O Arcanjo Caído
2 O Poder sobe a cabeça de um Príncipe...
Notas iniciais
Miguel voltava de sua missão e ia se aproximando de onde Yahweh se encontrava. Ao chegar naquela ilha, tentou não se aproximar muito quando percebeu que Yahweh conversava com um ser de aura magnífica.
“Yahweh conversando com um arcanjo em um ponto tão longe do Monte Tsafon? Mas com que propósito?” – pensou Miguel enquanto se afastava lentamente.
Tomando velocidade, voou em direção ao Quinto Céu, mais especificadamente, ao Palácio Celestial. O Palácio era uma estrutura um tanto interessante, já que tinha uma estrutura pentagonal com um domo de cristal no meio, onde ficava a sala dos tronos.
Miguel voou ate o domo de cristal e por ali, adentrou no Palácio, Ao encontrar o chão encontrou um ser de costas para ele. Ao reconhecer, ficou um pouco surpreso.
–Você?! – disse Miguel expressando um grande desgosto em sua voz. Não esperava você aqui.
O Celeste encarava um dos tronos, o do mais alto patamar. Ao ouvir Miguel, virou-se e encarou-o com seus olhos azuis com um tom profundo e um sorriso no rosto,
–Esperava alguém em especial, Miguel? – disse o Celeste, que trajava uma toga branca alinhada, com uma placa de ouro no peito. Tinha os cabelos louros, presos em trança. Tinha uma expressão calma e sedutora e estava parado com a mão direita no punho de sua espada Raio da Aurora. A única coisa que diferenciava ele dos outros Arcanjos era o rosto livre de cicatrizes e um par de asas douradas.
–Qualquer um, menos você, Lúcifer... – murmurou Miguel.
Lúcifer logo reparou a duvida expressa no rosto de Miguel
–O que te aflige Miguel? – perguntou o Portador da Luz, arqueando uma sombracelha.
–Nada que você necessite saber... – Expressou Miguel com repugnância – Eu esperava encontrar Rafael aqui e não você.
–Ora, não confia em mim, irmão? – disse Lúcifer, caminhando até o segundo trono mais alto do patamar. Após se sentar, colocou a Raio da Aurora em seu colo e voltou a encarar Miguel, com um sorriso maléfico no rosto.
–Sinceramente? Não, Lúcifer...
–Assim você me magoa – disse Lúcifer com um sarcasmo impressionante em sua voz – Diga-me, o que você viu que não lhe agradou?
Miguel viu que não conseguiria outra saída a não ser contar-lhe.
–Isso não deve sair desta sala. Eu, enquanto voltava de minha missão, avistei Yahweh conversando com quem eu pensei ser um de nós, mas... – Miguel começou a andar de um lado para o outro – Eu não reconheci a aura.
Naquele momento, Gabriel entrou na sala com uma tristeza em seu olhar.
–Miguel, temos que conversar – Disse Gabriel. Ao avistar Lúcifer no trono, olhou com a mesma repugnância e Miguel para ele – A sós.
–Ok, eu vou sair, já que minha presença não é desejada aqui. Estarei em Gehenna, se precisarem de mim. – Lúcifer voou pelo domo e foi em direção ao Segundo Céu.
–Como se alguém precisasse de você – murmurou Gabriel. – Voltando ao assunto, eu não devia lhe contar isso, Miguel, mas eu conheci um ser de aura comparável à nossa.
Miguel apenas assentiu com um gesto feito com a cabeça.
–Eu avistei Yahweh conversando com ele. A principio eu pensei que era Rafael, mas não reconheci sua aura. É outro arcanjo?
–Não, é um ishim. Não sei de suas habilidades, mas não devemos subestimar aquele Arcanjo Caído...
–Caído? – perguntou Miguel – Por que Arcanjo Caído?
– Porque ele não é um de nós, não é um dos Primicérios.
Miguel encarou Gabriel com uma expressão de indiferença – Que seja.
