O Amigo Do Meu Pai
3 Encontro inesperado
Notas iniciais
Bem, o meu encontro com a banda não foi o que eu esperava! Além de meu pai ainda não saber que é meu pai, o final da conversa foi bem tenso. A banda fora super simpática comigo (principalmente Sam), de fato, mas a pessoa com quem queria mais aproximação foi a mais distante. Eu continuo em NY, o show foi há apenas dois dias, e não fazia a menor ideia do que faria á seguir. Tinha alguns primos e muitos amigos no Brasil, para quem eu poderia recorrer, mas queria muito ter alguma aproximação com meu pai. A banda, pelo que eu pesquisara, teria um show daqui á dois dias em Dallas, e só iria para a cidade no mesmo dia do show. Ou seja, eles ainda estavam em New York. Eu estava num café, Starbucks, e eram por volta das duas da tarde. Enquanto eu pensava em como voltaria a abordar meu pai, meu telefone tocou.
–Alô, disse.
–Oi bitch, disse minha melhor amiga do outro lado da linha.
–Oi Lana.
–E aí, conheceu a banda e seu pai? Perguntou-me ela na lata.
–Sim, mas foi uma droga. Eles são simpáticos, mas pintou um climão na hora! Desabafei.
–Serio? Que droga, como foi exatamente?
–No inicio eu estava tímida, mas aí eles me perguntaram da onde eu era e quando disse Brasil, começamos a conversar animadamente. O Sam é muito simpático, foi o mais interativo, porem meu pai foi o mais quieto. Ele ficava meio que me encarando, e quando ele citou o nome de minha mãe e perguntou se eu conhecia-a e eu disse sim, as coisas ficaram muito estanhas. Ficamos todos em silencio, que só foi quebrado porque uma moça foi me chamar para dizer que meu tempo tinha acabado.... Enfim, foi horrível Lana!
–Nossa Ana (Ana era meu apelido no Brasil)! Que pena! Você fantasiou tanto esse momento! O que você vai fazer agora? Vai voltar pra cá ou vai tentar novamente?
–Não sei. Estou pensando em tentar novamente, mas não tenho coragem pra isso!
– Eu apoio. Acho também que você deveria ficar — ela disse incentivando-me.
–Valeu Lana, disse agradecendo o apoio.
–Sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, se precisar, não?
–Sei, obrigada! Disse sinceramente.
–Queria poder falar mais, só que o Vitor (o namorado dela) chegou e vamos sair. Mais tarde a gente se fala de novo, certo?
–Certo. Bom encontro.
–Valeu. Se cuida bitche. Beijos, ela disse desligando a ligação.
Não contei a vocês sobre Lana, não é? Ela, como já disse, é minha melhor amiga. Ela também é brasileira e moramos juntas desde que minha mãe morreu. Ela é loira com os cabelos um pouco abaixo do ombro, olhos castanhos claros, peituda e bunduda (chamou-a ás vezes de PB por isso) e tem um namorado á cerca de um ano, Vitor. Ela me ajudou, e ajuda, muito desde a morte de minha mãe. Ela apoiou-me no mesmo instante quando a disse que iria atrás de meu pai. Quando contei quem ele era, ela logo ficou aguçada coma possibilidade de conhecer a banda, e Sam. E falando em banda, vocês não sabem quem adentrou o café nem dez minutos após eu e Lana conversarmos: Sam Carter! Eu não acreditei no que meus olhos viam, serio! Fiquei na minha mesa, paralisada olhando para ele entrar no café. Ele estava bem bonito, com uma camiseta básica azul e suas jeans desgastadas e rasgadas nos joelhos (e não vamos esquecer também dos coturnos verdes militar e os óculos escuros). E como todo famoso, uma leva de fãs enlouquecidas vinham logo atrás, pedindo desde autógrafos até (as mais ousadas) pedindo que ele as “pegasse”. Ele, sendo simpático, dava sorrisos e alguns autógrafos. Ocupado com a leva de fãs, ele falou algo para o segurança dele, e este se encaminhou paro o balcão para fazer o pedido. Sam, então, foi procurar uma mesa para sentar, e adivinha quem ele viu? Eu! E adivinha o que ele fez? Se encaminhou para minha mesa! Eu fiquei sem reação, serio!
