O Último Caçador
11 Capítulo 10
Ninguém conseguiu dormir naquela noite. O som das fogueiras queimando parecia um relógio macabro, marcando o passar lento das horas na escuridão opressora. As chamas, que no início traziam uma sensação de segurança, logo se tornaram parte do tormento: cada estalo seco da madeira ao se partir soava como um osso quebrando; cada faísca que saltava no ar lembrava um olho brilhando na escuridão. O vento carregava o cheiro adocicado da floresta úmida, misturado à fumaça que ardia na garganta e fazia os olhos lacrimejarem. Nada disso, porém, era suficiente para mascarar a impressão de que havia algo ali, imóvel, escondido entre as sombras, só esperando o momento certo para se revelar.
De tempos em tempos, um som se erguia além da barreira das fogueiras: o farfalhar de folhas, o estalo distante de um galho sendo partido, ou o bater de asas pesadas de alguma criatura noturna. Cada ruído lançava um arrepio coletivo no grupo, obrigando-os a se entreolharem em silêncio, como se estivessem todos pensando a mesma coisa, mas ninguém ousasse dizer em voz alta: ele ainda está lá fora.
O soldado Batista, sempre metódico, havia redistribuído as armas dos companheiros mortos algumas horas antes. Entregou o fuzil de César a Eric e o de Leal a Daniel, dizendo apenas um seco:
— Melhor estarmos todos armados agora.
Ninguém respondeu, mas o gesto dizia tudo. Era a aceitação de que, a partir dali, cada um teria que lutar para sobreviver, mesmo aqueles que nunca haviam sequer desejado tocar em uma arma.
O peso frio do metal nas mãos de Daniel o fez sentir o estômago revirar. Ele passou os dedos sobre o corpo da arma, quase como se estivesse tocando em algo impuro. Não gostava de armas; sempre as associara a violência gratuita, à ruína que haviam testemunhado tantas vezes em conflitos humanos. Não havia entrado naquele projeto esperando precisar usá-las. Ele se via como arqueólogo, explorador de ruínas e histórias enterradas, não como um homem armado diante de monstros vivos. Mas, naquele lugar, cada convicção parecia se despedaçar uma a uma. O fuzil agora era tão parte da realidade quanto o fogo ou o próprio medo que lhes corroía os ossos.
Bernardo, por outro lado, parecia quase grato ao segurar a pistola que Batista lhe oferecera. Apertava o cabo com força, o dedo tateando o gatilho como se quisesse garantir a todo instante que aquilo era real e que, se o anhangaúna surgisse de repente, teria ao menos uma chance. Seus olhos ainda vermelhos e inchados — marcas visíveis de noites mal dormidas e da dor de ter perdido o amigo César — ardiam de um ódio tão profundo quanto o medo que tentava mascarar. Ele não era um homem violento, mas naquele instante parecia sustentado apenas por duas forças contraditórias: a necessidade de vingança e a impotência diante do desconhecido. Lucas, que o observava a certa distância, não conseguiu conter um olhar de pena misturado a preocupação. Sabia que Bernardo estava à beira do colapso, mas, ao mesmo tempo, talvez fosse justamente essa fúria que o manteria de pé.
Eric, por sua vez, se isolara em silêncio. Recuado perto de uma das fogueiras, o diário apoiado no joelho, escrevia e rabiscava sem parar. Seus movimentos eram rápidos, quase febris, como se tivesse medo de que cada detalhe escapasse da memória. Desenhava o anhangaúna repetidas vezes, variando ângulos, posições, detalhes anatômicos que se repetiam de forma obsessiva — a curvatura dos dentes afiados, o encaixe das garras que pareciam lâminas, o formato alongado do crânio com as órbitas fundas. Tudo que conseguia lembrar ia para o papel, como se o próprio ato de registrar fosse uma maneira de controlar o terror que sentia.
