O Apanhador de Almas
8 A Floresta das Fadas
Notas iniciais
Lucy
Estávamos de frente para uma barreira mágica. Olhei para Sae, a mesma olhava todo o território a nossa volta como se não visse a barreira nos impedindo.
— Sae, você vê que tem uma barreira ali na entrada da floresta? – Perguntei vendo ela negar com a cabeça.
Possivelmente, aqui está um dos pontos que comprova a minha utilidade para tal missão.
Me aproximei da barreira e antes que eu pudesse encostar nela, senti uma energia muito forte me empurrar para longe dali. Apesar de ser uma energia negativa querendo me afastar, não parecia ser ameaçadora. Parecia ser a proteção da floresta contra o perigo para a mesma.
Seria mentira tudo o que me contaram durante a infância? Teriam todas aquelas pessoas desaparecido, de fato?
Segurei firme a pequena mãozinha da Sae enquanto Roku voava ao meu lado. Quando nos aproximamos da barreira, outra onda de energia passou por nós, dessa vez ultrapassando nosso corpo como se estivesse analisando.
Sae segurou minha mão com mais força. Olhei em sua direção e ela aparentava estar assustada. Atitude lógica, vindo de uma criança de cinco anos sem o apoio familiar.
Atravessamos a barreira e nada aconteceu. O ambiente a minha volta era característico de uma floresta qualquer. Diversas árvores com diferentes tamanhos, com sua raiz grossa e os ramos se estendendo pelos arredores da trilha. O gramado brilhava com os raios rolares, seu verde ofuscava a beleza do ambiente querendo a atenção para si mesmo. Apesar de ser chamada de Floresta das Fadas, não havia uma flor sequer onde eu estava, próximo à entrada.
Roku se prendeu em meu pescoço, assustado demais mesmo estando num lugar tão bonito. Talvez, seja este o motivo que torna esta floresta tão perigosa como aquelas histórias em que uma sereia quando decidi capturar homens com sua beleza. Senti um arrepio atravessar meu corpo imaginando Aquarius com uma dessas sereias.
Decidi parar de analisar e procurar por vestígios de magia ou pegadas de dragão, algo que vai ser fácil de se encontrar.
— Onee-san estou com medo. – Sae comentou agarrada ao meu braço direito, e a minha esquerda Roku voava próximo do meu pescoço.
— Não se preocupem, vou proteger vocês. – Com certeza vou proteger, nem que eu precise me machucar no lugar de cada um deles.
Me abaixei na altura deles e chamei a atenção deles para que olhassem para mim.
— Mesmo que eu prometa e jure que vou proteger vocês, preciso que sejam corajosos. Não podemos ter medo se estivermos juntos, certo? – Falei sendo abraçada por dois pares de bracinhos pequenos.
Continuamos seguindo em frente até que nos deparamos com três bifurcações. Ninguém havia me falado nada sobre mais de uma opção de atalho para alcançar o interior da floresta.
Olhei para Roku e ele estava gesticulando para o caminho a nossa esquerda, exatamente o mais escuro e aparentemente mais perigoso.
— Lucy, você pediu que a gente não tenha medo. – Ele continuou apontando para a rota a esquerda. – Vamos por este caminho! – Falou me lembrando outro gatinho com personalidade forte.
Me lembrei de meus queridos nakamas. Natsu invadia meus pensamentos quase não deixando espaço para que eu pensasse em outra coisa senão ele.
Não podia evitar os pensamentos de que talvez não notaram minha ausência. Contudo, eu deveria confiar na minha família Fairy Tail e no pedido que fiz a Levy e ao Mestre Makarov.
Aceitei esta missão, agora devo concluí-la, retornar a Crocus com o Apanhador de Almas e voltar para meu querido apartamento, receber as visitas inesperadas de meus queridos nakamas.
Fui surpreendida quando Sae saiu correndo na direção de um vulto brilhoso. Forcei a vista para que pudesse entender do que se tratava.
Mesmo naquele atalho escuro e com aparência de local com perigo iminente, não sentia ameaça alguma. Pelo contrário, sentia uma leveza de espírito como se estivesse sendo bem recebida.
— Olha Onee-chan, é uma fadinha. – Sae segurava uma pequena bonequinha. Olhei para a marca da guilda na minha mão direita.
As semelhanças eram tão grandes. A Primeira Mestra teve experiências incríveis para ter tal idéia e inspiração para que fosse o símbolo de nossa querida guilda e ali estava, a prova de que fadas são lindas e têm causa sim.
Antes que eu pudesse notar o que estava acontecendo, fui rodeada por várias fadinhas. Elas sorriam tão alegres como se nunca tivessem visto uma pessoa. Olhei para Sae e ela também estava com várias fadinhas ao seu redor, já Roku corria atrás das pobrezinhas. Gatos, certo?
De repente, senti meu corpo sendo empurrado em direção ao final da rota que escolhemos. Ao final do caminho conseguia ver uma pequena casa, do tamanho de uma casinha de boneca. As fadas continuavam me empurrando na direção da casa até que fizeram com que eu sentasse no chão. Sae correu até onde eu estava e sentou ao meu lado, Roku voou e pousou no meu colo.
