O Amigo Do Meu Pai

40 Cadeiras virando


Notas iniciais
Olá amores, tudo em cima? Antes de todo o meu blábláblá, tenho plena consciência que demorei. Mas minhas aulas voltaram, eu estou com livros novos (e totalmente viciantes), que esqueci realmente de postar. Mas me deem um desconto porque aqui estou eu, de madrugada, com aula daqui a pouco, morrendo de sono, revisando o capítulo. Esse capítulo é mais relaxado, leve e divertido, o que acho que é legal antes de cenas fortes que virão. hahha. Que drama! Não é nem nada "lenços por perto". Enfim, espero que vocês gostem... Enjoy

Passe uma aquela manhã inteira com Sam e Carol, e devo dizer, foi adorável. Porém, cada um teve de seguir com seus projetos para o dia, e o meu incluía voltar para Nova York. Eu não possuía nada em Boston, portanto necessitava ao menos voltar para fazer uma mala para poder voltar logo após. Decidira que iria me hospedar no hotel de Sam, mas também não deixaria o apart. Estava cansada de andar pelos EUA com quatro malas. Cinco, agora com umas compras que eu fizera mais estavam espalhadas pelo apart em suas sacolas da loja. Não, eu iria fazer uma mala e deixar o resto em NY. Eu iria para Boston para... Bem, tentar convencer Chris sobre a verdade. Michael estaria também em NY, o que me deixava com uma sensação extra de conforto além da certeza de ter Sam por perto.

Ah, bem, também tenho mais uma novidade: Carol é noiva. Aliança, noivo e data do casamento marcada: com isso e tudo mais. Ela é tão simpática e legal que até convidou-me para ir ao seu casamento! Achei um amor de sua parte, até ela dizer que iria ficar felicíssima em ver-me com Sam no altar. Como ela convidou Sam para ser um de seus padrinhos, ainda faltava o par dele no altar, e é claro, ninguém melhor do que eu, em sua opinião, para ocupar este posto.

Voltando a focar, logo voltaria a Boston, onde Sam fizera a gentileza de já reservar um quarto para mim. O plano que tínhamos, para convencer Chris da verdade estava traçado. A chance de dar errado era maior do que a de dar certo, mas eu tinha esperanças de que tudo iria correr bem. Como um velho ditado diz: para quem acredita tudo se realiza... Ou é por aí.

*

Boston já ia tendo seu céu pintado de roxo e as diversas luzes de sua cidade acessas. Era começo de noite. Eu estava saindo do banho, enrolada em uma toalha e toda molhada, com o cabelo pingando. Essa noite era a noite do show da banda e a noite de por o plano em prática. Eu estava ansiosa, admito. Eu já escolhera um milhão de roupas, antecipadamente, o que demonstrava o quanto eu estava ansiosa: eu nunca escolhia uma roupa antecipadamente. Para nada. Mas como eu escolhera...

Elegera uma blusa básica sem mangas com uma saia comprida com uma fenda nem tanto chamativa na lateral, junto a um par de botas pretas pesadas de alto. Um colar dourado e um chapéu preto faziam contraste com meus cílios turbinados, meu batom quase vinho e meus cabelos escuros soltos em cachos naturais e grossos nas pontas, combinados perfeitamente com a minha pele apática. Fazia um bom tempo que não tomava um sol corretamente para reavivar meu bronzeado, deixando assim minha pele tendendo a pálida. Acho que poderia dizer que minha persona estava um tanto negra por dentro, mesmo que hoje minhas esperanças estivessem mais aguçadas do que a um bom tempo. Terminei de arrumar minha bolsa e me admirei no espelho.

Já sabia que o resultado, por mais obscuro que estivesse, estava satisfatório. Sabia que por mais gótica ou coisa do gênero que aparentava ser com a aparência assim, de uma maneira peculiar, estava me valorizando. Mas o que admirava no espelho não era o meu eu exterior, e sim o interior. Era tão estranho o contraste. Por dentro eu devia estar radiante, esperançosa, pois hoje, finalmente, meu plano junto a Sam e Michael seria posto em pratica. Sentia-me esperançosa, porém duvidava quanto o radiante. Estava indecisa quanto a isso, porém conclui que minha aparência respondia meu questionamento.

