O Amor Supera Tudo
35 Discussão
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Me joguei no sofá e fechei os olhos, eu só estava precisando de 15 minutos de puro sossego. Ter três crianças em casa não é fácil, elas te deixam exausta porque não param quietas um minuto e elas dependem de você para tudo. Quando eram recém-nascidos tudo naquela época era esgotante, as madrugadas em claro acabavam comigo e pelo menos agora eu consigo descansar um pouco, às vezes eu até tiro um cochilo durante a tarde.
Meu celular começou a tocar acabando com o meu mísero momento de paz, bufei frustrada e resolvi atender, nem dei trabalho de verificar o visor para saber quem estava me ligando.
— Alô. — Atendi me sentando no sofá, colocando uma almofada no colo.
" — Oi, Sam!" — Ouvi uma voz masculina num tom baixo, senti um pequeno calafrio.
"Espera! Eu conheço essa voz, como eu poderia não reconhecer?"
— Fre-Freddie? — Gaguejei.
"Droga! Ele ainda mexe comigo e me deixa nervosa. Odeio isso, eu só queria parar de nutrir certos sentimentos por ele."
"- Sim." — Respondeu calmo, meu coração disparou.
"Essa voz, eu só gostaria ter que não ouví-la, nunca mais."
— Como conseguiu meu número? — Perguntei apressada, ficando nervosa.
"- Isso não importa. Eu preciso falar com você, nós temos uma conversa pendente, lembra?" — Indagou.
— Não temos mais nada para conversar! — Falei sendo um pouco rude.
"- Temos sim, temos tantas coisas para...
Me assustei com um grito, desliguei meu celular rapidamente e olhei para baixo, e para o meu lado direito.
Chris estava beliscando o Nathan e o meu baixinho de olhos castanhos começou a gritar. Nathan revidou o beliscão me deixando surpresa e o Chris começou a chorar, em seguida os dois começaram a brigar fazendo a Jasmin rir.
Demorou um pouco para eu voltar raciocinar direito, aquela ligação havia me deixado um pouco abalada. Mas logo me recompus e fui interromper a briga dos meus baixinhos.
[...]
— Vocês são irmãos, não podem ficar brigando! — Falei colocando eles sentados no sofá, um do lado do outro e me abaixei ficando diante deles.
Ambos se olharam e o Nathan apontou para o Chris que ainda estava emburradinho.
— Christian, você é muito encrenqueiro, a mamãe não gosta disso, sabia? É muito feio ficar beliscando seu irmãozinho! — Falei séria o encarando, seus olhos azuis me fitaram e ele olhou para o Nathan.
— Foi ele! — Apontou para o irmão, apesar de ter 3 anos e meio, todos eles falam e articulam bem, a Jasmin é a mais falante.
Senti um puxão no cabelo e olhei para o lado esquerdo, era a Jasmin.
— Mamãe, foi ele... Fez dodói no Chris! — Ela apontou para Nathan que rapidamente balançou a cabeça, negando.
Suspirei cansada, eu já estava ficando confusa. O Nathan estava sendo acusado de ter começado a "briga", mas ele sempre foi quietinho e eu me recusava a acreditar que ele tinha agredido o irmão primeiro.
Me levantei e coloquei eles no chão, os dois correram para lados opostos e a Jasmin ainda continuou do meu lado.
— Quero leite com biscoito, mamãe! — Minha baixinha pediu, me abaixei para carregá-la e rumei para cozinha.
Minutos depois...
— Onde você estava? — Perguntei para o Gibby que havia acabado de entrar na cozinha borrifando Spray na boca.
— Escovando os dentes, eu acabei com dois vidros de enxaguante bucal! — Disse ele guardando o Spray bucal no bolso. — Eu nunca mais vou comer ou beber nada que a Jasmin me oferecer! — Falou ele, olhando para o loirinha que estava toda lambuzada, comendo sentadinha na cadeira roxa dela.
Ela sorriu mostrando os dentinhos todos sujinhos de biscoito de chocolate, foi inevitável, comecei a rir.
— Vai para a nota mental, não podemos aceitar nada que a Jasmin nos oferecer. — Comentei ainda rindo.
— E aqueles gritos? — Perguntou se aproximando de mim.
— Adivinha? — Indaguei.
— Chris e Nath? — Perguntou.
— Isso mesmo. O Nathan revidou e eles brigaram, foi difícil separá-los! — Contei.
— O Nath revidou? — Perguntou surpreso.
— Sim, também me surprendi com isso! — Falei e ele achou graça e avançou em mim, me roubando um selinho.
— GIBBY! — Gritei ralhando, limpei a boca rapidamente.
— Qual é? Já estou limpo. — Avisou fazendo biquinho.
Jasmin começou a rir e se engasgou, corremos para acudí-la. Ela sempre se engasga e isso me deixa muito preocupada por isso fico de olho nela toda vez que ela está comendo.
