Bakugou estava na cozinha, nem ele sabe o que está comendo. Tanto faz também, tudo parece sem gosto ultimamente. Katsuki estava uma confusão do caralho. Ele já foi repreendido três vezes nos treinos por excesso de violência essa semana. Mas ele não consegue evitar. Toda vez que o loiro pensa que a primeira pessoa que ele gostou é um cara hétero e a segunda é uma garota lésbica, ele se emputece consigo mesmo e com a situação que ele está. Porque ele ainda sente um pouco por ter tido o coração partido pelo Kirishima. E Jirou e ele… são uma confusão de merda.

Katsuki odeia o fato de mentir para ela. Porém ela mesma disse que não gosta dele, então ele não conseguiu pensar nela se afastando. Mesmo que Kirishima tenha sido seu primeiro amor, Bakugou não conseguiria se imaginar sem ele. O idiota nem sequer sabia que Bakugou gostou dele. E ele sabe que se Jirou souber, ela vai se afastar. Ela já se afastou porque ele simplesmente a abraçou forte demais. Ok, foi mais que isso, mas o ponto é válido.

E agora, aqui está ele.

Pensando nela pela milésima vez no dia.

E ainda nem anoiteceu.

Jirou, parecendo ser chamada pelos pensamentos do garoto, apareceu na cozinha também. Ela tava ansiosa e comer sempre acalma. Quando o viu sentado no balcão, ela juntou-se a ele.

— Por que a cara de defunto? — bakugou perguntou erguendo uma sobrancelha.

— Eu estava falando com a Momo

Claro. Tinha que ser a Rabo de Cavalo.

— O que houve?

— Ela fica falando de encontro duplo e coisas de casal para fazermos juntos. — Jirou suspirou apoiando a cabeça no balcão — Eu disse que não. Ela pediu desculpas por ter se afastado depois de começar a namorar o Todoroki. Por que você disse isso?

— Ela me acusou de assédio, eu não segurei a porra da língua e essa foi a solução de merda que eu encontrei.

— Tsk. Isso tá ficando uma bola de neve cada vez maior. E ainda temos um ano e meio convivendo juntos. — Jirou bufou entristecida

— Um ano e meio minha bunda. — Bakugou contrariou — Eu vou ter que te aturar pelo resto da vida, Orelha

— Vamos nos formar, nos casar e viver juntos para sempre porque nós nunca vamos ser correspondidos — Kyouka debochou com um sorriso falso.

— Quer saber? É isso aí — Bakugou largou a torrada que tava segurando, bateu as mãos para limpar os farelos, virou-se de lado, puxou o banco de Jirou e deixou o rosto determinado bem próximo do dela — De agora em diante, eu sou a única pessoa por quem você pode se apaixonar — Ele declarou bem sério fazendo Jirou corar e engolir em seco. Ele estava muito perto para manter a sanidade mental.

Bakugou encarou a boca de Jirou e pensou em beijá-la. E ele ia. Se Kaminari não aparecesse.

— Opa — O loiro elétrico encarou os dois, arregalou os olhos e deu meia volta — Eu posso pegar meu refrigerante depois.

— Nós não… — Jirou ainda tentou, porém Kaminari já havia saído. Deixando-a corando dois tons — Por que todo mundo tem que aparecer nos momentos mais fora de contexto? — Ela gemeu cobrindo o rosto.

Bakugou levantou irritado, sem dar muita satisfação, ele simplesmente foi embora. Katsuki estava um pouco chateado, um pouco frustrado e… aliviado. Mesmo depois de todo o processo de convencimento sobre só deixar Jirou em paz, seu primeiro pensamento quando teve a garota ao seu alcance foi beijá-la. Se Kaminari não tivesse aparecido, ele poderia ter ferrado toda a amizade.

Bakugou sabia que essa seria uma semana complicada.

E ele estava certo. No dia seguinte, mesmo ele nem sequer ter tocado em Kyouka, ele não conseguiu evitar encará-la durante todo o dia, muito menos sentir-se enciumado quando a viu na cozinha tomando chá com Yaoyorozu.

Agora ele entende a satisfação que Jirou tinha de xingar o Meio a Meio depois que ele levou a Rabo de Cavalo. Não havia qualidades em Yaoyorozu agora, ela era apenas a megera desprezível que mantinha Jirou por perto mesmo sem interesse na garota que deveria ser DELE.

Por isso, claramente se aproveitando da situação, Katsuki aproximou-se das duas e abraçou Jirou pelas costas, apertando-a pela cintura e enterrando o rosto no seu pescoço, como ele quis fazer o dia todo e se conteve.

