O Amigo Do Meu Pai
19 Um pouco de mim mesma e meus pensamentos
Notas iniciais
Eram por volta de sete horas da noite quando eu e Sam saímos do orfanato. Eu não tirava mais meu sorriso do rosto. Era impossível. Sam também não ficava muito atrás; estava alegre e com um sorriso leve no rosto. Entramos no carro e, diferente do normal, não ligamos o rádio. Ambos queríamos conversar.
–Nossa! Obrigada Sam por me trazer aqui... Eu amei! Disse sorrindo olhando-o.
–Não há de quê... Desconfiei que você iria gostar! Ele disse olhando para a rua, mas sorrindo, dando de ombros.
–Eu gostei mesmo. Foi tão gratificante... Passar o dia aqui com elas, levar um pouco de alegria á elas e vice-versa. Uau! Disse realmente maravilhada.
Sam deu uma boa risada a me ver naquele estado, e isso me deixou levemente arrepiada. Fora uma risada tão leve...
–Eu também gosto muito de lá... Tenho a mesma sensação de gratificação também – comentou Sam.
–Como vocês descobriram aquele lugar? Perguntei interessada.
–Foi através do Will. Ele tinha uma empregada que morava aqui e contou á ele que o lugar precisava de ajuda para poder sobreviver. Will, interessado na mídia, nos levou lá. Mas assim que todos viram aquele lugar ficamos maravilhados também. Essa foi minha quarta vez lá – respondeu Sam olhando para a rua.
–Era tão diferente de como é hoje? Betty disse que muita coisa mudou desde que vocês foram lá pela última vez...
–Muito. Pode ter certeza que o lugar não era nem um terço do que é hoje. Esta muito melhor. As crianças também estão maiores. Me senti muito velho vendo Jake e Johnny, por exemplo.
Sorri ao ouvir aquilo. Sam falava das crianças de uma maneira tão carinhosa que não tinha como não deixar de sorrir. Ele realmente gostava delas. Ficamos um tempo em silencio até que Sam voltou a puxar conversa:
–Pelo que vi, as crianças se amarraram em você...
Eu ri do comentário dele.
–De mim? Elas quase não saiam do seu pé! Disse á ele.
–Também né, com tamanha gostosura... — Ele disse fazendo-me gargalhar.
–Ó coitado! Também não é pra tanto querido! Disse cortando o barato dele.
–Não é? Então me diz que você não fica nem um pouco sem ar quando me vê sem camisa! Disse Sam olhando-me rapidamente com um sorriso divertido no rosto.
–Se você agora virou o Ryan Gosling...
Sam gargalhou e disse:
–Aposto que te deixo muito mais sem chão do que o Ryan Gosling!
Dito isso, ele botou a mão na minha coxa e apertou de leve. Ele subiu um pouco a mão, deixando-a bem perto de minha virilha, e apertando de leve novamente. Isso me arrepiou toda. Para não dar bandeira, deu um tapa estalado na mão de Sam. Ele retirou a mão rindo e dizendo:
–Não disse...!
Mostrei a língua para ele e este voltou a se concentrar na rua. Depois de mais um tempo em silêncio, Sam voltou a falar:
–Você seria uma boa mãe Anne.
A fala dele me pegou de surpresa. Eu não a esperava. Mas sorri mesmo assim ao ouvi-la.
–Você também seria um bom pai Sam.
Ele também sorriu e retornamos ao hotel em silencio, só ouvindo o barulho da rua e de nossos próprios pensamentos.
Três semanas depois
Eu estava super nervosa. Hoje era o dia que sai o exame de DNA. Claro que tinha certeza que era filha de Chris, mas se algo desse errado? Tipo, alguém trocasse os resultados? Ok, ok... Muita maluquice de minha cabeça! Mas sei lá, tinha uma sensação ruim, como se alguma coisa fosse dar errada. Enfim, estava uma pilha, temendo pra caramba o resultado. Por mais que tentasse me tranquilizar, tentando-me convencer de que tudo ia dar certo, a sensação de que as coisas iriam sair do meu controle, e iam dar errado, não me abandonava...
