O Assassino De Reis - O Desejo De Anna
42 Capítulo 33 : A Soma De Todos Os Pesadelos
Notas iniciais
Local : Castelo de Anor Londo – Topo do Castelo
Status : Amanhecendo
Dia : 09 de fevereiro
Hora : 06 : 40
Personagem : Anna
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– Não...por favor... — Disse Anna tentando se arrastar na direção de Thane que não parava de encarar o navio de Merida que permanecia imóvel. — Deixe...eles... — A dor de Anna estava no limite , assim como o seu desespero ao ver que estava prestes a perder Kristoff para sempre caso o navio se aproximasse do porto de Anor Londo. Com toda essa tensão , uma dor antiga , que surgiu após Hans disparar uma flecha em seu coração , reapareceu. Anna começou a sentir algo perfurando seu coração lentamente , como se fosse um alfinete. E então , Anna não estava conseguindo nem enxergar direito , e pouco a pouco , ela fechava os olhos.
– FIQUE CONSCIENTE !! — Ordenou Katherine — VOCÊ VAI VER ISSO !!
Octávio , Frosty e Vinci assistiam toda a cena em silêncio. Os três queriam interferir aquele ato monstruoso , mas nenhum deles tinha a coragem de enfrentar Thane e nem desafiar o ego de Katherine.
Em seu último apelo , Anna se esforçou para olhar nos olhos de Octávio. Seu pensamento sobre o mesmo continuava o de sempre , mas aquilo já não importava mais , não naquela situação.
– Me...ajude... — Implorou Anna com um tom muito baixo que parecia um sussurro.
Apesar do tom baixo , Octávio e todos os outros conseguiram ouvir o pedido de Anna , mas nada fez à respeito e desviou o olhar.
– Se eles chegarem mais perto... — Resmungou Katherine completamente tomada pelo desejo de vingança. — Eles viram cinzas... — Ela olhou bem nos olhos de Anna. — E você...você vai assistir tudo...
Frosty deu as costas para a situação , ignorando o sofrimento de Anna. Octávio ficou calado , apenas esperando o que aconteceria em seguida.
– Dê o binóculo para ela. — Ordenou Thane.
Vinci obedeceu e segurou o binóculo na frente de Anna para que ela olhasse o que estava acontecendo naquele navio. E em silêncio , ela via tudo.
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Personagem : Kristoff
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– Kristoff ! Solte-a e vamos pensar juntos !! — Disse Flynn mantendo o arco firme. — Tenho certeza que podemos resolver isso de maneira civilizada !
– Deixar a Anna morrer não é civilizado !!! — Respondeu Kristoff.
– Colocar uma faca na minha garganta também não é civilizado !! — Interrompeu Merida. — Flynn ! Acabe com esse traidor !!
Flynn e Kristoff tremiam sem parar e era explícito no olhar de ambos que nenhum deles queria fazer aquilo , mas suas razões eram muito fortes e falhar não era uma opção. Enquanto tudo acontecia , Fergus , temendo pela vida de sua filha , puxava a âncora de volta para o navio. Mas um fato causou uma dúvida na cabeça de todos...
– Cadê o resto da tripulação...? — Resmungou Merida sabendo que Kristoff não teria chances de enfrentar a tripulação inteira , seria morte certa.
O desespero e o medo tomaram conta de Flynn , pois ele sabia o que iria acontecer caso o navio chegasse até o porto em plana luz do sol , mas Kristoff o obrigava a se afastar. Temendo pela vida sua filha , Fergus fazia tudo que Kristoff mandava.
– Você vai se arrepender... — Sussurrou Merida numa tentativa de intimida-lo.
– Kristoff !! — Disse Flynn sem baixar a guarda. — Se você continuar com isso , vai apodrecer na masmorra do Fergus ! Como acha que a Anna vai...
– NEM MAIS UMA PALAVRA !! — Gritou Kristoff. — ACHA QUE EU NÃO SEI DISSO ? ACHA QUE EU LIGO ?? EU SEI O QUE VAI ACONTECER COMIGO ! MAS EU TAMBÉM SEI O QUE VAI ACONTECER SE EU NÃO CHEGAR LÁ !!
Apesar de entender os fortes motivos de Kristoff , Flynn não conseguiu conter a raiva , mas se recusava à atirar. Sem outras opções , descontou em palavras.