— O que foi? — Jirou perguntou com uma risada.

— Eu não posso abraçar minha namorada? — Ele retrucou beijando o pescoço dela. Jirou, lembrando porque ela evitava cair nos braços de Bakugou, corou até a raiz dos cabelos e levou a mão ao rosto dele, meio confusa se deveria afastá-lo ou não — Já que a Rabo de Cavalo sabe, então não tem problema — Bakugou continuou, roçando o nariz no rosto dela, causando uma gagueja incoerentemente por parte de Jirou até soltá-la e ir para geladeira.

Ele pegou a primeira coisa que sua mão alcançou e saiu.

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No outro dia, Bakugou, Kaminari e Jirou estavam tocando no quarto da garota punk.

Sem nenhum motivo, aviso prévio ou sentido, depois de encerrar uma música, Katsuki simplesmente levantou, caminhou até Jirou e a abraçou.

Fora a surpresa inicial, Jirou não se incomodou. Depois de Kirishima ter começado a namorar, ele fazia isso às vezes. Kyouka imaginou que fosse um desses momentos.

— Eu devia sair ou…? — Kaminari soltou desconcertado.

— Eu não terminei de tocar, Pikachu — Bakugou falou, entretanto continuava apertando Jirou. O loiro queria beijá-la, mas sentia-se um grandissíssimo filho da puta por ter se aproveitado da situação no dia anterior, então ele a soltou e voltou para a bateria.

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Mais um dia e mais uma provação para Bakugou. Os dois estavam estudando, Inglês é algo que vem fácil pros dois, então eles praticam pronúncia sozinhos com frequência.

Jirou estava concentrada no áudio que ambos deveriam reproduzir enquanto Bakugou estava concentrado nela. seus dedos criaram vida e, sem obedecê-lo, pegaram uma mecha do cabelo da garota.

— Hm? O que foi?

— É macio — Katsuki encolheu os ombros sem uma resposta melhor.

— Ahn… é cabelo — Kyouka destacou com seu familiar sorriso debochado.

— Uhum — Ele ignorou enredando a mão nos cabelos dela.

— Bakugou, por que você está mexendo no meu cabelo?

— Por que eu gosto dele.

Jirou corou, um pouco confusa. Nos últimos dias Bakugou tem reduzido drasticamente os carinhos exagerados, o que a deixou muito mais confortável e confiante que poderia lidar com seus sentimentos pelo garoto.

— Gosto quando ele tá enrolado também. — Bakugou continuou — Até quando ele está bagunçado. Porra, eu gosto muito quando ele tá bagunçado.

— Você fumou alguma coisa? — Ela brincou pegando a mão dele e rindo.

Katsuki sorriu petulante olhando para ela.

Ele decidiu.

Não tinha como aguentar. Do nada Bakugou queria abraçá-la ou brincar com o cabelo dela, ou beijá-la. Ele precisava resolver isso, porque, diferente de quando ele tava apaixonado pelo Kirishima, havia esse impulso constante querer tocá-la. Não algo momentâneo, estava sempre lá. Não algo brusco de desesperado, eram desejos tão pequenos que ele não conseguia negar a si mesmo. Não havia como controlar, quando ele percebia, estava dizendo que gostava do cabelo dela.

Não tinha como. Não há como só ser amigo dela.

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Pondo seu plano em prática, Bakugou decidiu que seria mais direto, faria Jirou saber que gostava dela. Se ela percebesse e decidisse se afastar, que se dane. Uma tortura dessas na vida é o suficiente, ele já passou por isso com Kirishima, não passaria de novo.

No dia seguinte todo o Bakusquad estava reunido para jogar video game. Como esperado, Bakugou estava derrotando-os de forma humilhante. Seis pessoas numa cama não era possível, então Kaminari e Kirishima estavam no chão, enquanto Sero, Bakugou, Jirou e Ashido estavam na cama.

Kyouka, que estava fora nessa rodada, decidiu levantar-se para pegar algo nada saudável e com muito corante para comer. Sem pestanejar, Kaminari roubou seu lugar na cama. Quando ela voltou, não houve ameaça ou briga que o fizesse sair de lá.

Jirou desistiu de recuperar seu lugar e estava pronta para juntar-se a Kirishima quando Katsuki a puxou para a cama, colocando-a entre suas pernas e passando os braços ao redor dela, rapidamente voltando a usar o controlo.