— Lucy, essas fadinhas são boas? – Roku perguntou parecendo confuso.
Eu também estava confusa. Tantas lendas foram contadas, sempre trazendo uma idéia ruim e perigosa para a Floresta das Fadas. Mesmo a existência de tais fadas foi algo inesperado para mim.
Sorri para ele sugerindo que sim. Ele entendeu sorrindo também e olhando para frente.
Analisei o ambiente a minha volta e pude reparar que era um campo muito vasto, uma parte da floresta aberta possibilitando uma visão privilegiada do terreno. A minha direita estavam dispostas várias pedras, rochas de várias formas e tamanhos. A minha esquerda, várias árvores escondiam o que eu pensei ser casas.
Seriam habitações? Poderiam ser casas das pessoas desaparecidas? Estariam elas vivas e seguras?
Olhei na direção da casinha e vi uma outra fada, maior do que as que nos arrastaram até aqui.
— Companheiros, olá. Grande é o prazer de recebê-los. – Falou uma fada de cabelos verdes, provavelmente, tendo a mesma altura que os exceeds de Fairy Tail.
Roku e Sae começaram a gargalhar quase rolando no chão.
— Onee-chan, a fadinha fala engraçado. – Sae segurava sua barriga.
Logo dei um olhar repreendendo a atitude deles, fazendo com que ambos sentassem com a postura reta. Apesar de terem me obedecido, suas mãos cobriam suas bocas impediam que as risadinhas saíssem alto.
— Olá fadinha. Sou Lucy Heartfilia. Não quis te incomodar, afinal estamos só de passagem. – Falei enquanto levantava do chão.
Finas linhas quase transparentes apareceram a minha volta, logo, prenderam meus braços fazendo com que não pudesse me mover.
— Lucy bem-vinda seja. Agora, precisa você escutar o que pra falar tenho. – Ela sorriu para mim. – Lotusblume sou eu. Guardiã da Floresta. – Se aproximou de mim fazendo com que as linhas presas ao meu corpo se soltassem.
Apesar de ter me mantido presa, não sentia que estava sendo ameaçada. Estava curiosa sobre aquele ser mágico que descobri. A Guardiã da Floresta. Provavelmente saberia responder algumas perguntas sobre eventualidades que possam ter ocorrido por aqui.
— Saber sobre dragão você veio. Aqui não está mais. Família minha ele assustou. – Lotusblume ficou com suas bochechas vermelhas
— Isso quer dizer que Acnologia passou mesmo por aqui. – Ela me encarou tensa, talvez por ouvir o nome do dragão. – Ele atacou a vila ou alguma pessoa? Na verdade, alguma pessoa vive aqui na floresta? – Arranquei risadas dela.
— Vocês culpados são por isso pensar. A floresta boa é. – Ela se sentou do meu lado.
Ou seja, foram os humanos que trouxeram esta imagem ruim para a floresta. Por que fizeram isso? Por medo do desconhecido? Magia não é algo desconhecido. Pode até ser algo perigoso se parar nas mãos erradas e dependendo dos princípios do mago.
— Pura você é menina Lucy. Passar pelo portal conseguir vai. Necessário é. – Ela se levantou e me entregou uma pena dourada. – Quando o portal achar, não deve pena esta soltar. Proteção sua é. – Ela estendeu suas mãos para além do bosque.
Uma luz verde se formou em ambas as suas mãos e simultaneamente, um caminho de flores se formou. Ela não precisou dizer que eu deveria seguir aquele caminho para encontrar o portal. Minha dúvida era do que eu encontraria lá e para onde iria.
— Acnologia passou por este portal? – Lotusblume assentiu antes de ir até sua pequena casa.
— Cuidado tenha e cuide dos dragões nossos. – Ela entrou batendo sua porta em seguida sem me dar a chance de perguntar mais alguma coisa, agradecer ou mesmo me despedir.
Olhei para o caminho que se formou e coloquei o mapa a minha frente. A nova trilha parecia conectar a Floresta das Fadas a uma longa estrada dando acesso a estação de trem. Porém, se seguir em frente durante uma hora, mais ou menos, chegaria ao segundo local visitado por Acnologia.
Seguimos a trilha até o final, durante o percursos notei uma movimentação estranha. O trilha não estava mais coincidindo com o mapa e quanto mais caminhávamos, mais distante ficávamos do caminho indicado pelo mapa. Lotusblume disse para seguirmos o caminho e ir até o portal, certo? Vou seguir seu conselho.
Em meu colo, Roku apontou sua patinha para frente. Travei onde estava vendo a minha frente um portal mágico, formados por traços dourados.
“Passar pelo portal conseguir vai.”
“Necessário é”
Decidi confiar na Guardiã da Floresta e me dirigi até o portal. Senti meu braço ser puxado para trás. Era Sae me encarando com seus olhos arregalados.
— Onee-chan, estou com medo. – Ela olhou para o portal e realmente parecia assustada. – Não quero ir. – Ela tentou me puxar para longe.
Firmei meu corpo no mesmo lugar.
— Sae, vamos estar juntas. Não precisa ter medo. – Senti que ela relaxou ao ouvir o que falei.
Agarrei sua mão tentando passar segurança. Olhei uma última vez a minha volta antes de passar pelo portal.
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