O último Uchiha

4 A última missão - parte 2


Notas iniciais
Eu gosto da bagunça que um byakugan é capaz de fazer. Eu bem preciso comentar que depois desse episódio, Daisuke vai odiar byakugans para o resto de sua vida, né? Ele quase mata a filha do ninja do b... Opa, no spoiler! rs Boa viagem!

— Tempos atrás, um clã ninja, chamado Hyuga, tinha um kekkei genkai... Uma habilidade passada geneticamente, de geração em geração, que permitia que o nível de chakra nos olhos aumentasse, fazendo com que seu usuário pudesse ver até os pontos de chakra que fluem no seu oponente. — Katashi me explicou.

— Bela explicação... O senhor os ensinou bem, Sensei. – O ninja interrompeu com suas palmas. – Se sabe o que são, sabe o estrago que causam. – O bandido nos provocou com uma confiança perturbadora na voz.

Uma chuva de shurikens é surpreendentemente disparada em nossa direção. Eu as evito, com muita dificuldade, pulando para o lado contrário que o do Katashi. O Sensei, no entanto, nem se moveu. Olhei pasmo para a situação. O corpo do Sensei sendo jogado para trás, com a maioria das armas fixadas nele.

— Sensei! – Gritei.

Antes que ele, o Sensei, caísse no chão, o corpo explodiu em fumaça, transformando-se em um tronco de madeira. Respirei fundo. Senti-me aliviado e não sei como, tinha achado graça da forma que o Sensei escapou. Eu sabia que ele não se deixaria cair com um ataque tão idiota. Mal havíamos escapado das shurikens, quando vi uma pedra do tamanho de um urso voando sobre minha cabeça. Abaixei-me, pouco assustado e assisti três dos dez capangas daquele cara sendo esmagados. Nem preciso comentar sobre o sorriso que estava em meu rosto. Eu já tinha visto uma luta do Shinsato Sensei antes, mas ele sempre me surpreendia de alguma forma.

E essa pedra gigante, foi apenas o início das dores. Antes que o restante do bando pudesse entender o que estava acontecendo, outras pedras, agora menores que a “pedra mãe”, os atingia individualmente. Uma enorme nuvem de poeira subiu e eu cobri meu rosto, para não piorar a situação dos meus olhos. Nesse instante senti um leve tremor no chão. Ao olhar para trás deparei-me com a imagem mais incrível que vi naquele dia. Shinsato Sensei estava com outra rocha nas mãos. Contudo, ela era três vezes maior que a primeira!

— Pelas barbas do Hokage... De onde você tira tanta pedra?! – Esperneei com os olhos brilhando.

— É melhor se afastar, Daisuke... – Ordenou o Sensei, com voz sem resquícios de esforço. Ele a lança, mirando diretamente no descendente do clã Hyuga. Sua força e velocidade me deixaram boquiaberto. Atirei-me no chão e acompanhei a trilha da pedra, pronto para comemorar a vitória.

Infelizmente, eu estava errado. Não houve vitória. A pedra sequer triscou no ninja, antes ela se dividiu em dezenas de pedaços, deixando-me confuso. E o cara do Byakugan estava lá, parado, intacto, em pé como se nada tivesse acontecido. Mas seu rosto... Seu rosto agora estava diferente, como se suas veias em volta das têmporas se elevassem. E as suas mãos? Estavam com tanto chakra que dava para ver!

— Então foi assim que... Incrível.

— Estou ofendido, Sensei... Um ataque desses JAMAIS me representará ameaça!! – O bandido gritou, avançando contra o Sensei com uma velocidade imensurável. Katashi pôs-se na frente do Sensei, pronto para defendê-lo.

— Katashi... – Sussurrei.

Mesmo que ele lutasse com todas as suas forças, meu melhor amigo não tinha habilidade suficiente para derrotar aquele desgraçado. Katashi defendia dois de dez golpes dados de uma só vez.

— Até que você leva jeito garoto... – O ninja das sombras falou, preparando-se para o último golpe. – Mas, isso não é o suficiente.

