O Último Caçador
13 Capítulo 12
A noite se abateu sobre a cratera como um manto pesado, sufocante, sem concessões. A escuridão parecia mais espessa ali dentro, como se o ar tivesse sido tingido de breu. Lá fora, a floresta se retorcia em sombras vivas, cada tronco curvado assumindo formas que pareciam observar o abrigo com olhos invisíveis. O céu, que em outros lugares poderia oferecer algum alívio, estava completamente velado por uma massa uniforme de folhas imensas. Nem estrelas, nem lua. Apenas um teto opaco e indiferente.
O ar, frio e úmido, pesava nos pulmões. Tinha a consistência quase sólida da umidade que nunca se dispersava, como se alguém pudesse cortá-la com uma faca. E junto com esse peso, havia o cheiro insistente da floresta úmida: folhagem apodrecida, terra molhada, e, de tempos em tempos, uma nota acre, como carne estragada que alguém tivesse deixado escondida entre as raízes. O odor vinha em ondas, ora forte, ora quase imperceptível, mas nunca desaparecia por completo.
Dentro do abrigo improvisado — um amontoado irregular de chapas metálicas, tábuas mal pregadas e lonas rasgadas — o silêncio era quase tão incômodo quanto a noite lá fora. As chapas rangiam em protesto sempre que uma brisa mais forte se insinuava entre as árvores, e cada som era amplificado pelo nervosismo crescente dos homens em vigília.
Eric, Batista e Levi estavam posicionados como sentinelas improvisadas, cada um com um fuzil em mãos. Os canos reluziam fracamente na penumbra, e os dedos que os seguravam estavam tensos demais, as juntas embranquecidas pela pressão. Nenhum deles ousava relaxar. Pela primeira vez desde que haviam descido à cratera, parecia haver uma unanimidade silenciosa entre eles: estavam cercados. Por algo maior, mais antigo, mais paciente. Algo que não só os observava, mas que, a qualquer momento, poderia avançar para recolher o tributo de sangue que a floresta parecia exigir.
Eric mantinha os olhos grudados nas frestas irregulares das chapas. Lá fora, o mundo se reduzia a um mar de sombras sobrepostas, recortadas em silhuetas distorcidas de árvores titânicas. Ele piscava pouco, receoso de perder qualquer detalhe, e, ainda assim, jurava ver movimentos fugidios. Às vezes, um vulto largo cruzando entre dois troncos. Outras, a impressão incômoda de que a própria floresta o fitava de volta, imóvel, paciente. Seu estômago embrulhava, os ombros duros como pedra, e o suor frio escorria em filetes pela espinha, colando a camisa ao corpo.
O silêncio, antes apenas desconfortável, tornava-se agora insuportável. Até que Levi, a voz baixa e rouca, o quebrou com uma frase que soou quase como uma sentença:
— Está tudo calmo demais.
As palavras pairaram no ar como fumaça venenosa. Eric e Batista ergueram os olhos para ele imediatamente, como se o simples ato de nomear o silêncio fosse perigoso. Levi engoliu em seco, varrendo a escuridão com o olhar nervoso.
— Ouviram? — Continuou, a voz falhando — Nada. Nem grilos, nem corujas... nada.
Batista ajeitou o fuzil no ombro, mas seus olhos duros denunciaram a apreensão.
— Você tem razão. A essa hora, a mata devia estar viva. Devia estar cheia de som. — Fez uma pausa, a respiração pesada — O silêncio nunca é um bom sinal.
Eric assentiu, embora sua boca estivesse seca demais para falar. Quando finalmente conseguiu, sua voz soou mais rouca que o normal.
— Quando o topo da cadeia alimentar aparece, todo o resto se cala. É assim que a vida sobrevive: ficando quieta. O problema é que nós não somos pequenos o suficiente pra passar despercebidos.
Levi girou o rosto para encará-lo, os olhos arregalados pela tensão.
— Você já viu algo assim antes?
