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9 A Vingança Pelo Rato / Clarisse
Notas iniciais
Abri os olhos de manhã e a primeira coisa da qual lembrei era que eu estava livre. Saltei da cama e saí em direção à porta, mas fui refreada por aquele sátiro estraga prazeres.
– Ei, ei, ei, senhorita La Rue.
– O que foi? Você disse que eu estava liberada na hora em que eu acordasse! – gritei.
– Só quero ver se está tudo ok com você. – falou naquele tom de voz extremamente irritante.
– Olha aqui, eu só desmaiei tá? E nem foi bem isso! Não foi nada demais, e eu me sinto super bem!
– Olha aqui, você, mocinha. Posso muito bem receitar que você não está bem e chamar o senhor Quíron! E eu duvido que ele deixe você sair daqui tão cedo então! – ameaçou.
– Isso foi uma ameaça, velhote? – falei. – O que é aquilo? – gritei apontando para a janela com falso espanto.
– Hã? – perguntou virando-se para olhar.
Aproveitei a deixa e passei voando silenciosamente pelos últimos metros até a porta.
– Ei! Volte aqui! – ouvi seus gritos, mas eu corria muito rápido e não resolvi voltar.
Fui direto para o chalé 5 pegar minhas coisas para treinar para a Captura da Bandeira de hoje à noite. Quando entrei na casinha vermelha, alguns dos meus irmãos que estavam lá se surpreenderam ao me ver.
– Clarisse! – comemoravam.
– Oi, galera. – falei.
– Já recebeu alta? – perguntou Rita.
– Nem! Aquele sátiro Arnaldo prometeu ontem me deixar sair assim que acordasse, mas ele queria se certificar de que estava tudo bem comigo e começamos a discutir, então eu o enganei e sai correndo. – contei e eles começaram a rir.
– Só você, Clary...
– Que demais, isso é a sua cara!
– Acho que também não aguentaria ficar lá com aquele sátiro chato.
– Onde estão minhas coisas? – perguntei referindo-me ao escudo e a espada.
– Estão em cima da sua cama. – apontou Sherman.
– Valeu. – agradeci.
– Você vai dar uma surra no Marcos, irmã? – perguntou.
Parei na escada do beliche. Nem tinha me lembrado disso. Claro que a culpa era dele, e... e eu quase tinha morrido, apesar de estar quase conseguindo me salvar quando aqueles idiotas se meteram para demonstrar seu heroísmo e me constranger na frente de todos. Acho que ele merecia receber uma brincadeirinha.
– Bem lembrado, Sherman! Vou agora mesmo, alguém sabe onde ele está?
– Ele disse que ia visitar você. – falou Morgana. – Acho que ele se sentiu culpado, mas igual ele merece apanhar! Quase que você morre!
Peguei meu equipamento e sai correndo do chalé, ajustando o escudo no caminho.
– Marcos! – chamei enquanto corria. Estava dobrando o último chalé quando alguém se chocou em mim.
Cai no chão, e só então vi que era exatamente quem eu procurava.
– Rá! – gritei apontando a espada para ele.
– C-clarisse! Estava procurando por você! Soube que fugiu da enfermaria! Eu queria pedir desculpas por ter jogado o rato e.. e...
– Pegue a sua armadura, vamos ver quem fica em pé até o final. – falei com um sorriso sarcástico. – Ande! Esta é suas desculpas!
– O que?
– Sua espada e escudo! Vou esperar na arena, não demore! – mandei e sai sem olhar para trás.
Eu apenas iria duelar com ele, para fazê-lo passar vergonha, como ele fez comigo na parede de escalada. Mas, nada que o aleijasse, afinal, ele é meu irmão.
Ele demorou um pouco, me deixando impaciente. Tive que assistir a luta de Jackson e Luke com Annabeth, Grover e Tyson gritando incentivos da arquibancada. No final, como sempre, o filho do deus do mar foi desarmado.
– Ruim! – gritei rindo. Ele era um completo idiota.
Avistei um tumulto chegando e era o chalé de Ares com Marcos no centro. Saltei do banco de pedra e desci correndo.
– Até que enfim! Pensou em desistir ou parou para treinar um pouco no caminho? – zoei.
– Ha ha. – ele fingiu uma risada.
– Vamos logo. Quero acabar com você antes do almoço. Para dar bastante o que falar aos campistas. – falei.
