Notas iniciais
Olá pessoas. Tudo bem? Eu estou ótima. Tirando a amostra grátis do inferno que está minha casa. Dessa vez eu demorei só um teco, né? A mim, ao menos, parece. hahahaha. Enfim, não vou enrolar nesse capítulos, que aliás, é o último dessa temporada. Eu já o tinha editado e pronto para posta-lo há umas três semanas, mas queria fazer umas mudanças. No fim, não fiz nada. Deixarei como está, mesmo tendo a sensação de que não está bom o suficiente. Provavelmente depois que postar surgirá em minha cabeça melhorias a ele, como sempre. Quero pedir que leiam esse capítulo ouvindo a música "Love Somebody", do Maroon 5. Deixarei o link abaixo, mas só coloquem-na para tocar quando eu sinalizar no texto com uma palavra em negrito, ok? Nas notas finais, eu faço todo o melodrama. hahaha. Enjoy Love Somebody - Maroon 5 http://www.youtube.com/watch?v=MU8B4XDI3Uw

A música era lenta e calma e embalava a dança dos noivos. Era aquelas típicas músicas românticas da hora da valsa. Carol, mais radiante do que nunca, sorria aos quatro cantos ao dançar com o seu marido num terno branco. Ambos ainda estavam descalços. Todos no salão prestavam atenção nos dois. Menos eu.

Decidira refugiar-me um pouco na praia com uma taça de champanhe e uma brisa gélida batendo em minhas costas. Acabara deixando o blazer de meu pai pendurado na cadeira. Observava o mar formar e quebrar ondas quase em meus pés. A festa da fogueira ao longe parecia estar mais cheia e barulhenta do que anteriormente. Mas não que não fosse algo típico de festas jovens.

Às vezes que pegava pensando em qual seria minha verdadeira idade. Pela minha data de nascença, vinte e três anos. Porém não me sentia como alguém de vinte e três anos. Sentia-me mais velha. Festas de fogueira, como aquela, deveriam ser frequentadas por gente da minha idade, mas só de pensar em mim numa festa assim, já me sentia deslocada. Por conta da doença de minha mãe, tive de amadurecer mais cedo e abrir mão dessa parte de minha vida. E agora, que poderia desfrutar de tudo isso, não conseguia. Ainda parecia haver uma barreira que me separava desse mundo. Se eu fosse me comparar com aqueles jovens, sentir-me-ia com pelo menos trinta anos.

Algo quente tocou meu ombro e assustou-me. Virei-me e deparei-me com Sam repousando a mão em mim. Ele sorria suave, daquela maneira em que só se sorri para alguém muito familiar com quem tenha intimidade. Sua mão desceu por meu braço, sentindo meus pelos arrepiados de frio. Num gesto rápido, ele tirou o próprio blazer e colocou-os em meus ombros antes que pudesse manifestar-me. Sorri sem mostrar os dentes, agradecida, e ele abraçou-me de lado. Seu corpo quente confortou-me mais do que o blazer em si.

–Estava te procurando – Ele comentou, quebrando o silêncio de vez. Assim como eu, seus olhos verdes perdiam-se no oceano de mesma cor cristalina.

–Estava querendo pensar um pouco sozinha – Encolhi os ombros, tomando o último gole de champanhe. Mesmo sendo, talvez, meu terceiro copo, a bebida ainda descia ardendo e espumando em minha garganta.

–Pensar em que?

–No quão velha eu me sinto – Ri abaixando a cabeça.

–Com razão. São vinte e três anos, não é? – Sam olhou-me de lado. Olhei-o por cima dos cílios ceticamente, provocando-o risos. Revirei os olhos, batendo de leve em seu braço.

–Idiota – Murmurei. Os jovens voltaram a gritar na festa da fogueira e atraíram minha atenção.

–E por que você se sente assim? – Sam perguntou, parando de rir. Sobressaltei-me com sua voz e olhei-o assustada, recebendo uma risada nasalada dele.

Olhei-o atenta, a analisa-lo. As linhas de expressão de seu rosto eram suaves e marcantes ao mesmo tempo; seus olhos mais ainda. Suas íris verdes claras estavam escuras pela pouca luz, combinando com o sombreado em seu rosto. Seus lábios finos repuxavam-se para cima de forma graciosa enquanto ria ou sorria e a coloração no momento era rosada de frio; os meus deviam estar roxos. Uma de suas sobrancelhas levantou-se e seu sorriso abriu mais. Ele notara que o encarava. Sem graça, abaixei a cabeça e voltei ao mar novamente.

