O Amor É Cego - Brittana
21 I See You
Notas iniciais
Susan sorriu, lançando um olhar carinhoso para as filhas no sofá. Brittany estava com a cabeça encostada no peito de Jenna e Carol no meio das duas, cobertas por um cobertor e adormecidas após a maratona de filmes. Peter se aproximou com duas canecas de chá, entregando uma para a esposa.
– Devíamos acordá-las? – ele perguntou, mas a mulher sacudiu a cabeça.
– Não. Há tantos anos eu não vejo essas três em paz… não vamos acabar com isto. – O homem assentiu, sorrindo para as filhas.
– Estou feliz que ela está em casa. – Disse, apontando para Jenna. – Não é sempre que ela vem. E faz tanto tempo que elas não brigam.
Brittany resmungou alguma coisa ininteligível e aconchegou-se na irmã, ressonando baixinho. A mais velha abriu os olhos lentamente e sorriu, ainda sonolenta, quando sentiu o abraço das irmãs apertando contra seu corpo. Brittany suspirou, agarrando o pulso de Carol com um pouquinho mais de força do que deveria, acordando a irmã. A mais nova a olhou torto, acertando um tapa no ombro de Brittany. A loura acordou, assustada. Depois, devolveu a cara feia e bateu na cabeça da irmã.
– Parem com isso! – Jenna resmungou.
– Idiota. – Carol jogou a almofada em Brittany, mas acertou na outra irmã.
– Ei! – Jenna reclamou, empurrando as irmãs.
– Esquece. – Peter revirou os olhos, voltando a atenção para seu chá.
– Meninas, já chega. – Susan interviu, separando as irmãs. – Já está tarde; é melhor vocês irem dormir. Vocês duas não vão para Nova Iorque amanhã? – Brittany e Jenna assentiram, levantando e puxando Carol junto. – Então é melhor irem dormir. Já são quase onze horas. Brittany, sua namorada não vai aguentar você com a cara amassada.
– A minha namorada não enxerga a minha cara amassada, mãe. – Brittany lembrou, revirando os olhos.
– Santana enxerga sim, só não do jeito tradicional. – A senhora Pierce retrucou. – Ela vai saber se você estiver com essa cara de sono, filha. Ela conhece você bem demais.
– Mamãe tem razão, Britt. – Jenna disse, apertando a mão da irmã. – É melhor nós irmos pra cama. O nosso voo sai cedo.
– Tudo bem. – Brittany murmurou. – Boa noite mãe. Boa noite pai.
– Boa noite, meninas. – Os dois responderam em uníssono.
As três subiram as escadas juntas, indo direto para o quarto de Carol. Como ela era a única que ainda morava lá, era a que tinha o maior quarto e a maior cama.
Jenna se atirou no colchão, sorrindo para as irmãs que logo se aconchegaram em seus braços. Carol enterrou o nariz no pescoço de Brittany e agarrou a mão da outra irmã, adormecendo quase que de imediato.
– Eu sinto saudades de vocês. – Murmurou, antes de adormecer. – Eu não quero mais brigar. Prometem?
As irmãs mais velhas trocaram olhares e um pequeno sorriso. Jenna apertou as mãos das irmãs, puxando-as para mais perto.
– Prometemos.
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Santana remexeu-se na cadeira da cafeteria ansiosamente. Sua irmã revirou os olhos mas sorriu, tamborilando na mesa.
– Nunca achei que fosse viver para ver Santana Lopez nervosa. – Maria comentou. – Não é o seu primeiro encontro, San. É só a Britt.
– É quase um primeiro encontro para mim. – Santana retrucou, cutucando o curativo no rosto. – E não é “só a Britt”. É a Britt que pode ou não ficar chateada e/ou irritada comigo. Não é motivo o suficiente para eu ficar estressada?
