Não é o que você está pensando!
15 capítulo 15
Todoroki foi muito paciente com Yaoyorozu. A morena estava um pouco distraída no momento. O Meio a Meio não gostava de beijá-la se ela não estivesse bem ciente de por onde sua boca estava. Caso contrário, ele poderia ser surpreendido com uma mola ou uma Matrioska o acertando no rosto por causa do susto da garota. Não seria a primeira vez.
Quando ele perguntou o que a estava preocupando tanto, Momo contou por alto sobre a situação incomum de Bakugou e Jirou. Shoto até se ofereceu para congelar Katsuki, caso ele estivesse forçando Jirou à algo, o que Yaomomo agradeceu porém recusou. Ela explicou que Kyouka afirmara não haver nenhuma atitude maliciosa por parte do loiro, que ele apenas era muito inconsciente do que estava fazendo.
Claro, essa não era exatamente a verdade, entretanto, nenhum dos dois tinha noção do que realmente estava acontecendo, então isso devia bastar.
O problema era que, mesmo depois da conversa que Momo teve com Kyouka, as coisas pareceram desandar ainda mais. Jirou está visivelmente afetada pela situação, praticamente fugindo de Katsuki toda vez que o garoto entra na sala.
Bakugou pode ter até reduzido a quantidade de vezes que envolvia Jirou, porém, agora ele usava isso como punição. Provocando-a toda vez que a garota fazia alguma piada sarcástica ou irritava-o. Por duas vezes Kyouka o bateu, começando uma das brigas bobas que os dois costumam ter, e por duas vezes Bakugou, ao invés de prendê-la bruscamente como costumava fazer, a apertou pela cintura e a beijou no pescoço.
Jirou até parou de provocá-lo e a começou a se aninhar em Yaoyorozu para evitar o garoto.
O loiro parecia divertir-se com o embaraço de Jirou. Momo, sabendo que não era nada divertido para sua amiga, não gostava nada do que acontecia.
Foi por isso que, depois de entrar no salão comum com Todoroki e ver, outra vez, Bakugou apoiando o queixo no topo da cabeça de JIrou, Yaoyorozu resolveu agir.
Assim que viu Katsuki subir para o dormitório masculino, Momo o seguiu, batendo na porta do garoto e esperando resoluta para que fosse aberta. Bakugou estranhou a visita, por isso a deixou entrar quando a morena pediu.
— Fala logo, o que você quer? — Bakugou ordenou rispidamente.
— Você precisa se afastar de Jirou. — Ela declarou concisa.
— Mas que porra? — Bakugou piscou confuso — Quem você pensa que é para me dar Ordens, Rabo de Cavalo!
— A melhor amiga dela. E você a está deixando desconfortável. — Yaoyorozu respondeu claramente e inalterada
— Isso não é da sua conta, dá o fora daqui antes que eu te mate — O loiro rosnou contendo a irritação.
— Você não pode fazer isso, Bakugou. Eu sei que Jirou já pediu que você parasse, ela me disse. — Momo continuou sem dar ouvido às ameaças — O que você está fazendo pode ser considerado assédio. Se você não parar com isso, eu vou tomar uma atitude.
— Mas que porra?! Você acabou de me ameaçar?! — Ele urrou ultrajado.
— Sim.
— Você não sabe porra nenhuma da Kyouka! — Bakugou explodiu furioso — Toda essa merda tem seu dedo e você nem sabe disso, Rabo de Cavalo! Você ferrou com ela quando começou a enfiar a língua na garganta do Meio a Meio e agora quer vir aqui me dar lição de moral?! — Ele acusou apontando o dedo no rosto da garota.
— Espera, o quê? — Momo piscou confusa.
Bakugou esfregou o rosto com força. Ele deixou a porra da razão fugir e acabou falando demais. Katsuki não conseguiu se conter, não com ela, justo ela, se metendo. Agora não havia escolha, ele tinha que resolver isso. Ele não podia contar para Momo que Jirou gostava dela.
— Você deixou ela de lado, cabeçuda — Ele começou a mentir e respirou fundo para tentar prosseguir com algo crível — Por que você acha ela começou a passar mais tempo comigo? Foi porque você tava ocupada demais lambendo a cara do seu namorado. Então aquela sem cérebro da Alien Rosa entendeu tudo errado e quando eu vi, todo mundo tava achando que a gente se pega.
— E-eu não me afastei dela. Nunca deixei Jirou de lado — Yaoyorozu contrariou, abalada pela informação.
— Não foi o que pareceu — Ele bufou com uma risada de escárnio e enfiando as mãos no bolso — E agora você tá toda amiguinha de novo. E ainda reclamou que eu tenho mais atenção? Foda-se,Você não merece que a Orelha goste tanto de você. — Bakugou deixou o ciúme falar — Eu vou ser tão grudento com ela que vou ficar um nojo.
Momo precisou sentar pra processar a informação. A morena ficou um tempo calada. Bakugou também, até decidir que já havia terminado com ela. Mais um pouco e ele iria substituir o Deku no nível de ódio.
Katsuki abriu a porta do quarto, uma clara ordem para que ela saísse.
— Bakugou, você não pode continuar fazendo isso. — Yaomomo recomeçou preocupada, levantando-se.
— Fora
— É sério, por favor, isso está deixando-a triste.
— Fo-ra.
— Ela gosta de você! — Momo exclamou.
— EU DISSE… espera, o quê?
— Todo esse carinho em excesso, o jeito que você a toca, ela gosta de você e isso só a faz piorar quando ela lembra que você não gosta dela. — Yaoyorozu explicou rapidamente.
— Puta merda — Bakugou exalou surpreso. Ele passou a mão pelo cabelo e bufou uma risada.