Saí do quarto e fui para o saguão, onde me encontraria com Michael. Ele, aliás, estava já a minha espera. Apoiado em uma pilastra, praticamente em frente aos elevadores, Michael tinha um ar despojado. Com os braços cruzados e olhando ao redor do saguão, observando desinteressado, Michael estava com um suéter verde musgo por cima de uma camisa branca, combinadas com jeans azuis escuras e sapatos sociais. Estava muito formal, com os cabelos até arrumados para trás, com exceção dos óculos escuros no rosto, que eram de total inutilidade por ser noite.

–Uau, meu irmão é realmente um grande babaca! – Michael exclamou, empurrando os óculos para a ponta do nariz e me observando por cima deles enquanto me aproximava dele.

–Concordo – Sorri, parando a sua frente – Mas infelizmente é o babaca do meu melhor amigo.

–Não sei por que, mas as mulheres nunca vêm potencial em mim para ser seu melhor amigo... – Ele comentou coçando o queixo, olhando para cima.

Gargalhei gostoso com sua fala.

–Talvez porque a maioria das mulheres que tem contato seja aquelas que você leva pra cama e nunca mais liga de volta? – Sugeri com uma sobrancelha arqueada e um sorriso esboçado.

–Pode ser – Ele concordou dando de ombros, ainda olhando para o teto – Mas e a minoria? – Ele voltou seus olhos para mim, ocultados pelas lentes escuras.

–A minoria é suas tias e mãe – Ri enquanto a expressão dele transformava-se em alguma coisa entre surpresa e ofensa.

Ri de sua expressão, sentindo-me de certa forma vitoriosa, enquanto a mesma deixava o rosto de Michael.

–Você não é nem minha mãe nem minha tia – Ele comentou calmo, com um sorrisinho brincando nos lábios.

–Não... – Concordei.

–E também não é nenhuma mulher que transou comigo e nunca mais teve noticias minhas – Ele observou, ainda com o mesmo sorrisinho estampado.

–Não sou porque sou a melhor amiga de seu irmão... – Comentei dando de ombros. Após alguns minutos analisando-o com seu sorrisinho vitorioso.

A expressão no rosto de Michael momentaneamente tornou-se confusa, porém logo um sorriso mais convencido do que o anterior tomou lugar.

–Espera, você está dizendo...? – Ele começou a perguntar, tirando os óculos do rosto, enquanto olhava-me com um tanto de perplexidade, combinada a seu sorriso.

Eu, entretanto, lhe dei as costas sorrindo, deixando-o assim não terminar sua frase.

–Vamos – Foi tudo que disse, começando a andar em sua frente para as portas de vidro que davam do saguão para a rua.

Por mais que tivesse um sorriso nos lábios, foi inevitável que meu estomago não revirasse ao passar por aquele saguão. Há duas noites, corria por ele todo aos prantos, a maquiagem toda escorrida, enquanto acabara de ouvir crueldades do homem da qual só deveria ouvir palavras confortantes. Acabara parando na rua, sem rumo, e Deus sabe o que teria me acontecido caso o amigo que achava estar transando com uma prostituta não tivesse me encontrado e consolado. O sorriso murchou aquelas lembranças, afloradas pela primeira vez que passava por ali desde aquele dia, e abaixei a cabeça enquanto seguia em direção ao lado de fora.

Michael e eu chegamos à rua, com ele abrindo a porta do hotel para mim com um sorrisinho intencionado, e conseguimos um táxi num assobio. Literalmente. Conversamos descontraidamente no caminho do estádio onde o show ia ser realizado. Não fizemos menção a minha insinuação no hotel, apesar de achar Michael um tanto mais animado e energizado do que antes. Chegamos ao estádio e Michael pagou o táxi. Há algum tempo atrás, eu teria corrido logo para dentro do estádio, por conta do assedio de fãs: hoje, nem me preocupei com isso. Minha preocupação maior era outra.

