O Último Reino da Terra
17 Capítulo 16: A invasão
A noite envolvia o Domo em uma quietude inquietante, e as ruas, normalmente movimentadas, agora pareciam mais vazias, como se as próprias paredes do lugar retivessem os suspiros de uma população tensa e ansiosa. Porém, dentro das suas fortificações, um murmúrio crescente se espalhava, alimentado pela descoberta de uma verdade há muito oculta. As imagens dos exilados do Cesto, agora invadindo o território do Domo, estavam sendo transmitidas nas telas de comunicação, e, com elas, surgiam questões que o governo preferia deixar sem resposta.
A imprensa, sempre alinhada com a narrativa oficial do Domo, não tinha mais como esconder o desconforto crescente. As palavras que surgiam nas transmissões eram carregadas de incerteza, como se o próprio regime estivesse tentando se agarrar a uma história que já não podia mais ser sustentada. As pessoas queriam respostas. Como aqueles exilados haviam conseguido invadir o Domo? Como haviam vazado informações tão secretas sobre o Casulo e as feras? E, o mais importante, quem eram eles para desafiar a ordem estabelecida, que sempre se orgulhou de sua superioridade sobre o mundo externo?
A resposta do governo foi direta e impessoal: "Eles são inferiores. Não possuem habilidades como nós. Não têm nada a oferecer, exceto caos." Era uma narrativa simples, que evitava qualquer aprofundamento, mas que começava a soar mais vazia a cada repetição.
As imagens que enchiam as telas mostravam rostos cansados, corpos exaustos, olhos profundos, refletindo uma dor silenciosa e uma raiva que não podia ser contida. Eram as primeiras vítimas do Cesto, e agora, transformados em uma legião que cuidava dos recém-exilados, esses seres humanos eram tratados, pelo governo, como um fardo, uma falha do sistema que precisava ser isolada com mais rigor. Para os líderes do Domo, sua existência era uma prova do quanto o Domo precisava se proteger. Se não fossem mantidos longe, seriam uma ameaça.
Mas, para a população, algo começava a mudar. Alimentados por anos de propaganda que pintava o Domo como a última utopia da humanidade, os cidadãos agora começavam a perceber que algo não se encaixava mais. Para os mais fiéis ao sistema, devolver os expulsos ao mundo exterior parecia uma solução simples e lógica. Mas para muitos, o maior choque estava nas revelações que surgiam aos poucos: havia vida fora do Domo.
Entre as famílias que haviam enviado seus filhos ao Casulo ou ao Cesto, uma dúvida crescente tomava conta. O que realmente acontecia do lado de fora? Será que estavam alimentando um mito de destruição, ou o Domo havia mentido o tempo todo sobre o estado do mundo? E se o Cesto não fosse, na verdade, uma sentença de morte, mas uma oportunidade de vida, ainda que incerta?
Com isso, o número de crianças enviadas ao Cesto cresceu. Agora, muitos pais viam essa escolha como um mal menor: uma escolha entre a morte certa ou uma chance, talvez mais livre, de viver.
A notícia de que o mundo fora do Domo não estava destruído como sempre lhes disseram se espalhou rapidamente. A partir de então, o Domo se via diante de uma crise interna. Sua narrativa de superioridade, de segurança, de controle absoluto, começava a desmoronar. As pessoas agora tinham que lidar com uma verdade incômoda: o sistema que as havia protegido por tanto tempo estava, na realidade, isolando-as da realidade. E, com isso, vinham as dúvidas. Como o Domo havia chegado a esse ponto?
A resistência que crescia dentro do Domo não se limitava mais a pequenos movimentos. Ela se espalhava entre aqueles que, agora, sabiam da existência de um mundo além. Cada criança enviada ao Cesto não era mais apenas uma vítima do sistema, mas um símbolo do que o Domo estava escondendo. E essa resistência estava determinada a derrubar a fachada de perfeição que sustentava a estrutura do Domo.