O ninja o atingiu com a palma das mãos, bem no meio do peito do Katashi, que arregalou os olhos, caindo de joelhos no chão, gemendo de dor. Pude ver as gotas de sangue que caíam da boca dele. Isso me fez lembrar do último sonho, me fez lembrar que vi o meu melhor amigo morto, que vi todos ali mortos. Um terror tomou conta do meu corpo e caí no chão, fazendo o bandido rir de mim. Isso foi a gota d’água. Juntei todas as minhas forças para atacá-lo, mas antes que eu pudesse fazer alguma coisa, num piscar de olhos, um golpe descomunal atinge meu estômago, ou pior... Minha rede de chakra.

Caí no chão totalmente sem forças. A partir daquele momento, eu só podia ver o Sensei avançando contra o inimigo, com os punhos cobertos por pedras. O Sensei era extraordinário, nunca o vi fraquejar, nenhuma única vez, nem quando... Ele sabia tudo. Era especialista em jutsus estilo terra, além de ser incrível em taijutsus.

— Mas, o que adianta ter todas essas qualidades, contra um oponente que consegue prever seus movimentos e neutralizar sua rede de chakra?

Mesmo assim, ele estava lá, em pé. Pronto para defender seus ideais, sem se importar com as consequências. Sua experiência em combates era vasta, embora nunca tivesse lutado com alguém com aqueles olhos antes. Ele conseguia prever alguns movimentos, acho que agora tenho liberdade para dizer que aquela foi uma das cenas mais épicas de toda minha vida. Era quase gracioso vê-los trocando golpes, mas o Sensei suava e tinha um pesar na respiração... Já o ninja assassino, não mostrava nenhum sinal de abalo. Seria errado querer ser como ele?

— Foi uma honra poder lutar com alguém tão influente... – Disse o dono do Byakugan. – Mas, já perdemos tempo demais.

O ninja se afastou e posicionou-se com os braços abertos, um atrás do outro, com dois dedos levantados, unidos e com uma extraordinária concentração de chakra nas mãos.

— Arte do punho leve! 128 pontos de Chakra!! – Ele gritou, disparando golpes de altíssima velocidade contra o corpo do Sensei, incapacitando seus movimentos. Ao mesmo tempo ele começou uma contagem...

— Dois golpes! Quatro golpes! Oito Golpes!...

Dezesseis, trinta e dois, sessenta e quatro... E assim foi, até 128. O Sensei caiu no chão, como uma fruta madura. E ele ficou lá, parado, não movia um dedo sequer, eu nem sentia mais o seu chakra, não tinha a mínima dúvida de que ele estava... Morto.

— 128 pontos de chakra... – Sussurrei, tentando entender o que havia acontecido ali. O inimigo olhou pra mim com desprezo e com uma risada sarcástica falou:

— Seu Sensei está morrendo e não há nada que você possa fazer para impedir.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Estava tudo acontecendo como no sonho... Primeiro o Katashi, agora o Sensei... Todos mortos... E a culpa era minha. Faltava apenas mais uma pessoa.

— Agora, lembro-me de ter visto uma garota por aqui... – Ele falou estalando a coluna e logo em seguida, andando em direção à carga.

— Ayumi... Não... – Sussurrei.

— Que belo nome... Ayumi... Não se preocupe, eu não pretendo demorar. – Ele prometeu, olhando para trás.

Tudo estava perdido.

Nunca pensei que veria meu Sensei morrendo... Nunca pensei que aquele pesadelo se realizaria... Shinsato Sensei a beira da morte, Katashi tão ferido quanto eu e agora é a Ayumi... A Umi... Eu não podia deixá-la sozinha, mas o que poderia fazer? Eu nem deveria estar ali, não era um ninja de verdade, eu só estava passando por tudo aquilo pela misericórdia do Sensei! Isso me deixou tão... Furioso! A medida que a raiva aumentava, o ardor em meus olhos também aumentava. Mas, dessa vez, minha visão não ficava mais turva. Dessa vez, nada passava despercebido, nenhuma única folha no chão. Eu simplesmente sentia e sabia o local exato em que ela cairia. Aquela sensação era estranha. Sim, eu sempre tive problemas com minhas emoções, mas aquilo era diferente.

Uma fúria incontrolável crescia dentro de mim, uma força jamais experimentada antes, aquilo simplesmente invadiu o meu corpo e era tão...