Péssima hora, porém, para ao menos não ficar com uma ruguinha de preocupação com isso. Eu conversava com Michael e andava quando uma garota esbarrou em mim. Ela tinha o rosto baixo e levantou-o, pedindo desculpas e se interrompendo no meio da frase ao identificar-me. Um gritou de meu nome foi emitido pela garota, fazendo tanto meus ouvidos quanto de Michael doerem, e uma legião de garotas surgir de sabe-se lá onde. O fato era que todas queria um autografo da "filha do Chris e amiga intima do Sam”. Michael afastou-se rápido, ficando para trás de mim e, estranhamente, nenhuma das fãs reconheceu-o como “o irmão galinha, médico e igualmente gostoso do Sam”. Eu dei os autógrafos, mesmo assustada, após ver os rostos daquelas meninas e seus sorrisos que indicavam que de jeito maneira elas me deixariam em paz a não ser que eu as decepcionasse. Levantei a cabeça, que permanecia baixa nos papeis que autografava, e olhei para Michael, gesticulando com a boca um “socorro!” sem som que o fez rir, atraindo a atenção de uma fã.

–Você é o irmão do Sam? – Perguntou ela, examinando-o atentamente e com uma quase certeza implícita na pergunta.

–Em carne e osso – Confirmou Michael, sorrindo a ela simpático.

–Você é amigo da Anne? – Perguntou outra garota, ao lado da que fizera a primeira pergunta.

–Infelizmente, meu maninho chegou antes para deixar-me nada mais do que essa triste posição... Ele comentou falsamente lamentoso, olhando para o chão com pesar cômico.

Eu sabia que ele estava brincando, era obvio que sim, mas as garotas não. Elas deram sorrisinhos uma para as outras e soltaram exclamações satisfeitas. Como se já soubessem. Olhei furiosa para Michael, que riu de meu olhar. Terminei de dar os autógrafos, acelerando, e arrastei Michael para dentro do estádio pelo braço, antes que ele abrisse a boca de novo para falar alguma besteira. Mal me despedi das garotas, a não ser com um sorriso forçadamente simpático.

–Você é um idiota! – Disparei, soltando-o enquanto a porta de saída dos bastidores, por onde entramos, batia a nossas costas.

–Obrigado – Ele agradeceu, ajeitando o suéter – Mas sem querer ofender, eu não disse nada além da verdade...

–Claro que sim! – Ironizei com acidez quase que mortal e apalpável.

Continuamos andando, dessa fez em silencio. Estava irritada com Michael e ele, sabiamente, decidiu-me não mexer mais comigo. Ao invés disso começou a observar os bastidores como se aquela fosse sua primeira vez e tudo atraísse seu olhar, porém mesmo assim não era de sei fetiche. Chegamos ao corredor dos camarins sem dificuldades e demora. Para minha sorte, dessa vez tinha o nome de cada membro da banda na porta, então entrei logo de uma vez na de Sam, para não correr o risco de Chris acabar saindo do camarim dele e acabar nos esbarrarmos.

Lembro-me de que uma vez, quando era pequena, a porta do quarto de minha mãe estava fechada e decidi entrar, sem bater ou consulta-la antes. Lembro-me que, assim que girei a maçaneta e visualizei o cômodo, encontrei-a sentada na cama, com uma caixa e fotos espalhadas ao seu lado na cama, enquanto minha mãe admirava uma foto em mãos, deixando lágrimas escorrerem. Minha mãe, assim que ouviu o barulho da porta e viu-me parada encarando-a, tratou de secar as lágrimas e juntar a foto que admirava as outras na cama. Lembro que ela veio até mim depois, caminhando calma, e se abaixou na minha altura, eu não deveria ter mais de cinco anos na época, e ela “pegou meu nariz” com os dedos, enquanto sorria triste, em combinação com os olhos miúdos e levemente avermelhados e inchados. “Anastácia, sempre se deve bater na porta antes de entrar” – Ela sorriu-me em lembrete – “Lembra-se?”. Assenti que sim e ela sugeriu-me que saísse e batesse na porta, entrando logo em seguida com sua permissão.

