Notas iniciais
OI GENTEM

Maribel estava quase dormindo quando Santana se mexeu. A mulher levantou da cadeira em um salto e caminhou até a filha, acariciando seu rosto.

– Santanita? – Maribel chamou carinhosamente.

– Oi mãe. – Santana resmungou, tocando a palma da mulher. – Como foi?

– Tudo bem, mi hija. Você vai poder ir para casa em algumas horas. Mas tem que ficar em repouso dois dias. – Ela informou, sorrindo com o grunhido frustrado de Santana. – Em compensação, falta uma semana para nós tirarmos os curativos.

– Finalmente. – Santana sorriu. – Eu estou com saudades da Britt.

– Quer ligar para ela? – A Sra. Lopez perguntou, recebendo um aceno positivo da filha. – Tudo bem. Eu pego o seu telefone.

Santana esperou pacientemente pela mãe. A morena levou a mão até o curativo no olho, soltando um grunhido de dor. Mas mesmo assim sorriu. Aquela poderia ser sua nova chance.

San? – Brittany chamou, arrancando a morena dos seus pensamentos.

– Oi Britt. – Santana sorriu, ajeitando-se na cama. – Tudo bem, meu amor?

Tudo. San, quando você volta? Eu estou com saudades… — Brittany choramingou. – Não tem ninguém pra eu abraçar de noite, nem pra dizer que me ama. Quer dizer, a minha mãe não conta. Você entendeu. – Santana riu, correndo os dedos por seus cabelos. – Você está bem, San? Sua voz está um pouquinho diferente…

– Eu estou bem, Britt. – Santana afirmou. – Também estou com saudades, princesa. Muitas.

Vocês duas estão se divertindo? – Brittany perguntou. – Maria está cuidando bem de você, meu amor?

– Estamos, estamos sim. – Santana respondeu. – Mas eu mal posso esperar para te encontrar. O que você tem feito?

Eu… digamos que eu estou tentando ajudar uma pessoa a se redimir de algumas coisinhas. – Brittany disse vagamente. – Eu te explico melhor quando você voltar, baby.

– Tudo bem, Britt. Só não se meta em muitos problemas. – A latina pediu. – Eu preciso ir. Amo você.

Também amo você, San. – Brittany respondeu. – E não se preocupe comigo. Tchau.

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Horas atrás

– Tia Holly… — Jenna tentou, mas a mulher já estava fechando a porta. – Britt…

– Talvez nós devêssemos ter começado por outras pessoas. – A loira murmurou. – Tudo bem, a gente volta aqui depois. Vem.

As duas caminharam lado a lado em silêncio, olhando para qualquer lugar, menos uma para a outra. O silêncio estava ficando desconfortável, e Brittany chegou a pensar se não seria melhor se elas tivessem ido de carro. Mas a ideia de ficar em um espaço tão apertado com a irmã era ainda mais desagradável.

– Onde nós estamos? – Jenna perguntou, franzindo a testa.

– Residência Hummel. – Brittany sorriu ironicamente.

– Kurt Hummel? – Jenna arregalou os olhos. – Britt, ele também?

– Não foi só a minha vida que você fez um inferno; todos os meus amigos também, lembra? – Jenna suspirou, mas assentiu. Brittany saltitou até a porta de entrada, tocando a campainha. – Você também deve desculpas a algumas pessoas da escola, então eu realmente espero que você não tenha programado nada para hoje.

– Na verdade, eu tinha programado passar o dia com você. – Jenna murmurou. – Mas não era bem assim que eu tinha planejado.

– E o que você ia fazer? Me levar para alimentar os patos? – Brittany arqueou as sobrancelhas, fazendo a irmã corar.

– Bem…

– Brittany! – Um rapaz alto e esguio cumprimentou a loira, puxando-a para um abraço. – Desde quando você está na cidade? Por que não me ligou? E… Ah. – O rapaz cerrou os olhos em direção à morena. – Você trouxe companhia.

– A gente pode entrar? – Brittany perguntou, puxando a irmã pela mão. – Jenna tem algumas coisinhas para te dizer.

