Capitulo 1.


Meu queixo quase caí ao ver o boneco Ken e a Barbie sem roupas e escrito em letras enormes no quadro negro:

Estudo da reprodução humana (SEXO)
Sra. Sofia

— Finalmente uma aula interessante — Claire Prior diz ao meu lado.
— Claire, virgem? — Pergunto, com um meio sorriso.
— Oh Baby, não é porque acho uma aula interessante — um sorriso malicioso se forma em seus lábios — que não sou mais virgem e agora não é o momento certo para se falar sobre isso.

Eu e Claire nos sentamos de frente a mesa da Sra. Sofia, Barbie e Ken ficam me encarando com um sorriso plastificado no rosto que chega a me dar arrepios.

— Hoje como escrito no quadro negro, vamos aprender sobre a reprodução humana, ou seja, o SEXO! — Sra. Sofia começa, aumentando a voz ao falar á última palavra —, e para começar vou fazer um novo mapeamento da sala.
— Fala sério, estamos quase no final do semestre e justo agora ela resolve mudar o mapeamento? — Claire sussurra frustada.
— Senhorita Prior, você será a primeira a mudar de lugar, já que pelo que parece não está satisfeita em sentar ao lado da senhorita Grey.
— Mas nós duas nos sentamos juntas desde o começo do semestre e justo agora você quer nos mudar de lugar? Isso é muito injusto — Claire rebate.
— Sinto muto senhorita Prior mas eu sou a professora aqui e você vai fazer oque eu mandar, entendido? — Sr. Sofia pergunta.
— Tudo bem, já que não posso fazer nada a respeito — ela cruza os braços. — Onde vou me sentar?
— Ao lado do Senhor Carter. E os demais pulem uma carteira para frente e sentem-se ao lado de seus novos parceiros.

Olho para trás para ver quem vai se sentar ao meu lado e meus olhos se encontram com os do novato. Seus olhos são como duas órbitas negras fora do espaço. Ele se senta ao meu lado com os olhos ainda fixo nos meus, nunca o tinha visto de perto antes, na verdade nunca tinha reparado muito nele, mas agora que ele está tão perto é quase impossível não reparar nele. Um sorriso se curva em seus lábios e todo meu corpo se estremece. Seu sorriso não é amistoso e muito menos amigável, está mais para perigoso mas de alguma forma se é que isso é possível, um perigo bom.

— Oi eu sou, a Anna — digo tentando soar simpática — e você como se chama?
Nenhuma resposta vem em seguida.
— Agora que vocês já estão com seus pares — a voz da Sra. Sofia, me faz mudar o foco — vocês irão escrever uma redação sobre seu novo parceiro e antes que pensem em escrever qualquer coisa, eu vou fazer as perguntas a cada um de vocês para ver se a resposta é verdadeira.

Viro meu olhar para o novato e então reparo que ele está usando uma corrente de prata em volta do pescoço, com uma asa de anjo prata como pingente, igual a que ganhei de meu pai quando tinha 8 anos. Ele está usando uma blusa preta grudada ao corpo, o que valoriza seus bíceps e uma calça jeans quase do mesmo tom preto da blusa, seus cabelos estão jogados desajeitadamente para trás.
— Eu não sei você mas eu quero ganhar minha nota e então, como você se chama? — pergunto outra vez em um tom mais alto para desta vez não ter desculpa para ele não me responder. Seu olhos fixam-se novamente nos meus.
— Me Chame de Gus, sério, me chame — um sorriso nasce em seus lábios e pelo tom que ele diz a última frase tenho quase certeza que ele está me zoando.
— Quantos você tem, Gus? — pergunto.
– Me chame de Gus novamente, sua vez fica provocativa, quando você diz meu nome — ele responde.
— Estou falando sério, quantos anoso você tem?
— Quantos anos você acha que eu tenho Anna? — cada sílaba que saí de sua boca flerta comigo.
— Talvez 17 ou 18 — respondo.
— Você é boa nisso. Eu tenho 17. E você Anna, quantos anos você tem?
— 16 — respondo secamente.

Seus olhos negros, me olham de cima a baixo e por fim param em meus lábios, um sorriso malicioso contorna seus lábios e sinto meu corpo inteiro esquentar. Pego um lápis e começo a anotar em uma folha de caderno.

"17 anos, tipico bad boy conquistador, tem cheiro de sabão caseiro e terra molhada. E é realmente sexy" — risco a última palavra. Quando olho para o lado reparo que ele também está escrevendo algo em um pedaço de papel, tento espiar mas ele está com o braço na frente.

