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3 As Filhas De Afrodite São Melhores Que Eu / Clarisse
Notas iniciais
— É só isso que sabe fazer, Jackson? – provoquei.
Ele investia com a espada, mas eu desviava seus golpes, porém, era difícil derrubá-lo.
— Vamos Percy! – escutei Annabeth e Grover gritando.
— Você consegue Clarisse! – gritou Selena no meio dos meus irmãos, também filhos de Ares que também gritavam incentivos.
Então reparei que Chris não estava mais na arquibancada da arena, nem com o pessoal do chalé de Hermes, nem com meu pessoal de Ares.
Enquanto me distraí olhando ao redor devo ter abaixado a guarda e foi o suficiente para Percy dar uma investida e atirar minha espada longe.
— Seu idiota! – berrei. Eu ia dizer que não estava prestando atenção, mas não falei, ele ia ter o que merecia na hora certa. Percy seria sempre um idiota.
Ele recolheu minha espada e estendeu para mim. E ele ainda insistia em dar essas de heróizinho nobre. Peguei minha espada e o empurrei fazendo-o cair no chão. Escutei meus irmãos dando vivas e jorrando um monte de insultos para Percy quando ele caiu. Voltei para o chalé.
Quando entrei no chalé vi que Silena vinha correndo atrás de mim.
— Ei, Clary, não fica assim. – ela falou.
— Não estou assim. – retruquei fazendo ela rir.
— Você não gosta de perder para ninguém, muito menos para o Percy. – não pude evitar um sorriso, Silena me entendia como ninguém.
— Você não entende, eu não estava prestando atenção! – falei abanando as mãos no alto.
— Estava prestando atenção em que, então? – perguntou.
— Onde estava Chris?
Ela ficou pensativa por alguns minutos. Quando abriu a boca para falar eu a interrompi:
— Se você sabe de alguma coisa, fale.
— Eu não sei de nada, Clarisse. Juro. – mas eu não tinha engolido essa.
— Jure pelo Rio Estige. – pedi.
Então ela se levantou e saiu do chalé.
— Silena! – gritei, mas ela continuou caminhando. Corri atrás dela. – Silena! Você sabe por que Chris anda estranho, não? Você sabe por que ele fica me evitando. Você sabe! – puxei seu braço. Eu odiava brigar com ela, ser grossa ou machuca-la, mas eu queria saber.
— Eu não sei! Eu não sei! – ela se desencilhou da mão. – Clarisse, por favor.
— Por que você não quer me contar? É tão ruim assim? – perguntei.
— Eu não sei Clarisse! Eu não tenho certeza...
— Você só tem uma suspeita, é isso?
— É, isso. Eu vou ficar de olho, quando eu tiver certeza, eu conto pra você, ok?
— Por que não me conta agora e eu também fico de olho, hein?
— Quero ter certeza. Por favor, confie em mim. – pediu.
— Tudo bem. – e ela se foi para o chalé de Afrodite.
Pensei em falar com Chris, esclarecer as coisas. Eu não precisava envolver Silena nisso, é assunto meu e dele. Acho que isso é o certo a fazer.
Fui até o chalé de Afrodite falar com Silena, pedir a opinião dela.
— Por que está aqui? – se assustou. Raramente eu entrava no chalé da deusa do amor.
— Eu vim pedir a sua opinião. – expliquei. – Vou falar com Chris.
— Huum, legal.
— Você acha uma boa ideia?
— É, assim talvez vocês se entendam.
— Pois é.
— Mas... — ela começou a falar, mas se interrompeu.
— O que? – perguntei recuando para a porta. Se fosse o que eu estava pensando, eu sairia correndo antes que Silena fizesse qualquer movimento.
— Você não quer ficar bonita para falar com ele?
— Não! Você sabe que eu não gosto disso! Nem se me transformassem em pedra eu deixaria você me maquiar, Silena! – gritei já no arco da porta.
— Ah, vamos Clarisse! Não é nada exagerado! – implorou.
