O Aroma do Gelo : Entre Contratos e Cicatrizes

5 ​Capítulo 5: O Rugido do Silêncio



​Capítulo 5: O Rugido do Silêncio

​O evento beneficente daquela noite era para ser apenas mais um compromisso de negócios, mas para Ethan, tornou-se um campo de batalha. Claire estava deslumbrante em um vestido verde-esmeralda, conversando animadamente com um jovem herdeiro da indústria têxtil. Ela sorria — aquele sorriso doce que Ethan pensava pertencer apenas aos seus momentos de trégua.

​O CEO observava de longe, a mandíbula tão tensa que chegava a doer. Cada vez que o rapaz tocava o braço de Claire, Ethan apertava seu copo de uísque com tanta força que o cristal rangia. Ele não aguentou.

​Atravessou o salão como um predador e, sem pedir licença, segurou o braço de Claire com firmeza.

​— Estamos saindo. Agora — rosnou ele, a voz carregada de uma possessividade sombria.

​— Ethan? O que deu em você? Eu estava no meio de uma conversa! — Claire protestou, sendo praticamente arrastada para o estacionamento.

​Assim que as portas do carro se fecharam, a explosão aconteceu.

​— Você está aqui para ser minha acompanhante, Claire! Não para se oferecer ao primeiro idiota que sorri para você! — ele gritou, os olhos faiscando em um tom de cinza perigoso.

​— Me oferecer?! — O rosto de Claire ficou pálido de choque, seguido por um rubor de fúria. — Eu estava sendo educada! Coisa que você não sabe ser. Você não me possui, Ethan. Esse contrato não comprou a minha dignidade!

​— Ele comprou o seu tempo e a sua imagem! E eu não aceito ser motivo de piada enquanto você flerta abertamente na minha frente!

​— Você é um homem doente, Ethan D'Strass. Sua frieza é apenas um disfarce para a sua insegurança! — Claire sentiu as lágrimas queimarem. — Quer saber? Fique com o seu dinheiro e sua solidão. Eu cansei.

​Ela saiu do carro antes mesmo de ele arrancar, batendo a porta com uma força que ecoou na noite fria.

​O Gelo de Claire

​Ethan esperou que ela ligasse no dia seguinte para pedir desculpas ou reclamar. Nada.

Dois dias se passaram. Três. Ele ligou dez vezes. Ela não atendeu. Mandou flores, que foram devolvidas. Ele ia até o apartamento dela, mas recuava no último segundo, o orgulho lutando contra um desespero crescente que ele se recusava a nomear.

​O escritório da D'Strass Cosmetics tornou-se um inferno. Ethan gritava com diretores, demitia estagiários por erros mínimos e não dormia. O silêncio dela era o castigo mais doloroso que ele já havia enfrentado. O gelo que ele tanto pregava agora o estava congelando vivo.

​O Retorno Inesperado

​No quinto dia, Ethan estava em sua mesa, desgrenhado, cercado de papéis, quando a porta se abriu.

​Claire entrou. Ela usava um conjunto de calça e blazer simples, o cabelo preso em um rabo de cavalo prático e um tablet na mão. Ela parecia... profissional. Radiante. Como se os últimos cinco dias tivessem sido férias, e não uma guerra fria.

​— Bom dia, Sr. D'Strass — disse ela, a voz suave e impecável, sem um pingo de rancor ou emoção. — Peço desculpas pela ausência, tive alguns problemas pessoais com meu cronograma da faculdade. Aqui estão os tópicos para a coletiva de imprensa de amanhã.

​Ethan travou. Ele a encarou, o peito subindo e descendo com força. A indiferença dela o estava matando mais do que a briga.

​— "Problemas pessoais"? — ele repetiu, levantando-se lentamente, a voz trêmula de raiva reprimida. — Você some por quase uma semana, ignora minhas chamadas e entra aqui agindo como se fosse uma estranha?

​— Somos funcionário e patrão, não somos? — Ela deu um sorriso educado, mas vazio, mantendo a distância da mesa. — Vamos manter o foco no trabalho. O senhor prefere o café agora ou depois da reunião?

​Ethan explodiu. Ele contornou a mesa em dois passos largos, encurralando-a contra a porta fechada. Ele apoiou as mãos na madeira, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo-a.

​— Pare com isso! — ele rugiu, o rosto a centímetros do dela. O cheiro de Claire, aquele perfume suave de flores brancas, o atingiu como um soco. — Grite comigo, me bata, mas não aja como se eu não significasse nada!

​— Você disse que eu era apenas diversão, Ethan — ela sussurrou, e pela primeira vez a voz dela falhou, revelando a mágoa. — Estou apenas seguindo as suas regras.

​— Pois eu mudei a droga das regras! — Ele estava ofegante, o estresse dos dias sem ela transbordando.

​Ele a olhou com uma intensidade que beirava o desespero. Seus olhos desceram para os lábios dela, e por um segundo eterno, o mundo parou. Ethan inclinou o rosto, a respiração quente de um misturando-se à do outro. Ele queria devorá-la, queria pedir perdão, queria dizer que estava enlouquecendo sem ela.

​Seus lábios quase se tocaram. Claire fechou os olhos, entregando-se ao momento. Mas, no último milímetro, Ethan parou. Suas mãos tremiam contra a porta. A confusão em seu rosto era dilacerante: o desejo lutando contra o medo de se tornar vulnerável.

​Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos com força.

​— Você vai me destruir, Claire — ele sussurrou, a voz quebrada. — E o pior é que eu acho que vou deixar você fazer isso.