– Talvez. – A outra mulher deu de ombros, ainda sorrindo. – E lá vem ela. E traz uma acompanhante. Ah, não esquenta, San. Eu vou deixar vocês duas daqui a pouco.
– Oi, San. – Brittany escorregou para o lado da namorada, beijando sua bochecha afetuosamente. – Amor? O que houve com o seu olho? Você se machucou? – Perguntou, franzindo a testa e correndo os dedos pela pele morena da latina.
Santana não respondeu. Ela permanece um momento em silêncio, os lábios entreabertos. Com as mãos tremendo, puxou os óculos do rosto, deixando à mostra um olho coberto por um curativo e o outro, negro, encarando fixamente nos olhos azuis de Brittany. Ela estendeu a mão, tocando a pele pálida da namorada, fazendo-a fechar os olhos.
– Você é ainda mais linda do que eu pensei. – Santana murmurou, antes de inclinar o rosto e chocar seus lábios contra os de Brittany. A loira soltou um grunhido satisfeito, dando passagem para a língua de Santana.
– Meninas. – Maria pigarreou. – As pessoas estão começando a encarar. – Santana afastou o rosto do de Brittany, sentindo as bochechas queimarem. – Vem, hã, seja lá quem for você. Vamos pegar um café.
– Eu quis te contar antes. – Santana começou, assim que as outras duas mulheres saíram. – Mas eu fiquei com medo que não desse certo. Não quis criar esperanças em você também, B.
– Do que você está falando, amor? – Brittany perguntou. – E o que foi que aconteceu com o seu olho?
– Britt, — Santana respirou fundo. – Eu fiz a cirurgia. De córneas. – Brittany abriu a boca para falar, mas não conseguiu. – E eu realmente quis te contar. M-mas eu queria fazer uma surpresa. B-Britt, eu estou vendo você. – Santana sorriu, correndo as mãos pelo rosto da namorada. – Q-quer dizer, tem uma boa chance de eu perder a visão de novo, mas... Britt? Baby, diz alguma coisa.
– P-por que você não me contou nada? – Brittany gaguejou. – S-San, eu podia ter ficado com você.
– Eu sei Britt, eu sei. – Santana murmurou, encolhendo os ombros.
Brittany sorriu, deixando seu rosto a centímetros do de Santana, apenas tocando a ponta dos narizes. Ela segurou as mãos da namorada e as levou até seus lábios, beijando os nós dos dedos. Depois, voltou seus olhos para o rosto da latina, sorrindo novamente para ela.
– Você está chateada? – Santana perguntou cautelosamente.
– Claro que não, San! – Brittany riu, inclinando o rosto para beijar a namorada. – Eu estou feliz por você. Por nós. – Santana suspirou aliviada, ajeitando-se nos braços da loura. – Tem tanta coisa que eu quero que você veja! Eu vou te levar ao cinema, vou te reapresentar a toda minha família, depois nós vamos viajar juntas, e… e eu não sei mais. – As duas riram. – Eu vou te levar a qualquer lugar que você queira ver. Ai baby, eu estou tão feliz por você!
– E ela não ficou nem um pouco irritada? – Maria sorriu, arqueando uma sobrancelha. – Quinn me deve vinte dólares.
– Vocês apostaram as minhas custas? – Brittany retrucou. – Eu quero metade. E sem discussões.
– Veremos isso. Eu preciso ir. Comportem-se, meninas. – Maria piscou para as três, antes de entregar os cafés para as duas.
– Britt, quem é ela? – Santana perguntou, ajeitando-se na cadeira. Jenna franziu a testa, olhando para a irmã.
– Ela fez cirurgia de córneas. – Brittany explicou rapidamente. – San, vocês já se conhecem. Quer dizer, eu preferiria que você se esquecesse disso, mas… Baby, essa é Jenna, minha irmã. Jenna, Santana.
– E o que ela está fazendo aqui? – Santana sibilou, cerrando os olhos.
