O Apartamento ao Lado - Barão Zemo
2 Surpresa no Apartamento ao Lado
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“Não sei lidar com essa erupçãode bons sentimentos que há emmim toda vez que você sorri.”- O Anjo• — ♚ — •
Saulė começou a pensar que poderia ter esquecido de trancar a porta, ela esquecia de muitas coisas ao longo do dia. Entretanto, ela lembrava claramente de ter trancado a porta. A ideia de alguém ter invadido o apartamento de Zemo fez o sangue de Saulė ferver.
Ela abriu a porta com uma certa violência e seus olhos percorreram o apartamento, encontrando dois homens sentados no sofá.
— O que estão fazendo aqui?! Vocês não deveriam estar nesse apartamento! – ela gritou irritada, dando alguns passos à frente.
Depois que Saulė gritou, ela reparou quem era os invasores, o que fez com que ela sentisse uma pontada de arrependimento por ter agido daquela forma. Eles eram nada mais nada menos que James Barnes, o famoso Soldado Invernal, e Sam Wilson, o Falcão.
Mesmo que eles fossem heróis, heróis que ajudaram a salvar a Terra e o universo, não era direito deles entrarem em um apartamento sem a permissão do dono, sendo esse que estava preso.
— Não estamos aqui para causar problemas! – exclamou James, mostrando as mãos e se levantando.
— Desculpa, moça! A gente não sabia que tinha gente aqui! – disse Sam, também se levantando. – Eu vou matar aquele sokoviano... – ele murmurou para si mesmo, mas Saulė ouviu.
“Sokoviano?”, ela pensou.
— Não tem gente, o dono está preso. – ela explicou. – Mas mesmo assim não deveriam estar aqui, a não ser que ele tenha permitido. O que eu acho bem difícil.
— Eu permiti. – soou uma voz cheia de sotaque.
Um terceiro homem saiu de um quarto e caminhou lentamente em direção a ela. Saulė arregalou os olhos, completamente chocada. Aquilo não poderia ser real.
— Mans Dievs (Meu Deus)... Você... Você é... – ela gaguejou.
— Sou o Barão Helmut Zemo, senhorita. – se apresentou, parando em frente a ela.
Saulė não estava só chocada, mas também feliz. Muito feliz. O desejo que tanto sonhou estava se tornando real. Ele estava bem ali na sua frente, a olhando com aqueles olhos castanhos profundos e misteriosos.
— Ah... Eu... Peço desculpas por entrar assim. Eu não sabia que... – ela começou, se atrapalhando ao falar devido ao nervosismo.
— Não precisa se desculpar. – ele a interrompeu. — A culpa foi minha por não avisar, apesar de que eu não poderia fazer isso. – ele explicou.
Ela estava prestes a perguntar o porquê ele não poderia ter avisado, até que ela se lembrou de um detalhe bem importante.
Ele estava ali. Fora de uma cela.
— Espera! Não era para você estar preso? Eles finalmente te libertaram?
— “Finalmente”? – repetiu Sam, franzindo a testa.
Sam e Bucky se entreolharam com a mesma expressão. Era como se várias interrogações estivessem pairando sobre suas cabeças.
— Quem dera, senhorita. Eu fugi da prisão com a ajuda deles. – Zemo apontou para seus colegas.
— Não me coloca nisso, foi o Bucky que te soltou. – disse Sam, apontando para o responsável.
— Não começa. – repreendeu Bucky.
Saulė não conseguiu disfarçar o desapontamento que sentiu ao ouvir aquilo. Se Zemo não estava livre, significava que ele não ficaria ali por muito tempo.
O jeito de Saulė estava causando muito confusão nos homens, não parecia assustada com a presença de Zemo. Ao contrário, parecia de certo modo feliz, mas eles não tinham certeza sobre isso. Zemo tinha percebido isso, mas preferiu não comentar nada para não constranger a moça. Entretanto, Sam e Bucky não pensaram nisso.
— Me desculpe, mas você tinha dito “finalmente” antes. – Sam fez uma pausa. – Você queria que esse cara estivesse solto?
Saulė ficou calada por alguns segundos, pensando no que poderia dizer. Mas não havia outro desculpa, era tudo tão obvio. E aquilo seria a oportunidade perfeita para desabafar um pouco sobre o que sentia e pensava. É claro, não falando tudo. Afinal, ela estava na presença de dois Vingadores.
— Sim. – ela finalmente respondeu.
Sam e Bucky ficaram surpresos com a resposta, esperavam que ela negasse aquilo, mesmo que fosse mentira. O barão ficou mais chocado que eles.
— Por quê? – ele perguntou.
— Não achei muito justo. Quero dizer, você fez coisas erradas e por isso tinha que ser preso. Mas outras pessoas mataram muito mais gente, fizeram coisas muito piores que você e estão soltas. E, sinceramente, dá para entender o porquê fez tudo aquilo.
— Eu vivi para ouvir isso. – murmurou Bucky se jogando no sofá, um pouco irritado com a declaração.
Zemo não disse nada de imediato, estava processando as palavras que Saulė havia dito. Era a primeira pessoa que tinha falado aquilo, reconhecido os fatos e falado em alta voz. Ele piscou algumas vezes antes de falar.
— Fico feliz em ouvir isso, muitas pessoas não entendem o meu lado. Mas isso é totalmente compreensível.
— Jura? – ironizou Sam.