Entre os expulsos, muitos, agora mais conscientes de seu lugar na história, buscavam vingança. O ódio e a dor pela maneira como foram descartados alimentavam seu desejo de agir. Mas, ao tentar invadir o Domo, o choque cultural entre eles e os habitantes da civilização superior se tornava evidente. Eles não tinham os mesmos poderes, não possuíam habilidades como as crianças do Casulo. Sua luta era pela sobrevivência e pela dignidade, pelo desejo de serem reconhecidos, e não apenas como os "inferiores" do sistema.
Mas a guarda do Domo não demorou a desbaratar qualquer tentativa de resistência. Sem os poderes das crianças do Casulo, os expulsos eram tratados como uma ameaça incerta e fácil de controlar. A força militar e a propaganda se uniram para esmagar qualquer movimento que desafiasse a ordem. A narrativa do Domo precisava ser preservada a todo custo.
A imprensa, então, fez o que sempre soubera fazer melhor: distorcer a realidade. "Como um grupo tão inferior poderia causar tanto transtorno? Como poderiam ter libertado as feras e violado as regras mais sagradas, e ainda assim continuar a existir?", questionavam as manchetes. Mas as perguntas que mais incomodavam a população não tinham respostas. Como vazaram os dados? Como conseguiram entrar? O silêncio do governo só alimentava ainda mais as dúvidas, criando um vácuo de desconfiança.
O ambiente no parlamento estava tenso. As paredes de mármore e vidro refletiam a luz fria da noite, enquanto os membros das famílias parlamentares se reuniam em uma sessão extraordinária para discutir o recente caos gerado pelos exilados do Cesto. O clima era carregado de murmúrios, mas logo o presidente do parlamento, um homem da família Oliver, fez um gesto enérgico para silenciar todos.
"Com todos presentes", ele começou, a voz reverberando pelo salão, "é imperativo que cheguemos a uma resolução sobre o recente ataque ao Domo e a invasão da nossa segurança por aqueles do Cesto."
Marcus Walters, de expressão grave, levantou-se de seu assento. Ele era um dos poucos que ainda acreditavam na manutenção do status quo. "Esses... invasores", ele disse, a palavra saindo de seus lábios com desdém, "não são mais do que uma prova viva de nossa necessidade de segurança ainda mais rigorosa. Como o parlamento pode justificar a existência de tal falha? Não apenas invadiram nossas fronteiras, mas ousaram revelar a verdade sobre o mundo exterior."
Lucia Walters, que o acompanhava com um olhar calculador, assentiu, concordando com o irmão. "O sistema do Domo foi construído sobre uma base de certezas. O que eles trouxeram foi um veneno que ameaça tudo o que construímos. Como podemos, com boa consciência, permitir que eles permaneçam em nossas terras? Devem ser expulsos. Devemos manter a ordem."
Dalila Stewart, sentada em uma posição mais discreta entre os membros da família real, não hesitou em se levantar. Seus olhos, já endurecidos pela experiência de tantos anos dentro do Casulo, agora refletiam uma inquietação que poucos conseguiam perceber. Ela interveio com uma calma calculada. "Não podemos apenas desconsiderar a gravidade da situação. Eles não são nossos inimigos, mas vítimas do sistema que todos nós defendemos. Se não começarmos a questionar o que realmente aconteceu do lado de fora, se não entendermos a verdade, como poderemos continuar governando com a legitimidade que sempre tivemos?"
A sala caiu em um silêncio profundo, as palavras de Dalila reverberando no ar como uma semente lançada ao vento. Ela sabia que sua posição era arriscada, mas sua lealdade ao Domo nunca fora inquestionável, apenas à verdade. Os olhares de outros parlamentares eram mistos: alguns perplexos, outros visivelmente desconfortáveis, mas ninguém ousou interromper.
Dalila continuou, mais firme agora. "Excluí-los pode ser a solução fácil. Mas o que isso diz sobre nós? Não podemos mais ignorar que as mentiras que sustentaram o Domo por tanto tempo estão começando a desmoronar. A população já sabe da existência do mundo exterior, a notícia se espalhou. Continuar com a negação só nos levará a mais desordem."
