O Amigo Do Meu Pai

50 Sempre na hora errada, Carter


Notas iniciais
Anjos, voltei! Demorei um pouco, mas vocês já sabem de cor as minhas explicações. Não sei de comentei capítulo passado, mas eu fiz uma alteração na história. Vocês repararam? Senão, eu digo agora: eu juntei dois capítulos lá no começo da fic. O primeiro com terceiro, se não estou enganada. Eram dois capítulos bem curtinhos que mesmo juntos, não deram muitas palavras. hahahaha. Nossa, falando em começo de fic... Gente, eu evolui legal, ein? hahahahaha. Eu estava lendo um dos capítulos e olha, admiro vocês, meus leitores, por terem conseguido ler aquilo. Era horrível! Não que eu me considere a expert, mas melhorei consideravelmente. Enfim, QUEM VIU O LANÇAMENTO DO NOVO DISCO DO MAROON? Eu estou nas nuvens, pessoal. Sério. Adorei. Claro, ainda gosto mais do antecessor, mas este está recheado de músicas tão boas quanto e que sem dúvidas usarei e abusarei na próxima temporada da história. E quanto a história do "Sam" ter ganhado tatuagens novos, só digo três palavras: nada a comentar. Uma de minhas tatuagens preferidas está perdida num mar de outras tantas que estou até agora entender o que são. Enfim, vou parar de falar de deixa-los ler o capítulo. Enjoy

Senti uma brisa gélida beijar-me a pele assim que adentrei a varanda. O sol já se fora há algum tempo e as luzes do salão e de tochas em pontos estratégicos eram tudo iluminava a escuridão. A beira da praia, várias casas tinham suas luzes acessas, além de uma fogueira queimar intensamente a alguns metros de distancia; aparentemente rolava uma festa ali. Chris se postou ao meu lado, apoiando-se ao parapeito igual a mim. Por mais que o ar gélido tivesse sido bem-vinda no começo, o frio começava a incomodar-me. Notando que tremia ligeiramente, Chris tirou o blazer e botou sobre meus ombros. Olhei-o agradecida, sorrindo sem mostrar os dentes.

–Então – Olhei nervosamente para meus pés, subindo o olhar hesitante a ele – O que você queria comigo?

–Você está usando os brincos que te dei – Ele observou, abrindo um sorriso fraco. Elevei meus dedos a minhas orelhas, passando-os pela joia involuntariamente.

–Sam insistiu – Murmurei desviando os olhos a água calma. Sua risada soou fraca a meus ouvidos e olhei-o de lado.

–Sam tem tanto poder assim de persuasão sobre você? – Um sorriso frouxo brincava em seus lábios. Contrai a boca, formando uma linha rija e pálida. Meus olhos voltaram-se novamente ao movimento suave das ondas.

–Nunca parei para pensar dessa maneira.

–Deveria...

–Quando eu estiver com tempo e tédio o suficiente... – Dei de ombros.

Chris voltou a soltar uma risada baixa. Ficamos então os dois observando o mar e suas ondas calmas. A festa ao redor da fogueira parecia mais cheia agora, com mais jovens alegres bebendo e dançando ao som de uma música eletrônica que soava baixa de onde me encontrava. Lembrei-me das diversas vezes que desejei ir a festas assim e dos diversos “não” que minha mãe me disse. Recordei-me também, no entanto, das vezes que minha mãe, anos após, insistiu para que eu fosse nessas festas e eu recusei-me a sair de seu lado no leito hospitalar. Suspirei, passando o dedo no parapeito; doía-me lembrar-me de minha mãe.

–Chris, eu realmente não tenho a noite toda – Virei o pescoço, encarando-o. Sua cabeça fez um rápido e quase imperceptível movimento de concordância com a cabeça. Um longo e lento suspiro soou e seu rosto foi oculto pelas mãos.

–Eu queria conversar com você e... pedir desculpas – Sua voz saiu baixa e abafada entre os dedos.

–Estou toda a ouvidos – Disse num tom claro e sereno.