De vez em quando, Eric parava, fechava os olhos com força, o rosto contraído como quem lutava contra uma lembrança dolorosa. Sua respiração se acelerava, mas logo ele voltava a escrever, como se não pudesse dar espaço para o vazio. Seus dedos estavam manchados de grafite e suor, o caderno já sujo de marcas irregulares de mãos trêmulas.
Lucas observava a cena com o cenho franzido. Aproximou-se de Daniel e encostou-se no ombro do amigo, murmurando baixo, como se tivesse medo de quebrar o silêncio sufocante ao redor.
— Ele tá bem?
Daniel soltou o ar lentamente antes de responder, os olhos fixos em Eric.
— Tá... ou o mais bem que dá pra ficar aqui. — Suspirou — Ele tá processando. É a mente dele tentando colocar em ordem o impossível.
Lucas assentiu, embora o desconforto não o abandonasse. Levantou o olhar para o céu, mas a copa das árvores era tão fechada que quase nada deixava passar. Apenas alguns pontos de luz tímidos piscavam lá em cima, como se o próprio universo tivesse sido abafado pelo peso daquela floresta.
— Se a gente sobreviver, ele vai virar o cientista mais famoso do mundo, né? — Perguntou, num tom que misturava ironia e esperança.
Daniel permitiu-se um sorriso fraco.
— Vai. — Respondeu, olhando para o amigo com uma tentativa de descontração — E a gente vai estar nos livros de história. De novo. Não pela Cidade de Prata... mas pelos dinossauros.
Lucas riu baixo, mas o riso soou nervoso, quebrado.
— Argentopolis parece apenas um amontoado de tijolos perto disso aqui. — Ficou em silêncio por alguns segundos, a chama da fogueira refletida em seus olhos — Sabe... se a gente sair vivo, eu não me importo de ser só o assistente que carregava a mala do cara que descobriu um dinossauro vivo.
Daniel apertou o ombro dele, solidário, como quem tenta emprestar um pouco de força.
— Você vai ser muito mais que isso, Lucas. — Disse com firmeza — A gente vai sair daqui pra contar essa história, irmãozinho. Eu prometo.
Lucas respirou fundo, absorvendo aquelas palavras como se fossem uma âncora num mar revolto.
Enquanto isso, Batista permanecia em movimento constante, girando lentamente sobre os calcanhares, varrendo a mata com o fuzil colado ao peito. Seus olhos não piscavam por muito tempo, atentos a cada detalhe da escuridão. Ele era o único que transmitia a sensação de disciplina, mas até essa postura parecia prestes a se quebrar sob a pressão do medo.
Bernardo, por sua vez, não parava quieto. Andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, o rosto iluminado pelas chamas em expressões distorcidas de raiva e desespero. O barulho de seus passos nervosos no chão coberto de folhas secas incomodava, mas ninguém ousava pedir que parasse.
A noite avançava lenta, cruel, como se o tempo tivesse se distorcido dentro daquela cratera. Cada minuto arrastava-se como uma eternidade. A floresta ao redor parecia respirar com eles, viva, pulsante, esperando o momento certo para se fechar sobre o grupo.
Quando finalmente o primeiro feixe pálido do amanhecer riscou o horizonte, atravessando as copas e tingindo o ar de um cinza frio, todos respiraram com um alívio quase doentio. Era como se a simples luz do sol fosse um escudo contra o anhangaúna. Uma ilusão frágil, todos sabiam, mas ainda assim necessária. Durante alguns instantes, até os sons da floresta mudaram: os grilos e rãs noturnos se calaram, substituídos pelo canto tímido de aves invisíveis. A rotina do dia retornava, indiferente ao terror humano.
Mesmo assim, o medo não se dissipou. O amanhecer apenas lembrava ao grupo que precisavam se mover. Ficar ali seria suicídio.
Daniel foi o primeiro a se erguer, os músculos doloridos, as roupas úmidas de suor e fumaça. Olhou para cada um, avaliando o estado em que estavam. Ninguém havia dormido, e isso se refletia nos olhos fundos, no cansaço impregnado em cada gesto. Mas a decisão já estava tomada: partiriam rumo ao acampamento que haviam visto do avião.