–Bem, pra começar – Ri pelo nariz, girando a taça vazia entre minhas mãos –Eu me sinto velha porque meu melhor amigo é dez anos mais velho.

–E continua muito gostoso – Ele completou convencido, fazendo-me rir.

–Pobre coitado convencido! – Olhei- revirando os olhos. Sam limitou-se a dar-me um sorriso galanteador.

–E o segundo motivo?

–O segundo motivo... – Fiz uma pausa, perdendo aos poucos meu sorriso e voltando a focar em frente – O tempo que passei no hospital com minha mãe... Tudo que vem acontecendo também.

Estava ciente do olhar de Sam pesado sobre mim: cheio de atenção, preocupação, carinho. Não me virei para encara-lo de frente. Não agora. Ele não disse nada, portanto considerei isso como um incentivo a continuar minha fala.

–Eu não ia a festas como qualquer pessoa de vinte e um anos. Eu ficava ao lado dela, segurando sua mão e velando seu sono às lágrimas. Às vezes, ela chegava a me pedir para ir a festas, me divertir, esquecer-me dos meus problemas por uma noite – Engoli a saliva que se formara na minha boca, olhando para minhas mãos enroscadas na taça – Mas eu não conseguia. Eu não podia deixa-la num hospital, sozinha, e ir me divertir como se estivesse tudo bem.

“Eu costumava ir às festas antes dela descobrir que tinha câncer... Eu e Lana dançávamos iguais loucas com copos de drinks na mão e só voltávamos para casa depois de estar descabeladas, suadas e com os saltos na mão de não mais suportar a dor nos pés. Isso deveria ser entre quatro e seis da manhã. E minha mãe sempre ficava me esperando. Às vezes acordada, mas na maioria, ela dormia no sofá com a TV ligada em um programa qualquer e um cobertor em suas pernas. No dia seguinte, ela ou brigava comigo ou só me olhava com censura e diversão sem dizer uma única palavra”.

“Mas daí a doença começou a abatê-la. Ela sabia que estava doente e que tinha câncer, mas não me disse nada. Não me disse nada sobre os remédios que guardava na gaveta atrás de vários outros ou sobre não estra mais trabalhando, mas sim, indo se tratar no hospital. E ela achava que eu não notava sua expressão abatida, os cabelos caiando e a falta de força para atividades que antes ela fazia sem nenhum esforço“.

Abaixei minha cabeça, sentindo minha garganta fechar. Sam passou sua mão para minhas costas, fazendo um carinho em solidariedade. Era confortante e ao mesmo tempo incomodo, mas não disse nada para fazê-lo parar. Respirei fundo e levantei o queixo, tentando focar no mar por trás das lágrimas que se formavam em meus olhos.

–E depois veio essa busca por Chris. Eu estava tão entorpecida por tudo... A morte de minha mãe e esse meu desejo louco de conhecer meu pai e ter uma família junto a ele que enquanto eu estivesse focada nisso, eu estaria satisfazendo minha mãe ao mesmo tempo em que não teria de lidar com o fato de ela ter ido e eu... E eu não ter mais alguém para esperar-me voltar de madrugada no sofá – Conclui, soltando um riso baixo. Pisquei várias vezes, tentando livrar-me do embaraço em minha vista e senti duas lágrimas safadas rolarem.

–Anne – Sam chamou-me baixo, mas não o olhei – Você passou por muitas coisas que muitas pessoas nem sonharam em passar. E isso te marcou, mas agora já acabou. Você ainda tem vinte e três anos. Ainda pode aproveitar tudo que não pode antes. Aposto que é isso que sua mãe gostaria: de te ver aproveitando se é isso que você quer.

Concordei com a cabeça, percebendo que já não mais sorria. Porém, sentia-me aliviada por dentro. Remexi-me no meio abraço de Sam e apoiei minha cabeça contra seu ombro, aconchegando-me mais a ele.

–Sam – Sussurrei olhando para minhas mãos. Ainda brincava com a taça entre meus dedos. Ele soltou uma onomatopeia, mostrando-se atento a mim – Posso te perguntar algo?

–Claro.

–Você acha que a história do DNA foi um erro da clínica ou... Uma armação? – Perguntei baixo, nem tendo certeza absoluta por que o fazia.