–Miguel, tem mais uma coisa... Yahweh... – Ele hesitou.
–O que? Yahweh o que?- Miguel ainda o encarava com indiferença.
– Yahweh ascendeu.
–O que? – Perguntou Miguel, arqueando a sombracelha.
–Ele alcançou a Onipresença. Ele ascendeu ao infinito e dissipou sua essência.
–Então ele nos... Abandonou? – Havia fúria na voz de Miguel – Como ele acha que o Universo irá caminhar sem um deus para governá-lo? – Miguel voou até o trono mais alto do patamar e sentou-se com a Chama da Morte em sua mão direita – O que havia naquele templo?
–Eu não posso falar – expressou Gabriel, encarando Miguel
–Eu sou o Príncipe dos Arcanjos! Você vai FALAR! – Miguel já estava gritando e apontando sua espada para Gabriel.
Gabriel sabia que não poderia vencer Miguel em um combate direto. Não com a mente conturbada após a cena da Ascensão de Yahweh.
–Somente o Ishim e o... – Ele hesitou – O Cetro do Infinito.
–O Cetro? – perguntou Miguel com um brilho maligno nos olhos e um interesse em sua voz.
“O Universo precisa de um deus para governá-lo. Eu, como o Príncipe dos Arcanjos, tenho o dever de dar continuidade à obra de Yahweh, mas não posso fazer isso como um mero Arcanjo.” – Pensou Miguel.
–Chame Lúcifer aqui e leve-me até o templo. – Ordenou Miguel.
–Mesmo que eu consiga achar a ilha, o templo foi selado por dentro e somente o Ishim pode abri-lo e fechá-lo novamente.
–Hm. Então convoque Lúcifer aqui e encontre a ilha e esconda um anjo de confiança lá. Para que, quando o Ishim sair, o anjo possa nos informar. Eu quero conhecer esse Arcanjo Caído...
Gabriel assentiu com um gesto feito com a cabeça e saiu voando pelo domo de cristal.
“Primeiro o interesse pelo Cetro, depois me manda convocar Lúcifer, e agora quer um anjo escondido em Xandria. O que Miguel pretende fazer com o Arcanjo Caído?”
Planando sobre o Vale de Yahweh, uma cidade com castelos de ouro e templos feitos de perolas e marfim, tomou velocidade e foi ao encontro de Lúcifer em Gehenna.
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Ao adentrar em Gehenna, um local cavernoso e escuro, Gabriel sentiu um arrepio na nuca. Ele nunca havia entrado ali.
“Como algum ser pode viver aqui? Isso é totalmente o contrario do Primeiro Céu...”
Planou em meio a uma estrada feita de pó escuro, sem idéia de onde ir.
–Procurando alguma coisa, Mensageiro? – perguntou Lúcifer, surgindo das trevas atrás de Gabriel, com um sorriso no rosto.
–Miguel convoca sua presença no Palácio Celestial... Novamente... – avisou Gabriel, novamente com a mesma repugnância na voz.
–Gabriel – Lúcifer o chamou quando ele já voava para longe. Gabriel virou-se. – Por que você o segue cegamente?
–Porque ele foi eleito por Yahweh , como nosso Príncipe. Nunca duvide das escolhas de Yahweh. – respondeu Gabriel encarando-o com indiferença. – Também tenho um questionamento para você, Estrela da Manhã. Como você, ou qualquer ser, consegue viver em tamanha escuridão?
–Com o tempo você acostuma, e também aqui foi o local que Yahweh escolheu para mim. Como você mesmo disse “Nunca duvide das escolhas de Yahweh”. – respondeu Lúcifer, com um sorriso no rosto, admirando a inocência do irmão.
Com isso, ambos saíram voando de Gehenna. Lúcifer foi ao encontro de Miguel, no Palácio Celestial e Gabriel tinha a tarefa de encontrar um anjo de confiança para espionar o Arcanjo Caído...
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