O Apartamento ao Lado - Barão Zemo
1 Invasão ao Apartamento ao Lado
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Já é tarde,o tempo passoue como de costume as memóriasainda passeam aqui pela janelados meus olhos,é como um trem em uma maldita linha infinita.- Pedro Miranda• — ♚ — •
Ser neta da proprietária de um dos melhores condomínios em Riga, na Letônia, tinha suas vantagens. Por exemplo, pagar menos no aluguel.
Saulė Bērziņš é uma cidadã comum em Riga. Sem feitos incríveis e nenhuma história de tirar o fôlego como algumas pessoas. Sempre foi de ficar em seu canto, ou no mundo da lua. Preferia ler livros do que ir em ambientes cheios de pessoas, passar a tarde com pessoas de meia idade do que ir em baladas, ficar em casa do que sair.
Não que ela achasse isso ruim, pelo contrário, ela amava esse tipo de vida que tinha. Ela adorava a tranquilidade, a calmaria do ambiente ao seu redor, ouvir e ler histórias de outras pessoas, apreciar os pequenos detalhes da vida e refletir. Mas ela sentia que precisava de um pouco mais de agitação, algo que ela não faria habitualmente.
A única coisa fora do normal que aconteceu em sua vida, infelizmente, foi a morte de seus pais.
Ela tinha apenas cinco anos quando eles morreram em um acidente de carro. Depois dessa fatalidade, sua querida avó passou a cuidar dela. Saulė mal se lembra dos momentos que passou com seus pais e sentia-se mal por isso. Poderia não se lembrar deles de fato, mas sentia falta deles. Muita falta.
Sua avó era o próprio significado de delicadeza e elegância, era sua grande inspiração. A Sra. Bērziņš sempre teve muito cuidado quando passou a cuidar de sua neta, fazia o possível para se sentir bem e feliz sem a presença dos pais. Saulė sentia falta dos pais, mas sua avó foi uma mãe e um pai para ela, mais do que poderia merecer e era extremamente grata por sua avó cuidar tão bem dela.
Riga, apesar de ser um lugar belíssimo e cheio de cultura, não acontecia nada de extraordinário como acontecia nos jornais ou na TV. Nenhum super herói para salvar o dia, nenhuma manifestação contra o governo, uma briga ou um grupo de pessoas dispostas a ajudar os outros. Nem mesmo um assalto ao banco com homens usando máscaras de palhaço. Riga é aquela cidade que as pessoas dizem “nem fede e nem cheira”.
Não acontecia nada chocante até 2016.
Foi um ano que teve vários ocorridos, nada em Riga, é claro. Sendo um desses ocorridos a morte do rei de Wakanda e a separação dos membros dos Vingadores. O que esses dois acontecimentos tinham em comum? Um homem: Barão Helmut Zemo.
E o que ele e Riga tinham em comum? Simples, um dos apartamentos de sua avó pertencia ao homem.
Saulė nunca foi alguém do tipo curiosa, que revirava as redes sociais ou saia pelas ruas para descobrir alguma informação. Se ela soubesse de algo, foi porque alguém a contou. Mas aquilo era diferente. Quando soube que um dos apartamentos pertencia a um criminoso ela sentiu a necessidade de saber mais sobre o barão. Ela queria respostas para as suas perguntas, do tipo: “Por que um barão arriscaria tudo para derrotar os Vingadores?”, “Por que os Vingadores?”, “Por que tirou a vida do rei de Wakanda?”. Era impressionante como um simples homem sem soro ou armadura tecnológica conseguir fazer algo que nem um deus nórdico ou um robô conseguiram fazer.
Muitas coisas não foram a público, havia falhas nos artigos, mas, depois de muita pesquisa e ligar os pontos, ela enfim conseguiu suas respostas.
