O Amor Único {em reforma}
19 O melhor de mim.
Notas iniciais
“Estas alegrias violentas tem fins violentos. Falecendo no triunfo como fogo e pólvora. Que em um beijo se consomem”
Romeu e Julieta, Ato II, Cena VI.
O manto branco feito pela neve majestosa cobria Tóquio com densidade, de repente Hinata odiava a capital se não tivesse fugido para lá nada disso estaria acontecendo, era culpada, também odiava o silencio que percorria drasticamente em seu apartamento, pois ele permitia que ela ouvisse seus pensamentos, ela não queria se ouvir, queria cometer uma loucura, porém seria inútil. Existe um ditado que diz que o amor é cego, é justamente ao contrario, quando se ama de verdade é capaz de ver o que ninguém mais consegue. E ela podia ver, além do proprio reflexo no vidro da janela da sala de visitas era claro como se fosse uma vidente ou uma cartomante, todo o destino do Namikaze que amava caso não fizesse o que Riroki mandasse, a vida ficou difícil e o coração profundamente apertado, ela não sentia mais o chão que sustentava seus pés, era como se pairasse perante ao imenso buraco negro, e logo cairia, medo, por si, pelos outros, estava odiando tudo, vida maldita e completamente cheia de azar, sua mente borbulhava, fechou os olhos calmamente pensando em sua mãe, Kaoro, a pessoa que mais lhe acalmava, lagrimas transbordaram de forma involuntária, invadindo os cílios e escorrendo pela pele pálida e calma, um anjo triste é um anjo quebrado e quem o machucou deve ter muita maldade, tudo que queria era ser normal, viver com seus amigos, ter uma família unida, e esta sempre com ele, com Naruto, mas sua vida era tudo menos normal.
O barulho do elevador anunciando a chegada de alguém a interrompeu, limpou as lagrimas rapidamente tentando ao máximo se controlar, não precisou nem ao menos desviar a atenção da janela, pois já sabia quem era, como facas o medo e a consequência penetravam seu coração sem nenhum piedade, teve medo até de si mesma, medo das próprias palavras, e lembrou-se claramente do que Riroki lhe dissera “Matarei todos que você ama se não fizer o que eu mandar, lembre-se conheço pessoas perigosas” não era atoa que Deirada, Hidan, Sasori estavam rondando a escola, aquele era apenas um pequeno começo do seu grande plano.
Naruto entrou na cobertura da namorada retirando o, sobretudo coberto de neve, limpou os sapatos até que delicadamente, como sempre o sorriso cínico que já era marca de seus lábios estavam transparecidos, Hinata não precisava vira-se para saber que ele estava dessa forma, sempre como um belo deus, abraçou o próprio corpo, sentindo-o todo corpo tremer, enquanto o Namikaze apenas estranhou aquela cena assustadora, Hinata era muito problemática e sempre muito animada, sua sala de visitas estava escura apenas com a luz da lareira, enquanto ela mesma observava os flocos de neve fria flutuarem e caiam drasticamente nas ruas de Tóquio.
– Meu amor, você esta bem? – perguntou enquanto já ia para a bandeja de whisky encima do aparador lateral, sempre se deliciava quando chegava lá, a Hyuuga pouco bebia. Hinata girou um pouco a cabeça e olhou o relógio, ele estava atrasado como sempre – Hinata estou falando com você – deu um gole no conteúdo dentro do copo, ela não estava bem, ela não queria responder, mal conseguia estar preparada, mal conseguia encontrar as palavras. Ela sentiu os próprios olhos perolados perderem completamente o brilho e a esperança, com Naruto ela aprendeu que um desconhecido pode mudar toda sua vida em questão de segundos, aos amantes, lembre-se que amar é sempre complicado, significa principalmente pensar na felicidade do outro do que na própria, sem medo das consequências, e por ele tinha certeza, faria qualquer coisa, Naruto era muito cético, não confiava nas pessoas, cresceu sobre a educação sob pressão do seu pai, sem amor, sem atenção, adquirindo um amor enorme pela mãe, e um ódio pelo outro, apesar de estar sempre aproveitando a vida, ele jamais admitia, dentro do seu coração existia uma dor, uma dor terrível causada na sua infância, ela não podia deixar que ele sofresse mais, controlou as lagrimas mais uma vez.