Era exatamente isso que queria fazer quando abri a porta do camarim de Sam: sair e bater na porta, antes de entrar. Minhas bochechas tomaram uma coloração rosada quando vi Sam andar no camarim de cueca somente, sem mais nenhuma outra peça de roupa. Era como se tivesse flagrado algo intimo, como quando o vi dormindo da mesma maneira...

–Quer colocar uma roupa? – Michael pediu olhando o irmão entediado, passando por mim, estática na porta.

–Olá para você também! – Sam cumprimentou-o irônico.

Os olhos dele foram para mim, no entanto, logo após olhar o irmão. Ele sorriu de orelha a orelha, enquanto eu enrubescia mais e cobria as vistas. Ele riu alto e em seguida ouvi a porta do banheiro sendo fechada com certa força, fazendo a risada morrer.

–Pode abrir os olhos, noviça – Michael pediu, com um tom de voz que indicava o quanto ele estava se divertindo também com a situação.

Tirei a mão da frente dos olhos e constatei que Sam estava de fato no banheiro. Olhei para Michael, esparramada no sofá com os pés em uma mesinha de centro, e lhe mandei um olhar irritado pelo “noviça”. Ele não se ofendeu; riu, na verdade.

–Para alguém que acabou de sugerir que iria para cama comigo, parece muito puritana, Anne... – Ele comentou sorrindo.

–Eu não insinuei que... – Ia defender-me quando a porta do banheiro abriu e interrompi-me.

Olhei na direção do cômodo e vi Sam saindo com uma jeans com rasgos nos joelhos e desgastes cá e lá. Sem camiseta ou calçado nos pés. Ele olhou de mim para Michael, uma vez que ambos olhavam-no. Ele levantou uma sobrancelha.

–Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou, cruzando os braços.

–Não, nada – Menti, abrindo o melhor sorriso que conseguia em seguida.

Ele estreitou os olhos, na direção do irmão, que levantou as mãos ao alto em rendição, e depois suavizou a expressão. Ele olhou para mim e olhou-me de cima para baixo, sorrindo. Ele andou até mim, deixando-me desconcertada. Seu ser tão perto do meu já era razão suficiente para deixar-me nervosa, imagine então descamisado...! Ele pegou minha mão e nem precisei perguntar qual era seu objetivo: ele levantou-a no alto e deu uma voltinha para ele.

–Eu ainda me pergunto o porquê de você sempre estar tão bem arrumada... – Ele comentou, enquanto parava à sua frente e tinha minha mão abaixada e solta.

–E por isso eu sou médico da família... – Michael comentou do sofá, mexendo no celular.

Sam lançou um olhar enfurecido a ele, mas não o respondeu. Ele se voltou de novo a mim, e como geralmente acontecia se ele estava bravo e não era comigo, sua expressão se suavizava ao me olhar. Sorri a ele ao mesmo tempo em que seu sorriso perfeito também tomava dianteira. Seus olhos e os meus estavam fixos uns nos outros, estes mais brilhantes do que nossos sorrisos. Não sorriamos somente dos lábios para fora, poderíamos dizer...

–Arrumem um quarto...! – Cantarolou Michael digitando em seu celular, com os olhos focados no mesmo.

Sam pegou uma almofada na poltrona a nosso lado e tacou no irmão. Por ter sido um ato surpresa, Michael foi acertado bem no rosto e seu celular voou para o chão. Enquanto Som era xingado de tudo quer nome pelo irmão, que se abaixava para recolher o celular, eu voltava a encara-lo envergonhada. Ele se distanciou um pouco de mim, coçando a nuca. Essa era sua marca registrada quando estava desconfortável ou embaraçado.

–Então... – Mexi no meu cabelo, nervosa. Essa era minha marca registrada, ou uma das, quando estava nervosa – Você está com as fotos? – Perguntei.

As fotos eram uma parte fundamental do plano, e elas deveriam ser entregues a Sam naquele dia. Se elas não fossem entregues...

–Estou – Ele confirmou – Entregaram aqui faz uma meia-hora.