— Oque você está escrevendo ai? —- pergunto.
— E ela fala — ele responde.
— Estou falando sério, oque você escreveu ai? — pergunto com a voz mais elevada. Tento pegar o papel da mão dele, mas antes que se quer me aproxime, ele joga o papel com perfeição na lixeira perto da mesa da Sra. Sofia.
— Isso não foi nada legal — bufo.
— Nada na vida é legal Grey — o encaro por alguns segundos, tentando analisa — lo.

Como ele sabe meu sobrenome? Eu não me lembro de ter dito.
— [...] tem cheiro de terra com sabão casei [...] — essas palavras me tiram de meus pensamentos e quando olho para o lado vejo que ele está segurando o papel onde eu acabei de escrever coisas sobre ele. Sinto meu corpo esquentar e o rubor subir sobre meu rosto. Respiro fundo e então pulo em cima dele tentando arrancar o papel de sua mão.

Caio sobre seu colo e nossos olhos se encontram. Cada célula do meu corpo clama por um único beijo.

— Rumrum! — Sra. Sofia funga. — A aula pode ser sobre a reprodução humana, mas por favor, segurem seus hormônios, pelo menos até o final da aula.

Todos na sala começam a rir e coloco a mão sobre o rosto para não transparecer muito a vergonha, que estou sentindo neste momento.

— Da próxima vez que quiser me agarrar, me avisa antes — Gus sussurra.
— Muito engraçado, se você não tivesse pegado o meu papel, nada disso teria acontecido.
— E sobre isso, já que estamos num momento primitivo, você também cheira muito bem.
— Isso se chama banho — respondo secamente.
— Pelada, sei como é — meu queixo ameaça cair mas o seguro no lugar. Não quero dar esse gostinho a ele.

Um silêncio toma conta de nós e só é quebrado com o sinal anunciando o final da aula, arrumo minhas coisas e me viro para falar com Gus sobre o trabalho mas ele já está quase na porta.
— GUUUUUUUUUUS! — grito.
Ele para.
— Oque foi?
— Será que a gente pode se encontrar mais tarde para fazer o trabalho?
— Vou está ocupado hoje a tarde — ele responde.
— Caçando borboletas? — debocho.
— No Broong's — ele puxa minha mão e a segura com força. Ele tira uma caneta do bolso e escreve algo em minha mão e então saí pela porta.

Dou uma olhada para ver oque ele escreveu e lá estão 9 número escritos de caneta vermelha: 96469-6252. Saío da sala e me reencontro com Claire no corredor.
— Oque foi Love? — ela pergunta.
— O novato — respondo.
— Ele é bem sexy na verdade, mas não faz meu tipo. Prefiro caras como o Carter.
— Achei que você não tinha gostado de trocar de lugar — forço um tom de indignação.
— Claro que fiquei love, mas o Carter é bem gatinho.
— E oque você vai fazer para conquistar ele, senhorita arrasa corações?

Ela coloca as mãos nos quadris e da um sorriso malicioso.
— Simples, eu vou colocar meu número no caderno dele e então quando ele me ligar vou chama-lo para sair.
— Até porque é isso que as pessoas normais fazem para conquistar um cara né? — dou uma gargalhada.
— Oh Baby, nunca duvide das minhas práticas, elas sempre são certo.
Ela faz beicinho.
— Vai com tudo então — digo.
— Oque aconteceu entre você e o novato lá na sala em? — ela arqueia as sobrancelhas.
— Nada, eu só estava tentando pegar uma coisa e acabei caindo — digo despreocupada.
— Nada sútil de sua parte, — ela da uma gargalhada.
— Claire, sério?
— Desculpa love, mas aquilo não pareceu acidental.

Sigo até a saída com Claire ao meu lado, quando estamos quase chegando ao estacionamento encontramos Kriss Miller. Ela está usando uma blusa com um decote tão grande que só falta os peitos dela pularem para fora e uma saia que quase da para ver sua calcinha.
— Ai meu deus, será que ela não percebe o quão vulgar ela está? — sussurro para Claire.
— È da Kriss Miller, que estamos falando baby! — ela responde.
Seguimos até o Neon da Claire e quando estamos prestes a entrar, algo entra em meu campo de visão.
— Gus — as palavras saem, antes que eu perceba.
— Ai meu deus — Claire diz — só pode ser brincadeira.

Gus e Carter estão parados ao lado de uma moto preta. Kris Miller vai em direção a ele e tanta beijar Gus e é quando ele a rejeita e diz em voz alta.
— Desculpa, mas não gosto de garotas fáceis, — ele segue em direção a sua moto ainda com Carter ao seu lado e os dois vão embora.
— È a primeira vez que alguém da um fora em Kriss Miller! —Claire diz, com um sorriso de alto satisfação.
— Parece que ela não está muito satisfeita com isso — digo.

Entramos no neon e seguimos para minha casa. Quase todo o caminho Claire diz sobre como Gus foi legal e que ele até pode ser um pessoa a se conhecer.

