O Amor Retorna
1 Capítulo 1 - O Reencontro
Notas iniciais
Após o término do show de fim de ano German, Violetta, Olga e Ramalho se despediram de todos e seguiram rumo à mansão.
Quando entraram pela porta da frente, logo se depararam com algumas malas que rodeavam a lateral esquerda do piano. Antes que pudessem se quer questionar de quem eram aquelas belas malas de couro, Angie saiu caminhando da sala de jantar em direção a sala. Um sorriso emoldurava seu rosto angelical.
Quando viu a tia, Violetta correu ao seu encontro sem pensar uma vez sequer e quando já estava perto o suficiente, jogou seus braços ao redor da tia, abraçando-a.
Angie sentiu seus músculos relaxarem quando sentiu os braços da sobrinha envolvendo-a em um abraço. Estava nervosa demais em relação a sua volta para Buenos Aires, não sabia muito bem o que esperar. Durante todo o trajeto do vôo, desde a França a Argentina, seus pensamentos tomaram rumos dos quais ela preferia manter guardados apenas para si mesma. E o motivo desses pensamentos estava a poucos passos de distância dela, observando cuidadosamente a filha e a mulher de seus sonhos.
Ambas, tia e sobrinha, não sentiam vontade alguma de se separarem, mas não podiam ficar assim pra sempre. As duas tinham muito tempo perdido para recuperar.
O abraço foi desfeito com certa relutância de ambos os lados.
VILU: Angie, que saudade! — A garota exclamou, felicidade transbordava de suas palavras. A emoção de ter a tia ao seu lado novamente era enorme. — O que você está fazendo aqui?
ANGIE: Senti muitas saudades de tudo e de todos e decidi que era hora de deixar a França e retornar para o lugar onde pertenço. — Falou sentindo-se orgulhosa da decisão que tomara dias atrás. Sua mente poderia estar em Paris, mas seu coração sempre permaneceu em Buenos Aires. — Queria ter chegado a tempo pra poder ir ao show, mas o meu vôo atrasou. Desculpe-me, Vilu.
Angie realmente queria ter chegado mais cedo e ter visto seus alunos cantando e dançando. Queria ser contagiada por aquela alegria que os alunos transmitiam quando estavam no palco.
VILU: Que isso Angie, não foi nada. Só de você estar aqui já me sinto feliz. — Violetta interveio com um largo sorriso no rosto.
ANGIE: Também estou muito feliz de poder estar aqui. — Disse olhando pra sobrinha, que era como uma filha pra ela.
Antes que mais uma palavra pudesse ser trocada entre as duas, Olga recebeu Angeles com um abraço apertado. Surpresa, Angie retribuiu o abraço de muito bom grado. Afinal, era impossível não sentir saudade de Olga.
OLGA: Que saudade de você minha pequena. — Confessou enquanto abraçava Angie.
Mesmo o abraço de Olga sendo de tirar o fôlego, literalmente, Angie havia sentido saudade também deles e de Olga, que com o tempo havia se tornado uma amiga e tanto, que sempre aconselhara Angie, principalmente quando o assunto era amor.
ANGIE: Como eu poderia não sentir sua falta Olguinha?! — Exclamou, tentando levar o ar rapidamente a seus pulmões necessitados.
Ao ver a luta da tia para conseguir ar, Vilu, lutando para não dar risada, pronunciou-se:
VILU: Olguinha, todos nós adoramos seus abraços de urso, mas acho que a Angie precisa respirar.
Quando as palavras de Vilu chegaram aos ouvidos da empregada, Olga soltou Angie imediatamente, desculpando-se:
OLGA: Desculpa minha pequena, mas acho que me empolguei demais.
ANGIE: Está tudo bem Olguinha. — Tranquilizou-a. — Estava com saudade dos seus abraços também.
RAMALHO: E o meu abraço senhorita Angeles? — Ramalho perguntou fazendo com que Angie também o abraçasse.
ANGIE: Também senti saudade de você Ramalho. — Disse de forma carinhosa.
Angie já havia cumprimentado quase todos, só faltava o homem, que fazia seu coração bater mais forte em sua presença. Aquele que preenchia seus pensamentos todos os dias.
