Notas iniciais
É realmente desanimador não receber tantos reviews... Mas até entendo, não costumam ler/comentar em fanfics com casais não-pop, é.
Agradeço, de verdade, a quem está acompanhando. É por isso que continuo :3 Desculpe pela demora >_
Vamos a fic~

No dia seguinte, como tinha dito, Alfred levou Kiku ao campo de treinamento após as aulas.

- Pessoal! Esse é nosso novo membro!

Alfred podia não ser o líder do time, mas agia como tal. Rindo, bateu com força nas costa do japonês, fazendo com que ele desse dois passos para frente. Sorrindo sem graça, juntou as mãos, inclinando o tronco.

- Muito prazer. Espero que cuidem de mim.

Todos olharam com desconfiança para o novo companheiro, estranhando aquela entrada repentina, mas ninguém reclamou. Resolveram jogar e ver se o novato tinha alguma habilidade.

Kiku não estava confiante. Tinha passado a noite pesquisando sobre o esporte, lendo regras e vendo vídeos. Não era o suficiente, nunca tinha segurado em um taco ou uma bola de baseball. Quando foi sua vez de entrar, foi à posição de rebatedor, vendo como era pesado. Todos ficaram incrédulos ao verem que ele mal conseguia girar o taco e um grupo, tomando a coragem, puxou Alfred para uma conversa.

- Que história é essa, Alfred? Ele não consegue nem levantar o taco!

- Muito menos acertar uma bola!

- Hey, hey, calma! Ele quer participar, eu prometo ensiná-lo direitinho.

Agora Kiku estava nervoso, não conseguindo prestar atenção no arremessador. Tinha visto alguns garotos do time conversando com o estadunidense. O que será que iriam fazer? Com certeza estavam reclamando de si. Preocupado com a situação de fora do campo, acabou esquecendo-se do jogo e não notou a bola vindo em sua direção.

- KIKU! A BOLA!

Alfred gritou, apontando para o jogo, chamando a atenção do japonês. Mas era tarde. Quando caiu em si, ela já estava muito perto e não teve reflexo nem para desviar, só tendo tempo de soltar uma exclamação antes de ser acertado na cabeça.

Foi ao chão, apagando.

Ignorando os outros meninos, abriu espaço, correndo até o desmaiado. Segurou o corpo do japonês, balançando-o.

- Kiku? Kiiiiku? Oh, my God! V-vou levá-lo para a enfermaria!

E, sem esperar reclamações – e ninguém iria reclamar, Alfred jogava bem e não seria um desconhecido que iria querer lidar com o novato –, saiu correndo em direção ao prédio da escola, levando o nipônico nos braços como se seu peso fosse insignificante. E para Alfred era. “Será que ele está comendo direito?”, pensou, mas acabou rindo. Não tinha moral nenhuma: a alimentação do amigo era bem mais saudável que a dele. A coisa mais nutritiva que comia era a salada do hambúrguer.

Nesse exato momento, Arthur estava com a cabeça afundada no próprio braço na sala dos professores. Aquele... Idiota! Deixou que Kiku se machucasse! Levantou-se, apoiando as mãos no tampo da mesa, fechando o relógio de bolso que possuía um espelho embutido e ficando de pé. Tinha evitado até agora, mas precisaria acordar Alfred e fazê-lo cuidar melhor do seu pequeno protegido.

Chegando à enfermaria com o garoto adormecido, a responsável já sabia o que deveria ter acontecido. Bolada de baseball. Sempre sobrava para Alfred carregar os que caíam por causa de uma delas, já que ele possuía mais força física. Não demorou muito, o nipônico estava descansando em um dos leitos dispostos sobre o local. Alfred apenas ficou a observá-lo fixamente — como se isso fosse fazê-lo acordar – até que a porta se abriu. De início, pensando que fosse apenas a médica voltando de fazer alguma coisa que não ouviu o quê – na verdade era só para pegar no estoque algodões, pois acabara o do consultório – não deu muita atenção. Só levantou os olhos azuis quando os passos pararam do outro lado da cama.