— Pronto love, entregue, sã e salva.
— Porque você nunca me leva atá a porta de casa? —pergunto, mesmo já sabendo a resposta.
— Pela milésima vez love, você sabe que a sua casa é sinistra, ela é meio que a casa da Nora Grey em "sussurro" e fica em lugar nenhum, como em "Coragem o cão covarde."

Claire tem razão, sempre achei super estranho mamãe gostar de morar aqui, é tão afastado e não tem nada perto, mas tem muitas lembranças felizes.
— Okay, você ganhou — digo sorrindo.
— Até amanhã love.
— Até amanhã.
Me viro e subo os quarteirões restantes, para em fim chegar em casa. Não demora muito e eu chego, as luzes estão apagadas, minha mãe provavelmente ainda não chegou do trabalho. Pego a chave reserva que está em baixo do tapete e abro a porta. Sem minha mãe em casa, tudo fica tão quieto, como se nada fosse bom ou feliz. Subo até meu quarto e procuro uma roupa para vestir. Ligo o chuveiro e lavo meus cabelos e é nesse momento que me lembro que o número do número do Gus está escrito em minha mão, dou uma olhada para ver se não se apagou por completo e por sorte ainda está no mesmo lugar, me embrulho na toalha e vou até o criado mudo, pego meu celular e anoto os nove números que ele havia me dado, volto ao banheiro e termino de me lavar. Assim que termino pego a saia xadrez e a blusa preta, que ganhei de Claire no natal e pego minha sandália preta e finalmente a corrente prata com ás asas de um anjo, igual a de Gus, que ganhei do meu pai pouco antes dele morrer. Prendo meu cabelo em uma trança única e finalmente disco os nove números que Gus, escreveu em minha mão.
— Quem é? — ele pergunta.
— È a Anna, onde você está? — pergunto.
— No Broong's, mas acho que tinha dito isso na aula de biologia.
— Tudo bem, estou indo ai [...] — antes que eu possa terminar a frase, ele me interrompe.
— Não vai ser possível, estou no meio do jogo aqui, será que você pode desligar e não me atrapalhar por favor?
— Se você, não quer ganhar nota tudo bem, o problema é seu mais eu quero, então se você puder ser um pouco gentil pelo menos uma ve [...] — o telefone fica mudo.

Raiva cresce em meu interior, como ele pode desligar na minha cara?, desço até a garagem, e pego o Ford da minha mãe e sigo em direção ao Broong's. Nunca tinha estado no Broong's antes, dizem que só caras mal-encarados vão até lá e não é o tipo de lugar que uma garota de 16 anos deveria está na sexta-feira a noite. Logo na entrada em letras bem grandes está escrito, a seguinte frase: "Brooong's: bilhares, bebidas, mulheres e diversão" e logo abaixo está escrito "Se arrumar confusão quebramos sua cara e ninguém te reconhecerá, obrigado pela atenção". Òtimo lugar para se ir na sexta-feira a noite Gus, penso. Logo na porta uma cara de quase 2 metros de altura com uma cara de mal e com vários pirscings no rosto está pegando os ingressos ou seja lá oque for das pessoas, que estão entrando.
— Han, eu vim aqui atrás de uma pessoa, ele se chama Gus, — digo ao homem, tentando parecer o menos nervosa possível.
— R$ 50,00, e você entra mocinha — ele responde.
— Eu não quero entrar, só quero falar com o Gus.
— Se não paga não entra, a não ser que me pague de outra maneira — ele diz maliciosamente.
— Você é nojento — digo com repulsa.

O cara mal-encarado vem em minha direção, mas antes que ele possa fazer alguma coisa Gus aparece na porta e diz alguma coisa em seu ouvido, não consigo ouvir oque mas parece funcionar, porque mesmo com uma raiva incontrolável nos olhos, o cara me deixa entrar. O Broong's, é ainda pior por dentro, várias mesas de bilhar e mulheres, com o tipo de roupa que Kriss Miller usa, estão dançando em postes de ferro e dentro de gaiolas e para onde eu olho tem homens, com a mesma cara de mal, que a do segurança na porta, Gus me leva até a mesa de bilhar onde está jogando com um grupo de caras, com aparentemente a mesma idade dele. Ele para de frente á mesa, e me olha de cima para baixo, até parar em meus quadris.
— Uau! Pernas de matar — ele diz.
— Sem brincadeiras.
— Tudo bem, seja rápida eu preciso terminar esse jogo.
Ele se volta a mesa de bilhar e paga um taco e por fim começa a jogar. O fusilo com os olhos mas ele da de ombros e continua a jogar. Me sento na mesa de bilhar e seus olhos se encontram com os meus.
— Se você não percebeu, estou querendo jogar uma partida aqui — ele diz.