Eric demorou um instante, como se estivesse pesando cada palavra.
— Pessoalmente, não. — Deixou escapar, quase num sussurro — Mas o silêncio da natureza diante de grandes predadores é comum. Nem um grilo ousa cricrilar na savana quando um leão está por perto. É como se o mundo prendesse a respiração... até que seja tarde demais.
Batista franziu o cenho, mas não respondeu. Estava ouvindo. Estava sempre ouvindo.
Foi nesse momento que uma nova rajada de vento soprou por entre as árvores. O abrigo inteiro estremeceu com um gemido metálico, e, junto com o ar frio, veio o cheiro. Não era o odor comum da floresta úmida, nem mesmo o cheiro da terra revolvida. Era rançoso, quase azedo, e se impunha como algo vivo. Um cheiro de carne podre misturado com ferro oxidado. Eric o sentiu primeiro, respirando fundo contra a própria vontade. O gosto amargo se espalhou em sua língua, descendo pela garganta. Ele engoliu em seco, o estômago revolto, e prendeu o fôlego por alguns segundos para afastar o pânico.
— Sentiram isso? — Sua voz soou trêmula.
Batista apenas fez que sim, um movimento quase imperceptível. Levi fechou os olhos por um instante, como se esperasse que, ao abrir de novo, tudo tivesse voltado ao normal. Não voltou.
Eric falou mais baixo, mas sua determinação era clara:
— Devíamos acender alguma coisa. Luz, fogo... qualquer coisa. Eles parecem temer o fogo.
Levi ergueu as sobrancelhas, cético, mas havia uma fagulha de esperança em seu olhar.
— Não tentamos isso ainda.
Batista, ainda de olhos fixos na escuridão, avaliou o interior do abrigo. No canto, havia um monte desordenado de galhos secos, gravetos e pedaços de pano encardido.
— Podemos improvisar tochas. — Disse, sem desviar o olhar da floresta — Mas se não funcionar... só vamos mostrar onde estamos. Vamos iluminar a presa.
Eric virou-se para ele, a voz firme, surpreendendo até a si mesmo:
— Prefiro ver o que vai me matar do que morrer no escuro.
O silêncio que se seguiu foi mais denso que o anterior. Levi finalmente assentiu, resignado, e se moveu em direção ao canto do abrigo. Pegou alguns galhos grossos, rasgou tiras dos tecidos sujos e começou a enrolá-los nas pontas com mãos rápidas, mas trêmulas.
O cheiro de óleo de lampião impregnava o ar — eles haviam derramado um pouco mais cedo, tentando reacender a chama fraca da lamparina que agora jazia morta no chão. Levi mergulhou as tiras de tecido nesse óleo, encharcando-as. Seus dedos ficaram melados, escorregadios, mas ele não se importou.
Puxou o isqueiro do bolso. Por um instante, hesitou, como se acender aquela chama fosse um limite invisível, um chamado para aquilo que se escondia na escuridão. Mas apertou o botão. A faísca surgiu com um estalo, depois a chama tímida. Aproximou-a da ponta da tocha.
O tecido encharcado pegou fogo imediatamente com um estalo seco, e a chama se ergueu trêmula, amarelada e instável. A luz dançava pelas paredes metálicas do abrigo, projetando sombras alongadas e grotescas. O calor da chama parecia mínimo, mas naquele instante foi como se todos respirassem de novo.
Eric observou a tocha com uma mistura de fascínio e terror. Sabia que aquela luz podia atrair o que quer que estivesse lá fora, mas também oferecia a única sensação de controle que lhes restava. Batista aproximou-se, pegou a segunda tocha improvisada e a acendeu também. Em poucos minutos, havia três pontos de fogo espalhando claridade instável pelo abrigo, afastando um pouco da escuridão sufocante.
Mas a floresta não reagiu como deveriam esperar. Não houve gritos de aves, nem fuga de pequenos animais, nem movimento abrupto. O silêncio continuava absoluto, como se a própria natureza aguardasse para ver o que aconteceria a seguir.