Sam não me respondeu. Levantei minha cabeça, olhando-o entre os cílios. Os olhos de Sam estavam fixos em mim, mas de modo perdido. Modo esse que me impedia de lê-los. Desde que passara a conhecer bem Sam, nunca não conseguira decifrar suas expressões. A falta de luz engolira completamente seus olhos e parecia que pupila e íris eram uma só. Seu maxilar parecia estar travado de leve e seu pomo-de-Adão subiu e desceu rapidamente. Porém, num piscar de olhos, a expressão desmanchou-se e seus olhos suavizaram assim como um sorriso leve e familiar tomou seus lábios.

–Eu acho que não vai te fazer bem insistir nessa tecla. Além do que, no fim, o que aconteceu foi bom para você e Chris, não?

Confirmei com a cabeça. Ele ampliou o sorriso e abracei-o. Ele reagiu surpreso, seus músculos ficando tenso por baixo do tecido da camisa. Passei minhas mãos pelas suas costas, enquanto deitava minha cabeça em seu peito, e enterrei-as em seus bolsos, objetivando esquenta-las. Senti seu peito subir e descer rapidamente num movimento típico de quem ri e seus músculos relaxaram. Seus braços passaram por minha cintura e suas mãos repousaram em minha bunda. Olhei-o imediatamente, as sobrancelhas arqueadas, a boca aberta e os olhos arregalados. Ele riu, jogando a cabeça para trás e soltando sua típica e gostosa risada. Não pude continuar séria e ri junto.

Um barulho alto soou e assustou-me. Fechei os olhos e apertei-me mais contra Sam, podendo sentir perfeitamente cada pedaço dele. Sam começou a rir loucamente, enquanto eu abria meus olhos lentamente e desencostava a cabeça de seu peito.

–Foram só fogos de artificio, sua boba – Sam sussurrou em meu ouvindo, ainda rindo. Beijou minha cabeça castamente enquanto eu olhava-o emburrada. Seu olhar sobre mim era terno e... interessado. Puro, mas malicioso. Senti-me amolada e tranquila ao mesmo tempo.

Os fogos continuaram a explodir num turbilhão de cores. A festa da fogueira agitou-se mais com a iluminação no céu. Os ruídos altos que eles produziam, no entanto, pareciam distantes. Tudo que eu tinha ciência eram dos olhos de Sam nos meus. Senti suas mãos subirem um pouco em minhas costas e uma delas passar por baixo de meus cabelos para meu pescoço. Seus dedos frios acariciaram minha nuca e provocaram-me espasmos, que me fizeram fechar os olhos. Quando os abri de novo, minha nuca estava sendo pressionada para frente e meus lábios foram de encontro aos de Sam. Estava mais do que surpresa; meus olhos arregalaram-se e meu corpo travou. Bastou Sam abrir meus lábios com sua língua para eu amolecer. Fechei meus olhos e entreguei-me ao momento. Meus braços subiram e envolveram seu pescoço e meus dedos deslizaram por entre seus cabelos macios.

Sensações invadiam-me a todo num torvelinho. A boca macia de Sam contra a minha era exatamente como tanto fantasiara. Sua língua fazia movimentos calmos e vorazes que me torturavam e passavam-me paz ao mesmo tempo. O seu corpo contra o meu, algo que já tive por tatas vezes, parecia encaixar-se de uma maneira nunca antes feita. Seus dedos enroscando-se em meu cabelo e puxando mechas aleatórias, assim como eu fazia, era deleitoso. Era excitante e espantoso; como uma sensação tão nova poderia parecer tão familiar? A mão de Sam apertou-se em minha cintura e nossos fôlegos escafederam-se. Apartei-me de Sam e ofeguei de olhos fechados. Aos poucos, o mundo exterior começava a me atingir. O barulho da festa ao longe; o fragor ligeiramente mais baixo do casamento; os fogos apagando-se e sendo esquecidos na escuridão da noite; as ondas quebrando quase em meus pés; e Sam tomando forma diante de mim à medida que abria lentamente meus olhos. Meu melhor amigo sorria entorpecido e mirava-me com olhos mais brilhantes do jamais me lembrava de ter visto.

Meu melhor amigo.