O silêncio entre eles era pesado, mas carregava um acordo implícito: a noite passara, e agora tinham que enfrentar a próxima etapa.
—X—X—X—
— Só o que cabe nas mochilas — anunciou Batista, firme, ajudando Lucas a dobrar a lona que usavam de cobertura improvisada. Sua voz soou cortante, como se cada palavra fosse uma ordem militar inquestionável. — O resto fica. Precisamos estar leves.
Lucas engoliu em seco, as mãos trêmulas enquanto segurava a lona úmida de orvalho. O tecido cheirava a fumaça de fogueira e suor, impregnado com a noite maldormida que haviam acabado de atravessar. Ele olhou em volta, sentindo a estranha sensação de abandonar aquele espaço que, por mais assustador que fosse, havia sido o único abrigo que tiveram desde que a escuridão trouxera o predador para perto deles.
Daniel, de cócoras, checou o carregador do fuzil que agora parecia parte de si, mesmo que carregasse o peso da contradição. Passou a alça pela cabeça e ombro, ajustando-a no corpo. O metal gelado contra sua pele lhe dava calafrios. Ainda não conseguia aceitar a ideia de precisar de uma arma para sobreviver, mas, no fundo, entendia que qualquer hesitação podia custar sua vida e a dos outros. O coração disparava a cada vez que lembrava que não carregava aquilo por escolha, mas por necessidade.
Eric, por sua vez, guardou o diário dentro do casaco, pressionando-o contra o peito com o cuidado de quem protege um filho. O caderno estava amarrotado, com páginas manchadas de suor e grafite, mas para ele era mais do que papel e tinta: era um escudo invisível, um pedaço de ordem em meio ao caos. Apertando-o junto ao corpo, parecia acreditar que aquele registro poderia mantê-lo vivo, como se fosse de fato um colete à prova de balas.
Enquanto o grupo se preparava, um pequeno bando das aves cinzentas de cauda azul atravessou o acampamento, ciscaram o chão entre raízes expostas e depois desapareceram num salto brusco. Os animais eram nervosos, os olhos atentos a qualquer movimento. Logo em seguida, ouviram ao longe os granados característicos de outro bando, ecoando como uma gargalhada metálica através da floresta.
O paleontólogo quebrou o silêncio. Sua voz saiu baixa, quase reverente, mas havia nela um brilho de fascínio que destoava da tensão dos outros:
— Um dos fatores que permite a existência do anhangaúna é porque aqui tem alimento de sobra. Então essas aves que vemos por toda parte podem ser a chave.
Lucas ergueu o rosto, surpreso pelo comentário em um momento como aquele.
— Como assim?
Eric ergueu o queixo e apontou para um dos bandos que ainda ciscava próximo a uma raiz grossa, indiferente à presença humana.
— É um ecossistema fechado, Lucas. Isolado. — Seus olhos brilhavam apesar do cansaço, como os de um homem que enxergava uma verdade oculta no coração da selva — Essas aves são abundantes porque claramente são uma espécie prolífica que não tem predadores suficientes para controlar a população, exceto pelos anhangaúnas. Então eles se alimentam à vontade, crescem o máximo que o ambiente lhes permite. É por isso que podem chegar a três metros, três metros e meio, talvez até mais.
Daniel murmurou, completando a lógica com amargura:
— E por isso têm a coragem de nos caçar.
Eric assentiu, absorto.
— É um equilíbrio perfeito... pra eles. Nós somos o elemento estranho, a presa que não deveria existir aqui.
Bernardo, que até então permanecia em silêncio, lançou um olhar sombrio por cima do ombro, a pistola firme em suas mãos. Sua expressão era de pura raiva, o rosto ainda marcado pelo choro da noite anterior.
— Então ótimo, vamos logo pro acampamento dos filhos da puta que derrubaram meu avião. — Rosnou, cuspindo as palavras como veneno — Temos contas pra acertar.
E assim partiram.