Era duas da tarde e eu estava em um café em Atlanta. Bom, eu continuava em turnê com os meninos, e a cidade elegida da vez foi Atlanta. O resultado, que seria pego por meu pai, iria ser entregue em uma das várias unidades da clínica que nós fizemos o teste. Eu estava sozinha no café, o que era praticamente um milagre. Poder sair sem companhia, ou vigilância como gostava de chamar, era algo muito raro desde que eu entrara em turnê com a banda. Era um pouco por conta própria (não conhecia direito o EUA) e um pouco de proteção dos meninos (que tinham receio de que eu me perdesse por não conhecer direito o país). Então ter um tempinho á sós é muito bom. Era um dia um pouco nublado, então vestia uma roupa conforme: camiseta social creme com detalhes em preto, calça jeans preta toda desfiada, ankle boot preta com detalhes em dourado, bolsa bege estilo baú, bracelete dourado estilo meio indiano e óculos de sol pretos com lentes arredondadas. Meio cabelo estava solto com leves ondas; minha maquiagem era um batom rosa com rímel em meus olhos. Eu tomava uma xícara de café com leite enquanto pensava muito sobre o teste. Porém, fui tirada de meus devaneios pelo meu celular tocando.
–Alô – disse distraída.
–Posso saber onde a senhora está? Perguntou Sam, sendo direto.
–Oi também pra você! Disse meio mal-humorada.
–Porque diabos você saiu sozinha Anne? Esta querendo enfartar todo mundo? Ele perguntou.
–Bom saber que agora eu nem tenho mais o direito de poder sair sozinha! Disse fingindo falsa alegria.
–Anne, larga a mão de ser infantil! Você sabe que você não conhece a cidade, o país, direito e ainda quer ter razão?
Bufei impaciente e passei a mão no cabelo.
–Sei, Sam. Mas também a superproteção de vocês ás vezes me sufoca! Confessei menos arrogante.
–Mas também não custava nada dizer aonde você ia!
–Sei...
–Então, aonde você está? Vou te buscar. O teste já está pronto e Chris e Joshua foram busca-lo.
Dei a ele o endereço do lugar e ele disse que alguns minutos ia me encontrar. Eu só esperei bebericando minha bebida. Em exatamente quinze minutos, Sam adentrava o café á minha procura. Eu não fiz nenhum sinal para evidenciar-me, só observei-o esperando ele me achar. Feito isso, ele se encaminhou até mim e sentou na cadeira em minha frente. Eu, que permanecia de óculos escuros, retirei-os e botei-os em cima da mesa.
–Então é aqui que você se escondeu – comentou Sam passando o olho mais atentamente pelo café.
–Não. Aqui é o lugar onde eu vim tomar um café – respondi um pouco rude, fazendo Sam olhar-me.
Ele soltou um suspiro e depois dirigiu sua palavra á mim:
–Ok Anne. Sei que você esta meio mal-humorada por conta do teste, mas por quê? Você sabe que é filha do Chris, ele sabe que você é filha dele, então porque tanta insegurança?
Foi a minha vez de suspirar. Neste suspiro eu acebei desarmando-me toda. Deixei minha arrogância e mau humor de lado, para mostrar a garota frágil e insegura que estava residindo em mim.
–Não sei... Acho que estou assim mais pelo fato de terem pedido o teste e meu pai ter concordado. Sei que o teste é só para facilitar o pedido de reconhecimento da minha paternidade, mas mesmo assim faz parecer para mim que desconfiam se Chris é mesmo meu pai – desabafei para Sam, olhando para a xicara em minhas mãos.
Sam levantou-se e abaixou-se ao meu lado. Ele botou as mãos em meu queixo e delicadamente levantou meu rosto, fazendo-me olha-lo. Ele tinha uma expressão compreensiva e ao mesmo tempo... De pena. Isso me fez abaixar o olhar.