Levi se aproximou de uma das frestas e ergueu a tocha para fora. A luz alcançou alguns metros além da parede de metal, iluminando troncos grossos e raízes que pareciam se contorcer no chão. Nada. Só a mata imóvel.
Mas foi então que Eric sentiu: uma vibração suave, quase imperceptível, subindo do solo até seus pés. Um tremor leve, rítmico, como se a terra tivesse começado a respirar. Ele não disse nada a princípio. Apenas olhou para Batista, e o soldado já estava com os olhos arregalados, porque também havia sentido. Levi afastou a tocha, olhando para os dois, sem entender.
— O que foi? — Perguntou, a voz mais baixa do que nunca.
Ninguém respondeu.
O fogo estalou de repente, um estalo seco que os fez saltar de susto. A sombra projetada contra a parede pareceu se mover por conta própria, e, por um instante, Eric jurou ver a silhueta de algo curvado, enorme, parado bem atrás dele. Quando se virou, era apenas a parede irregular. Mas o coração martelava no peito, acelerado demais. Levi largou a tocha contra a parede, os dedos tremendo tanto que quase a deixou cair.
O cheiro rançoso voltou, mais forte, misturado agora a um odor metálico, quase ferroso, como sangue. E então, do lado de fora, algo se partiu. Um galho seco, estalando como um osso quebrado.
Foi no instante seguinte que ouviram o primeiro baque.
Um impacto surdo, seco, contra a lateral do abrigo. As chapas metálicas vibraram como se fossem ossos trincando sob pressão. O som ecoou para dentro, longo, arranhando os nervos de todos. Eric sentiu o estômago despencar, e sua respiração acelerou de imediato. Levi virou a cabeça para o lado do barulho, arregalando os olhos, as pupilas refletindo a chama da tocha que ele segurava.
— Porra... isso foi… — Começou, mas não terminou.
Outro estrondo. Agora no teto. O barulho foi diferente, como garras arrastando pelo metal. Depois, o ruído se transformou em um deslizar pesado, como algo enorme testando o peso da estrutura. Eric instintivamente ergueu o fuzil, girando em direção ao som. Seu coração martelava tão alto que ele mal escutava os outros respirarem.
Do outro lado, Daniel acordou num sobressalto, os olhos ainda turvos de sono. Ele se ergueu de repente, a mão indo ao fuzil que descansava contra a parede.
— O que foi isso? — A voz dele estava rouca, tensa.
Eric não desviou o olhar do teto, cada músculo do corpo rígido.
— Eles estão aqui. — A frase saiu quase num sussurro, mas todos ouviram.
Então o ar se encheu de um som gutural, um urro grave, desumano. Era como o som de uma trombeta feita de ossos, tocada pelas entranhas da terra. O rugido atravessou as paredes de metal, atravessou seus corpos, reverberando nos ossos. Lucas se levantou de um salto, as pernas trêmulas, o rosto pálido.
— Deus do céu... isso não é desse mundo... — Murmurou, as palavras mal saindo.
Do lado de fora, passos pesados começaram a circular o abrigo. Cada passo fazia a terra vibrar, folhas esmagadas, galhos se partindo. O círculo se estreitava. Então vieram os arranhões: primeiro leves, quase tímidos, depois mais fortes, incisivos, como se testassem a resistência da casca metálica.
Levi ergueu mais alto a tocha, a luz oscilando nos cantos do abrigo. Sua voz saiu trêmula, mas firme:
— Estão rondando lá fora. Muitos deles.
Batista se posicionou de lado, fuzil apoiado no ombro. Seu rosto estava imóvel, mas o cano da arma tremia.
— Preparem-se.
Eric respirou fundo, tentando pensar apesar do medo que lhe queimava o peito. Virou-se para Daniel, as palavras rápidas, quase atropeladas:
— Enquanto o abrigo resistir, temos chance. Se entrarem... corremos pro outro galpão. Lorenzo disse que a porta estava quebrada, mas ainda é alguma proteção.