– Minha família e outras mil estão contando conosco !! — Protestou Flynn preparado para atirar quando necessário. — E você quer arriscar a vida de todas elas por causa de uma mulher que NÃO TE AMA !! E , SE VOCÊ AINDA QUISER PERSISTIR NESSA LOUCURA , SAIBA QUE A ANNA VAI OLHAR PARA VOCÊ COM UM OLHAR DE NOJO !!
Tais palavras foram capazes de silenciar o desesperado Kristoff , mas o mesmo se recusava à soltar Merida , obrigando Fergus à puxar a âncora de volta para o navio. E , para o desespero de Flynn , a âncora já estava fora da água.
Com a âncora no convés , o navio estava pronto para seguir viagem.
– AGORA COLOQUE ESSE NAVIO NAQUELE PORTO !! — Gritou Kristoff pressionando a faca no pescoço de Merida com força.
Flynn não sabia o que fazer , apenas assistia Fergus correndo para o leme. E então , num momento de desespero , Flynn chamou Fergus.
– Fergus !! — Chamou Flynn.
Quando Fergus se virou para ver o que estava acontecendo , uma flecha , disparada por Flynn , acertou e perfurou seu joelho.
– NÃO !!! — Gritou Merida.
Também perplexo com a atitude de Flynn , Kristoff ficou imóvel e calado. Desesperada para socorrer o pai caído , Merida conseguiu se safar dos braços de Kristoff que nem tentou impedi-la. Ela passou pelo Flynn , mas a prioridade era seu pai.
– PAI !! — Ela gritou desesperada com as primeiras lágrimas escorrendo de seus olhos.
E então , Merida ficou de joelhos e socorreu Fergus que gritava de dor. Uma quantidade significativa de sangue jorrava do joelho de Fergus , mas Merida não pensou duas vezes , segurou a flecha com força e a retirou do joelho do pai de uma só vez , fazendo o mesmo soltar um enorme grito que ecoou até o reino de Anor Londo.
Imóvel , Flynn ficou observando o desespero de Merida e a dor de Fergus em silêncio. Não conseguia acreditar no absurdo que acabara de cometer. Não teve tempo para se pronunciar , pois Kristoff já avançava na sua direção desferindo um soco devastador em seu queixo. Atordoado , Flynn não pôde se defender , dando oportunidade para Kristoff segurar o seu pescoço com as duas mãos. Ele recuou e bateu as costas no chão , o que só piorou sua situação , pois Kristoff não parava de sufoca-lo.
– Traidor... — Resmungou Kristoff fazendo cada vez mais força para deixar Flynn totalmente sem ar. — A ANNA VAI MORRER POR SUA CAUSA !!
Flynn até tentou reagir , mas não conseguiu. Seu ar estava acabando , sua boca estava sangrando e ele fazia de tudo para se manter acordado. Mas Kristoff não parou e não hesitou , apertou o pescoço do amigo com todas as forças.
– Você...a...matou primeiro...em Ilhas Do Sul... — Respondeu Flynn. — Você...trouxe tudo isso...para ela...
E então , depois de tanto resistir , Flynn fechou os olhos e seu corpo parou.
De repente , Kristoff se afastou e se levantou encarando Flynn caído e inconsistente. Percebeu o que havia acabado de fazer.
– Você... — Disse Merida enquanto cuidava de Fergus que havia parado de gritar assim que viu a cena de Kristoff sufocando Flynn.
De repente , uma fumaça branca começou a se espalhar pelo convés como uma névoa. Não demorou muito e todo o navio estava tomado pela fumaça.
– O QUE É ISSO ?? — Perguntou Kristoff tentando chegar até Merida , mas não enxergava mais nada.
Seus olhos começaram a lacrimejar e começou a sentir uma forte tontura que escureceu sua visão. Não ouvia Merida e nem ninguém , apenas tentava seguir diante da fumaça.
– Kristoff ! — Chamou um homem atrás de Kristoff.
Quando Kristoff se virou , o homem encapuzado o golpeou no rosto. Ele caiu atordoado , apenas pôde ver o homem misterioso de pé. Era alto e com o rosto completamente coberto pelo capuz. Ele olhou para a direita e viu que Fergus e Merida haviam demasiado. De repente , os olhos de Kristoff começaram a fechar por causa da fumaça e , pouco a pouco , Kristoff também acabou desmaiando.