Sam virou-me as costas, indo até uma mesinha ao lado da arrara de roupas, e pegando um envelope pardo. Ele caminhou em minha direção mais uma vez e estendeu a mão com o envelope, me entregando. Abri-o e conferi nervosa. Todas as fotos que eu pedira, contando com as reservas, para caso algum acidente vir a ocorrer, estavam ali. Respirei aliviada. O pacote, que viera de uma gráfica de revelação, só foi possível existir graças às copias digitalizadas Lana da maioria das fotos: ela as procurou, a meu pedido, no nosso apartamento no Brasil.

–Michael, você está com o resultado do exame, não é? – Perguntei, me virando a ele, depois de conferir as fotos.

–Ah não! – Ele bateu na própria testa, fazendo-me prender o ar nos pulmões – Esqueci em Madri!

–E quando você esteve em Madri? – Perguntou Sam com uma sobrancelha levantada, quase que em uma expressão de deboche.

Só quando Sam pronunciou-se descrente que notei que Michael estava brincando, e rindo de minha expressão assustada. Fechei a cara enquanto ele ria.

–O exame está aqui comigo sim – Ele confirmou – E eu estive em Madri há... Uns dois anos – Michael respondeu ao irmão – Belas espanholas: Carmen, Madeleine... – Michael devaneou aos suspiros.

Eu olhei com sobrancelhas levantadas para Sam e ele fez o mesmo. Nós caímos na gargalhada com os pensamentos altos de Michael.

–Ok, então está tudo aqui – Conclui após parar de rir – Só falta as... – Me interrompi no meio da fala, lembrando-me de algo muito importante no plano.

–... As fãs – Completou Michael.

–Michael, você pode me fazer um tremendo favor? – Perguntei me virando, fazendo biquinho antes mesmo dele negar.

–Desde que seja recompensado depois... – Comentou ele, com malicia.

Sam lançou ao irmão um olhar furioso e Michael riu e levantou a mão ao ar, em sinal de redenção.

–Michael, eu preciso que você ache aquelas fãs da entrada para mim. Será que você consegue? – Perguntei a ele, direta.

–Vou tentar... – Ele comprometeu-se, coçando a nuca e lembrando o irmão – Mas se não achar?

–Você arranja outras – Respondi simples.

–Tudo bem – Ele se levantou do sofá, guardando o celular no bolso traseiro da calça.

–E não fale qualquer besteira que possa fazê-las não aceitar! –Recomendei assim que ele fechava a porta e encerrava-me com Sam ali, dando um sorrisinho travesso antes de sair.

Virei-me para Sam e, bom, o ar deixou-me. O que poderia fazer? Ele se encontrava a minha frente sem camisa, e por mais que fosse meu amigo ele era extremamente bonito e... atraente. Não que estivesse atraída por ele, mas seus músculos bem trabalhados, combinados perfeitamente com sua barba por fazer e... E...

– Sam... – Chamei-o, uma vez que ele catava a almofada jogada ao chão. Ele voltou-se a mim assim que, praticamente, sussurrei seu nome – Será você pode botar uma camiseta?

Estava constrangida com o pedido, um tanto ruborizada até. Sam percebeu isso e, lembrando o irmão mais novo, abriu um sorrisinho.

–Por...? Ele perguntou, se aproximando a passos lentos.

–Não é legal uma dama e um cavalheiro ficarem sozinhos num cômodo e um deles estar vestido... Bom, quase nem vestido – Expliquei ainda mais constrangida, por não falar se sentindo estúpida pela fala idiota.

Sam gargalhou baixo. Ele se aproximou mais de mim, ficando próximo com apenas três passos. Eu levantei um pouco meu olhar, que se fixava ao chão, e deparei-me com seu abdômen. Puxei o ar, sugando-o, e produzindo um barulho que lembrava em muito o arfar. Sam, notei de rabo de olho, sorriu, levando seu corpo de encontro ao meu e grudando-os. Eu só não pude se afastar mais, pois havia uma cadeira bem atrás de mim. Ou seja, encurralada.

–Sam... – Levantei meu olhar para seu rosto, dizendo seu nome em voz baixa. A essa altura minha respiração cortada já era mais que evidente.

