O Amor Supera Tudo
36 Passeio no Central Park
Notas iniciais
No dia seguinte, Domingo, às 15h:23min da tarde...
P.O.V Do Freddie
Saí do Four Seasons Hotel e como o parque fica perto do hotel aonde estou hospedado, fui caminhando, segui pela rua West 110th Street, rumando para parte Norte do Central Park. Estava fazendo uma bela tarde, com o típico clima gélido de NY, estamos em Outubro, portanto, não faltam tantos meses para o Natal e está ótimo para quem curte passar as tardes nas pistas de Patinação que existem no Central Park. São duas pistas projetadas para o lazer, além das trilhas para caminhadas e a imensa área ajardinada para quem curte fazer piquenique nos tempos menos rigorosos.
Lembro-me que quando a Sam tinha 11 anos viemos passar o Natal aqui, passamos uma tarde admirando os lagos artificiais que na época estavam congelados e de noite nos divertimos numa das pistas de Patinação. Naquela época, a Sam ainda era minha garotinha, doce e inocente que me arrastava para passearmos pelo parque, não parava quieta um minuto, sempre estava sorrindo e com aqueles olhos azuis brilhantes, brincando e tentando me fazer correr pelo parque atrás dela.
Depois de longos minutos de caminhada, finalmente cheguei na parte Norte onde fica a área ajardinada, aonde piqueniques costumam ser feitos e é o lugar preferido das crianças. Para onde olho vejo casais de namorados, grupinhos de amigos e até mesmo famílias se divertindo e passeando por essa área do parque, e há bastante crianças correndo, brincando entre si ou com os pais.
Sentei num daqueles bancos que havia disponíveis ali e passei a observar o movimento das pessoas que estavam ao meu redor, é muito ruim estar sozinho num lugar como esse, tão grande e cheio de pessoas desconhecidas, e puxar assunto com alguém que não conheço não é algo que eu costumo fazer, gostaria de estar acompanhado para curtir essa bela tarde aqui.
[...]
Comecei a prestar atenção num garotinho que passou por mim seguindo um vendedor de balões, ele estava sozinho, todo agasalhado com direito à gorro e luvinhas. Ele era tão pequenininho, que tipo de pais deixam crianças desse tamanho sozinhas andando por aí?
Me levantei preocupado com aquela situação, ele deve ter se afastado dos pais e começou a seguir o vendedor de balões, atraído pelos grandes balões coloridos e chamativos em formas de bichinhos. Comecei a segui-lo, e apressei os passos para alcançá-lo.
Consegui chegar até ele e o parei, o garotinho me olhou assustado, mas logo se acalmou quando percebeu que eu não lhe faria mal algum, me abaixei ficando quase da sua altura e segurei seus pequenos ombros.
— Oi. — Sorri para o garotinho branquinho de olhos castanhos, que me olhava curioso. — Qual é o seu nome? — Perguntei o encarando.
— Nathan. — Respondeu tímido, com a voz baixa.
— Quantos anos você têm?
Ele levantou a mão esquerda e mostrou três dedinhos, era canhoto como eu, pelo menos foi o que eu pensei observando aquele gesto.
— Onde estão seus pais? — Perguntei e ele como previsto, não soube responder.
Estava mesmo preocupado com aquela criança de apenas três anos e possívelmente perdida naquele parque, correndo o perigo de ser raptada ou pior, se alguém pudesse lhe provocar algum mal, decidi ajudá-lo a encontrar seus pais. Uma vez perdi uma certa loirinha num Shopping e passei por um desespero que só Deus sabe, crianças em lugares públicos são assim, somem por qualquer descuido.
[...]
P.O.V Da Sam
Nathan havia sumido e eu estava desesperada, a cada segundo que passava meu desespero só aumentava. Por um pequeno descuido, ele não estava mais com a gente e eu estava disposta a rodar aquele parque inteiro atrás do meu filho, eu poderia ficar horas ali o procurando, não iria descansar até ter meu pequeno Nathan comigo.
— Calma, amor, nós vamos encontrá-lo. — Gibby falou enquanto vinha andando atrás de mim, carregando Christian e Jasmin, parei de andar e me virei para ele.
— Como quer que eu fique calma se meu filho está desaparecido? — Perguntei quase gritando, minha angústia era tão grande, o medo de nunca mais poder vê-lo estava acabando comigo. — Ainda é um bebê. — Falei com a voz embargada. — Eu quero meu filho! — Comecei a chorar.
Chris e Jasmin olhavam para mim, ambos tristinhos, agarrados ao Gibby.