Zemo, em resposta, abaixou sua cabeça e fez um estalo com língua, suspirando. Saulė, vendo que a relação dos três não era boa, decidiu resolver logo o que tinha vindo fazer antes de encontrar eles.
— Bem, eu... já vou indo embora. Eu só tinha vindo buscar o meu celular, esqueci ele aqui quando limpei o apartamento.
— Ah, eu encontrei ele na pia do banheiro. – disse Zemo, tirando o celular do bolso do casaco. – Aqui está. A propósito, fez um ótimo trabalho. O apartamento está impecável.
Saulė não pode conter um pequeno sorriso surgir em seus lábios e abaixou a cabeça, ficando tímida com as palavras dele.
— Obrigada. – ela o agradeceu e pegou o celular, encostando seu dedo nos de Zemo no processo. Uma pequena onda de choque passou por todo o seu corpo, fazendo o rosto de Saulė ficar corado.
“Que raios acabou de acontecer?”, pensou ela, ficando ainda mais envergonhada.
— Me desculpe, mas qual seria o seu nome? – ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado. Apesar do gesto ser simples, fez com que Saulė o achasse fofo.
— É Saulė. – ela respondeu, levantando a cabeça. — Saulė Bērziņš.
— Ah, você deve ser a neta da proprietária do condomínio. – notou. — Inclusive, é um belíssimo nome.
— Obrigada... – ela sorriu.
O sorriso de Saulė fez com que o coração de Zemo se aquecesse. Era uma sensação que não sentia a muitos anos, devido à sua perda e os anos que passou preso em Berlim. Então se sentiu estranho com isso, mas o sorriso dela era tão belo e puro que poderia ficar ali parado por uma eternidade até gravar todos os detalhes dele.
— Então eu já vou indo... Obrigada novamente. – ela disse, se afastando.
— Saulė.
Ela estremeceu ao ouvir seu nome na voz de Zemo. Parecia que ele a pronunciava com tanto cuidado. Ela se virou para olhá-lo.
— Por favor, não diga a ninguém que estamos aqui. – ele pediu.
— Não direi nada. E não hesite em me chamar se precisarem de algo, eu moro ao lado. – ela sorriu, saindo do apartamento.
Saulė voltou para o seu apartamento radiante. Sentia-se como se estivesse em um sonho, mas era tudo real. Ela finalmente conheceu o Barão Zemo, o homem que ela admirou por tantos anos. Ele não era nada como a mídia descrevia. Era educado, agradeceu e a elogiou, sendo que ela só tinha feito o trabalho dela, parecia tão calmo e era tão... atraente.
Essa parte que começava a perturbar Saulė, ela não esperava isso. Ela sempre o admirou, era apenas isso, mas ao vê-lo pessoalmente fez ela sentir sentimentos que não deveria nutrir. Ele era um criminoso, ou melhor, um fugitivo, tinha 45 anos e ainda por cima já teve uma esposa e um filho.
E ela? 30 anos e nunca teve um namorado.
Isso era muito errado.
“Não, não, não. Eu devo estar delirando. Ele não, por favor. Ele nunca olharia para mim. Meu Deus, ele é tão lindo. O que eu estou pensando? Tudo bem, ele é muito charmoso, mas eu não posso confundir as coisas. Talvez seja aquele casaco com pele, qualquer homem que usasse aquele casaco ficaria atraente. Ah! Eu me odeio!”
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— Eu não acredito que ela tá do seu lado. – Sam reclamou, voltando a sentar no sofá.
— Ela não está necessariamente do meu lado. – Zemo começou, sentindo que tinha que defender Saulė antes que ela arranjasse problema com Sam e James. — Ela só acha injusto que pessoas que fizeram coisas bem piores que eu estejam soltas, enquanto eu fui condenado a passar o resto da minha vida na cadeia.
Zemo foi até a cozinha, sentindo que precisava tomar um chá para se acalmar um pouco. Conhecer aquela garota estava o deixando um pouco nervoso. Nem mesmo ele acreditava que alguém estava do seu lado, e, o pior, parecia gostar dele mesmo sabendo das coisas horríveis que fez.
— Tudo bem, essa parte dá até para entender, mas eu não posso acreditar que ela queria que você fosse solto. Depois de tudo que você fez!
— As pessoas tem opiniões diferentes, Sam. Em algum momento iriam encontrar alguém que pensasse assim.
— Essa parte não dá pra discordar. – Bucky se pronunciou.
Depois que colocou a água para ferver, Zemo foi até o banheiro. Aproveitando que o barão não estava presente, Sam e Bucky começaram a conversar.
— Você viu a forma que ela olhava para ele? – perguntou Sam, sentando mais perto de Bucky. – A mulher ficou completamente encantada por ele.
— Eu vi. – revelou. — E você viu a forma que Zemo olhava para ela? – perguntou Bucky.
— Outro detalhe que me assustou. Acha que esses dois vão causar problemas?
— Sinceramente? Eu não faço a mínima idéia... – respondeu, olhando para o chão. — Ela não parece que vai apontar uma arma em nossas cabeças e ele parece que não faria nada de ruim contra ela, mas estamos falando do Zemo e de uma garota que queria ele solto.
— Essa missão só aparece surpresa. – Sam reclamou. — Agora só falta aparecer o Papai Noel com roupa de coelhinho da páscoa.
Bucky riu e não disseram mais nada até Zemo retornar e tomar seu chá. Logo depois, saíram para buscar informações sobre os Apátridas.
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