–Você está na frente da cadeira com a minha camiseta — Explicou ele, mesmo eu nem tendo perguntado ou mesmo dito algo que exigisse uma resposta.

Seus braços passaram ao redor de meu corpo, encostando-se a minhas costas apoiadas na cadeira. Senti seus dedos tocarem o tecido que estava pendurado sobre o encosto da cadeira, e gentilmente como num aviso, puxando-o. desencostei-me segundos da cadeira, grudando mais nosso corpos. Tentava não ter contato visual com Sam, por isso mantinha os olhos abaixados e fixos em meus pés. Ele despassou seus braços de meu redor e botou a camiseta no meio de nós, dando uma distanciada. Senti- enquanto ele mostrava-me a camiseta e abri a boca num “oh!”, que quando seu corpo saiu de grande contado com meu, parecia como se o mudo tivesse subitamente mais gelado e vazio.

Ele sorriu a minha expressão e abaixou a camiseta. Para minha surpresa, seu corpo voltou a colar ao meu, enquanto meu olhar subia e encontrava o seu timidamente. Seu olhar era... Perigoso. Não no sentido de que indicava que ele pudesse me machucar, mas sim porque os sentimentos que pensei ter visto eram perigosos. Para ele e para mim. Tentei recuar, afastar-me. O que aconteceu em seguida foi o resultado de uma lembrança tardia.

A cadeira, logo atrás de mim, estava com um dos pés presos numa fresca no chão do camarim, e quando a empurrei para trás três pernas foram. Uma não. A cadeira virou e eu, que tinha minhas costas encostadas a elas, perdi o equilíbrio e cai, agarrando firmemente as mãos ao ombro e braço de Sam. Minhas costas bateram violentamente na cadeira virada para baixo, com o peso de Sam caindo em cima de mim logo após sem nenhum tipo de moderação. Fiquei com falta de ar, batendo em meu ombro e fazendo-o ver-me sufocar sobre seu peso. Ele riu de minha expressão e apoiou suas mãos no chão ao lado da cadeira, erguendo-se o suficiente para eu poder respirar. Ele ria de minha cara, da situação, dele mesmo... Olhei-o feio no começo, porém rendi-me também as risadas. Afinal, hilário deveria ter sido, sim?

–Você está bem? – Ele perguntou sorrindo, logo após as risadas irem morrendo para nomearem seus fantasmas os sorrisos abobados.

–Você... Pesa – Respondi-o, ainda aos risos, mesmo não sendo isso que ele desejava ouvir.

Ele sorriu. Sem aviso nenhum, fui puxada por ele para o lado, ao chão, onde ele caiu de costas ao lado da cadeira, comigo por cima. Eu tinha minhas mãos em seu corpo, e suas mãos estavam em minhas cinturas, por onde ele puxara-a consigo.

–Desculpe-me pela rapidez – Ele sorriu; um sorriso que em nada lamentava.

–Não foi nada... – Dispensei suas desculpas em voz baixa, quase que inaudível.

Uma de suas mãos dispersou de minha cintura, fazendo-me achar que ele estava prestes a livrar-me. Mas na verdade o que ele fez foi levar uma de suas mãos a meu rosto. Em primeiro momento, achei que fosse para acaricia-lo, porém, seu polegar começou a esfregar-se em minha bochecha com uma força e movimentos tão repetidos que conclui que deveria haver alguma sujeira em meu rosto. Subi os olhos a ele no momento que seu dedo parava de se mover em minha bochecha. Seus olhos fixaram-se nos meus, lembrando-me o que sempre esquecia: como os olhos de Sam eram incrivelmente verdes e hipnotizantes.

–Havia um risco de batom... – Ele comentou baixo, abaixando a mão.

Ao seu ato, uma vergonha se instalou entre nós. Ao menos em mim. Lembrei-me de que nossa posição não era a mais confortável nem normal de se estar, além de que com a queda, possuía uma certeza quase concreta que minha saia levantara e a fenda mostrava minha calcinha e parte de minha bunda. O fato de Sam estar descamisa, também contava muito para isso. Desviei nossos olhares, com as bochechas voltando a ganhar um tom avermelhado, porém antes que pudesse fazer menção de levantar de cima de Sam, a porta do camarim foi aberta. Nem tempo de pensar tive antes de...

