O Agente Sombra - Histórias do Submundo
1 Capítulo 1
Meu nome é William e tenho 20 anos. Embora isso não importe muito no meu “ramo de atuação”.
No momento me encontro sentado sobre os calcanhares no alto de um edifício num subúrbio de Buenos Aires, Argentina. Imagino já passar das dez da noite, e por estar um pouco afastado do centro da cidade a escuridão é mais intensa onde estou. Não que eu me importe, já que, de qualquer maneira, enxergo melhor no escuro.
Enquanto aguardo o momento de entrar em ação, fico rememorando o motivo de estar aqui. Essa missão não é para mim, e nem sei por que eu é que tive que vir. Na verdade, sei sim. Foi uma ordem expressa para que ela fosse dada a mim. Certamente que não é o tipo de missão para a qual eu me candidataria de bom grado. Fácil demais para um graduado como eu, acostumado a trabalhos mais complicados.
Pelo menos pude trazer Trent e Louis comigo. Não me leve a mal,não sou displiscente, eles são meus amigos há bastante tempo, mesmo antes da Ordem, mas dessa vez não estou a fim, e por serem eles agentes menos graduados que eu, tenho permissão oficial para deixar o trabalho sujo para eles.
Antes de mais nada deixe-me explicar a situação: nós três fazemos parte da Ordem da Noite, uma organização secreta criada para manter a ordem no submundo. Nossa função é, basicamente, investigar, caçar e matar, se necessário, seres do submundo, sejam eles humanos ou não. A maioria de nós, Agentes, possuímos certas “habilidades especiais”, anteriores ou adquiridas ao longo do treinamento. Os Agentes são divididos em três níveis de graduação.
Antes de ser nomeados agentes, os membros da Ordem são chamados Iniciantes, ou Trainees. Os Iniciantes dificilmente deixam a Sede da Ordem, exceto em treinamentos externos, acompanhados de um membro mais graduado. Só podem sair em uma missão se essa for para conclusão do treinamento.
Após se tronarem Agentes, aí sim somos divididos nos três níveis. Os de nível mais baixo são denominados Agentes Fantasma. Não lhes é permitido sair sozinhos em missões acima do Nível Dois, e normalmente costumam desempenhar funções dentro da Sede da Ordem. Sua vestimenta obrigatória é, como de todos nós, preta. Camisa de botões preta, calças pretas (normalmente calças sociais) e sapatos ou botas pretos. Apenas seu cinto é branco.
O nível seguinte é o que estão Trent e Louis, chamados Agentes Vulto. Nesse nível, eles já tem permissão para sair sozinhos em missões até o Nível Cinco. Sua vestimenta é a mesma que a dos Agentes Fantasma, embora complementada por um casaco de couro preto. Além disso eles podem escolher entre o cinto branco ou uma gravata branca. Os óculos escuros são acessórios opcionais.
Depois venho eu. Eu sou um Agente Sombra. Somos os mais graduados entre os agentes e por isso temos certas “regalias”. Somos nós que atuamos nas missões do Nível Quatro ao Sete. Nossa vestimenta: camisa, calça e colete pretos, botas pretas, gravata branca e uma capa (estilo Matrix) por cima de tudo. Os óculos escuros já são obrigatórios para nós.
Agora as armas de um Agente da Ordem. Normalmente nos armamos com armas brancas, como punhais, facas, atames e, algumas vezes até espadas, além de correntes. Alguns ainda, são adeptos dos cutelos, machadinhas, e massas. Uns poucos também, preferem shurikens ou estrelas ninja.
Bem, voltando ao ponto atual da história, estamos no alto do edifício, na espreita para atacar. Ainda não entendo o por que de justo eu ser mandado para essa missãozinha mixuruca. Não compreendo o que pensaram os membros do Conselho dos Warlocks (como são conhecidos os membros do conselho da Sede, logo abaixo na hierarquia dos líderes da Ordem, chamados de Diabos) quando resolveram me mandar pra cá. Talvez Sazonay goste de me ver em ação. Ou goste de me ver fora de Sede.
-Até quando vamos esperar? –perguntou Trent de repente.
-Até quando eu achar que é seguro. –respondi,seco. Não queria ser mal-educado mas não estava nem um pouco disposto a me arriscar por um trabalho tão medíocre.
-Será que é mesmo tão fácil? –Louis perguntou. Ele, como eu, estava com um pé atrás com aquela missão. Era fácil demais para ser tão importante. –É só capturar Samuel e ir pra casa.
Essa era nossa missão: Capturar Samuel, um cafetão de Dráconas que praticamente mandava nos negócios na região porteña. Para quem não sabe, Dráconas são como Jezebéis (prostitutas, para os menos cultos), quase como mulheres de verdade. A única diferença é que tem olhos de peixe, cabelos laranja e uma cauda fina e afiada, perfeitamente escondida por debaixo da pele. Outra diferença das Dráconas para as prostitutas normais é que elas são praticamente insaciáveis. Seduzem homens tolos o bastante e tiram tudo o que eles tem. Começam com o dinheiro, depois sua saúde física e mental, terminando por tirar-lhes a própria força vital. Seres nojentos as Dráconas. Me lembro de minha primeira missão como Agente. A equipe da qual fazia parte fora designada para matar um outro cafetão de Dráconas em Córdoba. Nunca antes havia visto tantos homens ignorantes reunidos num só lugar. Fiquei enojado.
-Espero que sim. –respondi, cansado. –Espero não haver nenhum truque nisso.- Não me entendam mal. Até que gostava de estar ali. A noite porteña é maravilhos, como sempre. A lua brilha prateada no céu e os aromas da noite invadem minhas narinas. São extremamente agradáveis. Exceto pelo cheiro distante das Dráconas, que me enoja ao extremo. Além disso tinha assuntos particulares para resolver quando voltasse para casa e estava ficando ansioso.
Não demorou cinco minutos e Samuel emergiu de uma porta no edifício logo abaixo de nós, ladeado, como sempre por dois guarda-costas enormes. Eu soube que o momento estava chegando. Ele se afastou um pouco dos capangas e eu saquei o punhal envenenado do bolso interno da capa. Me preparei para atacar. Trent e Louis fizeram o mesmo.
Nós três nos conhecíamos a tempos, e sabíamos muito bem como agir em sincronia. Trent atacou primeiro, esfaqueando o primeiro capanga. Antes que o outro pudesse entender a situação, Louis, mais sutil, o degolou. No momento em que Samuel ia gritar por ajuda, eu apareci atrás dele e cravei-lhe o punhal abaixo das costelas, fazendo-o soltar um gemido de dor abafado.
-Acabou, Sam. Te pegamos –ainda tive tempo de dizer antes que o veneno fizesse efeito. Consegui segurá-lo para que não caísse no chão. Seu rosto estava pálido e seus olhos, virados. Desmaiado.
Notas finais
Adoraria se deixassem reviews. Aceito elogios, críticas contrutivas ou comentarios gerais sobre o capitulo
Esperem mais capitulos em breve>>>
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