O Amor Supera Tudo
34 Ligações
Notas iniciais
No dia seguinte: Sábado, às 08:00 da manhã.
P.O.V Da Sam
Terminei de servir o café da manhã para as crianças e me sentei à mesa com o Gibby. Sábado e Domingo ele costuma vir cedo para tomar café conosco, não me importo, pelo contrário, eu gosto disso. Gosto de tê-lo por perto, ele me faz bem e eu adoro sua companhia.
— Depois precisamos conversar. — Disse ele com calma.
Termino de passar geléia nas minhas torradas, e olho para ele.
— Se for sobre ele, eu não quero ter essa conversa. Quer mesmo conversar sobre ele? — Perguntei, hesitante.
— Tudo bem, se não quer falar sobre ele, eu respeito sua decisão. — Falou um pouco, frustrado.
Eu estava evitando falar sobre Freddie, estava com medo que isso pudesse nos abalar ainda mais. Nunca tivemos uma discussão e provalvemente teríamos se fossemos conversar sobre o Freddie, Gibby o odeia.
Comecei a comer com calma, quando ele está aqui eu consigo comer com calma, pois nós divimos nossa atenção com os trigêmeos, a Jasmin é uma comilonazinha e sempre se engasga, o Christian é o brincalhão que adora jogar comida nos irmãos e o Nathan é muito enjoadinho para comer e o Gibby me ajuda com tudo isso.
— Ei, nem pense em fazer isso, rapazinho! — Chamo atenção do Chris que levantou a mão cheia de bolachas, ele estava prestes a jogar nos irmãos.
Meu namorado começou a rir, olhando para o pequeno de olhos azuis que fez um biquinho fofo e colocou as bolachas de volta no pratinho.
— Ele puxou a você, esse humor brincalhão é você que tem! — Afirmou ele me olhando e eu comecei a rir, balançando a cabeça e negando.
— Pode ser que sim, o Chris é uma caixinha de surpresas, é o palhacinho do trio! — Falei.
Olhei para o Nathan e ele estava encarando o pratinho ainda cheio de bolachas. Jasmin estava toda suja de leite com direito a bigodinho espumante.
— Nathan, a sua irmã vai devorar suas bolachinhas, coma logo ou você quer que ela coma tudo? — Perguntei para ele que balançou a cabeça rapidamente, negando.
Ele obedeceu, começou a comer devagar. E era verdade, a Jasmin já estava de olho em suas bolachas, comecei a rir.
— Ele é tímido e sempre teve essa vergonha boba de comer na nossa frente! — Comentei.
— E se não for timidez? E se tiver algo de errado com ele? — Gibby perguntou, enquanto observávamos o Nathan.
— Não há nenhum problema, a Pediatra deles já me informou que isso faz parte de sua timidez, ele não costuma interagir com os coleguinhas da creche e ele só vai se soltar com o tempo. — Expliquei.
— Ele é muito inteligente, mais do que os outros! — Gibby afirmou.
"Puxou ao pai." Pensei.
— Sim. Ele é o meu nerdizinho! — Sorri, orgulhosa.
— Mamãe? — Jasmin me chamou, olhei para ela e a pequena balançou o copo vazio, ela queria mais leite.
— Mamãe? — Dessa vez foi o Nathan me chamando, ele apontou para Christian que estava com um sorrisinho sapeca.
O pestinha havia jogado bolachas no irmão e Nathan estava emburrado, olhando para Chris que começou a rir.
— Gibby! — Falei olhando para ele que havia começado a rir junto com Chris.
— Juro que não deu tempo de impedí-lo, ele foi mais rápido! — Avisou se defendendo.
Semirrei os olhos fitando Chris, ele parou de rir e me olhou assustado. Fiz minha típica cara de "Mamãe está brava com você".
— Papai! — Ele olhou para Gibby pedindo ajuda, já sabendo que iria ficar 6 minutos no banquinho da disciplina olhando para a parede.
[...]
— Você sabe que ele só tem 3 anos e meio, e esse tipo de castigo não funciona, né? — Indagou Gibby quando acabei de colocar Chris no banquinho.
— Vai me dizer agora como devo disciplinar meu, filho? Eu nunca irei bater nele, você sabe disso. Melhor botá-lo de castigo, não acha? — Cruzei os braços, encarando-o.
— Discordo. Ele ainda é muito pequenininho e colocá-lo de castigo só porque ele fez algo que normalmente crianças da idade dele fazem não é o correto, Sam! — Falou com calma.
— Sou a mãe, tenho que pôr limites. Se eu não fizer isso, ele vai continuar jogando comida nos irmãos, você acha isso certo? — Retruquei.
— Não, mas...
— Já chega! Por favor, não venha me contrariar, o Chris vai ficar de castigo sim. Ele precisa aprender, e saber o que é certo e o que é errado! — Falei o interropendo, encerrando o assunto.
Minutos depois...
— Você entendeu porque eu te coloquei aqui, querido? — Perguntei abaixada na altura de Chris que ainda estava sentado no banquinho, agora de frente para mim.
Ele sacudiu a cabeça confirmando.
— Diga para a mamãe o porquê de eu ter feito isso? — Pedi, encarando-o.