– Coisinhas boas ou coisinhas do tipo que ela me dizia quando nós estávamos no ensino médio? – O rapaz perguntou. – Porque dependendo do que for, eu não quero nem…

– Kurt, é sério. – Brittany interrompeu. – Deixa a gente entrar. – O rapaz suspirou, mas deu passagem para as duas. – Obrigada. – Brittany ofereceu um sorriso ao amigo.

– Tá, desembucha. – Kurt disse secamente, sentando no sofá. – E que isso seja bom mesmo, B.

– Eu… eu queria me desculpar. – A morena começou. – Eu fui uma idiota com você e com todos os amigos da Britt. E algumas outras pessoas.

– Que tal a cidade inteira? – Kurt resmungou.

– Mas o que eu queria dizer é que eu mudei, Kurt. Pra melhor. – Jenna continuou, ignorando o comentário. – E eu quero começar de novo, com todos vocês. E se eu tiver que pedir desculpas para a cidade inteira pra vocês acreditarem em mim, eu vou fazer. Então me desculpa se eu fiz da sua vida um inferno, me desculpa se eu te fiz mal, me desculpa se eu fui cruel, estúpida, idiota e seja lá o que mais com você. – Ela terminou, arfando.

Os três ficaram em silêncio por alguns segundos. Jenna havia levantado, sem ao menos se dar conta. Ela procurou apoio nos olhos da irmã, que pareciam um pouco impressionados com ela.

– Bom, isso foi… intenso. – Kurt concluiu. – Tudo bem, Pierce. Desculpas aceitas. – Ele estendeu a mão para a mulher, que prontamente aceitou. – Eu vou te dar outra chance. Mas é melhor não estragar tudo, entendeu?

– Entendi. – Jenna sorriu. – Obrigada, Kurt.

As duas irmãs deixaram a residência Hummel minutos depois. Elas voltaram a caminhar em silêncio, mas, de certa forma, era muito mais confortável do que antes.

– Aonde você ia me levar? – Brittany perguntou.

– O-o quê?

– Você disse que tinha planejado passar o dia comigo. – Brittany explicou. – Aonde você ia me levar?

– E-eu… — a morena corou furiosamente. – B-bem, eu cogitei te levar no lago para alimentar os patos. E s-se tudo fosse bem, pensei em te levar ao cinema.

– Você trouxe pão? – Brittany perguntou. Jenna assentiu. – Então nós podemos fazer uma pausa.

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As duas ficaram novamente em silêncio. Jenna assistia a irmã jogando pão para os patos com um brilho infantil nos olhos. A morena sorriu, esperando Brittany voltar até o banco onde estava.

– Eu dei entrada nos papéis do divórcio. – Jenna contou, após Brittany sentar ao seu lado. A loira lançou-a um olhar confuso, fazendo a mulher mais velha sorrir. – Parece que a sua namorada estava certa sobre ele. Eu cheguei mais cedo em casa e… bom, você já imagina.

– Eu sinto muito. – Brittany murmurou, mas a morena balançou a cabeça.

– Não sinta. – Ela disse. – Eu nunca fui feliz naquele relacionamento. Eu acho que só aceitei ficar com ele por tanto tempo porque ele me mantinha afastada daqui.

– Afastada de mim. – Brittany concluiu.

– Não, Britt. Não de você. – A mulher riu, amarga. – Você não entende? Você e os seus amigos nunca foram o problema. Eu nunca odiei vocês. – Brittany olhou-a, confusa. – Eu acho que eu tinha ciúmes. Você sempre foi doce, inocente, talentosa… e isso aproximava as pessoas de você. E eu fui ficando cada vez mais sozinha.

Brittany não disse nada. Apenas deitou a cabeça no ombro da irmã, entrelaçando suas mãos. Jenna virou o rosto, beijando a testa da loira.

– Onde está a Santana? – A morena perguntou.

– Viajando. – Brittany disse vagamente. – Vem. – ela levantou-se, puxando a irmã pelas mãos.

– Aonde nós vamos? – Jenna perguntou, franzindo a testa.

– Você vai me levar pra tomar sorvete. – Brittany explicou, sorrindo. – A gente pode continuar amanhã.

Notas finais
Vocês pretendem me perseguir com tochas e facões por demorar tanto? Só pra saber.