O Barão Zemo perdeu a família com a destruição de Sokovia em 2014. O país foi destruído por culpa dos Vingadores, mas o que tudo indica foi mais culpa do Tony Stark do que dos outros membros. E o rei de Wakanda foi morto para incriminar injustamente o Soldado Invernal, um velho amigo do Capitão América chamado James Barnes, e ele ser encontrado para o Barão conseguir destruir os Vingadores.
De qualquer forma, em resumo, o Barão Zemo fez tudo isso pela sua família, pelo seu povo. E apesar das coisas que ele fez terem sido horríveis, Saulė perdoava ele. Ela entendia as pessoas o acusar pelos crimes que cometeu, mas chamá-lo de monstro era hipocrisia.
Se ele era um monstro por vingar a sua família e o seu povo, o que Natasha Romanoff era por assassinar dezenas de pessoas? O que Hulk era por destruir tudo o que via pela frente? O que Tony Stark era por ser um dos responsáveis pela destruição de Sokovia e, consequentemente, a morte de vários sokovianos?
Eles foram perdoados por seus erros, mas por que Zemo não poderia ser perdoado? Por que ele tinha que ficar em uma prisão pelo resto de sua vida se pessoas que fizeram coisas piores estavam soltas?
É porque ele era perigoso demais.
Um simples homem conseguiu separar os Vingadores, os defensores da Terra. Se um homem como ele conseguiu isso, o que mais ele poderia fazer? Não era só os Vingadores que temiam ele, era o governo de vários países.
Saulė achava aquilo tudo um completo absurdo, pura hipocrisia dos líderes mundiais e dos heróis. Mas, provavelmente, só ela achava aquilo.
Passaram-se alguns dias, algumas semanas, meses, anos... E ninguém mais se lembrava do homem que destruiu os Vingadores, exceto Saulė.
Seu apartamento ficava no mesmo andar que o do barão, mas precisamente ao lado, e todos os dias ela passava em frente ao apartamento de Zemo e esperava a porta se abrir e encontrar ele. Imaginava eles iniciarem uma conversa simples e ao longo dos dias nascer uma amizade bem ali. Mas todo dia encontrava a porta fechada.
Nem mesmo o blip foi capaz de fazê-la esquecer o homem. Era algo estranho, ela mesma admitia isso. Não entendia muito bem por que tanto apreço pelo homem que nunca viu e conheceu, mas não era algo que ela pudesse evitar.
Como ela pagava menos o aluguel, ela limpava os apartamentos vazios para compensar o favor que sua avó fazia por ela, sendo um desses apartamentos o de Zemo.
Não era diferente dos outros, mas tinha um toque especial. Vários moveis, quadros e objeto antigos. Fora alguns pertences que eram diferentes do comum. Eram detalhes um pouco diferentes que sempre chamava a sua atenção.
Foram sete longos anos cuidando daquele apartamento, o vendo completamente vazio e sem vida. Até que de repente tudo mudou.
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Foi mais um dia normal que ela limpou o apartamento de Zemo.
O cheiro de produtos de limpeza entravam pelas suas narinas e causavam uma sensação prazerosa de relaxamento. Para algumas pessoas, esse tipo de trabalho era terrível, mas para ela era como andar. Era algo normal, mas em alguns momentos traziam uma sensação de bem estar, como naquele.
Ela saiu do apartamento e deu uma última olhada antes de fechar a porta.
Passaram-se algumas horas e ela notou que seu celular não estava em seu bolso. Após um breve surto interno, ela se lembrou que tinha o esquecido no apartamento de Zemo, só não se lembrava a onde tinha colocado.
Ela saiu de seu apartamento e deu alguns passos até parar em frente a porta do apartamento de Zemo. Pegou o molho de chaves e procurou até achar a chave que tinha um adesivo roxo. Ela colocou a chave na fechadura, mas tinha um pequeno problema que fez com que surgisse uma pulga atrás de sua orelha.
A porta estava destrancada.
E ela tinha trancado.
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