–Olá Anastácia , ele disse.
–Olá, disse perplexa.
As fãs que ainda estavam atrás dele ficaram mais perplexas do que eu. Elas começaram a cochichar entre si, e aposto, que elas deviam estar perguntando-se quem eu seria. Deviam, também, achar que eu era a nova “peguete” de Sam (contei que ele estava solteiro?). Elas, vendo ele sentado comigo á mesa, começaram a se dispersar.
–Como vai? Ele questionou-me.
–Bem, e você?
–Bem também.
Ficamos uns segundos em silencio, com ele me olhando dos pés a cabeça, até eu disser algo:
–Pelo visto suas fãs foram-se achando que eu sou sua “peguete”, disse olhando para o café já sem mais rastro de nenhuma fã histérica.
Ele deu uma boa risada, fazendo-me ficar arrepiada, e em seguida disse:
–Pelo visto sim! Mas tem um lado bom nessa confusão: minha “peguete” é bem quente — disse ele, fazendo-me corar, o que o fez soltar mais uma boa risada.
O segurança dele chegou trazendo o pedido dele, que agradeceu e tomou um gole. Minha bebida tinha acabado e eu, que estava pensando em levantar para buscar mais uma, mas fui impedida por Sam, que levantou-se e fez questão de pedir por mim. Eu não questionei, apenas permiti. Cinco minutos depois ele voltou a mesa, porém permaneceu de pé, com meu pedido em mãos.
–Não vai sentar? Perguntei.
–Não, nós vamos dar uma volta na rua — respondeu este sorrindo.
–Serio? Eu e você? Andando?
–Serio. Só eu e você andando, até dispensei Carlos.
Eu não estava acreditando, juro. Eu mal conhecia o cara e de nada ele me convida para passear. Folgado, no mínimo! Mas não posso dizer que não achei a proposta boa. Dei de ombros, e levantei. Ele me entregou a bebida e pegou a sua na mesa. Nós caminhamos para fora do café e ele, na saída, abriu a porta para mim. Achei gentil da parte dele. Caminhamos um tempo em silencio, sem destino, só andando. Devo dizer que muitas pessoas repararam que o famoso Sam Carter estava andando com uma completa desconhecida (dele e da mídia) enquanto os dois carregavam, cada, um copo de café? Depois de umas duas quadras em silencio e com muitos olhares sobre nós, Sam voltou á falar.
–Então, Lucy Vaz era sua mãe? Questionou-me ele olhando para frente, e tomando um pouco de café após a pergunta.
–Sim, respondi olhando para a frente também.
–Interessante, disse ele com ar misterioso. Com certeza ele sabia que meus pais já foram namorados.
–Interessante pelo fato de minha mãe e o guitarrista de sua banda já terem sido namorados? Questionei ainda olhando para frente.
Ele me olhou um pouco surpreso, e em seguida deu uma levíssima risada.
–Claro que você devia saber. Devia ter suposto — ele disse mais para si do que para mim- É, por isso mesmo. Mas o mais engraçado é que você, a filha de uma antiga namorada dele surgiu do nada, disse este olhando de volta para frente e dessa vez se dirigindo á mim.
–Talvez não seja tão engraçado assim, respondi-o. Talvez devesse contar á ele a verdade, e talvez, ele pode-se ajudar-me a aproximar-me de meu pai.
–Como assim? Ele perguntou-me olhando-me extremamente surpreso e desconfiado.
–Eu fui ao show ontem e ao camarim porque, além de eu gostar da banda, queria conhecer Christopher — respondi ainda olhando para frente.
–Mas porque? Ele perguntou olhando-me.
Eu olhei-o e mordi meus lábios, vendo que eu (tendo começado) teria agora que contar de qualquer jeito. Abaixei meu olhar, pois começara a ficar bem nervosa. Sam, reparando no nervosismo que se instalara em mim, voltou á falar:
–Não me diga que... Começou ele olhando-me completamente chocado, já desconfiando da verdade.
–Christopher é meu pai, disse voltando a olha-lo.
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