O Amigo Do Meu Pai
25 Cena de filme
Notas iniciais
Enjoy
Ótimo! Agora teria que arranjar um jeito de me livrar de Sam! O elevador parou em meu andar algum tempo depois e Sam e eu saímos. Rumei sem pressa á meu quarto, ainda tentando arranjar uma desculpa para despachar Sam. Mas meus pensamentos não foram tão rápidos quanto minhas pernas, e logo estávamos parados em frente à porta de meu quarto. Tateei meus bolsos á procura da chave, mas não a encontrei. Repeti esse ato umas três vezes, mas ainda assim não obtive êxito. Droga, esquecera a chave dentro do quarto! Aí você pensa como eu consegui trancar a porta; simples, as portas travam automaticamente depois de dez segundos que você a fechou. E a chave, na verdade, era um cartão.
-Raios! — Exclamei passando a mão nos cabelos e me virando para Sam.
-Que aconteceu? — Ele perguntou com um sorriso pequeno no rosto por ver minha irritação.
-Esqueci o cartão dentro do quarto! Tenho agora que ir até a recepção pegar o reserva! -Respondi andando em direção aos elevadores.
-Vamos então... — Disse Sam mais para ele do que pra mim, me acompanhando.
Fomos até a recepção, e lá demorei cerca de vinte minutos até ser atendida e receber o cartão reserva. Nesse meio tempo me irritei mais ainda, por conta do horário, e quebrei ainda mais minha cachola para poder inventar uma desculpa a Sam, mas não consegui obter nenhuma descente. Voltamos para meu andar, comigo já com a chave reserva em mãos, e eu postei-me de frente a minha porta, respirando fundo. Deuses, o que faria agora? Passei o cartão na fechadura e a luz encima a fechadura piscou duas vezes em amarelo (pensando) e depois piscou verde (liberado). Abri a porta e entrei, com Sam logo atrás fechando a porta ao passar. Eu fui até a janela e me postei de frente a essa, de costas a Sam. Assim que viu todas as minhas malas arrumadas, ele ficou um tanto surpreso.
-Nossa! Achei que iriamos arrumar suas malas... — Sam disse meio surpreso.
Suspirei bem alto, e bem tristemente. Virei-me para ele, encarando-o. Era a ultima coisa que queria fazer, encara-lo, mas tinha quê; ele merecia a verdade.
-Eu já arrumei as minas coisas Sam... E também já me decidi sobrea minha escolha. De ficar ou não.
Sam prestava muita atenção. Ele tinha um semblante de quem esperava o próximo passo, mas seus olhos já o denunciavam; denunciavam que ele já conhecia o próximo passo. Por incrível que pareça, Sam sempre parecia conhecer minha próxima jogada.
-Eu decidi que... — suspirei fundo -... Que eu vou voltar ao Brasil.
Sam concordou com a cabeça, botando as mãos nos bolsos. Ele tinha uma expressão de decepção e tristeza, mas mais de tristeza mesmo. Tive de desviar meu olhar; não pude aguentar vê-lo assim. Olhei para baixo e cruzei meus braços, como se estivesse tentando me proteger do frio, que inexistia ali; abraçava a mim mesma numa tentativa de reconfortar-me. Ficamos algum breve tempo ali, cada qual absorto em pensamentos, mas nenhum desses felizes. Até que meu celular vibrou no bolso traseiro de minha calça. Peguei-o e era o alarme que eu botara nele; avisava que eu tinha meia hora para poder pegar o voo. Desliguei o alarme e suspirei, pela nonagésima vez, e levantei meu olhar á Sam.
-Meu voo saí em meia hora – informei triste.
-Então você ia sem ao menos se despedir? — Ele perguntou olhando-me sério.
Engoli em seco e fui até minha bolsa, em cima da cama. Mexi um pouco nela, procurando por algo que até eu não sabia o que seria. Senti então uma mão em meu pulso, me segurando. Olhei para o dono da mão; Sam olhava-me bem de perto, seríssimo.
-Anne, você iria embora sem se despedir? — Ele repetiu a pergunta.
-Sim, Sam. Ia – respondi comprimindo meus lábios depois da resposta.
Sam soltou meu pulso e eu fui até o outro lado da cama, me virando para a parede. Meus olhos ardiam, mas não se formara nenhuma lágrima ali. Sorte; não queria chorar. Não queria parecer fraca, ainda mais diante de Sam.
-Porque você não me disse nada sobre a sua escolha? — Sam perguntou sem sair da onde estava.
-Porque eu não queria magoa-lo... Ou me magoar... – respondi sincera ainda de costas, botando as mãos na cintura e respirando calmamente.
Ouvi o barulho de passos se aproximando e olhei para o lado. Sam se encontrava a poucos passos de mim, olhando-me triste e com as mãos no bolso. Levantei minha cabeça um pouco para ele e o fitei. Deuses! Já comentei que os olhos de Sam sempre me atraem? É como se fossem faróis em alto mar, que me guiam e me localizam. Sei, sei... Meloso ao último! Isso porque nem temos envolvimento muito profundo... Não aguentei: corri e abracei Sam. Odiava admitir, mesmo já tendo falado isso um milhão de vezes, mas Sam era alguém especial para mim.
-Eu não suporto a ideia de ter que dizer adeus para você! De ter que passar um tempo com você sabendo que talvez seja o último — Admiti, ainda sem lágrimas, mas com um abraço sufocante de minha parte.
Sam, que correspondia ao abraço, afrouxou-o e me botou de frente a ele. Ele pegou gentilmente meu queixo, levantando minha cabeça que estava abaixada. Ele me olhou com uma expressão de compreensão total. Aliás, Sam era o único que conseguia fazer essa expressão e me parecer convincente, real.
-Anne, você não precisa ir e você sabe. Você pode tentar... Você quer tentar – disse Sam gentil — Não é fácil; ninguém garante que você não vai se machucar. Mas do que vale você ficar no Brasil, sabendo e se remoendo sobre algo que você poderia ter feito? – Perguntou Sam.
Eu abaixei meu olhar e suspirei baixo. Mordi meu lábio inferior sem saber o que responder. Ele estava certíssimo; do que valia ficar no Brasil, magoada e sem pai, sabendo que eu tivera uma chance para mudar a situação? Não valia de nada! Mas também do que valeria a dor que provavelmente passaria se ficasse e não obtivesse sucesso? Valia o sentimento de que, pelo menos, cumpri minha parte, tentei tudo que podia? Abracei-me forte, tendo tomado minha decisão. Catei meu celular no bolso de trás da calça, olhando o horário; tinha vinte minutos ainda para pegar o voo. Respirei fundo, botei o celular no bolso novamente e virei-me para Sam. Olhei-o e não disse nada, só corri até ele e abracei-o forte.
-Sabe o que isso significa? — Sussurrei em seu ouvido.
-Que você vai me deixar? — Arriscou ele, também sussurrando em meu ouvido.
-Não. Significa que você mais uma vez me vez perder um voo. Que agora me deve duas passagens de avião para o Brasil – respondi brincando com ele.
Sam me soltou e me olhou incrédulo. Ele, no mesmo instante, abriu um lindo sorriso; um sorriso de verdadeira felicidade. Eu também não pude deixar de sorrir. Sam catou-me pela cintura e me levantou. Eu dei um grito de surpresa, ainda mais depois que ele começou a me girar no ar. Aquela cena parecia cena de filmes românticos, quando a garota anuncia que ficara com o garoto. Sério, quem visse de fora acharia isso. Até porque eu sentia isso também. Um pouco, mas sentia. A garota tinha escolhido ficar com o garoto.
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