— N-não precisa, Bakugou — Ela afirma antes de mover-se para voltar ao chão.

— Cala a boca — Ele retrucou, encaixando o queixo entre o ombro e o pescoço dela.

— Sério, eu fico no chão sem problema.

— Cala a porra da boca — Ele reforçou apertando as pernas ao redor dela.

— Ok. Ela concorda com a voz sumindo. Quanto mais ela tentasse, pior seria, Jirou sabia.

Kaminari riu baixinho da situação da amiga apenas para ter Bakugou levantando a mão e explodindo-a ao seu lado, fazendo o garoto dar um gritinho.

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Kyouka estava na cozinha, lavando a louça do chá que acabara de tomar com Yaoyorozu (As duas tinham ficado ainda mais próximas depois do que Bakugou acusou a morena). Como Momo havia feito o chá, Jirou achou justo ser ela a lavar a louça.

Bakugou entrou na cozinha, ele havia jantado tarde porque estava treinando na academia, então ele também tinha louça para lavar. Katsuki encostou-se ao lado dela, a encarando enquanto lavava sua louça na pia ao lado.

— O quê? — Kyouka perguntou já rindo do jeito estranho do garoto.

— O quê o quê?

— Ok, você tem estado estranho a semana toda. Fazendo um monte de coisa sem sentido — Ela continua com um ar brincalhão. Bakugou estreitou os olhos e inclinou a cabeça pro lado — Pare de me olhar assim — Jirou secou as mãos na toalha ao lado — Parece que você está planejando meu assassinato — Ela brincou abraçando-o pela cintura.

— Eu gosto da sua cara — Katsuki respondeu colocando a louça no lugar e secando a mão também.

— E o meu cabelo. Eu sei, você me disse isso duas vezes essa semana — Kyouka lembrou-o com um sorriso debochado — Eu gosto da sua também. Dá vontade de puxar — Ela provocou puxando as bochechas dele.

Bakugou segurou as mãos dela e a encarou sério

— Eu gosto de você — Ele finalmente disse.

Jirou piscou e corou. Ela entendeu, ao menos isso. Teria que se declarar burrossexual se continuasse a se apaixonar porque não consegue entender uma declaração.

— B-bom! — Ela desviou o olhar antes de responder — Ia ser estranho ser meu amigo se me odiasse, certo? — Ela brincou.

— Eu não estou brincando, Jirou. — Katsuki engoliu em seco, um pouco nervoso pela piada parecer uma recusa. Lentamente ele a encostou contra a pia, segurando os dois pulsos da garota. — Eu gosto de você, idiota.

Bakugou aproximou o rosto lentamente. Jirou não recuou, Katsuki deixou um pequeno espaço entre eles

— Me beije, ou me soque, a decisão é sua — Ele declarou soltando as mãos dela, deixando as dele erguidas, apenas esperando.

Pareceu uma eternidade para Bakugou o tempo que Jirou demorou para se decidir. entretanto, valeu a pena quando sentiu seus lábios baterem contra os dele com força. Bakugou não perdeu tempo, ele a abraçou e a apertou contra si enquanto retribuía o beijo. Jirou passou as mãos em volta do pescoço dele e aprofundou o beijo soltando um breve gemido. Katsuki deslizou a mão pelo cabelo dela e segurou sua cabeça enquanto a apertava ainda mais contra o balcão da pia.

— Puta merda! Que porra vocês tão fazendo?! — A voz de Kaminari soou assustando os dois — Cara, Isso é uma cozinha, não um quarto! — Ele repreendeu de costas, uma mão nos olhos e a outra agitando-se na direção dos dois.

— Ei, Orelha, você é minha namorada agora, certo? — Bakugou perguntou ofegante e um sorriso torto. Ele estava feliz demais pra se importar com Kaminari.

— Sim, — Jirou concordou recuperando o fôlego. — acho que sim.

— Você quer contar pra esses idiotas?

— Ah, depois de eu encontrar vocês dois se pegando vocês querem contar — Kaminari reclamou ainda de costas — Sério, gente, qual o lance de vocês com a cozinha?!

— Cala a boca, Pikachu! Parece até que essa não é a primeira vez que isso acontece! — Bakugou berrou irritado. Ele estava corando e Jirou fitou-o surpresa por ele estar com vergonha assim como ela.

Kyouka ainda estava se apoiando na pia, ela não tinha certeza se suas pernas a aguentariam agora, então ela apenas gargalhou da reação dos dois garotos. Ela estava feliz demais para fazer qualquer outra coisa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.