Katsuki estava na sala comum, mastigando um fini comprido e socando todo o conhecimento que tinha na cabeça de Kirishima. Eles precisavam começar cedo se quisessem que as notas de Kirishima subissem até o topo.

O resto da turma estava tranquilamente curtindo o tempo vago, espalhados pelo salão comum, até alguns alunos da turma B estavam na cozinha, com Sato e Sero.

Todos pararam o que estavam fazendo quando ouviram bater na porta da frente. Ninguém esperava visitas e os estudantes da turma B só entravam mesmo, já estavam muito acostumados com o dormitório para ter que bater.

Iida foi quem correu para porta, abrindo-a totalmente para revelar um rapaz, não parecendo tão mais velho que eles, em um terno preto com uma grava com detalhes de musicais em branco e dourado, um pircing no nariz — a principal indicação de que tinha mais de 18 anos -, luvas e sapatos preto reluzentes.

— Oh, olá, eu vim buscar a Kyouka-chan — Ele fez uma reverência afetada e tinha um sorriso de deboche — Me disseram que ela estaria aqui?

— Pode entrar! Eu sou Ashido Mina e esse é o nosso representante Iida-kun. E você é? — Mina disparou correndo para a porta e jogando-se nas costas de Iida.

— Eu sou Fukuymi Tokai, podem me chamar de Toki se preferirem. Ouvi muito falar de você, Ashido-san — Ele estendeu a mão para a garota — Qualquer um que consiga enlouquecer Kyouka-chan, merece minha amizade — Toki sorriu conspiratoriamente.

— Eu vou chamar, Kyouka-chan — Asui se ofereceu.

— Ah, não, não, por favor. — Fukuymi agitou as mãos. — Antes de mais nada, quem é Yaoyorozu Momo? — Tokai perguntou sorrindo de orelha a orelha. Ele parecia estar amando a situação.

— Sou eu, muito prazer — Momo levantou-se e fez uma curta reverência com um sorriso.

A esse ponto a comoção geral chamou a atenção de Bakugou, ele e Kirishima se aproximaram também.

— Oh, sim, você é uma moça muito bonita. Assim como Jirou falou — Tokai começou animado se aproximando e segurando a mão de Yaoyorozu.

Obviamente, Bakugou pensou, ele sabia sobre a situação de Jirou em relação à Yaomomo.

— Todoroki Shoto — O meio a meio se materializou ao lado de Momo.

— Oh, sim. Ouvi falar de você. — Tokai o cumprimentou — Então, me diga, Jirou é incrível não é? Uma boa amiga, ótimos gostos para música, além de sempre estar lá por você. — Ah sim, ele com certeza sabia, — Não acha que…

— Ei, garoto maravilha, por que não me avisou que tinha chegado? — A voz de Jirou soou.

— Porra — Bakugou, deixando cair o fini da boca, foi o único que soltou alguma exclamação ao vê-la.

Kyouka tinha acabado de sair do elevador, ainda com as mãos na cintura, e a sobrancelha erguida. Ela estava vestindo um vestido cor de vinho, bem escuro, sem alça, que tinha algumas notas rendadas do busto até o final do abdômen, onde começava uma saia pregada que ia até os joelhos. Uma meia preta arrastão, botas roxas escuras e luvas, também roxa escura, que iam até acima dos cotovelos, além de uma gargantilha da mesma cor.

O batom roxo escuro e delineador foram, provavelmente a primeira maquiagem que alguém já tinha visto no rosto da garota punk. O cabelo feito em cachos soltos causavam tanta surpresa quanto o vestido meio gótico da década de 20.

— Como soube que eu cheguei? — Tokai foi o único que não estava em choque.

— Asui me mandou mensagem. O que houve com o seu cabelo? — Ela sorriu brincalhona.

— Olha que fala — Ele revirou os olhos e tocou o próprio cabelo, como se Jirou os tivesse ofendido.

— Você parece um engomadinho — Jirou provocou cobrindo o riso com a mão.

— E você tinha que ser punk, não é? — Ele a repreendeu com um suspiro.