O presidente do parlamento, sem saber como reagir, se antecipou para tomar o controle. "A situação é grave, mas a solução não é abrir caminho para mais incertezas. Devemos manter a unidade do Domo. Precisamos proteger a segurança da população."
Dalila olhou fixamente para ele, com um olhar que transmitia a angústia e a determinação de quem compreendia as consequências de uma verdade sufocada. "A unidade do Domo? Não será uma unidade por muito tempo, se continuarmos a construir nossas paredes mais altas. Estamos abafando a verdade, mas ela vai encontrar uma saída. Se não a enfrentarmos agora, será tarde demais."
A resposta veio rapidamente de Allison Stewart, a monarca, sua presença imponente dominando a sala. Ela se levantou, os olhos afiados como facas, e sua voz ressoou como uma ordem militar. "Você fala de desordem, Dalila? Esse é o preço da verdade? A população precisa de segurança, de controle, de um futuro claro. Não estamos em posição de permitir mais incertezas. A ordem que temos agora é mais importante do que nunca."
Mas Dalila não se intimidou. "A ordem que temos agora é uma ilusão. Estamos construindo nossas paredes cada vez mais altas, mas elas estão prestes a desmoronar. Se não lidarmos com isso agora, nossa estabilidade será apenas mais uma mentira que vamos ter que esconder."
O debate continuou acirrado, mas Dalila sabia que algo havia mudado. A tensão entre os parlamentares era palpável, com as palavras de Dalila desafiando os fundamentos do sistema como ele existia até então.
O presidente do parlamento, após longos minutos de debate, tentou encerrar a sessão com uma solução rápida. "Vamos colocar a questão em votação. A proposta de expulsar os invasores será votada primeiro. Depois, discutiremos as consequências para o futuro do Domo."
No entanto, a proposta de Dalila de investigar o que realmente havia acontecido do lado de fora, de abrir uma investigação mais profunda sobre as verdades ocultas, ainda estava no ar, não completamente abandonada. Ela sabia que, mesmo que sua posição não fosse a maioria, algo havia se movido naquela sala. A verdade já começara a lançar sombras onde antes havia certeza. E, ao contrário do que muitos pensavam, Dalila estava decidida a continuar sua busca, custasse o que custasse.
A votação foi marcada, mas a batalha interna no parlamento estava longe de ser resolvida. O Domo, uma estrutura de poder que parecia invencível, começava a mostrar rachaduras que ninguém poderia ignorar.
A resistência, agora mais organizada, se fortalecia. Cada nova criança enviada ao Cesto representava não apenas a continuidade de uma mentira, mas um passo mais perto da destruição do ciclo que sustentava o Domo.
June entrou na sala com os olhos queimando de frustração, a sensação de estar vivendo em dois mundos opostos a corroendo por dentro. Seus pais estavam lá, como sempre, sentados, trabalhando na política do Domo. Mas a diferença daquela vez era clara: eles sabiam o que ela estava fazendo, e ela sabia o que eles estavam fazendo. A casa, que deveria ser um refúgio, se transformara na sede secreta dos encontros da resistência.
Ela ficou em pé, parada, esperando que fosse a hora de falar, de finalmente deixar as palavras saírem. Lucia foi a primeira a olhar para ela, um leve sorriso se formando, mas não disfarçando a tensão nos olhos. Marcus, por sua vez, não levantou os olhos da tela. Ele já sabia.
"Sério que vocês estão me pedindo para fingir que não vejo o que está acontecendo? O que foi aquela votação? Como puderam apoiar isso?"
Lucia, que já estava acostumada com os questionamentos da filha, pousou os óculos e virou-se para ela, a voz mais suave, mas ainda cheia de preocupação e tentando manter a calma disse:
"June, você sabe como as coisas funcionam aqui dentro. Se não jogarmos o jogo, perdemos. Nossos votos não fazem diferença, e você sabe disso. Estamos apenas tentando manter as aparências enquanto... bem, enquanto tudo isso não desmorona."
