O Amigo Do Meu Pai
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Notas iniciais
P.S. Olhem as notas finais.
Dois dias depois
Eu estava de malas prontas para voltar ao Brasil. Isso mesmo, minha trajetória em busca de meu pai se encerrara. Depois de ser levada até o hotel por Sam, permaneci trancada no meu quarto de hotel durante esse tempo todo. Sam e os meninos até batiam na porta e me ligavam, preocupados comigo, mas eu não atendia aos telefonemas e muito menos abria a porta para eles. Estava desolada. O que mais temia acontecera; eu fora rejeitada por meu pai. Este, pelo que fiquei sabendo através das mensagem na caixa postal deixadas pelos meninos, estava bem estranho. Também se isolara em seu quarto e só aparecia na hora das refeições. Bom, como vocês já sabem, a banda esta em turnê, e hoje mesmo eles embarcam para o Texas. Eu me aproveitaria disso e iria também embarcar, só que para o Brasil. A banda só iria á noite, mas eu iria na hora do almoço. Me doía ter de deixa-los, mas o meu objetivo aqui já fora concluído, pena que com fracasso...
Eram meio-dia e vinte e quatro e minhas mal já estavam todas arrumadas na porta de meu quarto, só esperando a vinda de o carregador de malas para me ajudar com elas. O voo era a uma e quarenta. Eu também já estava pronta; calça jeans, botas cano curto de saltos marrom e blusa larguinha com uma estampa de uma paisagem de um lugar zen. Minha bolsa já estava no ombro enquanto eu mexia em meu celular, trocando mensagens com Lana. Ela sabia de tudo e apoiava-me, mesmo achando que eu deveria esperar mais um pouco para ao menos saber o que meu pai iria dizer. Eu trocava uma ultima mensagem com ela, dizendo para ela me desejar uma boa viagem, quando o carregador de malas chegou. Ele veio com aqueles carrinhos de bagagem, o que foi até bom; eu chegara aos EUA com duas malas de viagem e estava saindo com quatro, duas adquiridas aqui e cheias de produtos, roupas e acessórios comprados aqui também. Sei, um exagero, mas o que posso fazer; nunca resisti a uma bela compra, e aqui tudo aqui era tão barato e bom! O carregador botou todas as malas no carrinho, inclusive as de mão, e saiu com o carrinho do quarto, indo para o corredor esperar o elevador. Eu saí do quarto e antes de fechar a porta deste, dei uma olhada rápida; lembrei instantaneamente do dia em que dormira nos braços de Sam, naquela tarde que ele fora me visitar em meu quarto, secando-me na porta e pressionando-me para botar o plano de contar tudo ao me pai em prática. Não pude deixar de sorrir. Cheguei ao saguão do hotel, juntamente com o carregador e minhas malas no carrinho. Fui até o balcão do hotel, fechar a minha conta e paga-la, enquanto o carregador fazia-me o favor de chamar um táxi. Eu cheguei ao balcão e a moça que estava neste sorriu para mim, questionando-me em o quê poderia me ajudar.
-Eu quero finalizar minha conta — respondia-a.
Ela sorriu para mim, perguntou para mim o meu nome e pediu o cartão do quarto emprestado. Eu fiz o que me foi pedido, e alguns instantes depois, a moça me deu uma resposta não muito positiva, ao meu ver:
-Sinto muito senhora, mas a sua conta de quarto é incluída em um pacote, e para a senhora encerra-la, terá de encerrar o pacote inteiro, que conta com doze suítes.
Eu sorri irônica, e murmurei comigo mesma “O sorte!”.
-O que disse senhora? Perguntou a moça, não entendendo.
-Nada, eu murmurei comigo mesma. Bem, você poderia fazer um favor para mim? Questionei á ela, tendo uma ideia.
-Com certeza.
-Você poderia me arranjar um papel e uma caneta? Perguntei .
Ela arranjou e me deu. Eu rabisquei um bilhete neste:
“Sam, me desculpe por tudo. Sei que não foi legal de minha parte ir embora sem ao menos dizer algo, mas é que eu não tive coragem para ir até ti e confessar isso. Não tive coragem pois eu sabia que você insistiria para mim ficar, mesmo isso não me fazendo mais bem, e também porque seria difícil deixa-lo. Você se tornou um grande amigo para mim, e nunca te esquecerei, muito menos as coisas que fez pelo meu plano fracassado. Espero te ver em breve, sério! E também desculpe-me por todas as despesas que lhe dei... Se você puder, por favor mande um abraço a todos os garotos, á meu pai também, lhes dizendo que gostei bastante de conhecer todos. Bem, até logo então.
Com amor, sinceramente, Anne”
Dobrei o bilhete, entreguei-o juntamente com a caneta e pedi para a moça entregar á Sam quando ele fechasse a conta dele no hotel. Ela entendeu o pedido e eu me retirei do balcão, indo até o lado de fora do hotel. Lá, um táxi com todas as minhas bagagens já dentro, me aguardava. O carregador estava parado ao lado do táxi com o carinho de bagagens, esperando a gorjeta. Dei a ele, merecidamente, e este saiu sorrindo e agradecendo, levando consigo o carrinho. Entrei no táxi e pedi para o motorista seguir para o aeroporto. Este assentiu, entendendo, e deu partida no carro. Eu olhei para o hotel uma ultima vez e tive a impressão de ver Sam, em uma das milhares de janelas de suítes que o hotel possuía. Não tenho certeza se ele me viu, mas eu o vi claramente. Ele tinha uma expressão triste no rosto, e por um momento tive certeza que nossos olhares se cruzaram. Não pude concluir se isso fora impressão ou não, porque o táxi avançou mais, deixando o hotel a uma distancia considerável. A única coisa que pude concluir foi que meu coração se apertou um pouquinho no peito ao ver aquele rosto já tão familiar á mim.
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