— Eu sei... A gente não vai sair daqui até encontrá-lo, ok? — Avisou.
Tentei limpar as lágrimas, foi em vão, respirei fundo antes de voltarmos a andar. Meu pequeno poderia estar em qualquer lugar, meu maior medo era de que ele pudesse ter sido raptado, jamais suportaria passar por isso, perder meu filho seria a minha ruína.
Minutos depois...
Começamos a perguntar para as pessoas se elas teriam visto um garotinho com as características de Nathan, andando sozinho ou acompanhado, mas ninguém sabia nos responder. A cada minuto que passava meu medo e minha angústia de não saber aonde estava meu filho só aumentavam, eu estava arrasada, só queria o meu pequeno e eu não sairia daquele parque sem ele.
— Mamãe. — Jasmin choramingou me olhando, ela estava tão tristinha como se entendesse a minha dor.
Chris e ela já estavam sentindo a falta do irmão, e ambos já haviam perguntado sobre o Nathan, aquilo me deixou ainda mais arrasada.
— A mamãe vai encontrar seu irmãozinho, ok? Prometo, princesa! — Em meio às lágrimas sorri para ela, encarando aqueles olhinhos iguais aos meus, acariciei suas bochechinhas rosadas e ela sorriu.
Gibby e eu voltamos a andar, procurando o Nathan, olhando atentamente para todos os cantos daquele parque onde passávamos, perguntando para as pessoas.
[...]
Há poucos metros de onde estávamos, avistei um homem com um casaco preto caminhando com um garoto bem pequeno no colo e ele estava indo na direção que estávamos seguindo, o homem estava de costas e eu podia ver apenas o rosto do garotinho e sua cabeça coberta por um gorrinho azul. Aquele era o Nathan, eu o reconheceria em qualquer lugar, era o meu filho e estava sendo carregado por um estranho.
Comecei a correr, ignorando os chamados de Gibby que ainda estava carregando Chris e Jasmin, estava correndo para deter aquele homem que estava levando meu filho. E assim que consegui alcançá-lo, o puxei pelo ombro direito e rapidamente tirei meu pequeno Nathan de seus braços, agarrei meu pequeno o abraçando.
Não ousei olhar para o rosto daquele homem, tudo que importava naquele momento era o meu filho que já estava em meus braços.
— Ah, meu amor, eu senti tanto medo! — O abracei como se minha vida dependesse daquilo, lágrimas de felicidade e alívio banhavam meu rosto, sorri sentindo suas mãozinhas acariciando meu cabelo.
— Mamãe. — Ouvi sua vozinha quando seus braços ficaram ao redor de meu pescoço.
— Sam? — Ouvi uma voz conhecida que me fez congelar, aquela voz inconfudível fez meu coração disparar. Não, não, não. Não poderia ser, não queria acreditar naquilo.
Finalmente tomei coragem e olhei para o dono daquela voz, que tinha o poder de mexer comigo de tal maneira avassaladora, era ele e estava me encarando totalmente confuso.
— Graças a Deus! — Ouvi a voz de Gibby, ele parou ao meu lado e assim como eu, ficou encarando o Freddie que estava diante de mim.
— Sam... — Ele repetiu meu nome, enquanto olhava para o Nathan em meu colo, também olhou para Jasmin e Chris no colo de Gibby.
Freddie estava surpreso, e eu estava temerosa. O pai dos meus filhos estava diante deles e era tudo que eu sempre temi.
— Essas crianças... — Ele falou com dificuldade. — São seus filhos? — Perguntou um pouco hesitante.
— Sim. — Respondi com a voz baixa.
— Trigêmeos bivitelinos? — Perguntou e eu assenti.
— Obrigada por ter achado o meu baixinho, fico feliz que ele tenha sido encontrado por você. Serei enternamente agradecida... Adeus! — Falei tudo de uma vez, estava tão nervosa que mal sabia o que estava falando, apenas falei sem pensar. — Vamos? — Chamei o Gibby e me virei com o propósito de sair dali o mais rápido possível.
— Espera! — Freddie me deteu, puxando meu braço esquerdo.
— Solte ela. — Gibby ordenou.
— São meus filhos? — Perguntou quase num sussurro, ele estava desconfiado. Olhei em seus olhos, vi que estavam um pouco marejados.
— Diga a verdade, Sam, ele tem o direito de saber! — Gibby falou para a minha surpresa, me fazendo entrar num dilema.
O que eu deveria fazer? Falar a verdade ou mentir?
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