Marcus a interrompeu com uma rispidez que não era natural a sua personalidade "Não é sobre votar ou não votar, June. Nós estamos tentando preservar a segurança de todos, inclusive a sua. Sabemos que você faz parte da resistência, sabemos que usa esta casa, mas tem que entender... cada movimento nosso tem consequências. O Domo está de olho, o parlamento está de olho. Você acha que podemos agir como se não houvesse uma guerra acontecendo? Que tipo de 'resistência' seria essa se todos morressem sem antes tentar sobreviver? Não é assim que funciona."
June sentiu o coração acelerar. O tom de seu pai, aquela mistura de pragmatismo com uma ameaça velada, a fazia sentir que sua luta pessoal não cabia mais dentro das paredes daquelas quatro paredes. Era como se eles já tivessem se rendido à ideia de que a resistência não passava de um jogo sujo, um risco sem recompensa.
"Então, é isso? Nos esconderemos atrás de 'manter as aparências' enquanto o Domo tortura e mata pessoas? E vocês acham que isso vai proteger a gente? Não vejo o futuro sendo mais seguro, apenas mais sombrio. Eu já não aguento mais ver tudo o que está acontecendo e fazer parte disso. E não, não estou falando de um voto no parlamento. Estou falando de uma decisão maior, sobre como agimos aqui dentro, como usamos o nosso poder." June se sentia extremamente frustrada com tudo aquilo, com o manter as aparências.
“June, eu acho que você não está frustrada com a gente, mas sim por ter confiado em Andreas...” o pensamento da sua mãe a invadiu com tanta força que a fez refletir “não é porque ele acabou manipulando vocês que eu e seu pai faremos o mesmo, estamos do mesmo lado”
Marcus virou-se para ela finalmente, com os olhos fixos, mas havia algo de calculado em seu olhar. Ele sabia o quanto ela estava frustrada, mas também sabia que ele precisava ser firme. Não era mais uma questão de ideologia, mas de sobrevivência.
"Você não entende, June. Esta casa, as reuniões que você faz com eles... Nós sabemos que estamos jogando um jogo arriscado. Não queremos que você pague o preço por ele. Não podemos simplesmente entrar em uma guerra aberta contra o Domo ou o parlamento. Você acha que podemos dar um passo em falso, quando tudo o que temos é o que conseguimos manter em segredo? Estamos tentando proteger você. Você tem noção de como seria fácil perder tudo, até mesmo sua vida, se alguém souber que você é parte disso?"
"O que nós fazemos aqui não é sobre aceitar ou ceder, June. É sobre garantir que tenhamos uma chance de sobreviver. Não queremos que você perca tudo por um impulso. Sei que você está cansada, mas essa luta... não é uma luta que podemos ganhar da maneira que você quer." Lucia completou em sua mente “Você é nosso maior tesouro e nos arrependemos muito de tudo que o domo fez e da participação que tivemos nisso, mas se perdermos você, pouco me importará o destino do Domo. Teremos perdido tudo”
June sentiu que estava diante de um abismo. Seus pais, que sempre foram seus pilares, agora estavam cegos pela lógica de sobrevivência, prontos para renunciar a tudo o que ela acreditava para proteger uma casa que, para ela, já estava caída.
"É isso então? Temos que viver em silêncio enquanto o mundo todo desaba? Quando é que vão perceber que não podemos mais nos esconder? O que estamos fazendo aqui, no fundo, é apenas garantir nossa própria sobrevivência às custas dos outros. Não é mais uma questão de escolha, é uma questão de vergonha." June estava amargurada, mesmo assim entendia os lados.
Havia um silêncio pesado na sala. Lucia não sabia o que responder, enquanto Marcus parecia refletir profundamente sobre as palavras de June. Mas o silêncio de ambos dizia tudo. Eles estavam em uma posição em que a luta parecia inútil, onde a própria resistência parecia uma utopia distante.
