Notas iniciais
Neste capitulo nossa heroína finalmente realiza seu desejo, bom, pelo menos uma parte...

Dia do show

Bem, hoje eu conheço meu pai! E ainda por cima, uma das minhas bandas favoritas junto! Não sei se como me sinto sobre isso, só sei que estou um pouco enjoada e eufórica. O show começa as dez, mas tenho que estar lá até as seis, pois antes se apresentam umas duas bandas. Estou tão elétrica que já tenho tudo pronto, das minhas roupas ao ingresso, e a única coisa que consigo fazer é repassar o que direi ao meu pai. Ainda não sei o que direi, apesar de ter já ensaiado todo tipo de alternativa possível para uma situação como essa, mas tenho uma leve ideia de como darei a noticia. Enfim, o jeito é esperar.

Daqui á pouco verei meu pai! Não sei como me sinto, só sei que quero correr ou vomitar. Mas não farei nenhuma das opções, claro. O show foi maravilhoso. Eles tocaram desde os sucessos até faixas do primeiro álbum, sem contar alguns covers muito legais. Mas mal consegui gritar, só olhava para meu pai na guitarra (e algumas vezes para o vocalista gato). Tinha decidido como iria abordar a “questão” mais cedo, antes de sair do hotel. Para entrar para ver a banda eles estavam usando um critério de “coragem”: os mais corajosos iam primeiro, os mais medrosos por ultimo. Eu pedi instantaneamente pra ser a ultima, e bem, fui atendida. Mas mesmo tendo cinco pessoas em minha frente ainda e cada “visita” demorasse entorno de vinte minutos, o que dava mais de uma hora para me “preparar”, eu não conseguia parar de tremer. Se tremesse mais, achariam que eu tinha mal de Parkinson. Você imagina como é estar preste a conhecer seu pai, e este nem saber disso? Bem, não é uma muito legal. Eu já esperava á uns setenta minutos, com a cabeça baixa e as mãos em meu rosto concentrada, quando uma mulher chamou pelo meu nome. Assim que levantei a cabeça, percebi ser a única na sala. A mulher disse a mim que era minha vez, e por ser a ultima, teria o privilegio de ter alguns minutos á mais com a banda. Agradeci á ela e me levantei indo até uma porta que ela me indicara, pensando que talvez esses minutos a mais não fossem tão vantajosos. Caminhei até a porta, e assim que girei a maçaneta e a porta se abriu, tive uma espécie de infarto.

Assim que abri a porta, vi que a banda estava sentada conversando normalmente, como se nem soubessem que alguém (eu) entraria ali. Quando perceberam minha presença, levantaram para me cumprimentar. Eu (nervosa), sai da porta, fechando esta, e fui cumprimenta-los também. Por mais que eu falasse para mim mesma relaxar e agir naturalmente, meus olhos me traiam olhando quase que fixamente para meu pai. A banda era formada por cinco integrantes: Sam Carter (vocalista), Christopher Farrel (meu pai e guitarrista), Joshua Betat (baterista), Matthew Fink (tecladista) e James Thompson (baixista). Cumprimentei todos, e assim que apertei a mão de meu pai, meu coração parou. Ele sorriu para mim e eu retribui o sorriso.

–Qual é o seu nome? Sam perguntou á mim.

Eu já citei quanto ele é gato? Bem se não, agora vai alguns detalhes a mais: Ele tem um cabelo meio espetado, que forma uma espécie de topete para dentro; ele possui olhos verdes acastanhados lindos; ele possuía um braço todo fechado de tatuagens, e possuía mais algumas, como no tórax; ele estava suado e o tecido de sua fina camisa branca ficara transparente em algumas partes, evidenciando seus músculos. ele aparentava ser o mais brincalhão e descontraído de todos.

–Anastácia Cooper, respondi.

–Prazer. Eu sou Sam, e esses são Christopher, Joshua, Mattew e James — disse ele apontando para os outros integrantes.

Eu estava tremendo, juro. Não conseguia falar nada, absolutamente nada! Percebendo que eu estava nervosa, Sam voltou a puxar conversa:

–Você esta bem? Parece um pouco nervosa.

–Estou bem, obrigada. É somente emoção de fã, entende?

Ele deu uma risadinha, que ao meu parecer, era um sinal de que ele entendia.

–De onde você é? Questionou-me Joshua.

–São Paulo, Brasil.

Eles ficaram animados de saber que eu era brasileira. Começaram a me perguntar uma porção de coisas sobre o país, que aliás, eles já haviam visitado em turnê (rapidamente, claro!). Comecei a me sentir mais a vontade, e algo que reparei enquanto eu conversava coma banda foi que além de meu pai não ter falado muito, ele me olhava de um jeito como se tentasse lembrar de onde me conhecia. Resumindo: acho que ele deve ter me achado parecida com minha mãe porque depois de um tempo ele fez-me uma pergunta.

–Você conhece alguma Lucy Vaz?

Eu gelei assim que ele disse aquele nome. Lucy (ou Lúcia) Vaz era minha mãe (vocês devem estar pensando porque então meu sobrenome é Cooper; o sobrenome de meu avô era Cooper. Minha mãe quis homenageá-lo).

–Sim, era minha mãe — respondi tentando por tudo nesse mundo não gaguejar ou tremer á ponto deles acharem que tenho Parkinson.

Depois de responder a pergunta dele, um silencio instalou-se na sala. Eu voltei a ficar pouco a vontade na sala, e por sorte (ou não), a mulher que me chamara para entrar na sala entrou nesta.

–Com licença, mas senhorita Cooper, a banda tem um compromisso. Vou ter de pedir para você se retirar, ela disse da maneira mais educada que encontrou.

–Sem problemas. Prazer em conhecê-los, disse indo apertar a mão de cada um. Na hora que apertei de meu pai foi um pouco estanho. Saí da sala, e a mulher me acompanhou.

Meu encontro com eles fora um fiasco. Meu plano não dera certo. De certo modo, sentia que minha única oportunidade se fora.

Notas finais
Gostaram? Curtinho, né? Pros próximos tentarei fazer algo mais completo, prometo...Ah, deixem seu comentário!