German, desde que Angie pusera os pés na sala, não conseguia desviar o olhar dela, seus olhos acompanhavam cada movimento que ela executava. Era automático. Ele não deixou de perceber como a beleza de Angie parecia ter se expandido durante os meses em que ela permanecera na França.
GERMAN: Angie, tem certeza que não está se esquecendo de ninguém? — Perguntou com aquela voz inconfundível. Até o momento Angie estava lutando contra o desejo de ficar olhando pra German, mas dessa vez não pode evitar.
Ela soltou um suspiro inaudível e virou-se, elevando seu olhar para o rosto másculo de German. Quando seu olhar conectou-se ao dele, ela sentiu o pulso acelerar e as respirações ficarem um pouco mais profundas. Angie procurou — tentou — não parecer afetada demais em relação ao moreno a sua frente.
German, por mais que não quisesse admitir em voz alta que sentiu demasiadamente falta de Angie, não podia deixar de se sentir atraído por aquela loira que havia feito tanta falta naquela casa. Imensa foi a vontade de abraçá-la, de tê-la nos braços.
Ambos pareciam imãs. O sentimento de atração era recíproco.
ANGIE: Como eu poderia me esquecer de você, German? — Soltou, percebendo tardiamente as palavras que escaparam involuntariamente de sua boca.
Sem pensar duas vezes, ela fechou a distância que os separava e o abraçou.
Estar entre aqueles braços fortes fazia-a se sentir segura, mas ao mesmo tempo vulnerável. Pois ela sabia que German a afetava mais do que deveria. Mas por outro lado sabia que não podia controlar seus sentimentos por ele. E também não queria deixar transparecer o que sentia, pois German a havia feito sofrer. Mesmo que ela já o tivesse perdoado, pensar naquilo ainda trazia uma dorzinha bem no fundo de seu coração.
German estava inebriado com o perfume de Angie. Era doce e delicado igual à mulher que tinha em seus braços. Ele tinha a sensação de que precisava ficar perto dela o máximo que pudesse, pois ela o transmitia sensações boas, que nenhuma outra mulher o havia proporcionado. Por mais que ele soubesse que o que sentia por Angie era profundo, profundo demais, não podia pensar nela como algo além. Sabia que havia a machucado e se culpava. Achava egoísta a querer tanto. Ela merecia mais. Não se considerava digno de ter uma pessoa tão maravilhosa quanto Angie ao seu lado.
Os olhos de Angeles permaneceram-se fechados, só aproveitando aquele misto de sensações incríveis que a estava sendo proporcionada. Seus pensamentos pareciam um emaranhado. Confusão os cercava.
Os dois não faziam idéia de que o abraço já estava se prolongando demais para duas pessoas que não mantinham um relacionamento amoroso entre si.
Foi quando alguém pigarreou.
German afrouxou os braços ao redor de Angie e os afastou, mesmo sem vontade alguma de fazê-lo. Angie também não queria que aquela conexão que estavam tendo acabasse tão rapidamente, mas sabia que não podia querer uma coisa que não poderia ter. Ela já tinha sentido isso pouco tempo atrás e sabia perfeitamente como era isso, e também as consequências que acompanhavam aquele sentimento.
German também não queria acabar com aquilo. Fazia tanto tempo que não sentia uma conexão forte como aquela.
A volta de Angie fez aquele amor que sentiam retornar, ou melhor, reacendeu as chamas daquele amor que pensaram ter ido embora, mas que apenas estava apagado devido à realidade, mas que nunca deixou de estar ali, escondido no fundo de seus corações.
Angie sentiu seu rosto ficar quente e German desviou o olhar do dela.
Violetta mantinha um sorriso brilhante no rosto. Sabia que para o pai e a tia serem felizes, eles precisariam assumir o que sentiam um pelo outro. Aquela cena a trouxe esperança. Pois não tinha dúvida de que ambos mereciam o amor um do outro.
Na tentativa de aproximar os dois Violetta acenou discretamente para Olga e Ramalho para que deixassem a tia e o pai sozinhos. Ambos entenderam o recado e logo inventaram desculpas para se retirar. Inclusive Violetta.
Todos se retiraram da sala, deixando German e Angie sozinhos.