– San…
– Não, tudo bem, Britt. – Jenna deu de ombros. – Pelo menos ela não bateu a porta na minha cara.
– Porque eu não tenho uma aqui.
– Ok, já chega. – Brittany cortou. – San, lembra quando eu disse que eu estava ajudando uma pessoa a se redimir? Então, Jenna quer te dizer umas coisas.
– Eu achei que fosse alguém recuperável.
– Já chega, Santana! – Brittany exclamou. – Eu vou ao banheiro.
– Britt…
– Não. Eu vou ao banheiro. – Ela repetiu. – Eu sei que você não quer escutar. Mas faça isto por mim.
Santana bufou, cruzando os braços. Brittany revirou os olhos e inclinou o rosto, pressionando os lábios na bochecha da latina. Santana tentou não sorrir, mas não conseguiu. Brittany lançou um olhar às duas antes de se afastar da mesa. Santana a assistiu sair e, lentamente, fixou seu olhar em Jenna.
– Você não gosta de mim. – Jenna afirmou.
– Genial. – Santana debochou. – Concluiu isso sozinha?
– Você estava certa. – Jenna cortou, ignorando Santana. – Sobre tudo. Sobre eu ser arrogante, amarga, sobre o meu marido me trair, sobre tudo. E eu não quis admitir antes porque... porque ninguém nunca esteve tão certo sobre mim. Ou porque eu nunca tinha visto alguém tão parecido comigo, mas ao mesmo tempo tão diferente de mim.
– Eu não sou...
– É, é sim. – Jenna interrompeu. – Você é rude, teimosa, esquentada e age como se tivesse razão em tudo. E eu descobri isso com só um dia de convivência. – Santana cerrou os punhos. – E sabe por que você é melhor do que eu? Por causa da Britt. Ela te faz ser melhor, ela que te faz diferente de mim. Você a ama, e ela também. Mas o meu ponto é: eu amo a minha irmã, e eu sei que ela também me ama. Eu vou ser melhor por ela, Santana, porque ela acredita em mim tanto quanto ela acredita em você. E por isso eu estou aqui. Por isso eu vou te pedir desculpas. Eu sei que nós começamos mal, eu sei que eu fui cruel com vocês, mas eu quero começar de novo. Do zero. E eu sei que você não acredita em mim, mas faça isso por ela.
Santana olhou nos olhos verdes de Jenna por um segundo. Depois, suspirou, assentindo.
– Tudo bem. – Ela concordou. – Mas se você fizer qualquer coisa...
– Eu sei. – Jenna se apressou em dizer. – Não vou fazer nada que possa prejudicar a minha irmã. Nunca, Santana.
– Nunca vai fazer o quê? – Brittany perguntou, sentando ao lado de Santana.
– Nada, Britt. – Jenna sorriu. – Eu preciso ir, meninas.
– Mas já? – Brittany choramingou. – Você não vai sair conosco?
– Outro dia, B. – A mulher respondeu, levantando. – Eu preciso resolver algumas coisas. Preciso achar um apartamento logo, não quero incomodar você. E preciso falar com o meu chefe.
– Você se mudou para cá? – Santana perguntou.
– Fui transferida. – Jenna confirmou. – Estou na casa da Britt por uns tempos.
– Sabe que pode ficar. – Brittany disse. – Eu quero que você fique.
– E você sabe que não é uma boa ideia. – Jenna respondeu. – Eu estou voltando para a sua vida agora, Britt. É melhor não forçar a barra. – A loira assentiu tristemente, e Jenna plantou um beijo em sua cabeça. – Tchau Santana. Tchau Britt. – A latina retribuiu o aceno, passando os braços ao redor da cintura de Brittany.
– Como foi? – Brittany perguntou, assim que a irmã saiu.
– Melhor do que eu esperava. – Santana beijou a bochecha da namorada. – Vem, Britt. Eu quero ver a estátua da liberdade.
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