— Você está rindo? Isso não é divertido, Bakugou!
— Eu gosto dessa idiota — Ele confessou com um sorriso. Momo piscou. — Eu gosto pra caralho.
— Ela disse que você gostava de outra pessoa — Yaomomo lembrou confusa.
— E gostava, ainda gosto. Mais ou menos. — Katsuki suspirou e rosnou com as mãos na cabeça. — Eu gosto de outra pessoa, mas não é mais desse jeito. E agora eu só penso na Orelha. É por isso que eu te odeio, você não vai entender porra nenhuma, mas tem sido uma semana dos infernos justamente porque eu gosto dessa imbecil.
— Espera, o quê? Isso foi tão confuso.
— Só pegue o final, ok? Eu gosto da Orelha — Bakugou resumiu impaciente.
— Então você tem que dizer à ela. Por que ela não pensa assim.
—Porra, sim. Eu vou fazer isso agora.
Sem perder tempo, Katsuki correu para o dormitório feminino. Ele estava tão ansioso que desceu as escadas jogando-se como um louco de lance em lance, retardando sua queda com suas explosões. Ele não quis saber se tinha alguém na sala comum, ele estava com pressa demais para chegar até o quarto de Jirou.
Bakugou sequer bateu, ele entrou e a encontrou com fones de ouvido e os seus jacks plugados na guitarra que ela dedilhava. Ela assustou-se com a entrada repentina e tirou os fones, o encarando atordoada.
— Você gosta de mim — Bakugou foi direto ao ponto.
— Ahn… sim, você é meu amigo — Jirou confirmou erguendo a sobrancelha.
— Não, você gosta de mim. É por isso que você tem fugido de mim, é por isso que você não quer que eu te abrace.
— Quê? Quem foi que disse isso? — Kyouka retrucou com o rosto inexpressivo.Entretanto, Bakugou sabia melhor, os fones da garota não paravam quietos, então devia ter alguma verdade, certo?
— Rabo de Cavalo. Ela acabou de ir no meu quarto, mandar eu me afastar de você — Ele contou conciso.
— Ela fez o quê?! — Agora essa era uma reação acalourada caminhando em direção a porta. Katsuki não estava interessado em deixá-la sair.
— Eu não quero saber dela, diga a verdade, você gosta ou não de mim? — Bakugou insistiu ansioso e impaciente.
— N-não! — Jirou mentiu corando e engolindo em seco.
— Quê? Então porque você disse isso para ela?! — Bakugou indagou sentindo o peito afundar.
— P-porque, porque ela é a garota que eu gosto, esqueceu?! — Jirou exclamou virando-se de costas para ele — Ela ficou perguntando algumas coisas e e-eu fiquei confusa. Então eu entrei em pânico e disse que gostava de você. — Jirou não percebeu o quanto Katsuki ficou desolado e tentou mudar de assunto — A-a propósito, como você está indo? Sobre… Kirishima, algum progresso?
Bakugou demorou um pouco para se recuperar do soco invisível no estômago.
— Ahn… Sim, sim. — Ele tentou não demonstrar que desabou — Quer dizer, ainda é uma merda. Mas eu vou resolver isso.
— Bom, isso é bom — Foi o que Jirou conseguiu pensar em dizer.
Silêncio de novo.
— Eu vou indo… — Bakugou respirou fundo e recuperou a razão — Aliás,que porra eu digo pra Rabo de Cavalo. Ela ainda tá no meu quarto e eu disse que estava vindo falar com você.
— Oh não, não não não não — Jirou desesperou-se um pouco e puxou a pele do rosto com a ponta dos dedos — Por que isso tá cada vez pior?! Se ela sabe que você veio aqui perguntar se eu gosto de você, então só tem duas opções de resposta. Sim ou não. Se sim, você tem que dizer que gosta do Kirishima. Se não, eu tenho que dizer que gosto dela.
Os dois cairam novamente no silêncio. Desta vez, Jirou parecia a beira das lágrimas. Ela não estava mais aguentando ter que esconder tanta coisa. Eram tantas mentiras, uma maior que a outra.
— Ou, — Bakugou começou uma sugestão, ainda um pouco duvidoso — podemos dizer a ela que começamos a namorar.
E a confusão crescia cada vez mais.
— Q-quê?! — Jirou chiou agudo.
— Ela já pensa que você gosta de mim. Se eu sair daqui dizendo que não gosto de você, vai ser fodidamente escroto se nós continuarmos amigo. E, porra, eu acabei de levar uma surra da vida, eu não vou largar você agora, Orelha. — Bakugou explicou cansado. Era tão exaustivo ser rejeitado diretamente ao invés de por eliminação — Da mesma forma, se eu disser que gosto de você e continuarmos na mesma, vai ser escroto da mesma forma. Se dissermos que estamos juntos, tudo fica na mesma. todo mundo já pensa que é assim mesmo.
Jirou ficou ponderando por um tempo. Ela já tinha perdido o controle da situação há muito tempo.. Se ela conseguisse se livrar dessa confusão ela nunca mais ia mentir na vida.
— Olha, não precisamos dizer para mais ninguém. Dizemos só para a Rabo de Cavalo, fingimos na frente dela e a obrigamos a manter a boca fechada. É isso — Bakugou pensou em abraçá-la, contudo, recuou no último instante, ia ser dolorido tê-la tão perto depois de admitir que gostava dela.
— Ok, é uma idade horrível mas ainda é a melhor que temos — Jirou suspirou.
— Então pronto, vai ser isso. Eu vou indo — Katsuki resmungou e saiu. Ele precisava de um tempo, entender no que ele se meteu e como sair dessa bagunça.
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