– Hinata! Hinata! – sem que ao menos notasse ela estava de frente para ele enquanto o mesmo a segurava pelos braços, encarando a imensidão perfeita que existia nos seus olhos azuis pelo quais era tão enormemente apaixonada, ele esperava uma resposta, apenas pela tristeza já transparecida ele já percebia que havia algo errado – HINATA! – ela piscou algumas vezes se libertando dos terríveis devaneios, se soltou dos braços do namorado e começou a caminhar pela sala, com os dedos entre os lábios amedrontada, Naruto achou estranho, Hinata estava estranha, o local não tinha o cheiro do jantar, ela ainda estava de moletom e camiseta de manga compridas, sua amada era perfeita, fazia tudo com delicadeza e apesar de um gênio meio de ogra, estava sempre arrumada.
– Hinata, da para você me dizer alguma coisa, que merda! – além de agoniado, Naruto estava começando a se irritar, ela parou-se de costas para ele e respirou fundo, prometeu a si mesma ser forte, era para o bem, tinha que lembrar que ele seria feliz, que merecia ser feliz, virou-se devagar e o loiro pode analisar, as mais lindas perolas que viviam em seus olhos haviam desaparecido, e num turbilhão de emoções que deixaram suas vistas turvas.
– Acabou – sussurrou de cabeça baixa com a voz doce fraquejada.
– O que? – perguntou em duvida.
– Naruto – ela voltou a dizer, ainda de cabeça baixa – acabou.
– O que acabou?
– Nós – Hinata queria explodir em lagrimas, suas forças requisitadas não estavam agindo, Naruto ficou alguns minutos pensativo, não havia motivo, Hinata mais do que qualquer coisa era sua vida, ele realmente a amava, como nunca amou ninguém, ele não havia traído, nem sido grosso, não tinha falta de atenção, ele mudou por ela.
– Como assim nós acabamos? – ela não respondeu, passou os dedos entre a cabeça imaginando que seria complicado, odiou a vida por não ser mais simples – HINATA COMO ASSIM NÓS ACABAMOS? – Naruto agarrou pelos pulsos procurando uma explicação Hinata tentava fortemente desviar o olhar, mas não conseguia, era tão penetrante e ao mesmo tempo inevitável – HINATA.
– ACABOU, ACABOU, ACABOU – esbravejou ofegante – eu não posso mais ficar com você.
– COMO ASSIM NÃO PODE MAIS?
– Eu ... – ela não sabia o que dizer precisava de uma historia um boa historia a qual o fizesse acreditar, e esquecer completamente que ela existia – Naruto eu já amei alguém.
– O que?
– Eu já amei alguém – viu as pupilas no Namikaze se perderem em sentimentos mediante a tamanha informação, por mais que fosse doloroso era necessário – quando eu morava em Konoha eu fui noiva de Riroki Morimoto, ele é um garoto maravilhoso, amável que ajuda muitas pessoas no mundo todo, ele é empresário mas logo vai entrar na faculdade de medicina ele quer ajudar as crianças na Africa...
– NÃO QUERO SABER QUEM ELE É PORRA!
– Naruto, nos amamos muito, mas infelizmente a família dele mudou-se para a Inglaterra, nos separamos eu sofri Naruto eu sofri muito com a perda dele – “acho bom que torne uma boa atriz” em cada palavra enganosa que sibilava através da sua boca ela podia ouvir o odioso e verdadeiro Riroki sussurrando em sua mente – hoje ele me encontrou, Naruto eu ainda o amo, ele foi o meu primeiro amor, o meu primeiro namorado, o meu noivo, achei que nunca mais o veria e eu encontrei você todo perfeito em certas formas eu realmente achei...
– Que fosse me amar? – ele fez uma pausa a encarando – Hinata não pode estar falando serio, você me ama, você disse varias vezes que me ama, nós fizemos promessas, nós juramos amor, nós fizemos centenas de coisas juntos as quais eu não faria com ninguém.
– Eu achei que amasse – como excelente atriz seus olhos transpareceram sinceridade e Naruto se sentiu dolorosamente traído.
– Você me enganou – sua voz rouca ficou áspera, e de repente ele se transformou em fera, batendo a mão firme no vaso de flores o deixando que espatifasse entre as pétalas de tulipas também no chão – EU TE AMEI COMO NUNCA AMEI NINGUÉM NO MUNDO, EU FIZ TUDO POR VOCÊ EU MUDEI, EU MELHOREI...
