O Aroma do Gelo : Entre Contratos e Cicatrizes
11 Capítulo 11: O Preço do Arrependimento
O Palácio Serbelloni, em Milão, brilhava sob as luzes de mil cristais. Era o lançamento da coleção de outono da Valli Couture, o evento mais exclusivo do ano. Claire Sterling era a estrela absoluta da noite. Ela flutuava pelo salão em um vestido de seda líquida cor de vinho, as costas nuas exibindo uma postura que exalava uma realeza que o dinheiro de Ethan jamais poderia comprar.
Ao lado dela, seu tio, Arthur Sterling, observava tudo com um olhar protetor. Claire ria, conversava em um italiano fluente e recebia elogios dos maiores nomes da Europa. Ela estava em casa. Ela era o sol daquele sistema solar.
E, nas sombras, o monstro de Nova York observava.
Ethan D’Strass não viera para conversar. Ele viera para vencer. Em menos de vinte e quatro horas em solo italiano, ele havia movido montanhas financeiras. Ele comprara a holding que financiava a agência de Claire e injetara bilhões na Valli Couture com uma única condição: exclusividade total sobre a imagem da "Face da Europa".
O Confronto Público
O mestre de cerimônias subiu ao palco, pedindo silêncio.
— Senhoras e senhores, temos uma surpresa. A Valli Couture acaba de firmar a maior parceria da história da moda. Gostaríamos de apresentar o novo acionista majoritário e o homem que detém os direitos exclusivos da nossa estrela, Claire Sterling... o Sr. Ethan D’Strass.
O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Claire congelou. O copo de cristal em sua mão tremeu por um milésimo de segundo antes que ela recuperasse o controle. Ela se virou e viu Ethan emergir da penumbra.
Ele parecia um imperador caído que acabara de retomar seu trono. O terno preto era uma armadura, e o olhar que ele fixou em Claire era uma mistura de triunfo e uma fome desesperada. Ele caminhou até o centro do salão, parando diante dela sob os olhares de toda a elite europeia.
— Claire — ele disse, a voz grossa e autoritária ecoando pelo salão. — O mundo é pequeno demais para você se esconder de mim. Fizemos um novo contrato. Eu comprei a sua agência, comprei o seu tempo e, a partir de amanhã, você volta para Nova York comigo. Exclusividade total.
A Humilhação do Rei
O burburinho de choque percorreu a sala. As pessoas esperavam que a modelo ficasse lisonjeada ou intimidada pelo poder do bilionário americano. Mas Claire Sterling não era mais a jovem estudante que precisava de dinheiro para remédios.
Ela deu um passo à frente, o rosto calmo, quase misericordioso. Ela olhou para Ethan não com ódio, mas com uma indiferença que doeu mais do que mil tapas.
— Sr. D’Strass — ela começou, a voz clara e projetada para que todos ouvissem. — Vejo que o senhor continua o mesmo homem previsível e limitado. O senhor acha que pode colocar uma etiqueta de preço em tudo o que deseja, não é?
— Eu não acho, Claire. Eu fiz. Você é minha contratada agora — ele rebateu, tentando manter a fachada de controle, embora o coração estivesse disparado só de estar perto dela.
Claire soltou uma risada curta, seca e elegante.
— O senhor comprou uma empresa de papel, Ethan. Mas esqueceu de ler as letras miúdas do estatuto da família Sterling. — Ela olhou para o tio, que sorriu. — A agência Valli não pertence mais à holding que o senhor comprou. Eu a adquiri pessoalmente esta tarde, com o apoio do fundo de investimentos do meu tio. O senhor acaba de gastar três bilhões de dólares em uma casca vazia.
Ethan empalideceu. O golpe financeiro foi um desastre, mas o golpe no seu orgulho foi fatal.
— Claire, eu fiz isso para trazer você de volta! Eu...
— Você fez isso porque é um covarde que só sabe se comunicar através de cheques! — Claire se aproximou dele, ficando a centímetros de seu rosto. O cheiro de flores brancas o atingiu como um tsunami, mas agora vinha misturado com o perfume caro de uma mulher que não pertencia a ninguém. — Olhe ao seu redor, Ethan. Estas pessoas não são seus funcionários. Este não é o seu escritório de gelo.
Ela pegou a taça de champanhe de um garçom que passava e, com um movimento lento e deliberado, derramou o líquido sobre os sapatos de luxo de Ethan, bem no meio do tapete vermelho.
— O senhor não me possui. O senhor não possui o ar que eu respiro. Se quiser falar comigo, marque uma entrevista com o meu secretário. Talvez eu tenha dez minutos para você daqui a dois anos.
Ela se virou de costas, deixando Ethan parado no centro do salão, cercado por flashes de fotógrafos que registravam a maior humilhação pública de sua carreira. Ele era o homem mais rico da sala, mas sentia-se um mendigo.
O Grito no Vazio
— Claire! — ele gritou, a voz quebrada, enquanto ela se afastava com o tio. — Eu te amo!
Ela parou por um segundo. A rigidez em seus ombros disse que ela ouviu. Mas ela não olhou para trás.
— O amor não é um contrato, Ethan — ela disse, sem se virar. — É uma entrega. E você já provou que só sabe cobrar.
Ela saiu do palácio, deixando Ethan D’Strass sozinho em seu império de papel, percebendo que, pela primeira vez, o dinheiro não poderia comprar o que ele mais desejava: o perdão da mulher que ele próprio ensinara a ser fria.
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