Angie ficou um pouco nervosa com a saída dos três, pois não queria ter de ficar na sala sozinha com German. Não julgava essa uma boa ideia. German a afetava o suficiente para que por mais que quisesse ficar perto dele, ela sabia que essa não era uma idéia sensata. Ela tinha conhecimento de que como das outras vezes, não poderia controlar seu coração.
Ambos não sabiam muito bem o que falar naquele momento, que já estava ficando embaraçoso, devido ao silêncio constrangedor instalado entre eles.
GERMAN: E então... hum, você não quer se sentar? — Perguntou tentando aliviar o clima.
ANGIE: Ah, claro. — Ela abriu um sorriso nervoso, mas que encantou German.
Caminharam mais um pouco e sentaram em um dos sofás brancos. Sentaram um ao lado do outro, mas mantiveram uma distância confortável para eles.
GERMAN: Nossa Angie, você nos fez uma surpresa e tanto. — Falou antes que o silêncio se alastrasse novamente pela sala.
ANGIE: Eu sei. — Disse com um sorriso tímido no rosto, mas verdadeiro.
GERMAN: Sentimos muito a sua falta. — Finalmente admitiu.
ANGIE: Eu também senti muito a falta de vocês. — Afirmou fitando as profundezas negras, que eram os olhos de German.
GERMAN: E então Angie, você pretende ficar aqui? Em Buenos Aires?
ANGIE: Sim, não consigo ficar mais um minuto sequer longe daqui. — Falou com um ar de felicidade estampado na voz. Estava muito feliz por ter tomado a decisão de sair da França e retornar para Buenos Aires e poder estar do lado das pessoas que mais ama.
GERMAN: Pelo que estou percebendo você parece estar muito feliz em estar de volta. — Apontou.
ANGIE: Muito ainda é pouco.
GERMAN: O seu lindo sorriso revela tudo.
ANGIE: Obrigada. — Agradeceu um pouco corada. Pelo jeito aquilo nunca mudaria. Cada vez que ele a elogiasse um tom rosado estamparia seu rosto.
GERMAN: Bom, já que você vai ficar, acho que a Violetta adoraria que você voltasse a ser a governanta dela. — Podia parecer até um pouco cedo demais para que ele fizesse essa pergunta, mas ele queria Angie por perto, para que quem sabe assim, pudesse redimir seus erros. — E então o que me diz?
Angie pareceu pensar sobre aquela proposta, enquanto German a fitava, aguardando ansiosamente a resposta. Precisava tanto dela, o quanto nem poderia admitir. Queria ver todos os dias aquele sorriso que o fez tanta falta naqueles últimos meses.
Depois de considerar a proposta, Angie pronunciou-se:
ANGIE: Eu adoraria. Sinto muita falta de dar aulas pra Vilu. — Disse e um belo sorriso lhe tocou os lábios, só de se lembrar de todas as vezes que dera aula para Vilu.
A ligação que as duas mantinham parecia até de mãe e filha, no entanto que Violetta considerava Angie como se fosse sua mãe e Angie tinha Violetta como se fosse sua filha. Seria ótimo poder voltar a passar mais tempo juntas.
GERMAN: Que bom. Mas mudando de assunto, você não quer que eu te ajude a levar suas malas pro seu antigo quarto? — Perguntou gentilmente.
ANGIE: Ah, não precisa. Eu não pretendo ficar aqui.
GERMAN: E onde você vai ficar? — Preocupou-se.
ANGIE: Eu ficarei na minha casa. Eu não a vendi quando fui para França. — Explicou.
GERMAN: Que isso Angie, você pode ficar aqui. — Propôs.
ANGIE: Não precisa German. Eu não quero incomodar.
GERMAN: E quem disse que você incomoda? Vem vamos levar suas malas pro seu quarto. — Afirmou ele e se levantou, indo em direção as malas.
German pegou as malas e começou a subir os primeiros degraus da escada. Angie logo o seguiu, vendo que não teria alternativa, a não ser passar um tempo na mansão.
ANGIE: Tem certeza? — Perguntou ela quando conseguiu chegar ao degrau que German estava.
GERMAN: Claro que tenho, Angie. — Confirmou esboçando um sorriso.