– Naruto para!
– EU NÃO VOU PARAR, VOCÊ SE MOSTROU SER UMA VERDADEIRA FALSA.
– Não fala assim.
– EU FALO COMO EU QUISER.
– O QUE VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE? – ela também começara a se irritar com simples fato de que Naruto era muito cabeça dura, Hinata estava disposta a aceitar todo ódio vindo dele, estava disposta a sofrer pelo resto da vida se isso o fizesse ser feliz, se isso o mentisse vivo – eu tentei eu juro que eu tentei, mas eu não consigo te amar, você não é quem eu quero.
– VOCÊ ME ENGANOU, VOCÊ ME USOU, VOCÊ VOCÊ... – enquanto cuspia as palavras amargamente, pela primeira vez ela o viu chorar e sentiu vontade de chorar junto, nesse momento se sentiu cair no imenso buraco negro que abrira embaixo de si, e imaginou quanto tempo duraria para chegar ao chão – EU TE DEI O MELHOR DE MIM!!! – ele estava certo, mas ela não podia simplesmente voltar atrás, Riroki o mataria e ela preferia ver Naruto ser feliz com outra mulher do que morto, não podia viver em um mundo o qual ele não existisse, tinha que dar um jeito para sumir de vez.
– Você foi incrível – ela podia machucar muito a si mesma e principalmente a ele com isso, mas era sua única alternativa era sua chance por ele – mas sempre vai ser o arrogante e metido Naruto de sempre, sempre vai ser esnobe com as pessoas, desconfiado agindo como se fosse superior, grosso e claro a melhor parte um cafajeste, me perguntou com quantas garotas você já transou, mas aposto que você já perdeu as contas a muito tempo.
– Hinata...
– Mudar, não significa que pode apagar o passado Naruto, Riroki é o homem perfeito – as batidas do seu coração estavam dolorosas de repente ela percebia que não conseguia mais ser forte por muito tempo – por favor, me esqueça.
– Não posso simplesmente te esquecer.
– É apenas esquecer Naruto!
– Se um dia eu chegar a te esquecer então saiba que o ultimo dia útil do mês, do ano, até mesmo da vida – bravo, irritado e mesmo mostrando o seu pior ele não podia simplesmente mentir, por que a amava mais do que amou qualquer outra.
– Não diga besteira achara outra logo logo.
– Como você pode?
– Naruto eu realmente sinto muito eu não imaginava, não é possível que você tenha me amado tanto assim, quer dizer, você é o Naruto, sempre brincando com os sentimentos das mulheres.
– Não faltou amor, não da minha parte.
– Faltou da minha, e eu realmente sinto muito Naruto.
– Não sinta – Naruto colocou as mãos nos bolsos pensativos – eu realmente imaginei que você fosse diferente, mas estou vendo que é muito pior do que as outras.
– Naruto...
– Você foi tudo para mim –suas sobrancelhas arquearam e seu corpo entrou em profundo atormentando desespero, tal frase a atingiu com um canhão, destruindo seu coração, depois de tudo que disse duvidava muito que um dia Naruto a perdoaria, mesmo ela sabendo que esse dia jamais chegaria, era bom que ele se afastasse.
– Posso te pedir uma coisa? – tudo que desejava era que fosse feliz, mesmo que longe dela.
– Sempre vou fazer tudo que você quiser.
– Seja feliz – como um tsunami seus olhos azuis a encararam, a afogando em desespero querendo chorar, seu sacrifício era por ele, apenas por ele, não se perdoaria se de alguma forma seu amado sofresse, ele tinha que seguir em frente, ser feliz, ela queria que ele fosse feliz, ele merecia, por mais que não soubesse disse, seus olhos se abaixaram tristemente e o Namikaze pela primeira vez já não sabia o que fazer, sua vida era cheia de amarguras de uma tenebrosa infância, mas agora pela primeira ele se sentia realmente ferido, querendo desabar de prédio de mil andares e morrer de vez, pois sim talvez a morte fosse menos complicada que essa vida tão problemática, odiou-se por não ser um suicida. Hinata virou-se de novo para encarar a paisagem na janela a fora, ele ainda se recusava a acreditar, estava tão feliz que provavelmente ficara que cego, e não percebera quem ela era de verdade, tão fria quanto ele, como ela conseguiu esquecer todos os momentos que passaram juntos, todos aqueles momentos, cada promessa de cada palavra que ele dizia sempre fora verdade, com Hinata ele conseguia inteiramente se abrir, como jamais conseguira com ninguém, com ela pela primeira vez fizera amor, intenso e bom, sempre via nos olhos perolados uma garota tão apaixonada quanto ele, como ela pode esquecer todos aqueles momentos? Como pode brincar com seus sentimentos? Talvez ele merecesse um pouco afinal já havia magoado tantas, bufou irritado e se recusando ainda a acreditar.