Sam era meu melhor amigo. Eu acabara de beijar meu melhor amigo. E agora, ele encarava-me com um fascínio típico de expectativas criadas a partir daquela ação. Expectativas essas que não ousava pronunciar em voz alta. Afinal, ele era meu melhor amigo, uma espécie de quase irmão. E por mais que temesse sentir por ele coisas que não se sentia por um amigo, preferia calar meus sentimentos a arriscar algo ousado e perde-lo. Pelo menos nesse momento não podia dar-me ao luxo. Não agora que tudo em minha vida parecia ter entrado nos eixos.

Desvencilhei-me vagarosamente e seus olhos começaram a apagar-se.

–Anne – Sam chamou-me baixo, enroscando sua mão em meu braço.

–Sam, por favor – Coloquei meus dedos sobre os seus, tentando afrouxar seu aperto.

–Anne, me olha, por favor. Vamos conversar. Você não gostou? Eu sei que me precipitei, mas...

–Sam – Levantei meu rosto. Sua expressão era ansiosa, apreensiva e... – Isso foi algo precipitado sim, mas eu não quero falar sobre isso. Acho que nós não devíamos falar sobre isso, só esquecer. E... Eu preciso de um tempo para mim. Licença.

Livrei-me de sua mão e saí correndo pela areia em direção as escadas que levavam ao salão. A taça de champanhe, antes em minha mão, jazia na areia com água do mar inundando-a à medida que a maré batia. Subia os degraus escorregadios correndo e agarrando-me ao corrimão. A luz do salão cegou-me quando parei na varanda. Estava ofegante e meu coração batia a mil, parecendo que ia pular de meu peito. E não somente devido à corrida. A hora da dança dos noivos parecia ter encerrado e a pista de dança estava lotada por diversos convidados. Identifiquei, quase por coincidência, Michael com sua namorada dançando juntinhos. Ele, claro, com as mãos no bumbum dela. Ri pelo nariz, fechando meus olhos momentaneamente com as mãos na cintura. Voltei a subir as pálpebras quando meu pai abria o vidro da varanda e sorria para mim.

–Sozinha aqui fora, filha? – Ele perguntou aproximando-se.

–Eu estava... lá em baixo – Apontei para trás de mim, em referencia a praia.

–E de quem é esse blazer? – Ele cruzou os braços, levantando uma sobrancelha e sorrindo marotamente.

–Ah... – Olhei para meu corpo, esquecendo-me de que a peça ainda estava em meu corpo aquecendo-me – É de Sam. Ele me emprestou antes de descer.

–Hm... E ele estava com você? Por que também não o vejo há um tempo – Ele olhou por cima dos ombros, para o salão, durante alguns instantes.

–Não. Não o vi depois – Sorri forçadamente. Seus olhos estreitaram-se, desconfiados, mais logo um sorriso surgiu e suavizou sua expressão novamente.

–Tudo bem. Vamos dançar então? – Ele estendeu-me o braço. Assenti, modificando o sorriso para um simples puxar de lábios.

Entrei no salão abafado de modo aconchegante com o braço enroscado no de meu pai. Vi Lewis ao longe sorrir-me e retribui o gesto forçadamente, abaixando a cabeça para meus pés logo em seguida. Arranjamos um lugar no meio de tantos outros casais e botei minha mão em seu ombro e a outra em seu braço, enquanto ele botou uma em minha cintura e outra em meu ombro. Começamos a valsar lentamente, com meu vestido farfalhando no chão de cerâmica frio. O salão possuía burburinhos baixos de conversas paralelas, mas a música ainda se sobressaia e embalava o momento. Olhava para cima de seu ombro, enquanto meu pai fazia o mesmo.

–Sabe, eu já dancei essa música com sua mãe... – Ele comentou em meu ouvido. Olhei-o de sobrancelhas arqueadas.

–Sério?

–Ela adorava músicas paradas... – Ele riu baixo – Quanto mais morta, melhor.

Soltei uma risada baixa e espontânea, sendo acompanhada por ele. Vi Sam subindo as escadas, surgindo na varanda. Ele olhou para dentro do salão e seus olhos não demoraram a me focar. Engoli em seco, apagando meu sorriso.

–Está tudo bem? – Meu pai perguntou, trazendo-me de volta. Olhei-o e forcei um sorriso, balançando rapidamente a cabeça.

–Está. Só... Ainda me abala um pouco falar de minha mãe.

–Não devia. Se eu bem a conhecia, ela ficaria furiosa se lembrassem dela e começassem a chorar: iria querer que se lembrassem dela e sorrissem e rissem.

–Eu sei – Sussurrei piscando. Ele sorriu-me brando e apoiei minha cabeça em seu ombro, virando meu rosto para observar o salão.