"O que você não está entendendo é que não podemos lutar sem garantir nossa própria base. Não podemos entrar em uma guerra sem estar prontos. O que estamos fazendo, mesmo que pareça errado aos seus olhos, é jogar o jogo da melhor maneira possível para todos nós. Não estamos nos escondendo porque queremos, June. Estamos fazendo isso porque é o único caminho." June assentiu, ela sabia que seu pai estava certo, mas não deixava de ser desconfortável para ela.
“Vocês estão indo bem, conseguiram derrubar o aproveitador do Andreas e agora com a mídia apoiando, mesmo sem eles saberem, já temos mais do que tínhamos antes. Uma revolução não surge do nada. Esse império se criou há mais de 100 anos, não vai ser fácil derrubá-lo” os pensamentos da sua mãe sempre era a voz da razão na cabeça dela.
“Filha, isso não é uma corrida, é uma maratona” seu pai também estava certo e isso a incomodava.
“Continue mantendo a chama da revolução acesa e nos atuaremos com nossos papéis, até que seja possível que outras famílias mudem junto conosco. No momento continuamos sendo minoria. Os conservadores são maioria avassaladora no Parlamento, temos a parcela dos que não se importam, nos tentamos jogar no meio do caminho. Não podemos radicalizar agora.” Sua mãe colocou a mão no seu rosto “meu bebê, você consegue entender o nosso lado? A gente te apoia, mas precisamos manter todos a salvo até que seja o momento”
“Vocês já têm algo em mente?” perguntou seu pai e referindo ao grupo.
“Não, acho que todos ainda estamos nos recuperando da invasão da comunidade do cesto”
“Você confia em todos, Ju?” Sua mãe perguntou olhando bem no fundo dos olhos de June.
“Tem minhas dúvidas com relação ao Ethan, eu acredito que ele seja fiel a resistência, mas acho que ele quer vingança... ele perdeu tudo, eu entendo o sentimento, mas não sei até onde essa vingança pode atrapalhar nosso planos”
“Na próxima reunião, espere para que a gente esteja em casa, vou prestar atenção nele, quem sabe consigo ver algo num futuro próximo que possa nos dar alguma resposta. E seu pai pode analisar se alguém do grupo pode ser uma ameaça. Nossos três sentidos juntos, podemos descobrir mais... não estamos trabalhando muito em sintonia. Mas vamos precisar.”
“Mas você não enxerga a longo prazo, mãe.”
“Mas a curto prazo já é uma boa noção, muita coisa pode mudar em alguns dias, eu prefiro ver claramente alguns dias a frente do que está completamente as cegas e seu pai sabe identificar quem fingi ser o que não é...”
“O Alex te fato é frágil apesar de não ter a menor noção do tamanho do poder, a Maddox tá sempre pronta para acalmar o universo se for necessário. Dalila, ela finge ser mais poderosa do que, Maddy é sensível demais, mas enxerga bem os outros... ela também tem um pé atrás com relação ao Ethan... já ele... é uma grande incógnita para mim... Como se ele soubesse o que sentir e quando sentir... ele é manipulador, cuidado”
“Temos uma telepata, uma clarividente e um rastreador de mentiras... Somos uma time incrível, só não estamos usando o nosso potencial. Mas esse erro será consertado. Eles sabem dos poderes meu e do seu pai?”
“Não, nunca revelaria algo. Maddox pode saber algo, mas por conta do controle dela de emoções e sentimentos, mas de resto não...”
“O que foi filha?” perguntou Marcus percebendo que havia algo errado
“Ethan trabalha com dados de defesa para o governo, ele pode ter acesso a isso” June não conseguia pensar que ela poderia ter se deixado manipular... por que agora algo a preocupava sobre ele... “Conseguem descobrir algo sobre ele?”
“Posso tentar, algo específico?” seu pai perguntou prestando atenção na reação dela.
“Sobre a família dele, o que aconteceu com eles. Quero saber se ele me contou a verdade ou manipulou os próprios pensamentos... porque foi ai que comecei a confiar nele. Se isso for mentira, eu preciso saber.”
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