ANGIE: Tá bom. Já que você insiste. — Retribuiu o sorriso.
Angie e German levaram as malas para o antigo quarto de Angie, que continuara intocado, igualzinho a quando ela o deixou.
ANGIE: Obrigada por ter carregado as malas até aqui pra mim. — Agradeceu sorrindo.
GERMAN: Não foi nada, Angie.
ANGIE: Claro que foi. Você está me deixando viver na sua casa.
GERMAN: Disponha.
Angie deu um giro ao redor do quarto, analisando-o.
ANGIE: O quarto está igualzinho a quando eu o deixei. — Constatou.
GERMAN: É, mesmo depois que você decidiu sair da mansão, mandei que Olga o deixasse como estava.
ANGIE: E por quê? — Perguntou curiosa, ansiosa demais pela resposta.
GERMAN: Por quê... eu, hã... — Tentou explicar, mas falhou completamente. Queria falar que porque aquela era a única lembrança que tinha dela naquela casa, a única coisa que fazia com que ele pudesse provar que Angie existia e que os momentos que passaram juntos não foram só uma ilusão, mas momentos que de fato ocorreram. Mas claro que ele nunca conseguiria dizer aquilo pra ela. Mesmo sentindo-se covarde, um sentimento do qual ele sempre julgara um defeito tão ruim, não teve coragem suficiente para ser sincero sobre os próprios sentimentos.
German engoliu em seco, sentindo-se extremamente mal, quando viu a decepção estampada no rosto de Angie.
Ela realmente não esperava que German fosse sincero com ela, mas não custava nada sonhar com uma resposta verdadeira e sincera saindo dos lábios dele. Era tudo que precisava ouvir. Mas sabendo como German não gostava de admitir seus sentimentos, muito menos por ela, presumiu que talvez fosse melhor assim. Quem sabe, o destino estava sendo generoso para com eles, evitando futuros sofrimentos. "Talvez, nós não somos feitos um pro outro, e é melhor assim" — Tentou se convencer, mas não levou mais que cinco segundos para perceber que estava tentando enganar a si mesma.
Decidida a disfarçar sua decepção, optou por fingir-se indiferente. Sendo assim, deu as costas a German e foi pegar uma de suas malas, mas acidentalmente, acabou tropeçando nela.
German sem pensar duas vezes a segurou agilmente, colocando as mãos em sua cintura, não deixando a cair no chão.
Seus olhos se encontraram imediatamente.
GERMAN: Tudo bem? Você se machucou? — Perguntou fitando os lábios de Angeles, quando o mais adequado seria olha-la nos olhos.
ANGIE: S-sim... — Foi a única coisa que conseguiu murmurar. Afinal, era dificultoso pensar quando o homem que amava estava fitando seus lábios intensamente. O sentimento de segurança que tinha sentido naquele abraço que haviam dado pouco antes retornou.
Um dos braços de German ainda permanecia envolvendo a cintura de Angie e o outro tinha sido repousado nas costas dela.
Angie sentia um formigamento onde German estava tocando. Sentia suas pernas bambas e a respiração alterada. Sentimentos típicos de quando estava com German.
Com certa relutância, German elevou o olhar para os olhos de Angie, que emanaram um calor instantâneo pelo corpo dele.
Os dois ficaram na mesma posição por um bom tempo, até então sem nenhuma reação, até que como se tivesse vida própria, a mão que era mantida nas costas de Angeles, começou a subir lentamente pelas costas dela, traçando uma linha reta, que depois de passar pela pele macia do pescoço de Angie, chegou à sua nuca.
Angie não conseguiu evitar um leve tremor ao sentir a mão de German acariciando sua nuca. Os movimentos executados eram circulares e relaxantes. Ela permitiu-se aproveitar aquele momento ao máximo, pelo menos assim teria algo para relembrar depois que ele a soltasse, já que seria incapaz de admitir seus sentimentos.
Precisavam de uma proximidade maior, então como se tivessem combinado, começaram a se aproximar ao ponto que já era possível sentirem ambas as respirações um do outro.
Angie repousou delicadamente suas mãos nos braços fortes de German, sentindo seus músculos se enrijecerem ao seu toque delicado.
German queria tanto beijá-la. Queria relembrar a sensação de beijar aqueles lábios doces e delicados.