Fiquei traumatizada, quando ela ainda era recém-nascida, uma vez se engasgou quando eu estava amamentando-a, foi assustador, quase perdi minha loirinha gulosa.
[...]
Horas depois...
Às 21:00 da noite.
— Já coloquei a fralda na Jasmin, o Nathan foi o primeiro que caiu no sono e o Chris demorou para dormir porque hoje ele estava muito elétrico e não parava de pular na cama, foi difícil colocar o pijama dele! — Gibby avisou trancando a porta do quarto.
— Valeu. O que eu seria sem você? Isso acontece todos os dias... Caramba! Eu amo o inverno, mas esse ano eu não estou curtindo muito não. Ainda bem que tem aquecedor no quarto se não, já estaria congelando! — Falei vestindo minha blusa e calça de moletom.
— Sente falta de Seattle? Você prefere o inverno de lá? — Indagou deitando na cama, ao meu lado.
— Sim. — Respondi. — NY é legal, mas eu prefiro Seattle! — Falei sendo sincera.
— Hum... Por quê não tiramos férias? Podemos ir para Miami no mês que vem, o que acha? — Perguntou mudando de assunto.
— Prefiro ir pra Londres. — Avisei olhando para ele.
— Mas você não estava reclamando do frio? — Perguntou me olhando confuso.
— É... Você tem razão, Londres no inverno ou não continua sendo congelante, pior que NY. — Comentei.
— Então, vamos para Los Angeles? Escolhe, Miami ou LA? — Perguntou.
— Nenhuma das alternativas! — Respondi.
— Não quer tirar férias ou não quer viajar comigo? — Questionou me encarando.
— Vamos levar as crianças para passear no Central Park amanhã? — Sugeri tentando mudar de assunto.
— Não adianta tentar mudar de assunto... Se fosse com o tal de Benson, você daria até a volta pelo mundo! — Disse irritado, se levantando da cama.
— Prefiro não discutir com você, isso é ridículo. Por quê fica colocando o Freddie na nossa conversa? — Perguntei, indignada.
— Ainda pergunta? — Indagou me olhando, cruzando os braços.
[...]
— ESQUECE O BENSON, PELO AMOR DE DEUS. ESQUECE QUE ELE ESTÁ AQUI! — Gritei com raiva, eu já estava farta daquilo.
O Gibby só queria discutir sobre o Freddie, e isto era algo que eu realmente não queria discutir com ele naquele momento.
— Okay. Se não quer tocar no assunto, tudo bem. Mas se ele for no nosso restaurante de novo atrás de você... Irei fazer uma besteira. — Avisou, sério.
Comecei a rir, realmente estava rindo para não chorar. Estava incrédula, nervosa e talvez até temerosa enquanto aquilo. Gibby odeia o Freddie e se eles se cruzassem novamente, acabaria em briga ou até mesmo em uma tragédia.
— Tá, eu te ajudo a se livrar do cadáver. — Zombei risonha, me aproximei dele, tive que ficar nas pontas dos pés para tentar colocar aos braços ao redor de seu pescoço. Ele se abaixou facilitando o meu trabalho. — Esquece ele, ok? — Pedi. — Por favor, esquece ele! — Sussurrei segurando seu rosto e ele assentiu ainda relutante.
[...]
— Poderíamos discutir mais vezes! — Meu namorado disse malicioso, beijou meu pescoço e desceu para o meu busto.
— Desde quando ficou tão pervertido? — Brinquei.
— Quer mesmo que eu te responda? — Gibby perguntou descendo os beijos para a minha barriga. — Ainda está muito cedo, mas eu amaria te ver grávida, você ficou linda. Quero que seja a mãe dos meus filhos! — Falou todo animadinho.
— Calminha aí. — Segurei a cabeça dele. — Ainda nem me recuperei. Fiquei uma balofa e não quero passar por tudo aquilo novamente. — Avisei, séria.
Ele riu baixinho, ficou por cima de mim e me deu um selinho demorado
— Então, foi a balofa mais linda que eu já vi. Você está ótima, meu amor! — Sussurrou.
Sorri o puxando para um beijo e ele encaixou nossos corpos, me penetrando lentamente...
[...]
P.O.V Do Freddie
Passei a tarde inteira tentando ligar para a Sam, mas sempre caía na caixa-postal. Só consegui falar com ela por míseros segundos e depois que ela desligou na minha cara, não consegui mais entrar em contato. Mas eu não vou desisti, irei continuar tentando me aproximar dela, não vou parar, se for preciso farei de tudo para reconquistá-la.
Mas já que estou em NY, vou tentar me divertir também, não posso ficar o tempo todo trancado num quarto de um hotel. O tédio já está me consumindo e eu odeio ficar no tédio, experiência própria. Três anos preso me fez odiar ficar isolado do mundo e eu não vou ficar mofando aqui nesse hotel, amanhã irei dar um passeio no Central Park e depois irei num Bistrô.
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