O Amor Da Donzela Do Inferno
2 Capítulo 2 - O que estou sentindo?
Notas iniciais
Sentimentos são sensações que vêm do coração. E se você não tiver um coração? O que irá sentir?
Os olhos vermelhos vagavam sem rumo na direção das flores, talvez procurasse a mais perfeita de todo jardim. Lycoris são flores lindas.
Ela levantou-se e foi buscar o que procurava; uma bela Lycoris vermelha, aos seus olhos brilhava de tão linda. Sentou-se ali mesmo, onde a colheu, e começou a murmurar:
– Bem me quer... – começou a retirar uma das pétalas cuidadosamente – Mal me quer... – e assim sucessivamente, no final, a bela Lycoris não existia mais. Só a dúvida da garota, “Isso significa alguma coisa?”
Ela já vira vários humanos fazendo isso. E, o que a preocupava, é que ela só tinha um nome em sua cabeça enquanto murmurava essas frases. “Ichimoku... Ren...”
– Enma, o que está fazendo? – perguntou uma garotinha pequena, com os olhos enormes de curiosidade.
– N-nada. – balbuciou. Lembrou do dia em que ficou envergonhada, pensando que Ren tinha a visto caindo na água.
– Eu gosto de você, Enma. Mas você não fala muito... Não gosta de ninguém? – a curiosa continuava com suas perguntas. Ai tentou chegar a uma resposta, mas sua mente, por mais que fazia um esforço enorme, não chegava à conclusão nenhuma.
– Eu... – foi só isso que conseguiu dizer. Depois, se transportou ao mundo humano.
...
Ai andava lentamente, só queria procurar um lugar calmo, para que seus pensamentos ficassem em ordem.
O final de seu destino foi um parquinho abandonado. Onde não havia nenhuma criança, apenas um casal que trocava beijos e carinhos em um banquinho afastado. Ela foi até o balanço, sentou-se desconfortavelmente e começou a se balançar lentamente...
“Por que eu estou aqui? Por que não consegui responder aquela pergunta?”, pensava. Seu olhar desviou para o casal. – “Será que o amor é mesmo tão ruim? Eles parecem tão felizes...”
De repente, sentiu a presença de um de seus ajudantes. Apenas abaixou a cabeça e continuou a balançar-se.
– O que foi Donzela? – logo reconheceu a voz de Honne-Onna.
Ela manteu seu próprio silêncio.
– Eu sou sua amiga, pode falar se quiser. – continuou. Honne-Onna era a única que os via como amigos, talvez Wanyuudo também.
– Não é nada, Honne-Onna... – respondeu. Além de responder, mentiu. Claro que havia alguma resposta mais verdadeira, mas como explicar algo, que você não sabe o que é?
– Ok... – a mulher suspirou – Você não quer falar...!
– Eu não sei bem o que é... – mais uma vez, com seus múrmuros.
Quem estava ao seu lado, logo se interessou, pensando que poderia saber algo.
– Não me diga que... – logo colocou as duas mãos na boca. Ai desviou novamente o olhar para o casal. – Own, que gracinha Donzela. Mas pensei que você não pudesse ter nenhum sentimento. Pensei que fosse proibida disso. – falou.
– E sou...
– Lúcifer não vai gostar. – avisou.
– Também sei disso.
– O que vai fazer?
– Isso eu não sei... – voltou a falar com o tom calmo, não murmurava mais. Talvez estivesse com vergonha da própria ajudante – O que eu estou sentindo? – perguntou.
– Só você pode saber Donzela. Pergunte a ele. – Honne-Onna colocou a mão perto do “coração” de Ai. Em seguida, voltou para seu mundo.
Ren estava as observando. Não entendeu muito bem, só sabia que não tinha nada haver com ele. Ao menos, pensava isso...
...
Quando o céu já estava escuro no mundo dos humanos, Ai resolveu voltar para casa. Não queria um interrogatório feito pela pequena Kikuri. E pensar que ela só a obedecia, mais ninguém.
Ao chegar lá, viu uma cena incomum. Honami pintando as unhas de Kikuri, por sinal, bem afastada de Ren. A expressão dos olhos disse tudo, ela quis mostrar um sorriso, mas não conseguia. Mas, Ren conversava com Honne-Onna, ele estava sério, e a mulher, sorrindo. Logo os olhos de Ai, voltaram aos de antes, a serem baixos.
– Onde estava Donzela? – Wanyuudo quase a assustou com a pergunta. Será que ele percebeu que ela não estava ali há muito tempo?
– No mundo humano.
– Ué, não recebemos nenhum pedido.
–... Fui observar futuros clientes, mas só o que eu encontrei foi...
– Foi...?
– Pessoas se amando. – respondeu e foi entrar na casa. Não queria falar com ninguém. Por mais que, já tivesse pensado mais do que deveria neste dia.
Quando passou por aqueles que conversavam, sentiu um olhar só. Um olhar que a seguiu até dentro da casa.
– Por favor, pare de me olhar, Ichimoku Ren. – pediu, deitando-se no chão. Ren fechou o olho.
“A Donzela está diferente...”, pensou. “Será que Honne-Onna está certa? Será que a Donzela também pode sentir o amor?”
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