A caminhada foi longa e penosa. O sol subia preguiçoso, mas sua luz não conseguia romper por completo a muralha verde que os envolvia. As copas das árvores gigantes filtravam o brilho até transformá-lo numa penumbra esverdeada, onde cada passo parecia um mergulho em um mundo estranho e hostil. O ar era pesado, saturado de umidade, como se respirassem através de um pano molhado. O suor escorria por suas têmporas, grudava as roupas ao corpo, colava poeira e folhas mortas na pele.
A trilha que seguiam não era um caminho de fato, mas o traçado incerto de um instinto coletivo. Daniel, com o mapa sempre em mãos, orientava-se por acidentes geográficos — uma elevação coberta de musgo aqui, um curso de água estreito ali —, mas a floresta parecia zombar de seus esforços, repetindo-se em padrões intermináveis. Tudo era igual: árvores colossais, raízes entrelaçadas formando arcos como portais naturais, cipós descendo como cortinas vivas.
O silêncio era quebrado por ruídos repentinos: um galho que se partia sob patas invisíveis, o bater frenético de asas de aves assustadas, ou o farfalhar de folhas ao longe. Cada som fazia o grupo parar em alerta, os dedos se apertando contra gatilhos, os olhos varrendo a escuridão entre os troncos. Bernardo, sempre no limite, apontava sua pistola para qualquer movimento, como se a qualquer instante fosse disparar contra a própria sombra. Batista mantinha-os em formação, falando baixo, quase em sussurros militares, para que ninguém se dispersasse.
As horas se arrastaram. As pernas latejavam, os ombros doíam com o peso das mochilas, e cada minuto parecia esticar-se numa eternidade. Até que, já no meio da tarde, algo diferente surgiu à frente.
A primeira coisa que notaram foi a presença de lonas rasgadas, presas em galhos e tremulando preguiçosamente com a brisa abafada. Depois, as pilhas de sucata começaram a se destacar: pedaços de geradores queimados, tambores virados e enferrujados, redes despencadas de estacas apodrecidas. O acampamento parecia mais um cemitério industrial do que um posto de trabalho humano.
No centro, duas construções improvisadas de chapa metálica erguiam-se, maltratadas pelo tempo e pelo abandono. Uma delas tinha a porta completamente arrancada, exibindo seu interior escuro como uma boca aberta. A outra permanecia semi-aberta, e foi dali que um homem surgiu.
Era alto, moreno, com barba cheia e desgrenhada, roupas amarrotadas e sujas. Seus olhos estavam fundos, cercados de olheiras roxas. Segurava um fuzil com naturalidade, os músculos tensos, como quem já não confiava em nada. Sua voz cortou o ar com violência:
— Parados aí! — Gritou, erguendo a arma.
O reflexo foi imediato. Batista e Eric levantaram seus fuzis em resposta, e o clima tornou-se tão pesado que parecia que o próprio ar se condensava entre eles, prestes a se partir.
— Não queremos briga! — Daniel gritou de volta, erguendo a mão livre enquanto mantinha seu fuzil apontado para o chão, numa tentativa desesperada de parecer menos ameaçador — Só queremos conversar!
Mas Bernardo não ouviu. Ou talvez tivesse ouvido, mas não quis entender. Seu corpo disparou para a frente, movido por uma fúria que o cegava. Avançou contra o homem armado, mesmo com o fuzil apontado para o peito, e tentou atingi-lo com socos.
— Desgraçado! Derrubou meu avião!
O homem arregalou os olhos, surpreso. Sua arma oscilou entre mirar e se defender. Estava dividido entre proteger-se dos golpes e não perder o controle do fuzil. Bernardo, porém, parecia indiferente ao risco de levar um tiro a queima-roupa.
— Ei, garoto, tá maluco? — O desconhecido perguntou, recuando, tropeçando para trás enquanto o piloto avançava com olhos injetados de ódio.
Daniel correu até eles, o coração na garganta, e segurou o piloto pelos braços com toda a força que tinha.
— Bernardo, para!