— Legal... – Eu tentei me levantar e dessa vez, eu me sentia uma nova pessoa. – Hey, seu idiota! Nem pense em tocar na Ayumi!!

O homem parou, estalando o pescoço. Pude ouvir sua risada.

— Parece que alguém quer apanhar um pouco mais... – Ele gargalhou. – Que seja! Vamos acabar logo com isso! – Gritou, pegando uma kunai.

Dessa vez, eu não estava mais com medo, eu ganhe uma nova oportunidade, a oportunidade de salvar a única pessoa que mais me importava, a única que havia restado. Posicionei-me, pronto para o combate. Entretanto, ao voltar-se contra mim, o semblante daquela praga havia mudado completamente. Seu olhar demonstrava uma surpresa exagerada e eu não entendi o porquê.

— Três... – Ele disse.

— Outra contagem!? Eu não tenho medo dessas suas contagens idiotas!

Senti aquele Byakugan queimando meu rosto, sua respiração ficou ofegante e ele começou a andar na minha direção. Ele tentou falar algo, mas sua garganta estava seca. Qual o motivo de tanto nervosismo? Ele havia acabado de me derrubar e derrotar o Sensei! O que lhe dava tanto medo?

— Você deveria estar morrendo, garoto... – Ele comentou baixo, aproximando-se cada vez mais.

— Morto?! Está claro que estou longe disso! – Respondi em voz alta. Ele aproximou-se mais ainda e abaixou-se, fixando seu olhar no meu. Eu dei um passo para trás, mas ele segurou meu braço com força. Era o momento perfeito para atacá-lo, mas eu estava tão confuso quanto ele. Com sua outra mão, ele segurou meu queixo com força e analisou meu rosto sorrindo. Eu bati no seu braço, fazendo-o soltar minha cabeça.

— Três pontos... Incrível... – Ele cochichou.

— Do que está falando?!

— Sharingan...

— Sharingan? – Entrei me choque. Não podia ser verdade... Eu não conhecia o Byakugan, mas sabia sobre os Sharingans. Uma lenda antiga, a lenda dos olhos amaldiçoados...

Um clã antigo, há muito tempo, conseguiu desenvolver essa habilidade ocular poderosíssima. Seus olhos eram diferentes, uma tonificação fortíssima de vermelho flamejante, com uma marca que rodeava a íris, uma tomoi, que tinha três níveis de poder. Então eu... Estava no terceiro nível?

— Vamos ver se... – O ninja rapidamente tentou me atacar, porém eu consegui ver com clareza o percurso do seu golpe e então desviar com total facilidade. Isso se repetia e se repetia, ele me atacava e eu desviava, sem esforço. Então ele se afastou rapidamente de mim e parou ao lado do corpo do Sensei.

— O que você pret...

— É realmente fascinante, o que estou presenciando... – Ele me interrompeu.

— Não se atreva a tocar nel...

— Você tem um dom, garoto. Um dom que não vejo há muito tempo...

— Se você fizer alguma coisa, eu... – Ele mostrou a palma da sua mão, pedindo para que eu ficasse quieto.

— Sabe que essa luta não vai durar. Não importa o quanto tente...

— Ora, seu...

— Mas – Ele me interrompeu novamente. — Eu tenho uma proposta para você.

— Proposta? – Questionei.

— Sim. Uma proposta. Ela é simples e irrecusável. – Ele falou, estendendo a mão. Foi aí que eu entendi, ele queria que eu fosse com ele, que eu entrasse na sua guilda. Um silêncio atormentador pairava ali. Ele ainda com o braço estendido, me encarava com determinação, como se estivesse me dando coragem para fazer o que ele queria. Nunca pensei que uma proposta dessas fosse tão tentadora assim. Bem que o Sensei disse que as missões nos ensinam lições valiosas. Qual lição eu aprenderia ali?

Morrer e perder a razão de viver são sinônimos.

Notas finais
eeeeeeeeeeita, preula! Será que Daisuke vai aceitar a proposta? A vida dele ou a vida dos seus amigos? O que você escolheria? Me diz nos comentários! Um xêro e até o próximo cap! Tchau!