O Alopata

2 Capítulo 2 - Busca


Notas iniciais
Por favor, preciso do retorno de vocês, tenho muitas ideias pela frente...

"A ambição tem a proeza de levar qualquer pessoa ao ápice de sua força ou genialidade, ela desperta a habilidade interior para que se possa superar o que antes parecia impossível."

"O homem quando não é forçado a lutar por necessidade, o faz por ambição."

(Linhas escritas delicadamente num caderno de anotações universitário de Jan-Martin; a segunda frase é de Maquiavel; seria Jan um ambicioso ou apenas um falastrão?).

Capítulo 2: Busca

Em 1830, George Stephenson desenvolveu a locomotiva a vapor, alavancando a construção de ferrovias, que evoluindo rapidamente logo foram encontradas nos EUA, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e... na França.

Jan-Martin precisava de um meio de transporte rápido o suficiente para chegar ao interior do país, porém, o sistema férreo estava obstruído e não havia tempo a se perder; após dois dias aguardando notícias do retorno da estação, Jan se prontificou a procurar alguém que o pudesse levar de carro para a casa de seus pais.

A maioria das pessoas com o qual se formou na faculdade, já não morava mais em Paris, portanto, não adiantaria de nada pedir ajuda a eles; mesmo que estivessem perto, pedir ajuda a poucos amigos da medicina também não seria viável, pois não eram tão íntimos a ponto de ajudá-lo.

Pensando mais atrás, durante o colégio, Jan-Martin também não era de muitos amigos; pelo contrário, era encrenqueiro (porém não se encaixava com os valentões). Definitivamente não gostava de ninguém, exceto da jovem professora de biologia, que despertava um interesse que não se contia apenas no âmbito didático.

“Como fui estúpido! Poderia ter recorrido a ela de primeira! Com certeza ela tem um carro e pode me dar uma carona, ou no mínimo me ajudar a conseguir uma. Ela me considerava o melhor aluno da classe...é improvável que não se lembre de mim...”— Indagou Jan para si.

Com o telefone em uma mão e a agenda em outra, Jan-Martin discou o número da secretaria do Colégio de Dijon para falar com a Srta. Eunice, sua antiga professora...

“Boa tarde, meu nome é Jan-Martin, ex aluno do colégio, e preciso falar com a Srta. Eunice, poderiam me prover o número dela? É uma urgência.”— Iniciou Jan-Martin.

“Boa tarde, Jan, o senhor fala com a diretora Eunice, porém não sou a Eunice que procura...infelizmente não posso ajudar, além disso, não entendi o motivo da urgência.”— Respondeu Eunice, que não é a Professora Eunice.

“Por que não é possível me ajudar? Sou ex-aluno, preciso do contato urgentemente por motivos particulares.” — Retomou Jan-Martin.

“Mesmo que eu quisesse ajudar ao senhor, eu não poderia, pois a Srta. Eunice faleceu a pelo menos uns três anos em uma viagem. Tem algo que eu possa fazer para te ajudar?”— Respondeu Dir. Eunice, que não teve resposta, apenas ouviu a chamada desligar.

Novamente à procura de ideias para a logística, Jan-Martin decidiu recorrer aos taxistas do ponto central de Paris, porém a falta de combustível gerada pela crise, impediu que conseguisse negociar uma corrida.

Jan desistiu oficialmente de retornar para a casa de seus pais: permanecer na capital não foi uma decisão, mas sim, uma consequência dos fatores que estavam assolando a população.

No final do século XXI, com a guerra no leste europeu, as crises internas resultadas na rixa entre as “Alemanhas” e uma recente insuficiência nas exportações dos membros da União Europeia, tornou tudo que era simples a burocrático; pagar uma conta no banco passou a ser tão complicado quanto negociar ações multimilionárias na bolsa de valores.

Dez da noite, deitado em sua cama, prestes a ir dormir, Jan-Martin ouve o telefone tocar misteriosamente...

“Alô, meu nome é Margot, estou ligando para falar com você...”— Iniciou a misteriosa Margot

“Quem seria você? Me ligando justo agora?”— Interrompeu Jan, em tom irritado, pois odeia ser interrompido.

“Sou filha da professora Eunice, a diretora do Colégio me informou que você precisava falar com ela...”— Respondeu a já não tão misteriosa Margot...

[...]

Notas finais
Se estiverem com dúvidas quanto a pronúncia dos nomes, use o Google Tradutor em francês para ouvir. Parece chatice, mas melhora a imersão no contexto.