Lucas girou o rosto em direção a eles, engolindo em seco.
— E se eles estiverem lá também?
— Então pelo menos tentamos algo! — Rebateu Eric, os olhos faiscando.
Outro impacto. Desta vez, brutal. Uma chapa do teto entortou para dentro com um estalo. Poeira caiu em nuvens, revelada por um feixe de luar que penetrou a fenda. As partículas brilhavam como cinzas suspensas no ar, flutuando devagar. Logo em seguida, veio o som horrível: garras raspando contra o metal, longas, persistentes, um arranhar que parecia querer entrar não só no abrigo, mas nas cabeças deles.
Um novo rugido explodiu, tão próximo que parecia vibrar dentro das suas costelas.
Daniel correu até a pilha de gravetos, suas mãos ágeis apesar do pânico.
— Vamos precisar disso. — Disse, acendendo uma nova tocha improvisada — Se tiverem medo do fogo, talvez possamos empurrá-los de volta.
Mas não houve tempo de testar a teoria.
Um estalo ensurdecedor sacudiu o abrigo: uma chapa inteira foi arrancada da parede lateral. O metal voou para dentro como uma lâmina lançada. O clarão da lua invadiu o abrigo, revelando por um segundo os rostos petrificados de todos. Então algo atravessou a abertura: um pescoço comprido, coberto de escamas escuras como ferro queimado, seguido de uma cabeça comprida, os olhos brilhando como carvões vivos.
Foi rápido. Demasiado rápido.
O doutor Barbosa, encolhido contra a parede, gritou. Tentou rastejar, mas o dinossauro avançou como uma sombra viva. Conseguiu enfiar até os ombros pela abertura, mas ficou preso pela anca. Mesmo assim, foi o suficiente para conseguir fechar as mandíbulas serrilhadas sobre a perna do médico. O som foi o de carne sendo rasgada por facas. Barbosa tentou se agarrar ao chão, suas unhas riscando o madeirame, deixando sulcos de sangue.
— Segura! — Gritou Daniel, mas era inútil.
Com uma força brutal, o bicho puxou-o para fora. O grito de Barbosa ecoou, transformando-se em guincho estridente. Depois, um estalo seco: ossos quebrando. Seguido do som úmido, nojento, de carne sendo mastigada. O silêncio que se seguiu foi ainda pior.
Batista e Lorenzo correram até a chapa caída, tentando forçar de volta no lugar. Outro dinossauro do lado de fora bateu contra o metal, fazendo-o ranger. Levi se atirou contra a abertura, as costas arqueadas, empurrando com toda força.
— Não vai aguentar! — Gritou Eric, sua voz falhando — Temos que sair daqui!
Daniel lançou a tocha em direção a Levi.
— Queima o capim lá fora se precisar! O fogo é nossa única chance!
Um novo baque sacudiu o teto. Uma viga cedeu, desabando em meio a estalos e rangidos. Poeira, pedaços de madeira e metal despencaram. A sombra colossal de outro predador cruzou acima, suas garras deslizando pelo telhado como lâminas.
Eric não pensou. Virou-se para a porta.
— Vão! Todo mundo pro outro galpão, agora!
Lorenzo foi o primeiro, correndo até a porta e abrindo-a de um tranco. Desapareceu na escuridão sem olhar para trás. Levi seguiu, empurrando Lucas junto. Bernardo disparou dois tiros para a escuridão antes de correr, o eco das balas abafado pelos rugidos.
Eric hesitou. Seus olhos ainda estavam presos ao clarão de sangue que manchava o chão onde Barbosa estivera. Foi Daniel quem o puxou pelo braço, quase arrastando-o. Do lado de fora, o ar frio os cortou como lâminas. A lua banhava o acampamento em uma luz leitosa, criando sombras distorcidas e longas como espectros.