Sem mais delongas, German puxou Angie de encontro a seu corpo. Ambos deixaram que um suspiro sôfrego escapasse de seus lábios, quando seus corpos reagiram a tal proximidade.
Continuaram sustentando aquele mesmo olhar por mais alguns segundos.
Ambos se inclinaram, para que pudessem permitir sentirem o prazer de se beijarem.
Infelizmente, antes que mais um movimento pudesse ser executado, Violetta entrou no quarto gritando "Angie" sem perceber que a tia tinha companhia e, consequentemente, fez com que na mesma hora o pai e a tia se afastassem.
"Droga, Violetta, você tinha que decidir vir procurar a Angie logo agora?" — Vilu repreendeu-se mentalmente.
Tentando demonstrar indiferença a cena que presenciara, a garota se explicou:
VILU: Angie, acabei de compor uma musica nova e queria a sua opinião. Mas já vi que você esta ocupada, pode deixar que eu volto depois. — Disse segurando-se para não rir da cara que o pai e a tia estavam fazendo. Parecia até que haviam visto um fantasma.
POV VIOLETTA
Quando entrei no quarto vi meu pai e a Angie quase se beijando. A maneira com que se olhavam parecia os deixar hipnotizados.
Tentei sair de fininho pra não atrapalhar, quando me dei conta do erro que tinha cometido, mas não adiantou nada porque eles já haviam me visto. Percebi que os dois ficaram envergonhados com a minha chegada. O que era esperado em uma situação dessas. Principalmente quando se trata de papai e Angie.
Não sei por que não assumem logo que se amam. Depois daquele abraço demorado que deram lá embaixo e dessa cena que presenciei, não preciso mais de provas para comprovar o que sentem um pelo outro.
(...)
ANGIE: Tudo bem Vilu... Ahn, pode me mostrar a música, seu pai já estava de saída. — Disse tentando retirar o clima que havia ficado ali depois do que aconteceu, ou melhor, do que poderia ter acontecido.
GERMAN: Claro, eu já estava de saída. Com licença. — Dito isso, German saiu prontamente do quarto, deixando uma tia constrangida e uma sobrinha curiosa pra trás.
VILU: E o que foi isso? — Perguntou com um sorriso brincalhão, mas ao mesmo tempo interrogativo.
ANGIE: Não foi nada Vilu.
VILU: Ah não?
ANGIE: Seu pai só se ofereceu para trazer minhas malas aqui pra cima e eu aceitei. Mas quando chegamos aqui em cima eu tropecei e seu pai não deixou que eu caísse no chão. Só isso.
VILU: Por que eu sinto que atrás de tudo isso tem algo? — Desconfiou-se.
ANGIE: Impressão sua.
VILU: Angie, você ainda gosta do papai?
ANGIE: Vilu porque você não canta sua música nova pra mim?
VILU: Tudo bem então. — Concordou mesmo sabendo que Angie só estava mudando de assunto para não ter que responder a sua pergunta. Já que a tia não queria tocar no assunto, ela não insistiria, mesmo que estivesse louca pra que a tia lhe contasse o que realmente havia acontecido.
Vilu então cantou a música para Angie.
ANGIE: A música é ótima. Eu adorei Vilu. — Falou após o último verso da música ser tocado.
VILU: Obrigada, tia. — Agradeceu abraçando Angie.
ANGIE: De nada, Vilu.
VILU: Sabe que eu nem acredito que você está aqui comigo? — Falou se desfazendo do abraço e olhando pra tia.
ANGIE: É, nem eu mesma consigo acreditar que estou aqui com a sobrinha mais linda do mundo.
VILU: E eu com a tia mais maravilhosa desse universo. — As duas riram.
De repente Vilu, do nada, fez uma cara séria.
Angie, preocupada, logo perguntou:
ANGIE: O que foi Vilu? Você estava toda alegre e do nada ficou séria. Fala pra mim. — Ela uniu as mãos da sobrinha as suas e lhe lançou um sorriso reconfortante.
VILU: Posso te fazer uma pergunta? — Perguntou ainda séria, e agora, um pouco triste.
