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10 O Charme Para Um Sátiro / Clarisse
Notas iniciais
Aos poucos a arena foi esvaziando e logo a corneta soou anunciando o almoço.
Nosso chalé foi direto ao refeitório, causando tumulto com sempre. Sentamo-nos à mesa e a comida foi servida.
Cada mesa começou a se levantar para fazer a oferenda, quando chegou a vez dos filhos de Ares, escolhi o melhor bife para meu pai, e fiquei em dúvida se jogava uvas ou não para Afrodite. Acabou que eu não joguei.
Desejei beber champanhe (sem álcool, é claro, porque o acampamento não permite) para comemorar minha vitória.
Mesmo sendo proibido, Silena chegou sorrateiramente à nossa mesa e sentou entre mim e Sherman.
– Silena?! – ele espantou-se.
Sherman tinha uma pequena quedinha pela filha de Afrodite, para constar. Mas ela não sabia. E provavelmente nem ia saber.
– O que está fazendo aqui? – perguntei.
– Nossa! Fiquei surpresa ao ver você lutando lá na arena. – ela sussurrou. – E contra o Marcos! – a voz dela aumentou um pouco, atraindo alguns olhares das mesas mais próximas, inclusive o de Marcos que sorriu ao perceber que falávamos dele.
– Foi vingança. – expliquei.
– Imaginei. Inclusive fui visitar você na enfermaria, mas estava dormindo. Pode não acreditar, mas tive que usar o charme naquele sátiro para poder entrar fora do horário de visitas.
Dei um tapa na mesa, terminando de engolir um pedaço de bife.
– Você o que? – repeti, talvez um pouco alto demais.
– Srta. Beauregard. – chamou Quíron, sua voz ecoando no silêncio que dominava o refeitório. – Poderia, por favor, retornar à sua mesa?
– Sim, Quíron, me desculpe. – falou, levantando-se e voltando para a mesa de Afrodite.
No caminho ouvi o sussurro de Drew se fazer ouvir de propósito.
– Chegar a esse ponto... Realmente, que vergonha...
Mas Silena não perdeu a compostura. E nem sequer usou o charme para alguma coisa. Simplesmente sentou-se, olhou para Drew e voltou a comer.
Todos voltaram a comer e a algazarra logo tomou conta. Senti que alguém me olhava e percebi que era Chris de uma mesa e Drew da outra. Aquilo me deixou irritada, muito irritada que perdi a fome e fiquei com sede. Sede de ganhar a captura da bandeira.
Chris era um ridículo, e Drew era uma vagabunda oferecida.
Deixei de lado a comida e fui em direção a saída.
– Aonde vai, irmã? – perguntou Rita.
– Vou treinar. Para a captura da bandeira. – falei piscando um olho.
– Então vou com você! – ela se animou. – Quer dizer, eu posso ir com você?
– Pode. Quanto mais treinados estivermos para o massacre melhor! – bradei.
– Isso, irmã! Vamos treinar! – gritaram todos na mesa de Ares.
Como um furacão, saímos todos juntos do refeitório, cessando 50% da zoeira no refeitório.
Treinamos para valer até o pessoal começar a chegar do refeitório. Normalmente, ninguém ia treinar, logo assim, depois do almoço. Mas nós éramos os filhos de Ares, lutar era o nosso forte.
Ficamos de donos da arena por uma ou duas horas, quando logo chegaram o chalé de Hermes, seguido pelo de Hefesto e mais tarde Percy, Annabeth e Grover.
– Permita-me lutar com você, Clary? – perguntou Chris surgindo atrás de mim. Os olhares se voltaram para nós, deixando-me irritada e com vergonha.
– Já disse para parar de me chamar assim. Você não é nada meu para ter essa intimidade. – falei.
– De qualquer modo, posso lutar com você? – insistiu.
– Você seria extremamente fácil de vencer. Prefiro aqueles que rendem uma boa luta. – respondi, arrancando murmuros dos outros semideuses.
– E se eu lhe render uma boa luta? – continuou insistindo. – Está com medo de pegar pesado comigo, Clarisse?
Agora ele tocou na minha ferida.
– Acho que você não aguentaria tanto. – retruquei.
– Acho que eu aguentaria, apesar da praga que rogou em mim. – falou chegando mais perto.
Nem meus irmãos vieram me ajudar. Estavam todos vidrados no nosso showzinho e os comentários eram bem auditivos, agora.
– Eu não luto com fracos. – falei terminando a conversa.
Então eu percebi duas coisas:
1) O olhar de Grover sobre mim. Ele entendeu. Ele entendeu a minha mudança. Entendeu o porquê de eu tentar ser legal com ele e até o motivo de eu estar lá no punho de Zeus, caída.
2) E Drew. Ela passava perto da arena bem na hora em que eu e Chris discutíamos atraindo os olhares. Quando nos viu ela parou e ficou observando com aquele recalque estampado no rosto que só ela tem.
Drew era a filha de Afrodite a que Chris se referira naquela noite.
Eles tinham algo.
E ela passava por ali apenas para procura-lo.
Ou seja, a culpa era dela. Dela e de Chris.
Meu sangue fervia de raiva.
Eu tinha sido traída.
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