Dou de ombros e pego um bloco de notas de dentro da bolsa, junto com um lápis.

— Quanto mais rápido você responder minhas perguntas, mais rápido eu vou embora e você pode finalmente jogar esse maldito jogo de bilhar— digo.
Seus olhos negros me estudam e o silêncio paira sobre nós. Ele da meia volta e para de frente a min.
— Eu respondo suas perguntas mas. — Por algum motivo temo, oque ele vai falar em seguida. — Você vai ter que jogar esse "Maldito Jogo" e se eu ganhar você terá que sair comigo.
— E se eu ganhar ? — pergunto.
— Não precisamos nos preocupar com isso, — um sorriso arrogante brota em seus lábios.
— Tudo bem, eu topo.
Ele me da um taco e coloca as bolas sobre a mesa, nunca joguei bilhar na minha vida mas não pode ser tão difícil, ele vai primeiro e encaçapa 3 bolas de uma vez, pego o taco, mas antes que eu possa tocar na bola, ele vem em minha direção e se posiciona atrás de mim, segura minhas mãos e fala quase como em um sussurro:
— Boa Sorte — um arrepio percorre todo o meu corpo, e então ele me solta e volta ao seu lugar.

Estudo as bolas em cima da mesa e finalmente jogo, mas como já era de se esperar eu não consigo acertar nem uma bola. Depois de 5 rodas dele ganhando eu finalmente me rendo.
— Tudo bem você ganhou — digo.
— Eu disse que não teria que se preocupar em ganhar, te pego amanhã ás 20:00 em ponto e não se atrase.
— Não se preocupe eu vou ao encontro mas antes, você tem que responder minhas perguntas — digo.
— Pode perguntar.
— Você tem irmãos?
— Não, e se tivesse você não iria saber.
Como alguém consegue ser tão arrogante e sexy ao mesmo tempo? Mesmo com todas as probabilidades e tudo me dizendo que eu não deveria, eu me sinto atraída por ele de um modo que nunca me senti antes.
— Qual o seu sonho? — fico feliz com a pergunta, vai exigir que ele pense sobre isso mas para minha surpresa, ele responde tão rápido como á pergunta anterior.
— Te beijar.
— Isso não tem graça e o pior é que foi tirada de um livro.
— Não, não tem e sim foi tirada de um livro, mas você ficou vermelha.
— Terminamos as perguntas, até amanhã Gus — digo.
— Até amanhã, amor.
— Você acabou de me chamar de amor?
— E se chamei? — ele pergunta.
— Eu não gostei, na verdade odiei — respondo.
— Mas vou continuar, te chamando assim.
—Tanto faz — dou de ombros e vou embora.

Antes de chegar a meio metro da porta, alguém me puxa pelo braço, me viro e vejo que é o Gus quem está me segurando
— Eu te levo para casa.
— Não precisa, eu sou bem grandinha e além disso eu estou de carro — digo.
— Eu disse que eu vou te levar. Onde está seu carro?
— Por aqui — digo.

Chegamos até onde o Ford de minha mãe está estacionado e entrego as chaves para Gus, ele se senta no banco do motorista e fecha a porta, espero alguns segundos e por fim ele se sente ao meu lado.
— Qual rua você mora? — ele pergunta.
— Rua Splimgam 401 — respondo.
Seguimos o caminho inteiro em silêncio.
— Chegamos —digo.
Ele saí do carro e are a porta do passageiro para min, me segura pelo braço e diz:
— Espere aqui, eu vou dar uma olhada ali e não importa o que aconteça, só saía daqui se eu mandar, entendido? — sua voz é fria e equilibrada.

Reviro os olhos, mas assinto com a cabeça, ele segue em direção a casa e da uma olhada ao redor para ver se não tem nada de errado, depois de alguns minutos ele segue em minha direção.
— Nada parece errado, se alguma coisa acontecer me liga.
— Quem é você, um super — herói, por acaso? — pergunto.
—Eu não posso dizer muita coisa agora, mas te aconselho a calar a boca e confiar em min.
— Confiar em você? — solto uma gargalhada sem humor e o encaro.
— È sua melhor opção por enquanto agora entre e tranque todas as portas e se alguma coisa acontecer você sabe oque fazer.

Ele se aproxima mais diminuindo o espaço entre nós e meu estômago se revira. Ele apenas me observa e diz em meu ouvido:
— È melhor você ir e não esqueça de trancar tudo como eu falei.

Vou até a porta de entrada e pego a chave dentro da minha bolsa. Entro e fecho a porta, fico observando Gus do lado de fora, pela fresta da porta e então o perco na escuridão.

Notas finais
Se tiver algum erro ortográfico, avise pelos comentários e não de spoilers :)