que antes estava quebrada , se deslocarem novamente. Ela caiu no chão chorando de dor e seus gritos irritavam Katherine que já andava na direção da mesma com uma faca.
– Digamos que eu estou invertendo o que a Boo fez com você. — Disse Thane assistindo o sofrimento de Anna com uma frieza assustadora. — O William conseguiu juntar os ossos de sua perna , mas foi Boo quem acelerou o processo de recuperação com uma poção rara feita somente para os Witchers. Digamos que ela funciona como uma barreira que impede com que o osso se solte de novo , mas quando uma segunda dose é aplicada... — Ele fez uma pausa para que todos escutassem os gritos de Anna. — ...o veneno contido na poção começa a anular o efeito. E pouco a pouco , os ossos se separam novamente...
– POR FAVOR !! — Implorou Anna.
– O líquido naquela seringa não era apenas um tranquilizante qualquer. Era a segunda dose. Mas , felizmente , o veneno não é capaz de anular totalmente o efeito. Portanto , você vai ficar desse jeito durante alguns minutos e voltará ao normal. Mas até lá , a dor será insuportável...
– Do jeito que eu gosto... — Resmungou Katherine se agachando de frente para Anna. — Olhe para mim... — Insatisfeita com a demora , ela segurou o queixo de Anna e olhou nos olhos cheios de lágrimas da mesma. — Eu derramei a mesma quantidade de lágrimas quando você tirou tudo de mim... Agora , é a sua vez de sofrer.
– Isso é mesmo necessário ? — Perguntou Octávio.
– CALE A BOCA OU EU JOGO VOCÊ PARA OS LEÕES !!
– Como se isso fosse verdade... Só estou dizendo que , se ela morrer , não teremos nada para convencer o reino de Arendelle para nos tirar daqui.
– E nem precisa... — Disse o homem misterioso entregando um binóculo para Octávio.
– Como assim ? — Perguntou Octávio pegando o binóculo.
Intrigado , Octávio olhou para o norte. Depois alguns segundos em silêncio , ela desviou o olhar para Anna.
– Melhor você fechar os olhos... — Disse Octávio.
– Deixe ela ver. — Disse Thane.
E então , Octávio se agachou e ajudou Anna a olhar pelo binóculo. Anna , mesmo com tanta dor , ficou paralisada com o que vira.
– Kristoff... — Resmungou Anna perplexa.
– Kristoff , Flynn , Merida e Fergus. — Completou Thane. — Katherine...os canhões estão prontos ??
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