ANGIE: Claro, meu amor, quantas você quiser. — Falou olhando carinhosamente pra sobrinha, mesmo ainda estando preocupada.
VILU: Você não vai ter que ir embora vai? — Entristeceu-se.
ANGIE: Claro que não, meu amor. Vou morar em Buenos Aires permanentemente. — Explicou.
VILU: Jura? — Perguntou com um sorrisinho no rosto.
ANGIE: Juro. — Prometeu.
E as duas se abraçaram. Passaram mais um tempo conversando e não demorou muito pra que Olga viesse chama-las para o jantar.
Ambas desceram para jantar e sentaram-se à mesa juntamente a German, Olga e Ramalho.
Durante o jantar todos conversaram bastante, mas todos notaram que havia um clima estranho entre Angie e German. Ambos estavam se esforçando para não se olharem, e para a surpresa de todos, conseguiram.
Depois disso, todos foram para sala para comer a sobremesa e conversaram mais um pouco, e tanto German quanto Angie, se mantiveram alheios a conversa, tentando ao máximo não dirigir a palavra ao outro e muito menos se fitarem. Não demorou muito pra que ambos se retirassem e fossem dormir.
POV ANGIE
Fiquei muito feliz de reencontrar minha sobrinha, o Ramalho, a Olga e German também. Estava morrendo de saudades daqui.
O dia foi ótimo, mas quando German me ajudou a levar minhas malas para o quarto e sem querer eu tropecei e ele me segurou e quase nos beijamos, naquele momento senti algo diferente, percebi que tudo o que sentia por ele não tinha ido embora mesmo eu tentando me convencer disso. Pensei que nunca mais iria sentir isso por ele. Mas quando estou perto de German perco a noção das coisas.
Quando ele me abraçou daquela maneira reconfortante, eu me senti segura e me desliguei de tudo a minha volta.
Ele mexe muito com meus sentimentos e isso eu não posso negar, mas ainda tenho medo de me machucar outra vez. Não foi nada fácil ver ele quase se casar duas vezes e não poder fazer absolutamente nada.
Por mais que minha mente me diga que é melhor manter uma distância segura de German, eu não posso. Meu coração diz outra coisa. Eu preciso dele mesmo não tendo coragem de admitir isso.
Eu tenho medo de admitir e acabar me ferindo novamente.
POV GERMAN
Fiquei muito feliz por Angie ter voltado para Buenos Aires, ela faz muita falta aqui.
Violetta sentiu muito a falta de Angie e eu... Bom, eu tenho que admitir que senti saudades dela também.
Quando eu e Angie quase nos beijamos percebi que ainda sinto coisas fortes por ela. Pensei que quando a visse de novo não iria sentir nada, mas a quem eu queria enganar? Angie ainda mexe com meus sentimentos. Da maneira como sempre mexeu.
Agora percebo que o amor que sentia por Angie continuou existindo, mas só estava apagado e agora que ela esta de volta esse sentimento retornou também.
Sei que Angie também sente algo por mim. Pude sentir sua respiração irregular, seu corpo tremer e reagir quando nos aproximamos.
Tê-la em meus braços duas vezes foi maravilhoso, mas dois me parece um número insuficiente agora.
Sei que a fiz sofrer quando comecei a namorar Esmeralda e quando quase me casei com ela e com Jade. Sinto-me culpado por ter feito isso.
Nunca admiti o que sentia por Angie porque ela é irmã da Maria e não parecia certo. Mas agora vejo que sempre foi dela que eu precisava. Maria com certeza iria querer que eu e Angie fôssemos felizes. Mas o German de antes não pensava assim.
(…)
German e Angie não conseguiam dormir. Não sofriam de insônia há um bom tempo, mas com todos os acontecimentos decorrentes daquele dia, era normal que seus nervos estivessem à flor da pele e, que seus pensamentos estivessem mais confusos que nunca.
Angie então, decidiu ir a cozinha beber um pouco de água e se distrair um pouco. E por coincidência German também decidiu dar uma passada na cozinha.
Quando German adentrou o cômodo quase teve um ataque do coração ao se deparar com Angie apoiada na bancada, bebendo um copo de água.
GERMAN: Angie?! — Falou com certo espanto, pois não imaginava encontrá-la ali.
(...)
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