— Porque mamãe não gosta de mim! — Respondeu me fitando com aqueles olhos claros, com certa tristeza.
Suspirei, e o fitei procurando palavras que haviam fugido naquele momento.
— Parabéns meu amor, ele agora pensa que você não gosta dele! — Gibby debochou.
E com toda a calma do mundo, comecei a explicar para Chris o motivo dele estar ali e tive que dizer várias vezes que o amava até ele compreender tudo ou mais ou menos...
[...]
Horas depois... Às 15h:20min da tarde.
— Você sempre está certo, desisto, nada de castigos. Só depois dos quatro anos! — Falei levantando as mãos pra cima, fazendo um sinal de rendição.
— Você que sabe! — Disse sorrindo, me sentei no carpete ao lado de Nathan que estava rabiscando no novo caderno de desenho.
Gibby estava brincando com Jasmin, os dois estavam vestindo e penteando as Barbies dela, coisa que eu não tenho paciência de fazer.
— Sam, você deu água para a Jasmin preparar o chá que ela usou para a gente brincar de Chá da tarde com os ursinhos? — Gibby perguntou de repente.
— Como assim chá? Que chá? Eu só arrumei a mesinha com as xícaras, pires, os pratinhos com biscoitos e suco para ela poder brincar! — Expliquei.
Comprei um jogo de loucinhas de brinquedo para Jasmin e ela convidou o Gibby para brincar de Chá da tarde com os ursinhos de pelúcia.
— Ela tomou todo o suco e me serviu o chá! — Contou, confuso.
— Você tomou? — Perguntei, preocupada.
— Sim. — Ele respondeu.
— Oh, meu Deus, e ser for água da privada? — Perguntei e olhei para Jasmin. — Vem aqui, Jas! — Chamei.
Ela largou a boneca que estava brincando e se aproximou de mim.
— Princesa, onde você pegou água para preparar o chazinho que serviu para o seu tio? — Perguntei, apreensíva.
— No banheiro! — Respondeu ela sorrindo.
— É melhor ir escovar os dentes e use bastante enxaguante bucal! — Avisei para Gibby. — E nem tente mais me beijar hoje! — Falei, séria.
— Foi água da privada? — Perguntou assustado e eu assenti fazendo careta de nojo.
[...]
P.O.V Do Freddie
Decidi ligar para Carly e pedi o número da Sam, ontem a Sam me abandonou naquela lanchonete e nem deu tempo de pegar o número dela. Quero conquistar a amizade dela antes de tudo, preciso me aproximar aos poucos, sei que ela está comprometida e o que custar tentar, né? Por enquanto me contentarei em ser amigo dela, isso se ela quiser, acho que ela vai pelo menos aceitar ser minha amiga.
"- Alô! "- Ouvi a voz da Carly do outro lado da linha, ela atendeu depois do terceiro toque.
— Oi. Carly, sou eu o Freddie! — Falei e ela ficou em silêncio. — Carly? — Chamei.
— Ah, oi Freddie e aí tudo bem? — Perguntou apressada.
— Sim. — Respondi. — E com você? — Perguntei.
" — BRAD QUANTAS VEZES JÁ TE FALEI PARA NÃO DEIXAR A TOALHA MOLHADA EM CIMA DA CAMA?"
Ouvi o estridente grito dela, aquilo até me assustou.
"- Ah, estou bem sim, e aí achou o restaurante que eu te indiquei?" — Perguntou.
— Sim. Quero te agradecer novamente,se não fosse por você, eu nunca teria encontrado a Sam! — Falei.
"- Só fiz o que achei ser o certo. Vocês conversaram? — Perguntou animada.
— Sim. Bem, houve um imprevisto e ela foi embora sem se despedir. Você poderia me dar o número dela? — Pedi.
"- Se eu te der, você promete que não vai dizer pra ela que fui eu que te indiquei o restaurante e dei o número? -"
— Prometo! — Jurei.
"- Tá legal, anote aí..." Mandou. Rapidamente, peguei uma caneta e uma folha de papel que arranjei na recepção do hotel.
[...]
Disquei o número rapidamente e liguei, começou a chamar e depois do segundo toque ela atendeu.
"- Alô." — Ouvi sua voz calma, suave e um pouquinho rouca.
Era a voz dela, da minha loira. Meu coração disparou quando escutei sua voz.
— Oi, Sam! — Foi tudo que consegui falar, minha voz saiu dificultosa e baixa.
" Fre-Freddie?" — Ela gaguejou.
Sorri, ela havia reconhecido minha voz.
— Sim. — Respondi ainda sorrindo.
"- Como conseguiu meu número?" — Perguntou apressada, num tom nervoso.
— Isso não importa. Eu preciso falar com você, nós temos uma conversa pendente, lembra? — Indaguei.
"- Não temos mais nada para conversar!" — Disse sendo um pouco grosseira.
— Temos sim, temos tantas coisas para...
Fui interrompido quando ouvi um gritinho infatil.
E então, ela desligou o telefone na minha cara. Fiquei confuso encarando meu celular. Será que nos finais de semana ela trabalha como babá? Ou ela estava num parque passeando com o namorado?
Mas aquele gritinho infantil soou tão perto do telefone... É, talvez ela esteja trabalhando como babá.
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