Nós buscamos Pã
5 A Filha De Ares Sabe Agradecer / Grover
Notas iniciais
Não conseguia dormir. Júniper tinha estragado meu dia, e pelo visto minha noite também.
Saí com minha flauta e um saco com perfeitas latas de Diet Coca que o Sr. D. colocava no lixo. Sentei ao pé de uma árvore e fiquei observando a Lua e as constelações como costumava fazer com Júniper e como provavelmente nunca mais faria se fosse atrás de Pã. Não pelo fato dos outros sátiros nunca terem voltado, mas pelo fato de Júniper não querer mais olhar na minha cara depois de dizer a ela que iria procurar o deus selvagem. Ela gritou e ficou extremamente verde, xingando-me de tudo e me acusando de não ama-la e que se eu a amasse de verdade deixaria essa ideia de lado e ficaria junto dela.
Percebi ser, talvez, ciúmes ou medo e tentei explicar-lhe que eu ia conseguir, ela só tinha de confiar em mim, mas à essa altura ela nem me escutava mais pois já tinha sumido numa fumaça verde.
Acabei desistindo de fazê-la escutar-me, e decidi arriscar-me a procura de Pã e quando voltasse diria que voltei por ela. Então ela se emocionaria e me aceitaria de novo!
Estava quase adormecendo, quando houve uma explosão de luz no local do Punho de Zeus. Esperei escutar algum grito, algum barulho, mas não houve nada. Apenas o clarão que quando se apagou parecia não ter havido nada.
Achei que seria prudente verificar as escondidas o local, mais pela esperança que tive de a explosão de luz ser um sinal de Pã. Levantei sacudindo a terra dos pelos e fui a caminho do Punho com a flauta na mão por precaução.
Quando cheguei lá, não havia nada, apenas a luz da Lua iluminando o local.
— Ei... Tem alguém aí? – sussurrei.
— Humghbuf. – gemeu uma voz.
— Han...? – dei a volta ao redor do Punho de Zeus e encontrei alguém caído do outro lado. – Ei, ei, ei. – falei indo até o vulto. Ao me aproximar reconheci ser Clarisse. – Clarisse? O que está fazendo aqui? Está ferida? – perguntei, mas ela nem se mexeu.
Peguei-a no colo e corri em direção à cabana dos sátiros, já a colocando em minha rede.
Pensei se avisava os outros sátiros ou se chamava Quíron, então pensei que, podia ser algo pessoal de Clarisse e talvez ela não quisesse compartilhar com ninguém. Talvez até algo com Chris Rodriguez como comentavam no acampamento.
Carreguei a filha de Ares para fora da cabana e a deitei na grama, de modo que os sátiros não a vissem e fui à enfermaria atrás de ambrosia e néctar. Quase fui visto por um sátiro que ia em direção à floresta e fiquei me perguntando se ele ia conferir o clarão que deu na floresta e torci para que ele não encontrasse Clarisse na cabana também.
Aproveitei que estava com a flauta na mão e toquei uma canção para dormir por precaução e o sátiro caiu no meio do caminho.
Chegando à enfermaria havia apenas outro sátiro cuidando dos campistas enfermos. Entrei pela porta que ficava perto do armário onde encontravam-se a ambrosia e o néctar, mas fui obrigado a recuar para não ser visto. Toquei de novo a canção de dormir e então entrei e peguei néctar e ambrosia suficientes e voltei trotando a toda velocidade para a cabana.
Perto da cabana tropecei numa pedra e voei longe por culpa da velocidade com que eu corria, levantei rapidinho espanando a poeira e entrei na cabana já com a flauta na mão caso algum sátiro estivesse acordado com o barulho do meu tombo. Por sorte ninguém havia acordado.
Fui para trás da cabana e sentei no chão ao lado de Clarisse. Dei-lhe um pouco de ambrosia e deixei o néctar para quando ela acordasse. Infelizmente atrapalhei-me com a ambrosia e ela acordou tossindo e cuspindo ambrosia para todo o lado, inclusive em mim.
— Ai! Calma! Calma! – falei.
— Ahn? O que...? Estava tentando me matar? – ela perguntou ficando cara a cara comigo, aquela cara extremamente ameaçadora de Clarisse La Rue.
— Claro que não! Só estava tentando ajudar! – eu disse, enquanto nos levantávamos.
— Dane-se. – falou e começou a andar.
— Ei, aonde você vai?
— Não é da sua conta.
— É sim, porque se não fosse por mim você ainda ia estar atirada lá no Punho de Zeus. – chantageei.
— E daí? – ela se virou pra mim, mas começou a desabar e eu corri para segura-la antes que caísse no chão.
— Você não está bem. O que aconteceu? Houve uma luz, então eu corri para lá e você estava caída no local da luz. – expliquei.
— Sei lá. Me alcance o néctar. – mandou e eu o fiz.
— Precisa descansar.
— Cale a boca. – falou bebendo o néctar.
— Deuses, estou só tentando ajudar! Precisa ser grossa e agressiva o tempo todo? – perguntei irritado.
Ela me fuzilou com os olhos e jogou o néctar longe na grama.
— Cale a boca, seu sátiro ridículo! – gritou e saiu correndo.
Peguei a ambrosia e sai correndo atrás dela.
— Clarisse! – puxei a flauta do cinto e comecei a tocar. A grama começou a crescer acompanhando a música, e pude escutar os grunhidos de Clarisse enroscada na grama.
Corri até ela.
— Me solta, Grover! Que porra! – grunhiu.
— Fica quieta Clarisse, eu só quero ajudar você. – e soltei-a da grama.
— Eu não quero ajuda! Eu não quero!
— Tudo bem, então. Pelo menos coma a ambrosia que eu roubei da enfermaria pra você, se não você vai cair pelo caminho. – pedi.
Ela me olhou com desconfiança, mas por fim pegou a ambrosia. Depois de comer, ela se levantou e ameaçou:
— Se você contar sobre isso para alguém, você morre.
— Por que eu iria contar? – falei inocentemente.
— Obrigado pela ambrosia. – murmurou.
— O que!? – perguntei mesmo tendo escutado bem, e sentido bem.
— Não vou repetir, Underwood. Tchau. – e saiu correndo na escuridão.
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