O Amigo Do Meu Pai
17 Dna
Notas iniciais
Logo após a coletiva, meu pai entrou em contato com os advogados dele para poderem inclui-lo em minha certidão. Ou seja, torna-lo oficialmente meu pai. Isso foi fácil. A parte difícil foi que os advogados dele pediram para que nós fizéssemos um exame de DNA. Meu pai se recusou de começo, mas depois de muita insistência dos advogados que aquilo só facilitaria ainda mais o processo de mudança de minha certidão, ele topou. Isso me deixou meio chateada. Eu até entendia, mas parecia que o mundo ainda desconfiava realmente da paternidade de meu pai e ele, para “ajudar”, só reforçava essa desconfiança pedindo o exame. Para ser sincera, também parecia que meu próprio pai desconfiava da paternidade dele. Eu sei, eu sei... isso é besteira! Afinal, se ele desconfiasse mesmo, ele não sairia ai mundo afora anunciando ser meu pai. Bom, estou bem confusa como se pode ver! Tudo que sei agora é que mesmo eu sabendo que meu pai não desconfia, estou chateada!
Era o dia do exame de DNA. Bem, eu não estava muito contente. Como a banda estava ainda de turnê, então tivemos que fazer o exame em Chicago. Ao laboratório, para fazer o exame, foram somente eu, meu pai e Sam (ao meu pedido). Os outros acharam melhor não ir. Ao chegar ao laboratório, nem esperamos muito para fazê-lo. Depois de passar pela recepção, onde meu pai informou que já havíamos marcado o exame e passou algumas informações a moça, sentamo-nos uns instantes na sala de espera, até que uma moça chegou e pediu para que eu e meu pai acompanhássemos-la. Resumindo: Sam não poderia entrar e eu mal falava com meu pai desde que ele topou o exame. Sei, atitude de menina mimada, mas eu nunca fiz ou agi dessa forma antes, então me deem um desconto! Eu e meu pai entramos numa sala, na companhia da mulher. Dentro da sala havia duas enfermeira, cada uma perto de uma cadeira para retirada de sangue. Um pai e eu sentamos, cada, em uma e as enfermeiras retiram nosso sangue. Simples, não? Uma das enfermeiras, a minha, pegou os dois saquinhos contendo o frasco com nossas amostras de sangue e levou embora da sala. Eu me retirei da sala sem nem esperar meu pai. Saí logo de encontro á Sam. Ele pareceu surpreso em me ver sem meu pai.
–Onde esta o Chris? Sam perguntou-me assim que me aproximei o suficiente.
–Esta lá dentro ainda. Não vi necessidade em espera-lo – respondi seca — Vamos? Perguntei olhando-o impaciente.
–E o Chris? Ele perguntou.
–Aí Deus! Se você vai ficar aí de lengalenga, então tchau! Disse impaciente dando ás costas á ele.
Sam me segurou pelo braço, impedindo-me. Eu virei para ele, que tinha uma expressão de riso.
–Muito impaciente você, não? Ele disse sorrindo com ar de riso – Vamos! Eu sei o que pode te animar...
Eu soltei meu braço de seu aperto, divertindo-o mais. Ele, antes de ir, virou para trás e acenou com a cabeça para meu pai. Só naquela hora eu notei que ele vinha andando da sala onde nós tínhamos coletado o sangue. Meu pai tinha uma expressão calma, e estava com as mãos no bolso. Ele acenou de volta para Sam, com uma expressão tranquila que dizia “tudo bem”. Eu desviei meu olhar, que tinha cruzado com o dele, rapidamente. Virei de novo de costas á ele e Sam e saí andando para fora do laboratório, com Sam me acompanhando.
Sam não me contou aonde íamos, mas também não perguntei. Nós fomos no carro que ele alugara na cidade, e onde os três (eu, meu pai e ele) fomos de manhã para o hospital. Não conversei também muito durante o trajeto. Só liguei o rádio e aumentei. Sam, ao contrario do que pensei, não cantava muito. Ele sabia quase a maioria, porque ele movia o lábio conforme a letra e batucava no volante do carro conforme o ritmo. Mas quando começou a tocar na rádio uma música do Oasis, ele se animou na hora. Quero dizer, ele não saiu falando “woohoo” ou comemorando. Ele só começou a cantar junto e pediu para aumentar mais. A música era “Don’t Look Back In Anger”.
“Slip inside the eye of your mind
Don't you know you might find
A better place to play
You said that you'd never been
But all the things that you've seen
Will slowly fade away…”
Ele cantava perfeitamente a música. A letra ele conhecia de cor e salteado, pelo visto. Eu só observava a paisagem, e o contraste da letra da música na voz de Sam e na do vocalista do Oasis, Noel Gallagher.
“And so Sally can wait
She knows it's too late
As she walking on by
My soul slides away
"But don't look back in anger!"
I heard you say
At least not today”
A música acabou e eu observei Sam calar-se e terminar de batucar no volante ao ritmo daquela música. Depois iniciou uma música que desconhecia. Decidi então, pela primeira vez, iniciar um papo e deixar minha “pose” de lado.
–Não sabia que você curtia Oasis... — Comentei distraída, ou tentando parecer.
–Agora sabe – ele respondeu distraído, com os olhos na rua — Para ser sincero, só um louco não gostaria de pelo menos uma música deles.
Sorri de leve do comentário dele.
–Então, qual sua música favorita deles? Questionei olhando-o.
– Você acabou de ouvir... — Ele respondeu sem tirar os olhos da rua.
–Sério? “Don’t Look Back In Anger”?
–Não gosta? Ele perguntou olhando-me brevemente, tirando alguns segundos os olhos da rua.
–Gosto... Mas prefiro outra – respondi dando de ombros e olhando de novo para a rua.
–E qual seria? Ele perguntou.
–“Don’t Go Away” .
–Boa escolha... — Ele comentou.
Olhei para ele e sorri de lábios (sem mostrar os dentes. Como quem diz “pois é...”). Ele olhou-me e então sorriu, mas o sorriso mais lindo e sincero dele. Isso mexeu um pouquinho comigo. Sam então foi desacelerando e parou em frente a um portão fechado. Não sei dizer ao certo que tipo de lugar ao certa aquele, só sei dizer que tinha uma longo muro e um portão de ferro enorme. Achei muito esquisito. Ele desligou o carro e o som e saiu, e eu acompanhei-o. Cheguei mais perto de Sam e peguei em seu braço, por impulso. Uma espécie de onda elétrica percorreu meu corpo. E o dele também, porque na hora ela me olhou e eu soltei-o. Sam encaminhou-se para o portão todo fechado do lugar e tocou a companhia.
–Onde estamos Sam? Perguntei observando o muro, que era todo colorido.
–Você verá — foi tudo que recebi de resposta
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