Nós buscamos Pã
4 Afrodite Me Dá Uma Flecha Para Cravar Em Chris Rodriguez / Clarisse
Notas iniciais
Sentei atrás do punho de Zeus, irritada com as lágrimas que insistiam em escorrer. Eu não queria chorar. Não ia chorar! Não por aquele babaca!
Tentei me controlar, respirei fundo, tentei pensar positivo como Silena havia me ensinado. Logo as lágrimas pararam.
Eu poderia voltar para os chalés, mas meus irmãos iriam encher perguntando onde eu estava, por que demorei, ou o que estava fazendo. Mas talvez dessem minha falta e fossem comunicar Quíron, aí eu teria que ter uma explicação para dar, e é óbvio que eu não iria contar o que aconteceu de verdade. Mas no momento eu não tinha nenhuma desculpa convincente em mente. Levantei e ajeitei a roupa, pronta para voltar ao chalé.
Quando estava me virando, um raio desceu direto no punho e automaticamente recuei e acabei caindo no chão ofegante, com os braços protegendo o rosto. Em alguns segundos a luz foi se dissipando e aos poucos percebi que não era um raio e sim uma pessoa. Um deus do outro lado do punho de Zeus.
— Quem... É? — perguntei, levantando devagar. Minha visão tinha ficado turva e havia pontinhos brancos dançando em todos os cantos. Cambaleei e cai de joelhos de novo com as mãos tapando os olhos. — Meus deuses. Argh.
Abri os olhos de novo e já enxergava um pouco melhor. Senti algo segurando meu braço e me puxando para cima.
— Tudo bem, querida? — perguntou uma voz feminina. A voz parecia ter forma sólida, era sedutora e confortável, meiga e ameaçadora, humilde e chique. Olhei para o rosto da mulher, mas não tinha uma forma concreta. Ora seu cabelo era loiro, ora moreno e às vezes, ruivo. Seu rosto mudava de feições constantemente fazendo com que fosse quase impossível olhar fixamente para ela. Tudo nela era abstrato, parecendo ser uma pintura à óleo holográfica. Mas acima de tudo era bonita, muito bonita.
— Afrodite? — adivinhei.
— Eu mesma.
Achei convincente curvar-me apesar de não ser muito fã da deusa do amor.
— Ah, deixe as cortesias de lado, querida. O centro aqui é você, agora. — falou. Fiquei um pouco assustada, isso não era um bom sinal.
— O que faz aqui? — perguntei com educação, afinal, não queria tê-la como inimiga mesmo sendo namorada de meu pai. Ela riu e imaginei se podia ler pensamentos.
— Eu sigo o amor, Clarisse. E hoje, ele veio até aqui. Ele está sempre por aí. É um espetáculo! — explicou batendo palmas. Ela falava como se o amor fosse um reality show do qual nunca perdia um episódio.
— Pois eu acho que ele foi embora. — falei meio rude, lembrando das palavras de Chris sobre as filhas de Afrodite.
— Ache o que quiser, querida. Mas o amor é imprevisível, isso eu lhe garanto.
— Uhum. — concordei em meio a tom de deboche e Afrodite limitou-se a rir.
— Bom, acho que em uma, no máximo duas semanas uma visita ao oráculo não faria mal. — recomendou.
— Vou ganhar uma missão? — perguntei.
— Não. Você verá mais tarde. E acho que seria prudente ter algum pequeno estoque de ambrosia.
— Por que está recomendando tudo isso?
— Olha, isso é uma ajuda. Você só tem que prestar atenção. Afinal, você fez uma oferenda a mim não foi? — essa eu não previa e senti minhas bochechas ficando vermelhas. — Até os maiores heróis precisaram de ajuda, Clarisse.
— Ok. Continue. — pedi.
— E acho que é só. Vou indo. E ah! Quase me esqueci. — ela estendeu a mão e uma flecha se materializou em sua mão. Dei um passo para trás. Sabia do que aquelas flechas eram capazes, um simples toque e você ficaria apaixonado. — Calma, não é uma flecha do amor. É uma simples flecha que seu pai lhe enviou.
— Para que? — perguntei confusa.
— Ai, isso é tão baixo nível. Mas lá vai. ParacravarnabundadeChrisRodriguez, pronto falei.
— O que? — perguntei rindo. — Para o que?
— Não peça para repetir, por favor. Até. — e evaporou tão rápido que mal deu tempo de desviar o olhar. Sentir um calor doce queimar meus olhos e caí para trás.
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