Posicionei-me no centro da arena, furando a fila dos combatentes, mas aquilo era algo pessoal e raramente pessoas do mesmo chalé se enfrentavam. E a atenção redobrada da plateia por ser uma vingança de Clarisse La Rue.
– Ia! – gritei dando o primeiro golpe na direção do peito de Marcos em diagonal. Ele se defendeu com outro ataque em linha reta ao meu rosto. Botei o escudo para a frente de modo a empurrar ele e logo mirei em seu braço conseguindo um corte.
– Aah! – ele gritou de dor.
Marcos recuou e logo avançou em minha direção e eu na dele, chocando nossas espadas no alto de nossas cabeças. Ele, agora, bloqueava meus ataques e eu bloqueava os seus, mas ele parecia ter esquecido o escudo.
Não perdi a concentração para conferir a plateia ou outra coisa. Aquilo era uma vingança e eu não podia perder.
Era arriscado, mas decidi tentar. Recuei e imediatamente voltei para frente, o que permitiu me aproximar mais de Marcos e ataquei com a espada em linha reta, que fez um grande arranhão no seu peito de uma ponta a outra.
– Clarisse... – ele murmurou.
– Isso é apenas uma brincadeira, Marquinhos. – confessei.
– Isso é vingança? – ele perguntou enquanto chocávamos espada com espada, espada com escudo.
Eu ri.
– Sim!
Ele riu.
– Tudo bem, então. – ele concordou.
– Não quero que pegue leve, entendeu? — falei atacando de novo.
Quando ele foi atacar, ergui o escudo e empurrei-o, deixando-o desequilibrado. Ataquei com a espada, mas fui repelida. Fui atacando, sem deixar nenhuma chance passar, nem para mim, nem para ele.
Investi do lado direito, algo que Marcos não esperava e consegui feri-lo com outro corte. Porém, dessa vez ele foi levantou o escudo, o que foi um erro, pois seu escudo arrastou minha espada para cima, abrindo um rasgo fundo até seu ombro.
– Ai! Ai... Meu braço! – falou.
Ele tentou dar um golpe em meu rosto, mas eu apenas desviei. Ele já estava meio grogue por causa do corte, então seria fácil derrubá-lo.
– Eu não vou perder. – falou.
Com a parte chata da lâmina, bati em seu peito, mas dessa vez não tive muita sorte. Fui atingida no maxilar pela porra do escudo dele e nos afastamos, minha boca sangrando.
– Seu filho da puta. – xinguei e nós rimos.
Limpei a boca com as costas da mão e ataquei. Ele defendeu e eu ataquei de novo. Ele atacou e as espadas se chocaram. Seu ataque fazia pressão em direção à minha barriga, o que era perigoso, pois minha lâmina estava em má posição de defesa.
Puxei o escudo tapando meu abdômen e parei de pressionar a espada, de modo que a espada de Marcos bateu e ricocheteou na minha proteção. Agora, com sua guarda aberta eu podia ataca-lo no rosto, fazendo apenas um arranhão, mas ele conseguiu defender erguendo a lâmina na vertical contra a minha na horizontal.
Porém, a vitória era minha. Encolhi o braço e recuei a espada para o lado, frente a frente com meus olhos. Deixei-a na diagonal para que a espada de Marcos escorregasse e então, virei minha lâmina 360º ainda na vertical e joguei sua espada para cima, apontando a minha diretamente para o seu pescoço.
Demorou uns dois segundos para que a plateia associasse o golpe final e então os gritos do chalé de Ares dominaram a arena.
– Ganhei. – falei retornando a espada à bainha.
– É. Parabéns. Estamos quites agora? – perguntou ainda um pouco acuado.
– Sim. Mas eu queria ter te ferido mais. – brinquei.
– Desculpa. – ele pediu.
– Eu sei que você não fez de propósito.
– Mas você podia ter morrido.
– Isso é me subestimar, perdedor.
– Tudo bem. Na próxima você vai pegar o rato que eu jogar e ainda vai chegar no topo da parede. Com lava e tudo.
– Isso. – eu ri.
Ele me deu um abraço e todos os nossos irmãos riram e aplaudiram gritando coisas tipo: “Clarisse é demais!” ou “Marcos perdedor!”.
Eu amava a minha família.
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