O Arcanjo Caído
1 Um Novo Paraíso
Notas iniciais
Seis dias. Foi o tempo de Yahweh para criar tudo. Depois de tanto tempo, Yahweh ainda sentia os efeitos da batalha contra Tehom, o Caos. Ele sentia-se cansado e ocioso. No fim do sexto dia, ele viu como tudo o que havia criado era perfeito.
– Terminado! – Sua voz ribombou pelo Universo como um trovão – Mas não há nada que eu possa fazer em minhas condições...
Olhando para o Cetro do Infinito, um cajado dourado com um enorme cristal na ponta que reluzia com uma luz tão forte que nem um Arcanjo poderia encarar, a arma mais poderosa do Universo, utilizada para derrotar Tehom éons atrás, pensou:
“Uma ferramenta para criar, mas uma arma para destruir. Isso não pode cair nas mãos de ninguém. A corrupção no caminho dos Arcanjos e dos Seres Humanos, somada a essa arma... Não vejo um futuro para isso. Tenho que conseguir um meio de ninguém encontrar este Cetro.”
Após enviar os 5 Arcanjos para acabar com os restos mortais de Tehom e seus lacaios escondidos, Yahweh se encontrava só no Centro do Cosmo. De repente, os olhos de Yahweh brilharam como chamas douradas:
– Um lugar, bem aqui, escondido dos olhos de tudo e de todos. Um... Segundo Paraiso!
Então Yahweh começou sua mais nova obra de arte, a criação de seu novo paraíso para a proteção do Cetro do Infinito.
–Xandria, disse ele, com uma certa animação em sua voz – O Centro de Todo o Universo.
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Rápido como um piscar de olhos, Yahweh apenas apontou o Cetro e a matéria começou a surgir do nada. Acontecia tudo muito rápido. Primeiro, um ajuntar de terras formou uma ilha gigantesca, seguido da formação de vários rios com águas cristalinas. Depois, começou a surgir arvores, flores, frutos e animais de todos os tipos existentes.
No céu, surgiu um sol bem próximo que liberava um calor aconchegante, o suficiente para os seres vivos sobreviverem. No meio da ilha surgiu uma enorme montanha, cujo cume ultrapassava as nuvens. Desde o pé da montanha até o cume, surgiu uma escadaria de ouro, ligando o chão da ilha ao topo da montanha. No topo, surgiu um tempo feito de marfim com as colunas exteriores e interiores feitas de ouro maciço.
“Esse templo... Lembra-me um que a futura civilização grega irá construir...” – Pensou Yahweh.
Dentro do templo, havia 6 colunas, 3 de cada lado, cada uma com uma fogueira que reluzia um fogo dourado à base de cada coluna. No fim do templo, havia um altar feito de marfim decorado com esmeraldas e rubis nas pontas. Naquele altar, havia um suporte feito de obsidiana, uma rocha negra como a noite.
Mas só aquilo não era o suficiente para proteger o Cetro do Infinito.
“Um guardião” – Pensou Yahweh. – “Um ser que não viva para nada, alem de proteger o Cetro do Infinito.”
Com isso, começou a criar um ser de grande poder. Um Ishim, mas não um ishim comum. Um Ishim de poder inigualável, com a aura que poderia ser confundida com a de um Arcanjo.
“Controlando os Quatro Elementos, ele será digno de proteger o Cetro.” — Pensou Yahweh, enquanto terminava de formar aquele que seria conhecido como Casaphael, O Arcanjo Caído e Mestre dos Quatro Elementos.
O Ishim apresentava uma by Text-Enhance\">pele alva como a neve. Seu cabelo acinzentado estava preso em uma trança e ia até o meio das costas. Ele usava uma túnica negra com um fio de prata em torno da cintura. Suas asas eram acinzentadas, quase brancas.
– Senhor?! – disse o ishim, abrindo os olhos e logo os cobrindo novamente com as mãos, como se olhasse para o sol. Não conseguia ver a forma exata de Yahweh.
– Sim, Casaphael, seu Criador. Voce foi criado com um propósito apenas.
– Qual, meu Senhor?
– Eu te criei com tamanho poder, para que sejas capaz de proteger o Cetro do Infinito contra o ataque de qualquer ser vivente.
Ao fundo, o Arcanjo Miguel se aproximava, retornando de sua missão. Vendo que Yahweh discutia com um ser que pensou ser um dos Arcanjos, preferiu ficar no anonimato, não se aproximando.
– Casaphael – continuou Yahweh – Você não deve deixar este templo, não importando as circunstancias.
– Sim meu Senhor, mas... O que o Senhor irá fazer agora que sua ferramenta está fortemente guardada?
Yahweh deu as costas a Casaphael, que ainda se encontrava com suas mãos tampando os olhos, e caminhou em direção a porta do templo e encarou tudo o que havia criado.
– Eu tenho um grande sonho em meu coração, Casaphael. Eu quero me tornar Um com tudo o que eu criei. Quero alcançar a Onipresença. Mas não posso deixar tal arma ao alcance de qualquer um. Por isso eu te criei. O seu dever, acima de todo desejo, é proteger este Cetro, se necessário, com sua vida. – Aquelas palavras soaram como um trovão dentro do templo.
– Eu entendo o seu desejo, meu Senhor e prometo cumprir a Sua vontade.
– Que assim seja. – Disse Yahweh, virando-se e indo em direção ao altar no fim do templo. Quando Ele pousou o Cetro do Infinito no pedestal de obsidiana, a luz que existia no cristal fora s apagando, até não restar nada alem que um cristal transparente em um cetro dourado.
Vindo em direção à porta do templo, o Arcanjo Gabriel chegou a tempo de ver tudo o que ocorrera logo em seguida. Boquiaberto, ele testemunhou à cena que ele nunca esperava ver.
Ele viu, ascender em direção ao infinito, Yahweh, e se desfazer como a explosão de um sol.
Ele voou em direção ao templo, com o horror estampado em seu rosto. Sacando a Flagelo de Fogo, ele invadiu o templo e foi em direção daquele ser cinzento que estava de costas para a porta e que ele imaginou ser um Arcanjo e gritou, colocando a espada no pescoço do anjo:
–Você – Casaphael conseguiu sentir a fúria e o medo exalando da aura do Arcanjo. – Onde... Onde Yahweh foi?
–Você presenciou tudo – disse Casaphael, calmamente para Gabriel, empurrando a mão e a espada de Gabriel para longe, fazendo parecer mais fácil do que era – Ele não foi a lugar algum.
–Como assim? – disse Gabriel, surpreso como Casaphael se livrou dele tão facilmente – Eu vi ele subir...
–Não, meu caro Arcanjo, você o viu Ascender. Ele alcançou a Onipresença. Você pode senti-lo bem aqui – disse Casaphael, pousando a mão onde ficava o coração.
– Mas como...
– Ele está presente em todo lugar agora. O Criador não nos deixou, Ele se uniu a nós.
De certo modo, Gabriel sabia que ele estava certo.
Por favor, Gabriel – disse Casaphael indo em direção da porta do templo e apontando pra fora — Vá embora e não diga nada do que testemunhou aqui pra ninguém. Esse era o ultimo desejo de Yahweh, que esse local permanecesse oculto aos olhos de todos.
Gabriel apenas assentiu com a cabeça, com uma tristeza imensa nos olhos e saiu voando pela porta do tempo. Ele olhou pra trás e conseguiu ver Casaphael indo em direção do altar e se sentando aos seus pés. As portas do templo, então, se fecharam com um barulho estrondoso.
Gabriel sabia que, de certo modo, Yahweh nunca os abandonara...
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