O Amigo Do Meu Pai
13 Tentando impedi-la
Notas iniciais
Eu chegara ao aeroporto uns trinta minutos depois. O taxista ajudou-me a tirar as minhas bagagens do porta-malas e bota-las num carrinho. Encaminhei-me para fazer o check-in e o fiz sem problemas. Como ainda faltava uns quarenta minutos para o embarque, decidi ir até a lanchonete matar meu tempo e tomar um café. Estava sentada em uma mesa ao canto, bebericando meu café com leite, quando meu celular vibrou e tocou alto uma das minhas músicas favoritas do Contarvi. Atendi a ligação sem ao menos olhar o número.
–Alô! Disse com uma voz neutra.
–Planejava ir embora sem ao menos dizer nada? Perguntou uma voz que me fez gelar na base; era a voz de Sam, e parecia um pouco irônica.
–Sam... Disse sem saber ao certo o que pronunciar.
–Você planejava mesmo ir embora? Sem nem se despedir? Sem ao menos avisar, deixando somente um pequeno bilhete? Ele perguntou ainda com um pouco de ironia e com certa barulheira ao fundo.
–Eu não planejava, eu planejo! Disse notando que ele falava tudo no passado, como se eu tivesse desistido da ideia de ir embora.
–Ah, você planeja? Mesmo sabendo que eu agora sei exatamente de todo o seu plano e que eu nunca permitiria você ir assim? Ele disse fazendo-me sentir um leve tremor.
Ele falava de uma maneira que parecia até que éramos mais do que bons amigo... “ Eu nunca permitiria você ir assim”... Parecia até que éramos um casal, daqueles ainda que um foge e o outro vai atrás e no final eles se encontram e dão um beijo pra lá de ardente e apaixonado!
–Ah, então agora você virou meu pai e eu não sei? Não, porque até aonde eu sei, meu pai não esta nem aí para mim, ele simplesmente me ouviu desabafar e contar toda a verdade, mas no final ele simplesmente me deu ás costas e nem mais me dirigiu a palavra! Disse exaltando-me, indignada ainda com a atitude de meu pai.
–Anne, olha, eu sei que pra você não é fácil – disse ele mais compreensivo e calmo, sem ironia — Mas eu lhe garanto que para o Chris também não é! Sério, ele está mal, não sabe o que fazer! Você realmente pegou-o de surpresa, mas eu acho que ir embora agora, não ira resolver nada. Você continuara decepcionada e Chris continuara confuso!
Eu refleti um pouco sobre o que ele falara. Eu devo ter, de fato, pego meu pai de surpresa, e ele deveria estar sim confuso, mas poxa... E eu, como ficava? Tinha que espera, parar minha vida e sofrer, esperando ele se decidir? Não! Isso eu não podia fazer!
–Sam, eu sei que Chris deve estar confuso, mas eu não posso esperar minha vida inteira ele se decidir! Acho... Acho que será melhor a minha ida... Disse com os olhos fechados e mordendo meu lábio inferior.
–Tem certeza que isso é o melhor? Perguntou ele, parecendo até que ele estava em minha frente.
–Tenho, respondi convicta ainda de olhos fechados.
–Bem, e se eu te disser que não é? Perguntou uma voz ao pé de meu ouvido.
Abri os olhos e dei de cara com Sam sorrindo e um jeito maroto, cochichando em meu ouvido com o celular ainda na orelha. Desliguei a ligação e sorri tristemente para ele. Filho da mãe estava aprontando para mim e a boba nem notou!
–Como você me achou? Perguntei enquanto ele sentava em uma cadeira em minha frente.
–Bom, começou que eu vi você dentro de um táxi saindo do hotel. Estranhei e fui até seu quarto, mas ninguém abriu a porta. Fui a recepção e falei com a moça do balcão, que me entregou isso – disse ele estendendo o bilhete á mim – Daí foi fácil deduzir que você estava aqui. Dei uma checada nos voos para o Brasil e notei que teria um daqui á uma meia hora, então você só poderia estar em alguma parte do aeroporto esperando. Como você é gulosa, deduzi que fosse a lanchonete — Ele terminou, fazendo-me mostra a língua para ele pelo “gulosa”.
Então nossos olhares se cruzaram mesmo enquanto eu deixava o hotel...Então era mesmo ele naquela janela de hotel. Fiquei um tempo em silencio, fitando-o enquanto ele fazia o mesmo com comigo. Meu celular começou a “apitar”; era o alarme dizendo que faltava vinte minutos para o meu voo, e me avisando que era melhor eu ir me encaminhando para sala de embarque. Olhei para Sam com cara de tristeza e peguei meu celular e minha bolsa, levantando-me da cadeira e posicionando-me em frente ao meu carinho com as malas. Não o empurrei nem por cinco metros e Sam agarrou meu braço, impedindo-me.
–Anne, não vai! Desiste dessa ideia! Por favor – pediu ele olhando-me nos olhos e sendo sincero.
Aquilo, confesso, mexeu comigo. Tive vontade de na hora largar tudo e voltar correndo com ele para ao hotel. Mas por outro lado, se fizesse isso, teria que encarar a dor de ter e não ter um pai, de ter que encara Chris frente á frente, e isso era demais para eu aguentar.
–Não posso Sam – disse triste.
–Claro que pode! Anne, por favor... Fique só por mais esse show, no Texas. Se não der em nada, você poderá ir sem minha importunação, mas se as coisas mudarem, você verá que valeu a pena ficar. Por favor – ele pediu num tom quase de suplica.
Respirei bem fundo e estava pronta para dize á ele que eu não poderia mais aguentar a situação, quando ouvi algo que me fez estacar onde estava de imediato.
–Anne! Chamou a voz Chris, em um tom até que alto.
Virei para procurar a origem e encontrei: ele estava á uns metros de nós, andando apressadamente ao nosso encontro. Não acreditei no que via. Olhei para Sam, desconfiada que aquilo pudesse ter sido algo tramado por ele, mas para minha surpresa ele também estava completamente sem palavras. Tinha uma expressão de total surpresa em seu rosto. Meu pai foi aproximando-se de nós até alcançar-nos.
–Anne, por favor, não vá! Eu preciso falar com você antes! Ele disse com um olhar quase de suplica.
Fiquei dividida. Paralisei sem saber se o ouvia, ou se lhe dava-o ás costas...
Notas finais
Beijossssss
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