— Me solta, Daniel! — Rugiu, contorcendo-se como um animal ferido — Eu perdi tudo por causa desse desgraçado! Perdi meu avião, perdi o Pedro! Por causa dele!
Nesse instante, uma sombra de reconhecimento passou pelo rosto do homem. Ele arregalou ainda mais os olhos.
— Vocês estavam naquele Fokker? — Indagou, como se a ficha caísse de repente — Porra, o que vieram fazer aqui?
Daniel, suando, aproveitou a brecha para intervir.
— Somos uma equipe científica. — Sua voz tremia de nervos, mas saiu clara o suficiente — Estávamos em sobrevoo de reconhecimento quando vocês atiraram. Tivemos que fazer um pouso forçado no lago. Já perdemos metade da nossa equipe.
O homem voltou o olhar para Batista, desconfiado.
— O Exército está com vocês?
Eric deu um passo à frente, ainda mantendo a arma firme, mas com o rosto aberto num esforço de diplomacia.
— Não é bem assim. O Exército está aqui investigando os ataques que têm acontecido nesta região.
Por um momento, só se ouviu a respiração pesada de todos, misturada ao som abafado da floresta ao redor. O homem hesitou. Seu fuzil tremia levemente, oscilando entre apontar e abaixar. Depois respirou fundo e, finalmente, relaxou um pouco os braços. Não largou a arma, mas baixou o cano o suficiente para que o risco imediato diminuísse.
— Então vocês sabem... — Disse ele, a voz embargada — Vocês sabem dos bichos.
Eric e Daniel trocaram um olhar rápido, cúmplice, ambos compreendendo o peso daquela frase. Daniel foi o primeiro a responder, sua voz grave e contida:
— Sabemos. Já perdemos gente demais pra eles.
O homem olhou em volta, como se cada sombra entre as árvores pudesse esconder dentes e garras prontas para saltar. Baixou ainda mais o fuzil e fez um gesto com a cabeça, indicando a construção de chapa atrás de si.
— Entrem. Vocês parecem mais fodidos que nós.
A tensão ainda vibrava no ar quando começaram a seguir em fila, cruzando a área devastada do acampamento em direção à porta semi-aberta da construção metálica. Daniel atrasou o passo de Bernardo, segurando-lhe o braço por um instante antes de entrar.
— O que você fez lá atrás foi uma loucura, Bernardo. — Disse em voz baixa, firme, quase ríspida. — Você podia ter levado um tiro na cara. Podia ter acabado com todos nós.
Bernardo, ainda arfando, o encarou com os olhos vermelhos, cheios de raiva e mágoa.
— Você não entende, Daniel... Eu vi meu avião ir pro fundo do lago, vi o Pedro sumir junto com ele. — Ele tremia — Tudo por causa desse cara. Como é que você quer que eu fique calmo?
Daniel respirou fundo, lutando para não levantar ainda mais a voz.
— Eu entendo, sim. Mais do que você pensa. Mas agora não é sobre o seu avião, nem sobre vingança. É sobre a gente sair vivo daqui. Se você perder o controle de novo, não vai sobrar ninguém pra vingar.
Bernardo desviou o olhar, mordendo os lábios. Ficou em silêncio por alguns segundos, até que murmurou, engolindo seco:
— Eu só... eu só não consigo aceitar.
Daniel relaxou um pouco a mão no braço dele e assentiu.
— Eu sei. E você não precisa aceitar agora. Só precisa aguentar. Um passo de cada vez, certo?
Bernardo não respondeu, mas seus ombros cederam um pouco, como se o peso da fúria tivesse diminuído só o bastante para deixá-lo seguir em frente.
Então, em silêncio, entraram na construção. O interior era escuro e abafado, com o cheiro de óleo queimado, suor e medo impregnando cada canto das paredes metálicas. Lá dentro, encontraram dois outros homens armados, todos com o olhar de quem não dormia havia dias.
— Me chamo Levi. — Disse o primeiro, o que os abordara do lado de fora. Seu tom era grave, quase sem vida — E vocês estão no pior lugar do mundo. Parabéns.
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