— Com licença? – pediu petulante uma menina querendo entrar no chalé. Era Drew, uma das garotas mais idiotas do chalé de Afrodite, e uma das mais inúteis do acampamento.
— Claro, princesinha do amor e da inutilidade. — murmurei e sai da porta, dando espaço para ela passar.
— Eu ouvi. – disse enquanto caminhava para uma penteadeira.
— Que bom. – respondi dando um sorriso forçado antes de ela pôr os fones de ouvido e escolher uma música no ipod.
— Chega Clarisse. – pediu Silena.
— Vou lá falar com Chris. – anunciei.
Notei que Drew fez uma menção ao escutar o nome de Chris, percebi que ela podia não estar escutando música e sim escutando nossa conversa.
— Espera! – disse Silena. – Você não vai sair assim vai?
Olhei para as minhas roupas e percebi que ainda estava de armadura e com a espada na mão. Drew soltou uma risadinha e eu confirmei que ela não estava escutando música nenhuma.
— Vem, vamos para o seu chalé. – chamou Silena me puxando pelo braço.
Quando saímos, comentei:
— Odeio aquela garota.
— Percebi.
Caminhamos em silêncio até o chalé de Ares e notei que já havia anoitecido. Daqui a pouco chamariam para o jantar no refeitório.
— Quero ver suas roupas. — pediu Silena.
— Silena, eu vou e volto rapidinho, já vão chamar para a janta e eu não vou sair parecendo uma filha de Afrodite na frente de todos. Eu só vou falar com Chris. – expliquei.
— Não, você tem que estar bem bonita, afinal, é o Chris, o amor da sua vida. – falou entre risadas.
— Shiuuuu! Você não precisa ficar falando isso a toda hora Silena, você não precisa. – sussurrei. – E outra, — falei enquanto largava a espada e a armadura em cima da cama. – eu sei fazer isso.
— Ah! Você sabe? – perguntou batendo as mãos.
— Sei. – então abri o armário peguei uma calça jeans que tinha deixado ali desde o verão passado e que não servia mais e uma blusa do acampamento.
— Já volto. – disse e fui para um cantinho que usávamos como vestiário para trocar de roupa.
— Já volto também. – disse Silena.
— Aonde você vai? – perguntei.
— Já volto. – falou piscando um olho e saiu correndo.
Quando terminei de me vestir ela já tinha voltado e estava conversando com meu irmão Marcos. Assim que me viu ela veio com algumas coisas na mão.
— Uau, tá bonita Clarisse. – elogiou Marcos. Fiquei em dúvida entre manda-lo calar a boca ou agradecer, então acabei apenas sorrindo.
— É, se fosse por mim estaria melhor, mas já que você insiste. Acho que isso até combina mais com você, Clary. – Silena reclamou.
— O que você tem aí? – perguntei.
— Batom, perfume, joias e brincos. – ela colocou meu cabelo para trás. – Você tem furo, não? –perguntou.
— Acho que não.
— Ah, que pena.
— Ah, que pena. – imitei fingindo tristeza, fazendo Marcos rir.
— Pra quem é essa superprodução Clarisse?
Antes que Silena abrisse a boca, eu respondi irritada:
— Pra ninguém, Marcos. Eu perdi uma aposta, só isso.
— Perdeu para quem? Para o Chris Rodriguez?
— Cala a boca, Marcos! – e atirei o objeto mais próximo (que era um tênis de alguém) nele, mas ele desviou.
— Calma. – pediu Silena.
De repente a trombeta para o jantar soou.
— Temos que ir jantar. – falei encarando-a.
— Depois você fala com ele então, paciência. – sussurrou e piscou o olho para mim e saiu do chalé. – Até mais!
— Vamos. – chamei Marcos.
Tive que me controlar enquanto fazíamos fila para ir para o refeitório. Muitos campistas repararam na Clarisse-não-tão-mal-vestida. E fala sério! O que isso tem de importante?
— Quem diria, hein Clarisse? – falou Travis Stoll, do chalé de Hermes.
— Sai daqui Travis. – falei.
— Pelo visto foi só por fora que mudou né? – zombou.