— Ei!, não é culpa minha. Ela diz “seja clássica” — Kyouka imitou uma voz fininha — e então ela me manda um vestido cor de vinho e luvas roxas — Ela apontou para a própria roupa como se fosse óbvio.

— Luvas roxas compridas— Tokai corrigiu erguendo as luvas com as pontas dos dedos para dar ênfase — E eu tenho certeza que a gargantilha e a meia arrastão não estavam na caixa.

— Não posso fazer nada. Esse negócio não tem alças, eu me sinto nua sem a gargantilha. E a meia arrastão é para segurar meu celular. Não tem bolso nisso aqui — Jirou encolheu os ombros e explicou com naturalidade.

— Você está linda, Kyouka-chan — Momo, já se acostumando com a nada costumeira vestimenta deslumbrante da amiga, foi quem afirmou. Fazendo Jirou corar dois tons.

— O-obrigada, eu acho — Kyouka murmurou juntando as pontas dos fones.

— Ela é sempre bonita, não acha, Yaoyorou-san? — Tokai insistiu antes de um dos fones de Jirou surgir bem na sua frente, então ele ergueu as mãos em defesa. — Desculpa.

— Sim, claro — Momo concordou com um sorriso doce.

— Pessoal, esse é Fukuymi Tokai, ele é filho de um dos amigos do meu pai, e um idiota completo — Jirou apresentou com um beicinho aborrecido.

— Não precisa ser tão rude, irmãzinha — Fukuymi provocou esticando a mão para dar um tapinha amigável na cabeça de Jirou.

— Desfaça esse cabelo e eu prometo que seu irmão vai ser filho único — Ela ameaçou respirando fundo e apontando os fones para ele.

— Isso foi ofensivo, você deveria respeitar os mais velhos — Ele continuou provocando-a.

— Oh, por favor. Você é quatros anos mais velho que eu — Jirou revirou os olhos.

— Eu vou culpar o estresse pré-show e ignorar todas as suas palavras ácidas, ok?

— Eu preciso desesperadamente de um bolso para manter minhas mãos ocupadas — Jirou bufou abrindo e fechando as mãos. Ela olhou para o lado, para as calças de Tokai e ficou encarando.

— Quê? — Ele perguntou erguendo uma sobrancelha.

— Você tem bolsos — Ela constatou pensativa.

— Não. Não, nem pense nisso, aqui — Tokai segurou uma de suas mãos e enroscou o braço dela no seu — Eu vou manter essa aqui ocupada. Pronta para fazer seu velho chorar? — Ele acrescentou dando dois tapinhas no dorso da mão de Jirou.

— Eu não preciso me esforçar para isso, não é? — Ela brincou sorrindo travessa.

— Nope. Você só precisa aparecer.

— Então vamos lá! — Kyouka começou a andar — Tchau, pessoal. Até amanhã — Ela acenou uma vez.

— Não, ei! espera! — Ashido despertou e correu para frente dos dois com o celular na mão. Jirou demorou para processar a informação até ver o flash.

Kyouka piscou e corou quando Mina tirou uma segunda foto.

— M-Mina! Para com isso! — Ela ordenou retesando a coluna.

— Você tá brincando? Isso é um evento raríssimo na UA — Ashido provocou.

— Só vamos embora daqui — Kyouka rosnou puxando Tokai para fora do prédio.

Enquanto isso Bakugou estava lá, parado, olhando toda a cena. Em algum momento entre a entrada de Jirou e a saída da garota punk pela porta da frente, o cérebro de Bakugou viu uma tela azul.

Quando Kaminari perguntou se tava tudo bem com ele, Katsuki corou e gritou que não era da conta dele. O que ele podia fazer? Ele ainda não estava processando direito. Por isso o jovem explosivo decidiu subir para o seu quarto, muito pensativo.

Bakugou deitou-se na cama esfregou as têmporas, alguma coisa aconteceu lá embaixo. Ele não estava certo do quê, mas definitivamente algo aconteceu. Foi então que as fotos que Ashido havia tirado chegaram no grupo que o Bakusquad mantinha. Katsuki abriu as imagens e sentiu um soco invisível acertá-lo no estômago.

— Porra, — Ele exalou — talvez eu não seja gay.