O silêncio pairou por segundos penduráveis. Ele respirava pesadamente, a mão ainda encobrindo o rosto, e eu esperava pacientemente por sua manifestação.

–Eu pensei bastante desde o que você me disse no restaurante — Ele voltou a falar, abaixando as mãos e olhando distante para as águas – E percebi que não podia te culpar por como agiu. Não só por você não estar errada, mas também por ter feito exatamente o que sua mãe esperaria da filha dela. Ou até o que eu esperaria de um filho meu.

Levantei as sobrancelhas, num gesto silencioso de surpresa. Sua aparência parecia mais cansada e velha. Talvez fosse a pouca iluminação, mas suas olheiras pareciam mais profundas e maiores, os cabelos mais desgrenhados e compridos e a barba por fazer só aumentava o aspecto de desleixo.

–Sua mãe sempre dizia que ninguém deveria baixar a cabeça a outro se este outro lhe causava mal, independente de ser mais velho ou uma figura supostamente importante. Como um pai – Chris prosseguiu, com os olhos ainda perdidos no horizonte enquanto a cabeça viajava para longe – E eu sempre fui do tipo rebelde. Sempre desafiando a tudo e a todos, sem me importar com o que pensavam. Vai ver por isso decidi entrar numa banda. Queria ser tipo cara como Mick Jagger.

Um riso baixo escapou involuntariamente de meus lábios e vi os seus puxarem-se de forma discreta para cima, num sorriso torto e tímido.

–Isso é um elogio?

–Acho que sim – Confirmou, o sorriso ainda pairando – Você é mais parecida com sua mãe e comigo do que imagina, Anastácia.

Concordei com a cabeça e voltei a encarar a paisagem. Assenti minimamente, pousando o olhar na praia abaixo. A festa ao longe pareceu esquentar, com um berro animado de uma multidão ecoando até nós.

–Naquele dia no restaurante – Chris voltou a quebrar o silêncio e me voltei a ele mais uma vez – Eu não estava esperando que você me dissesse tudo que disse. Achei que você fosse chorar e me aceitar como pai de novo...

–Porque era o previsível e tudo mundo espera o previsível de mim – Ri sarcástica.

–Pensam erroneamente. Você sempre faz algo que ninguém espera. Você já provou isso para nós, Anne. E mesmo assim, nos esquecemos do que você é capaz.

–E no fim, eu sempre me ferro – Murmurei amargurada.

–Você se arrependeu de tudo que falou para mim... depois?

–Não – Admiti sincera e um pouco abrupta; pareceu até um pouco grosseiro – Mas ainda assim eu não tenho o quero.

–O que você quer Anastácia?

Sentia seu olhar pesado sobre mim. Era paciente e ansioso ao mesmo tempo; triste e esperançoso. Era um olhar pesado demais para eu suportar. Fechei os olhos, tentando me concentrar no som das ondas quebrando na praia por baixo da gritaria do casamento e da festa na praia. E, claro, da gritaria de minha mente.

–Eu quero uma família – Ouvi minha voz sair baixa e distante de meus próprios lábios – Um lar. Alguém que me ligue preocupado quando eu sair; que me chame para os Natais em sua casa mesmo que eu tenha outros mil convites; que me censure ou alerte quando estiver errada; que brigue comigo porque não fui visita-lo de fim de semana... Coisas assim – Suspirei, encolhendo os ombros e abrindo os olhos para a escuridão da noite.

–Mas você tem isso – Chris argumentou sereno e espantado.

Virei-me para ele. Seus olhos fixavam-me de maneira afetuosa: transmitindo amor e sabedoria. Da mesma maneira que minha mãe costumava olhar-me quando eu dizia algo que não tinha sentido, mas mesmo assim ela compreendia.

–Tenho? – Ecoei, sem esconder a dúvida em minha voz.