- Ooh... – não ia muito com a cara dele, franzindo o cenho de início, logo sorrindo. – Oi, professor! Se machucou também? Hahah!

- Abaixe o tom, você está em uma enfermaria.

O americano tapou a própria boca, ainda tinha algum bom senso e não queria atrapalhar o descanso do amigo. Conferindo que ele permanecia adormecido, voltou-se ao que estava de pé.

- O que faz aqui?

- Soube que ele tinha se machucado – indicou o japonês com a cabeça – e quis vir ver como ele estava.

Alfred franziu o cenho, intrigado.

- Ouch! A história já se espalhou assim? Que coisa!

Espreguiçou-se e Arthur tossiu forçadamente. Agradeceu pelo estadunidense ser um idiota, assim ele não desconfiaria que era impossível ter acontecido o que falara. Menos trabalho para si, o que era ótimo. Então, eles se encararam por longos segundos. Azul e verde — céu e terra. Alfred sentia-se desconfortável, resolvendo quebrar o silêncio:

- Você quer algo aqui, professor? – Não era sua intenção, mas acabou por parecer um pouco cortante.

- Não... Ou melhor, sim. Quero que cuide direito dele.

Indicou o japonês com a cabeça, lançando um olhar significativo ao outro loiro. Arthur estava controlando o tom para não se exaltar e parecer que queria arrumar briga. Em um silêncio incômodo e, sem saber o motivo daquilo, Alfred ficou de pé, se revelando uns dois centímetros mais alto que o professor.

- Por que diz isso?

“Não posso brigar”, relembrou-se Arthur, abaixando a voz.

- Você é a pessoa mais próxima a ele. Fique atento para não deixá-lo se machucar. E não o machuque, caso contrário...

- Espera um pouco – pediu o americano, elevando as mãos como se pedisse calma. – Você não acha que o Kiku é bem grandinho? Ele tem responsabilidade para se cuidar – “mais do que eu”, pensou – e... Isso foi algum tipo de ameaça?

- Não – Arthur suspirou pacientemente. – Mas você não entende! Ele precisa ser proteg–

- Uhm...

Ouviu-se um gemido de dor, o que fez ambos se voltarem para a cama.

- I-itai...

O japonês murmurou, tentando se levantar. No mesmo instante, tanto Alfred quanto Arthur se aproximaram para ajudar, enquanto a porta se abria e entrava a responsável pelo local, a qual piscou os olhos surpresa ao se deparar com o professor de Inglês.

- Arthur-sensei? Não sabia que estava aqui... Você acordou! – Aproximou-se, fazendo com que os loiros se afastassem, sentando-se no banquinho próximo ao leito. – Como se sente?

Kiku franziu o cenho, massageando-o.

- Minha cabeça dói...

- Natural. Provavelmente vai ficar com um galo. Vá direto para casa e coloque gelo quando chegar. E se sentir algo mais nos próximos dias, me procure.

- Anh... Sim, obrigado.

Kiku concordou, ainda meio perdido, mas conseguindo se levantar e ficar de pé sem cambalear. Nem tinha forças para contrariar as ordens da médica, apenas fazendo uma reverência e agradecendo antes de sair, sendo seguido pelos dois que restavam no local.

- Kiku, como se sente?

Perguntaram ao mesmo tempo, encarando-se em seguida. O moreno parou, virando-se para observar a ambos, piscando os olhos algumas vezes.

- Anh, estou bem. Mas, me desculpe, Alfred. Hoje não volto ao clube. – e sentia-se um pouco mal com isso.

- Hahah! Tudo bem, Kiku. Apenas vá para casa e descanse!

Fechou os olhos azuis, sorrindo largamente e colocando as mãos nos bolsos da jaqueta. O nipônico assentiu, aliviado pelo estadunidense não parecer chateado, volvendo então os orbes na direção do inglês que parecia emburrado, sem saber o que falar. Não sabia nem como ou por que ele estava ali!