–O que está acontecendo aqui? – Perguntou Michael, olhando para nós dois com as sobrancelhas erguidas e um sorriso de riso estampado.

Dizer que ele não se divertia com a situação era mentir.

–Um acidente – Argumentei sentindo minhas bochechas queimarem mais e, provavelmente, passarem a um tom de tomate vivo – Não é nada do que você pensa...!

–Bom, o que eu penso é que dois estavam prestes a encenar um pornô sem nem ter câmeras ou... – Michael comentou safado, mas sendo cortado.

–MICHAEL! – Sam gritou para o irmão, vendo que a fala dele em nada me ajudara a ficar mais confortável.

Michael caiu em risos e não concluiu a frase. O irmão olhou-o bufando, enquanto eu olhava ao chão perto dos braços flexionados de Sam, desejando ser abduzida por óvnis a estar ali. Sam olhou-me e cochichou-me que ia levantar, comigo assentindo com a cabeça. Entretanto, a sua simples menção física a isso se seguiu de um berro negativo do irmão.

–Não, esperem! – Ele pediu, fazendo ambos olharem-no – Antes preciso registrar o momento... – E em seguida sacou o celular do bolso de trás da calça.

Antes que eu e Sam pudéssemos nos mover e sair daquela horrível posição, Michael bateu a foto e riu ao admira-la.

–Ficou boa – Ele nos mostrou de onde estava, virando a tela do celular a nós.

–Michael, quando eu sair daqui você... – Sam começou a ameaça-lo, enfurecido, porém se interrompeu quando o som da câmera clicando o momento foi ouvido mais três vezes.

–Quando você sair daí, mano, eu já vou ter quatro fotos desse momento que foram enviadas a meu e-mail agora para caso você pegue meu celular e apague as fotos... – Ele comentou sorrindo safo ao aparelho em suas mãos.

Pude sentir Sam ficar mais irritado ainda com o irmão, porém eu cutuquei-o e fiz olhar-me. Quase que instantaneamente, sua expressão suavizou. Sorri a ele, querendo que o mau humor fosse-se de vez e consegui. Sam sorriu verdadeira entente também a mim e levantou-me gentilmente por suas mãos em minha cintura. Sentei-me em seu quadril e passei minhas pernas para um dos lados de seu corpo, levantando com um impulso ajudado por Sam. Ele se levantou quase que num salto, rapidamente, sem nem deixar-me ter a chance de perguntar-lhe se queria ajuda.

–É bom que você tenha boas noticias, Michael, ou senão o soco que lhe darei pelas fotos será mais forte – Sam ameaçou o irmão, pegando a camiseta que caíra de suas mãos do chão e levantando da cadeira.

Arrumava-me, ajeitando minha saia e roupas, e olhei para Michael. Ele botou o celular no bolso de trás e se apoiou a parede pelo ombro ao lado da porta, nos encarando com um sorrisinho e os braços cruzados.

–Se conseguir convencer aquele bando de fãs que eu e Anne vimos e mais umas meninas aleatórias for boa noticia, pode ir maneirando na mão... – Michael comentou despreocupado, dando de ombros.

Sorri a ele, tendo uma piscadela recebida em troca. Virei-me para Sam, que me olhou quase que no mesmo instante também. Estava nervosa, e o sorriso mais não se encontrava em meu rosto. Sam tentou mandar-me um olhar de conforto, que teve até uma sensação bem vinda, mas não o suficiente. Essa agonia de estado e alma só cessaria depois de tudo concluído...

Notas finais
Anne - http://www.polyvore.com/cgi/set?id=112165183&.locale=pt-br Primeiro, caso qualquer erro encontrado no capítulo, me deem um desconto: estou morrendo de sono porque acordei cedo, e acordarei novamente daqui a pouco, e revisei male-male esse texto. Mas o que acharam? Esses dois, já está mais no que na hora deles se pegarem, não? A quem é paciente, a recompensa sempre vem, pessoal. Por hoje acho que é isso mesmo. Xoxo