— Cai fora, Travis. – disse uma voz atrás de mim, me virei e deparei com Chris.
Travis resmungou e saiu dando uma risadinha e eu apostaria que iria aprontar alguma comigo depois dessa.
— Oi. – disse Chris com um sorrisinho.
— Oi. – respondi desconfiada. – O que você está fazendo aqui?
— Vim ver você.
— Por quê?
— Ué, não posso vim ver você?
— Pode, mas...
— Você tá bonita. – ele me interrompeu.
— Obrigado, mas...
— Até mais Clary, vou voltar para o meu chalé.
— Até...
Observei ele se afastar, então começamos a andar em direção ao refeitório.
Na hora da oferenda, joguei um bom bife no fogo.
— Para Ares. – murmurei. Então pensei em Afrodite e que ela poderia me ajudar com Chris, afinal, ela era a namorada de meu pai e a deusa do amor. Joguei arroz e salada, pensando que ela gostaria de se manter bonita. Aceite minha oferenda Afrodite, por favor. Na mesma hora, a fumaça adquiriu um aroma de perfume francês. Achei estranho por que pensei que as oferendas adquirissem aromas das comidas preferidas dos deuses.
Voltei para a mesa e voltamos a comer. Meu irmão Sherman começou a discutir com um campista de Atena até que ele jogou um bolinho de batata no garoto que reconheci ser Malcolm e, então começou uma guerra de comida entre os dois chalés.
— Uhuu Sherman! – gritei ficando em pé.
— Toma essa, sabidinhos! – gritou Marcos jogando um punhado de arroz em uma filha de Atena.
Peguei um monte de salada do prato de alguém por perto e ergui o braço para arremessar quando alguém segurou meu braço por trás. Era Silena.
— Não faça isso, Clarisse. Lembre-se que você vai ir falar com Chris depois da janta, se você se sujar não vai ter tempo de trocar de roupa. Não faz isso. – quando ela terminou de falar fui acertada na cara por um ovo frito. – Que nojo! – sem pensar me soltei do aperto da Silena e joguei a salada em minha mão no garoto que me acertou com o ovo frito. – Toma essa, seu monte de estrume! – gritei.
— Pare com isso. – disse Silena me puxando para baixo da mesa onde muitos outros campistas estavam. Praticamente eram apenas o chalé de Ares, poucos do chalé de Atena que revidavam, o chalé de Apolo e de Hermes que nunca ficam fora da diversão.
— Parem já! – gritou Quíron fazendo o chalé de Atena e alguns outros pararem. Mas ainda jogavam comida Conor e Travis Stoll, Lee Fletcher, Michael Yew, Sherman e Marcos e quase todo pessoal do chalé de Ares.
Então começaram a brotar ramos das comidas que voavam e das que ainda estavam nas mãos dos que continuavam com a guerra de comida. Percebi que se tratavam de parreiras e , se tratando de parreiras era magia do Sr. D. As plantas começaram a se enroscar nas mãos e braços dos campistas, subindo-lhes o pescoço, chegando ao outro braço e descendo para as pernas. Os garotos começaram a ficar apavorados e começaram a correr, mas tropeçavam e se embolavam no chão até que um trovão rimbombou no céu e o Sr. D parou. As parreiras se desfizeram em pó roxo e os campistas que tinham conseguido ficar em pé caíram no chão.
— Antes que perguntem, eu não iria mata-los, infelizmente, Zeus não iria gostar, mas espero que da próxima vez isso não se repita. – ameaçou Dionísio. E então bateu palmas e toda comida sumiu, pratos, talheres, bebidas. Tudo. – Dispensados. – anunciou ignorando os resmungos dos campistas.
Fui para me levantar quando Silena puxou meu braço.
— É sua chance, aproveite que o jantar acabou mais cedo e vá falar com Chris. – ela piscou um olho pra mim. – Boa sorte.
— Valeu. – sai de debaixo da mesa e procurei por Chris. Estava saindo do refeitório em direção aos chalés. Corri até ele. – Chris!
Ele se virou. – Oi. – falou.
— Oi. Posso falar com você?