- Anno...

- Eu te levo.

- Anh? Para casa...? Não precisa...

Mas o mais velho não ouviu, saiu andando na frente. Alfred estava incrédulo e Kiku boquiaberto. Sem saber ao certo o que fazer, o japonês fez uma pequena reverência para se despedir do americano antes de ir até o mais velho. Sozinho, Alfred fez bico, cruzando os braços.

- Eu poderia te levar, se pedisse...

x

- Anno...! Sensei...

Kiku chamou, ofegante pela corrida, indo aos tropeços até o mais velho. Chegou inclusive a quase cair – e realmente achou que isso aconteceria – mas Arthur o segurou pelos ombros, impedindo que fosse de cara no chão.

-... Desculpe. Pisei em falso.

- Tudo bem.

Antes que fosse repelido, o anjo soltou o menor por contra própria, retomando a caminhada com ele ao seu lado. Pelas janelas laterais o sol tingia o cenário de alaranjado, fazendo Kiku pensar que foi por volta desse horário que viu Alfred pela primeira vez, mas agora a situação era bem diferente.

- Sensei, não precisa me levar. Não se incomode, posso ir andando.

- Não é incômodo. Não vou deixar você andar sozinho quando acabou de se machucar.

O moreno soltou um murmúrio, levando instintivamente uma das mãos ao galo que ganhara na cabeça. Alfred devia ter contado a ele – foi a conclusão lógica a qual chegou. Não reclamou mais, até estava agradecido pela carona; então seguiu o maior até o estacionamento. Arthur rumou até um Toyota Hilux versão esportiva lançada no Reino Unido de tom azul escuro, fazendo o estudante pensar que o professor tinha uma família rica, porque, se ele tivesse começado trabalhar há pouco tempo, não teria condições de comprar um carro daqueles. Kiku balançou a cabeça, afastando os pensamentos para adentrar no carro após o mais velho, fechando a porta e colocando o cinto. Só então o britânico colocou a chave na ignição, girando-a e ligando o motor para dar a partida.

O japonês se sentia um tanto nervoso. Não deveria ser tão próximo de um professor e agora estava pegando até uma carona! Segurou o cinto que lhe transpassava o peito, apertando-o com os dedos. Talvez devesse falar algo.

- Ah, sim! O endereço...

- Não precisa – Arthur sorriu de canto, sem tirar os olhos da estrada. – Eu sei onde é.

Tinha dito sem pensar, só depois reparando que isso era... suspeito. E Kiku ficou realmente assustado, encolhendo os ombros e retraindo o corpo. Olhou pelo vidro da janela, fixando o reflexo do mais velho na mesma. Assim poderia vigiá-lo. Talvez Alfred estivesse certo quando o chamasse de pedófilo... E agora também era perseguidor? Medonho.

Arthur riu nervoso, precisava retirar aquela imagem – e rápido!

- É que eu já planejava levá-lo para casa, hahaha! Aí olhei seu endereço na lista e... – Franziu o cenho. Não estava piorando sua situação? – Não, esquece. Eu nunca falei nada.

O nipônico se afundou no banco, sorrindo amarelo.

- Certo...

E o que restou no carro foi um silêncio constrangedor. O mais novo só respirou aliviado quando o loiro parou o veículo em frente a sua casa, indo soltar o cinto, mas quando foi fazê-lo, Arthur pousou a mão sobre a dele. Surpreso, encararam-se longamente antes que o mais velho finalmente se pronunciasse:

- Kiku... Qualquer coisa, por favor, fale comigo.

O asiático engoliu a seco, sentindo uma espécie de choque. Somente após concordar que Arthur se afastou.

- Tenha uma boa noite.

- V-você também, sensei.

Abriu a porta do carro, saindo um pouco apressado demais, sentindo o coração acelerado. O que tinha sido aquilo? Não conseguia entender Arthur. Acenou para o veículo se distanciando, só então se lembrando de um detalhe...

- Meus materiais...

Notas finais
Pra não perder o costume... reviews~? q