O Agente Vermelho
1 Registro #01 --- # 07
Notas iniciais
Bem, isso depende da aceitação de vocês Caros Leitores.
Registro #01: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:03h
– Um, dois, três. Testando. A, ah, aaaaaah! -
Registro #02: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:04h
– Certo. — A fonte do som se afasta um pouco, o barulho de um maquinário pesado surge modificando a frequência da gravação em três módulos acima. — Experimento C-05b é um senhor de aproximadamente 52 anos, morador de rua, atendendo pelo nome de Marcos Pereira. Registro geral (apagado do sistema do governo). Caixa Central de isolamento, setor... hã... C-05. *risadas são ouvidas ao fundo, alguém solta um chiado ríspido para que calassem.* Aqui é o Doutor Douglas Hoff, responsável pelo isolamento e testes do sujeito. Classificação tipo Alfa. Sujeito está preso numa cela de aço e chumbo de 18mm. Setor de dutos de ar, controlados e passando pelo processo de desinfecção tripla, de acordo com o protocolo A-124, pgrf. 84-C, da Organização Mundial da Saúde. Sujeito movimenta-se com cautela pela sala, exigiu somente uma garrafa de água da mais cara que tivéssemos, encomendamos uma Perrier.
Registro #03: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:17h
- Inserimos a garrafa na passagem de troca de mantimentos. Sujeito após observar a embalagem, bebe a água e não reclama de mais nada, apenas se sentando no canto direito da sala. Fica a observar em direção ao espelho. -
DH: Senhor Marcos Pereira, pode me ouvir? Se puder me ouvir, pedimos que o senhor levante-se.
MP: Essa água. *pausa significante, enquanto ele arrota* É do caráio! Tá explicado porque os caras da grana tomam essas coisas caras. Mas ainda assim, fico com a minha água benta. *Marcos, levanta os dedos numa indicação de uma pequena dose de bebida.* Entende o que quero falar, não é?
DH: Entendemos muito bem senhor Marcos, por favor levante-se e caminhe em direção ao meio da sala.
MP: Vocês não me conseguem uma refeição grã-fina também, não?
DH: Senhor...
MP: [...]eu gostaria de uma lagosta, acho que é gostoso, afinal as dondocas dos filmes sempre pedem e...
DH: *suspiro profundo* Estamos verificando aqui seu pedido, podemos agora continuar com o processo?
MP: Claro, claro. E porque não? *Marcos caminha pela sala, seus passos são vacilantes como os de um bêbado.* É aqui que eu fico? Nessa marca amarelada?
DH: Sim, senhor. Por favor fique olhando fixamente a imagem que irá aparecer no nosso espelho. *Douglas se afasta do painel, soltando o dedo do painel e acrescenta na gravação*.
Registro #04: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:21h
– Sujeito C-05b apresenta caso de daltonismo, a marca no meio do chão é de cor avermelhada.
Aumentar o nível da substância vermelha no ar da sala, de 0,25mg/cm² para 0,5mg/cm².
Registro #05: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:22h
DH: Senhor Marcos, pedimos que levante os braços e solte-os ao mesmo tempo.
MP: Assim ó? *Marcos levanta os braços e deixa-os cair lentamente ao lado do corpo*.
DH: Exatamente senhor. Agora diga-me o que vê no painel. *Douglas aperta o botão azul do painel a sua frente, o espelho perde a intensidade, mostrando a silhueta do médico em pé do outro lado*.
MP: Hehe, eu consigo ver o sinhôr doutô. *Marcos ri levando as mãos a barriga*.
DH: Senhor Marcos, pedimos que se foque na imagem que será projetada. *Douglas aperta um botão verde, a cela perde a intensidade de suas lâmpadas, no centro do painel uma imagem de uma menina de 8 anos em preto e branco surge tomando quase toda a extensão do vidro. O rosto de Marcos não parece mudar, sua expressão continua meio entorpecida.* Senhor, pedimos para que você nos diga o que está vendo.
MP: Uma menina. *Marcos fica quieto*
DH: Agradecemos a sua cooperação senhor Pereira. Pedimos que o senhor sinta-se a vontade enquanto pedimos a sua refeição. *Douglas, aperta um botão azul, fazendo a cela voltar ao estado anterior, as luzes voltam a iluminar com força a sala*
MP: Sei. *olha para os lados, para as paredes sem porta e dá de ombros* Bem, melhor aqui que um albergue com certeza. Uma coisa.
DH: Pois não? *diz Douglas inclinando-se ao intercomunicador*
MP: Se eu precisar soltar um cagão. Onde eu faço? No chão? *Marcos começa rir novamente*
DH: *suspiro* Providenciaremos algo para o senhor.
Douglas suspira novamente e solta o botão do intercomunicador. Calvin, um dos cientistas que fora designado a trabalhar sobre supervisão de Douglas, esticou os braços e perguntou:
– Douglas, como é que vamos enfiar uma privada lá dentro? Não podemos nos arriscar assim. -Douglas virou para olhar para o jovem que estava sentado em frente ao monitor. — Não vamos nos preocupar com isso. Isso acaba hoje, de acordo com meus testes.
Registro #06: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 14:26h
– Sujeito c-05b, exibe alterações no padrão de pensamento, suas ondas cerebrais aumentaram sua intensidade demonstrando estresse. Mudanças metabólicas são presenciadas na leitura corporal, aumentando a temperatura na área intracraniana em 2°C, assemelha-se a uma febre de 39,7°C.
Aumentar o nível da substância vermelha no ar da sala, de 0,5mg/cm² para 1mg/cm².
Registro #07: Dia 15/01 — Centro de Pesquisas Bioquímicas de São Paulo, Setor C, Área 05 — 18:29h
– Entregue ao sujeito C-05b um prato de frutos do mar flambados e dois talheres de isopor resistente. Sujeito devora este com certa urgência, um apetite voraz, como já observado em outros experimentos. Senta-se no canto direito e nos observa, murmura algo que nossos microfones não captam. Parece ter encontrado segurança naquele ponto, leituras infravermelhas demonstram o acúmulo de dejetos frescos. Reação comum quando exposto a esse nível da substância vermelha. -
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