–Anne, olhe para mim – pediu ele gentilmente.
Eu demorei, mas acabei acatando o pedido.
–Ninguém dúvida de você. Todos acreditamos em você, principalmente Chris. Como você mesmo disse que sabe, o teste é só para agilizar o processo de mudança de sua certidão. Então o teste só foi pedido para comprovar que você é uma Farrel também. Tudo isso é só para você ser o mais rápido possível filha do Chris, legalmente – disse ainda gentilmente Sam.
Eu sorri fraco ao ouvi-lo. Depois, de súbito, eu pulei no colo dele, que caiu para trás. Nós dois então olhamos para a cara um do outro e começamos a rir. Algumas pessoas dentro do café notaram-nos e prestava atenção em nós. Até porque estávamos ao chão, abraçados e rindo feitos uns malucos. Nós estão fomos sessando as risadas aos poucos e acabamos ficando cara a cara. Eu estava em cima dele, com os braços em volta de seu pescoço, e ele embaixo de mim, com as mãos em minhas costas e envolta de minha cintura. Nossos rostos estavam á centímetros um do outro, o que fazia rolar um certo clima. Felizmente (ou infelizmente, não sei), o celular de Sam tocou no bolso dele da frente. O clima entre nós foi quebrado.
–Anne, você pode...? Começou a dizer Sam, mas eu interrompi.
–Ahhh...Claro! Disse sem graça, me mexendo para sair de cima dele.
–Não, não... — Ele disse mais em graça, fazendo-me parar de me mexer – Você pode pegar meu celular para mim? Esta no bolso da frente do lado esquerdo.
–Ahhhh... — Disse mais sem graça ainda.
Ele queria que eu pegasse o celular, e nem saísse de cima dele? E a droga do celular ainda ficava no bolso da frente? Eu tirei uma das minhas mãos do pescoço de Sam e arqueei um pouco meu corpo, para poder botar minha mão no bolso dele. Achei o celular rapidamente, e ainda consegui um “brinde”; sem querer, de verdade, senti o “amiguinho” de Sam. Vou lhes dizer, o troço não era pequeno! Entreguei o celular para Sam e ele atendeu, tirando a mão de minha cintura.
–Alô — Sam disse.
Eu só pude ouvir uns chiados do outro lado; a voz da outra pessoa. Olhava Sam com bastante atenção, e ele olhava para o teto, logo acima de nós.
–Ok, estamos indo já – disse Sam antes de desligar o celular.
Sam olhou-me meio preocupado e disse:
–O Chris e o Joshua já pegaram o teste.
Eu o olhei para o nada e fiz que “sim” com a cabeça. Quando voltei a olhar para Sam, este tinha um sorriso bem pervertido no rosto.
–Que foi? Perguntei com ar de riso á ele.
–Nada... Então, o que achou de meu “amiguinho”? Ele perguntou fazendo-me rir.
–De quem você esta falando? Fiz-me de desentendida, ainda rindo.
–Do meu “amiguinho” aqui de baixo... Acha que não percebi que você deu uma “esbarrada”? Ele perguntou sorrindo malicioso.
Eu ri ainda mais. Assim que sessei o riso, aproximei meus lábios da orelha dele e disse:
–Pequeno e fino.
Ele riu rouco e colou também a boca dele em minha orelha, e disse todo convencido:
–Impossível. Quer tirar a prova?
Eu ri baixo e saí de cima de Sam. Ele levantou-se do chão e ajeitou a roupa, igualmente á mim. Peguei minha bolsa e meu óculos, guardando-o dentro de minha bolsa, e olhei para Sam.
–Vamos? Ele perguntou.
Eu assenti com a cabeça. Deixei o dinheiro da bebida na mesa e fui até Sam. Enrosquei meu braço no de Sam e saímos do café, rumo ao carro de Sam.
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