*
Personagem : Anna
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O coração de Anna estava quebrado , não conseguia acreditar no que Kristoff havia feito. Depois disso , todas as suas dores aumentaram. Estava sem palavras.
– Você... — Ela olhou nos olhos de Thane. — VOCÊ É UM MONSTRO !!!
– A noite é mais escura antes do amanhecer. — Respondeu Thane. — Agora...tragam ela !
– Mas e o navio ? — Perguntou Katharine. — Podemos explodi-lo agora !
– Não. — Respondeu Thane. — Ainda preciso deles. Vá até o porto com uma centena de guardas , impeça que os moradores cheguem perto do navio e traga Merida , Kristoff e Flynn para mim.
– Mas...
– Agora... — Ele fechou os punhos.
Sem coragem para debater contra Thane , Katharine se retirou. Logo depois , Vinci a acompanhou.
– Frosty ! — Disse Thane. — Vá com a Katherine e não deixe que ela mate os meus..."convidados". Depois disso , terá sua resposta.
– Por quê você quer eles vivos ? — Perguntou Frosty.
– Eles tem um dever para cumprir. Eles irão trazer a guerra , eu estou apenas dando um empurrão.
Nesse momento , Anna se inclinou para encara-lo e disse :
– Eles...não...vão fazer...nada para você... — Ela disse com muita dificuldade por causa da dor intensa em seu coração.
– Vamos ver... — Ele desviou o olhar para Frosty novamente. — Traga a criança antes de sair.
Com a retirada de Frosty , Anna começou a se desesperar , pois temia que a "criança" de que Thane falava seria Sophia.
– Saia daqui. — Ordenou Thane encarando Octávio.
Octávio não parava de olhar Anna , mas não era a hora de reagir , queria esperar pela melhor hora para ajuda-la à escapar. E então , sem falar nada , Octávio deu as costas para Anna se retirou.
Anna tentou chama-lo de "traidor" , mas uma tosse a impediu. Foi nessa hora em que ela notou que estava ficando sem ar a cada segundo que passava , era como se ela estivesse sendo enforcada.
– Você vai se encontrar com o Kristoff. — Disse Thane. — Aproveite , pois será o último. Depois disso , a guerra entre os cinco reinos vai começar. Arendelle , Solitude e a Escócia lutarão entre si enquanto a Itália e Ilhas Do Sul esperam ansiosamente pelo momento certo para dominarem tudo e todos.
– Acha mesmo que...eu irei permitir isso ? E por quê eu... — Ela viu um guarda subindo as escadas carregando um bebê no colo. No mesmo instante , Anna reconheceu o bebê , era Sophia. — Não...não... NÃO ! FIQUE LONGE DELA !!
– Ainda dúvida que eu não posso controlar vocês ? — Perguntou Thane segurando Sophia e dispensando o guarda que se retirou logo em seguida. — Vocês fariam o impossível para salvar aqueles que amam. Essa é a maior fraqueza do ser humano. — Ele começou a andar na direção da beirada do telhado , somente alguns centímetros separava Thane e Sophia de uma queda incalculável , só precisava de mais um passo para trás e ambos cairiam.
– NÃO ! POR FAVOR ! — Implorou Anna fazendo de tudo para se levantar , mas não conseguia por causa de sua perna. — O QUE VOCÊ QUER ??
– Quero que você se levante e venha pega-la. Ou , se preferir , posso me jogar desse telhado e eu e ela morremos na queda. Você escolhe.
Anna não se deu ao luxo de pensar , já tentava ficar de pé , mas a dor de sua perna piorava com qualquer movimento que ela fazia. Ela olhou e escutou o choro de Sophia. Tentou mais uma vez e conseguiu ficar de joelhos , logo se apoiou em um de seus joelhos e se levantou , mas assim que esticou a perna machucada ela não aguentou a desabou novamente.
– Ela não é a sua filha... — Resmungou Thane.
– ELA É MINHA FILHA !! — Gritou Anna com as lagrimas escorrendo pelo seu rosto.
– Você mesma sabe que ela não é e nunca será sua filha. Quer provar que eu estou errado ? Então venha tira-la de meus braços.
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