–Claro que sim! – Ele afirmou abrindo um sorriso – Por exemplo, tenho certeza de que Sam vária todas essas coisas por você. Te ligaria preocupado sempre que você saísse para uma de suas maluquices; te chamaria sem hesitação para Natais junto com ele, mesmo que você pudesse ter outras tantas festas mais interessantes; te censuraria sempre que achasse que você passou do ponto; te ligaria furioso se você passasse um dia sem ao menos falar com ele... Ele faria todas essas coisas e mais por você. Qualquer amigo ou mais que isso, faria.

–"Mais que isso"? – Repeti arqueando as sobrancelhas – O que você quer dizer?

–Não sei – Seus ombros se encolheram e um sorriso de lado se formou – Vocês passam muito tempo juntos, dormiram no mesmo chalé, se olham de um jeito estranho...

–Eu e Sam somos só amigos – Ri balançando a cabeça.

–Amigos? – Ele levantou uma sobrancelha, sorrindo de forma maliciosa. Meu próprio pai!

–Somente bons amigos...

–Bom pra ele – Murmurou, fazendo-me rir pelo nariz. O silêncio voltou a se instaurar, mas de forma agradável. Ambos olhávamos as ondas suaves.

–Eu queria pedir desculpas, Anne – Chris disse em voz baixa.

–Por...?

–Tudo – Seus olhos estreitaram-se. Ao luar, pareciam mais escuros – Por não estar lá com sua mãe quando ela te teve, por não te ver dar os primeiros passos, por não te ajudar com o dever de casa, por não olhar feio para o seu primeiro namorado, por não te aplaudir de pé no dia da sua formatura, por não te consolar quando Lucy se foi... – Ele fez uma pausa, a voz ligeiramente emaranhada — Por, principalmente, te tratar da maneira que te tratei.

Senti minha garganta seca e engoli o resto de saliva que possuía para melhorar: não ajudou. Meu coração parecia apertado em meu peito, mas não de uma maneira ruim.

–Eu te perdoo... – Murmurei e Chris virou-se para mim, me olhando com uma expressão ilegível – Pai.

Chris sorriu de lado, parecendo afetado, e me abraçou. Agarrei-o de volta, como sempre quis. Senti-me mais plena do que da primeira vez que nos abraçamos como pai e filha. Dessa vez, ambos sentíamos que nos conhecíamos mais e amávamos de fato. Não só uma ligação estúpida de sangue nos conectava. Afinal, sangue não significa amor.

Ouvimos um pigarreio atrás de nós e nos soltamos. Em frente à porta semiaberta do salão encontrava-se Sam, esboçando um sorriso com as mãos nos bolsos.

–Desculpe atrapalhar, mas os noivos chegaram...

–Sempre na hora errada, Carter – Sorri fungando.

Ele riu, assentindo com a cabeça. Levei minhas mãos ao meu rosto e percebi que chorava. Abaixei meus dedos molhados e sorri. Olhei a meu pai e sorri, recendo um sorriso de volta. Sua mão foi ao bolso externo do blazer, que ainda se encontrava em meus ombros, e estendeu-me um lencinho. Enxuguei meu rosto, agradecendo por meu rímel ser a prova d'água.

–Vamos? – Virei-me a meu pai, guardando o lenço de volta no lugar.

Ele assentiu e encaixei meu braço no seu, surpreendendo-o. Sorri e ele relaxou. Voltei-me a Sam, que nos olhava ainda com um sorriso contente. Estendi meu braço livre e ele riu pelo nariz, enroscando-nos. Deitei minha cabeça no ombro de meu pai e, lentamente, andei com os dois de volta a mesa, sorrindo de orelha a orelha pela primeira vez em muito tempo.

Notas finais
Está meio pequeno, certo? Sei disso, mas é que o próximo capítulo promete. Até porque será o último dessa temporada. Sim, podem chorar! hahaahha. Rolará o beijo? Ficará somente para a próxima temporada? Só esperando para ver... hahahaha. P.S. Quero MUITOS comentários, ein? A autora chata de vocês aqui está sentindo saudade de vocês, fantasminhas, que comentem de vez em nunca. Xoxo