— Hã... Pode. Tudo bem?
— Sim. Podemos dar uma volta?
— Claro, é cedo ainda.
— Pois é. O jantar acabou cedo, né?
— É. Que confusão.
— Achei divertido até. – confessei. Ele deu um sorrisinho, mas parecia uma risada cansada. – O que foi? – perguntei. Não consegui me controlar. Chris há dias mal se aproximava de mim, mal falava comigo. Ele sabia que eu gostava dele e foi duro pra mim admitir isso. Ficamos algumas vezes, e isso talvez nos deixasse meio interligados, afinal, se ele não quisesse mais ele teria que falar comigo. Devia ter uma explicação.
— O que foi o que? – perguntou. Eu estava começando a ficar irritada. Certo que eu não queria que ninguém nos visse no inicio, e ninguém soubesse que eu gostava dele, mas agora todo mundo já suspeitava e não era bem novidade. Além do mais eu gostava do Chris. De verdade. Sabia que Silena me diria para manter a calma, mas esse era meu jeito e eu não ia fingir ser alguém que não sou.
— Pare de se fazer de bobo, Chris! Você acha que eu não percebo? Você vem me evitando, mal fala comigo, finge que eu não existo! Parece que você não dá mais a mínima para mim! O que está acontecendo?
Ele ficou parado sem responder. Escutei o toque de recolher ao longe, mas eu não iria dormir. Não sem antes ouvir a resposta dele.
— Hã... O toque... Temos que ir. – disse.
— Eu não vou a lugar nenhum e muito menos você sem antes me dizer o que está acontecendo. – falei apertando seu braço.
— Me solta Clarisse! – e puxou o braço. Ele começou a andar na direção dos chalés. Mas corri e parei na sua frente.
— Me diga o que está acontecendo Chris!
— Sai da minha frente.
Então uma ideia passou pela minha cabeça. Como eu não tinha percebido isso?
— Você... Você... Não gosta... Mais... De mim? – gaguejei.
Ele parou pensativo. A resposta já era óbvia agora. Comecei a arfar.
— Desculpe-me Clarisse.
— Por quê? Por que não disse antes? – senti a raiva subindo a cabeça. Empurrei-o pelos ombros. – Por que você fez isso?! Seu idiota! – comecei a socá-lo.
— Para! Para! PARA! – gritou segurando meus punhos. – Vamos para os chalés.
— Eu não vou a lugar algum! Me solta! – gritei. – Você é um idiota, um panaca!
— Viu só? É só isso que sabe fazer! Xingar, xingar e xingar! Você não tem sentimentos Clarisse? Você só briga com as pessoas! Bate nelas! – falou dando um passo para frente e ficando cara a cara comigo. Então acrescentou pausadamente: – Você as assusta. Você não é como... – ele se interrompeu.
— Como? – pressionei.
— Nada.
— Agora termine o que você ia dizer.
— Por que você não pode ser como uma filha de Afrodite?
Assim que processei aquilo dei um tapa na cara dele.
— Eu sou uma filha de Ares, o deus da guerra, Chris! Eu sou assim e não vou mudar por você, quer goste ou não. Então porque não vai se esfregar com uma das filhas de Afrodite? Aposto que elas iam adorar já que é tão fã delas, hein? – duas lágrimas insistiram em escapar e escorreram pela minha bochecha.
Chris estendeu a mão para limpar minhas lágrimas.
— Ah Clary... Desculpa...
Apesar de a minha voz sair esganada eu afastei a sua mão e falei:
— Não me chame de Clary, idiota. Nem limpe as minhas lágrimas. E, muito menos tente me consolar. Tomara que Ares o amaldiçoe nas suas lutas. Que você perca todas elas. Todas elas.
Passei por ele e corri em direção à floresta.
— Clarisse! – ouvi seus passos correndo atrás de mim.
— Vá embora! – gritei.
— A floresta à noite é perigosa! Volte!
— Vá embora! – repeti.
Entrei na floresta. Corri por um caminho que já era conhecido da Captura da Bandeira: O Punho de Zeus.
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