O som que se seguiu foi pior que qualquer visão: um baque pesado atrás deles, como algo saltando do telhado, seguido por um grito humano que rasgou a noite. Eric virou-se no reflexo e viu Batista no chão. O anhangaúna estava sobre ele, dentes cravados em seu ombro. O estalo molhado ecoou pelo campo, seguido de sacudidas violentas. O corpo do soldado parecia um boneco, arremessado de um lado para o outro.
— Batista! — Gritou Daniel, mas a voz dele foi engolida pelos rugidos.
Bernardo ergueu a pistola e atirou, seus disparos faiscando contra as escamas grossas. Mas o dinossauro não recuou. Só soltou Batista quando outro da mesma espécie avançou, e os dois começaram a disputar o corpo ainda quente.
Eric, desesperado, agarrou a tocha de Levi e a lançou contra os monstros. O fogo explodiu sobre o capim encharcado de óleo velho, espalhando labaredas. O clarão iluminou os predadores: bocas abertas, dentes reluzindo. Um deles recuou, guinchando, o pescoço sacudido em fúria. O outro soltou Batista, que já não era mais do que carne dilacerada, e desapareceu entre as árvores.
— Vai, vai vai! — Berrou Daniel, empurrando Eric em direção ao galpão.
Eles correram. As pernas de Eric pareciam de chumbo, mas o terror as movia. O galpão surgiu à frente, a porta escancarada como uma boca negra. Levi e Bernardo foram os primeiros a entrar, puxando Lucas e Lorenzo consigo.
Eric e Daniel chegaram por último. Empurraram um armário pesado contra a entrada, a madeira rangendo sob o esforço. Levi chutou uma mesa até ela tombar diante da porta, formando uma barricada improvisada.
Do lado de fora, o mundo parecia estremecer. Passos pesados, rugidos graves, respirações profundas que se misturavam ao crepitar do fogo. O cheiro do sangue de Batista estava por toda parte, adocicado, nauseante. E, por cima dele, o cheiro de capim queimando, fumaça subindo e tingindo o ar de vermelho.
Levi encostou-se na barricada, ofegante, a pele brilhando de suor.
— Isso deve segurá-los por um tempo... — Murmurou, sem acreditar muito no que dizia.
Daniel permaneceu de pé, os olhos fixos nas frestas do galpão. O fogo lá fora lançava sombras dançantes que pareciam vivas, ora se afastando, ora se aproximando das paredes.
Ele se voltou para Eric, que respirava com dificuldade num canto, ainda trêmulo.
— Não temos mais tempo — Disse, firme, mas em voz baixa para não abalar ainda mais o grupo — Eles estão ficando ousados demais.
Eric ergueu o rosto, as pupilas dilatadas pelo medo.
— O fogo não vai afastá-los para sempre... já não têm medo de chegar perto. — Engoliu em seco, os dedos apertando o diário contra o peito — Estão aprendendo.
Daniel assentiu, o maxilar travado.
— Então precisamos sair daqui antes que aprendam de vez.
Lorenzo, encolhido num canto, balançou a cabeça devagar, a expressão vazia.
— Não estamos lutando contra animais. Estamos tentando sobreviver a algo que nunca foi feito para coexistir conosco.
Ninguém respondeu de imediato. Todos sabiam que era verdade. O abrigo, o fogo, as armas... nada daquilo passava de medidas temporárias. O que rondava lá fora era maior do que sua coragem, maior do que seu instinto de luta.
Daniel ajeitou a arma no colo e olhou para os rostos exaustos ao redor.
— Se ficarmos, vamos acabar como o Barbosa. Um por um.
Eric fechou os olhos por um instante, ouvindo ainda o eco dos gritos do doutor na própria mente. Quando os abriu, havia uma determinação sombria em seu olhar.
— Não resta dúvida. Ou saímos daqui logo... ou essa cratera vai se tornar nosso túmulo.
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