Chris era cerca cinco centímetros mais baixo que Sam. Algo bobo de se reparar, mas nada complicado em momentos como esse. Tinha certeza que Chris sorria enquanto continuava a embalar-me no ritmo lento da música. A música, já não muito extensa, logo se findou. Outra deu lugar e eu continuei a ser conduzida lentamente por meu pai. Fechei meus olhos, deixando-me levar pelo momento pai e filha, que, diga-se de passagem, não durou muito.

Meu pai parou repentinamente e levantei a cabeça confusa. Sam estava com a mão no ombro de Chris, sorrindo para ele. Não era um sorriso pleno e muito verdadeiro: era compelido e dissimulado.

–Posso dançar com ela, Chris? – Ele perguntou a meu pai, sem em momento algum pousar seus olhos em mim.

Meu pai olhou-me e perguntou-me com um único olhar se havia problema. Sorri da mesma forma que Sam, porém mais contida, sem mostrar os dentes. Meu pai respondeu positivamente e beijou-me a testa antes de soltar-me. Ele afastou-se e olhei acanhada a Sam, que também não parecia estar à vontade. Para não sermos os esquisitões parados no meio de entre tantas pessoas se mexendo, e consequentemente atrair atenções por isso, começamos a dançar. Mantínhamos uma distancia aceitável entre nós, tentando ao máximo não encostar nossos corpos caso não houvesse necessidade. Antes, nosso encaixe que parecia perfeito, era estranho e disfuncional. Ambos não sentíamos confortáveis e nossos corpos não se moviam em harmonia. A música acabou depois do que pareceram séculos e preparei-me para solta-lo. Antes que pudesse, Sam pegou mais forte em minha cintura e trouxe para mais perto, colidindo nossos corpos.

–Preciso conversar contigo – Ele disse sério, olhando-me da mesma maneira. Fechei os olhos, suspirando exasperada.

–Se for sobre...

–Foi um erro, Anne – Ele interrompeu-me – Eu me deixei levar pelo momento. Eu sinto muito. Eu só não quero que isso interfira em nossa amizade.

Engoli em seco. Havia urgência e calma; arrependimento e impenitência; verdade e mentira em sua voz. Mas em seus olhos... Não havia sombras de dúvidas de que o que ele falava era seu verdadeiro desejo. Contrai os lábios, fechando os olhos mais uma vez. Abracei-o repentinamente, assuntando-o com minha atitude. Coloquei meus braços ao redor de seu pescoço e deitei minha cabeça em seu peito, enquanto sentia seus músculos já tensos relaxarem e suas mãos posaram em minha cintura. A música ao fundo embalou-nos numa dança ritmada, lenta e, principalmente, funcional e harmoniosa. Desta vez, os movimentos que executávamos e a junção de nossos corpos pareciam certos.

Mas eu não prestava atenção de fato a essa música. E sim a outra. Uma música mais ritmada e descompassada, agitada e calma: as batidas do coração de Sam. Eram batidas suaves como o vento e fortes como um tambor. Era uma batida única. E assim, ouvindo as batidas do coração dele, conclui estar feliz em muito tempo. Não me sentia em completa paz, mas sentia uma calmaria significativa que a muito não conhecia. Parecia que sempre estava a faltar algo antes. O que? Eu não sei, mas tenho certeza de que não preciso descobrir para sentir-me completa como agora.

Notas finais
SOSSEGUEI O FOGO DE VOCÊS? hahahaahaha. Deuses, saibam que eu me desdobrei para encaixar esse beijo nesse capítulo. Achei que até ficou bom, mas ainda sismo que deveria ter feito algumas alterações. É isso gente! Primeira temporada de "O Amigo do meu Pai" acabou. Foi um ano (mais até!) de muitos altos e baixos; postagens continuas e demoras incessantes; melhoras notáveis na escrita; paciência com as mudanças de humor da autora de vocês... Enfim, foi um ano e tanto mesmo. Eu agradeço a vocês por tudo: pelas criticas positivas ou não, mas que ajudaram-me com certeza; pelos comentários adoráveis; pelas recomendações que fizeram-me sorrir. Tudo mesmo. A segunda temporada está por vir muito mais recheada de emoções e surpresas e espero que vocês continuem comigo nessa. Obrigada pessoal. Isso não é um adeus, e sim um até logo. Clichê, né? hahahahaha. Xoxo Bea
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!