Não é o que você está pensando!
9 Capítulo 9
Tinha alguma coisa errada.
Tinha que ter. Bakugou tinha certeza.
Jirou estava estranha desde quarta-feira. E já era sexta!
A garota punk jantava e corria para o quarto, só saía para comer e ir para a aula. Ela estava esquiva também. Toda vez que Bakugou se aproximava dela, não conseguia manter uma conversa por mais do que um minuto, quando muito. Nada de provocações, alfinetadas nem comentários ácidos… só isso já o deixou inquieto. Quando Bakugou aparecia com Kaminari para tocar no quarto dela, a garota estava lendo ou fazendo qualquer coisa sozinha interessante demais para trocar pela música. Desde quando alguma coisa é mais interessante que música para essa punk rock incorrigível?!
Tinha uma porra de um problema gigante aqui. E Katsuki iria descobrir o quê.
Ao final da aula da manhã, Katsuki já estava decidido que ia arrancar a verdade daquela coisa curta nem que fosse a última coisa que ele faça.
— Mais uma coisa — Aizawa anunciou monotonamente enquanto juntava seus papéis — Jirou, sua mãe ligou. Vão mandar alguém vir buscá-la às 18:30.
— Mas a homenagem começa às 19:30. Até chegar lá…Droga, eu vou ter que sair daqui pronta — Kyouka estalou um pouco rabugenta.
— Não esqueça que você precisa voltar antes do fim do dia no domingo — Aizawa acrescentou saindo.
— Sim, sensei. — Ela assentiu colocando sua mochila nas costas.
Jirou tinha intenção de sair rapidamente, contudo, havia um peso extra em suas costas. Era Bakugou puxando-a pela mochila.
— Nós temos que conversar, Orelha — Katsuki sussurrou para ela.
Soltando-a, ele seguiu o caminho até a porta.
Não era preciso nada mais para saber que Kyouka devia encontrá-lo depois do toque de recolher no salão comum. Ela deixou passar algum tempo a mais para isso. Primeiro porque queria garantir que não haveria outra confusão com pessoas passando pelo salão comum e os vendo lá; e segundo porque ela estava evitando Bakugou.
Descendo pelas escadas para ter um percurso maior, Jirou chegou ao salão comum e sentou-se na ponta oposta do sofá onde percebeu que Bakugou estava.
— O que você quer conversar? — Ela perguntou calmamente, porém direta.
— Que porra que aconteceu? — Ele devolveu com uma pitada impaciência.
— Quê? — Kyouka piscou confusa.
— Você tá praticamente trancada no seu quarto faz três dias agora. Do que você está fugindo?
— Não aconteceu nada, eu não estou fugindo — Ela respondeu rabugenta e cruzando os braços. Ela lamentou não ter sentado em outro sofá, porque Katsuki aproximou-se e ela não tinha para onde recuar.
— Então vem aqui — Ele a puxou pela cintura, deixando-a rígida como uma tábua — O que tem de errado, Orelha, cuspa — Bakugou ordenou fazendo-a encará-lo ao puxar seu queixo em direção a ele.
— Eu só… Ahn… — Jirou começou remexendo-se desconfortável — Bem, agora que está tudo se acertando com você e Kirishima, e você não precisa mais ser tão carinhoso comigo, sabe, pensei que fosse melhor eu me afastar.
— Foi isso? — Katsuki insistiu duvidoso.
— Uhum.
— Você é muito burra — Bakugou estalou
— Como é? — Ela protestou com um pouco de surpresa pelo insulto aleatório.
— Não tem ninguém aqui, Orelha, eu não preciso ser carinhoso, eu quero ser. Agora para de frescura e me diz porque você tá sumida esses tempos — Katsuki bufou enterrando o rosto no pescoço dela.
— Ok, é isso. — Jirou decidiu falar. — Bakugou, nós precisamos conversar.
— É que eu estou tentando fazer aqui. Orelha.
— Ok, primeiro de tudo, tire as suas mãos daí — Ela começou autoritária, puxando as mãos de Katsuki dos seus quadris, porque ele literalmente a puxou para o colo. Quando foi isso?! — Sabe quando todo mundo diz que nós somos um casal?
— Hm
— Bem, isso é porque às vezes você faz mais do que só abraçar. Você faz coisas… que namorados fazem. — Kyouka explicou como se falasse com uma criança sobre um assunto sério — E isso… é estranho. — Obrigado, todos acima dos céus, por estar escuro o suficiente para ninguém ver o rosto corado de Jirou.
— Espera, isso é por causa da frescura dos outros? — Bakugou indagou aborrecido, inconscientemente recolocando a mão sobre a coxa dela.
— Não… — Ela recomeçou novamente tirando a mão dele de lá — Isso é porque algumas coisas são… embaraçosas. — Jirou juntou a pontada dos fones, e reclamou como uma criança que foi pega em flagrante roubando doce — Tipo, beijar meu pescoço, ou cheirar meu cabelo, ou… tocar demais. — E novamente foi preciso retirar a mão de Katsuki de seus quadris — Isso me deixa... desconfortável. É, hm, basicamente como se você estivesse tocando meus fones. — Ela explicou saindo do colo dele, o rosto vermelho como uma pimenta. — O tempo todo.
— Oh, merda. Eu não sabia. Eu só… — Katsuki recuou um pouco, erguendo levemente as mãos, ao entender bem o que isso significava — Porra, foi sem querer.
— Tudo bem, só… pare. — Ela enfatizou a última palavra. Deixando um silêncio estranho.
— Então… Você não quer mais que eu te abrace.
— Não necessariamente. Só… não exagere, ok?
— Eu posso fazer isso — Bakugou concordou um pouco desconcertado. Novamente um silêncio ligeiramente constrangedor.
— Bom, eu tenho que ir. Amanhã eu tenho que fazer toda a parafernalha para a homenagem do meu pai. — ela despediu levantando-se.
Bakugou concordou com apenas um gemido curto. Kyouka se chutou mentalmente por não ter usado a homenagem como desculpa para seu sumiço. Mas tudo bem, pelo menos ela pôde se livrar desse assunto desagradável.
Agora que Bakugou havia compreendido que ele estava extrapolando os limites o tempo inteiro, eles poderiam voltar a ter uma amizade tranquila. Com o tempo, Jirou ia poder ignorar essas borboletas estranhas no estômago quando ele a abraçava. Ela só precisava que ele parasse de a tocar de um jeito tão… arrepiante e morno.
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