– Acho melhor eu ir – sussurrou se virando atravessando a sala preciosa os quais já imaginava que nunca mais veria, perdeu seu porto seguro, sua amada e doce Hinata tão diferente das outras agora pertencia a outro, ele caminhou até que lentamente esperando que ela viesse atrás, imaginando que fosse uma brincadeira ou simplesmente loucura da sua cabeça, mas não era, ela não foi atrás dele, ao entrar na caixa de aço que o levaria ao térreo e antes das portas se fecharem viu ela dar uma curta virada, o suficiente para ser um ultimo olhar, viu os olhos dela com lagrimas era até focar o mundo no meio daquilo, porém não estranhou ela era sempre sentimental deveria estar apenas um pouco emocionada, de um jeito que ambos jamais esqueceriam, ela viu os olhos azuis marejados de lagrimas. As portas se fecharam e Hinata desabou no chão aos prantos, soluçando desesperada colocando toda sua dor através de choro amargo, ela gritava querendo que ele voltasse, mas não podia ele não voltaria e não deveria, não seria bom para ele para ninguém.
– Eu te amo Naruto, muito – sussurrou para si mesma jogada no piso de porcelana, suas pernas falhavam enquanto ela procurava algo para se erguer, seu rosto tomou uma expressão assustada ao ouvir o barulho da sola do sapato social tocar cada degrau da sua escadaria, aplausos e uma risada maldita, Riroki era odioso, Riroki era horrível, apareceu para destruir sua vida, e o pior, ele estava conseguindo, ela já imaginava todo seu destino escrito por ele, seria como uma princesa presa numa eterna torre, sem direitos sem felicidade, desejo estupidamente ter uma doença e morrer de vez, como sua mãe, morrer não era nada complicado, viver também não, viver era simples, tão simples que as pessoas esqueceram, sofrer deixa as pessoas egoístas, e Hinata estava num ponto em que ela pensava em todos, menos, em si mesma, foi aqui que suas pernas colaboraram, ao ver Riroki sorrindo vitorioso com a sua desgraça ela apenas adquiriu força para se jogar encima dele com o cobrindo de tapas e socos que não pareciam surtir nenhum efeito.
– SEU MOSTRO! – gritava enlouquecida mediante a lagrimas descontroladas que não param de cair, ela estava louca, desesperava, fervendo em ódio e tristeza – EU TE ODEIO, EU TE ODEIO.
– Não se descontrole meu amor – ele dizia calmamente a segurando pelo braço e a prendendo de frente para ele, Hinata estava terrível, completamente fora de si, com o rosto inchado e descabelada, apenas lhe faltava uma camisa de força, e como uma boa louca ela deu sua ultima carta, cuspindo pesadamente em seu rosto já que seus braços estavam imóveis.
– Eu te odeio – como um tapa na cara aquilo o irritou, ele puxou a Hyuuga pelos cabelos a fazendo arfar em dor, apoiou aquele rosto de anjo bem próximo ao seu e sibilou.
– Não me bata ainda, amanhã tem mais – a soltou, a deixou ali caída no chão e também se retirou do apartamento de sua nova namorada, afinal até mesmo sabia que havia certas coisas que Hinata jamais permitira, e infelizmente por questões empresarias ele não podia morar em Tóquio e leva-la de volta para Konoha traria as suspeitas de dois certos Hyuugas muito poderosos, o que lhe restava ela cuidar dela apenas que fosse de longe.
Mesmo depois dele se retirar da cobertura, Hinata continuou jogada no tapete chorando, se derretendo em tristeza, ela já se odiava e sentia falta de Naruto, o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser pareô para a saudade que você pode sentir dela, imaginava e doía, doía muito ficar longe dele, seus ouvidos ainda podiam ouvir sua voz rouca e aveludada coberta de alegria de momentos que não voltariam nunca mais.
“Você é minha linda mostrenga”
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