Não é o que você está pensando!
14 Capítulo 14
Jirou não podia querer ser enterrada mais do que agora. Ela acabou de receber uma reprimenda do aizawa-sensei. Por quê? Por que Bakugou não a larga! Por que já é maravilhoso ter o cara que você gosta — que é gay, a propósito — o tempo todo colado em você. Claro que o universo não poderia atazana-la só com esse pequeno grande detalhe. Era preciso uma reprimenda do seu sensei pelo comportamento inadequado nos intervalos das aulas para ambos.
Kyouka pensou que, já que os seus pedidos, reprimendas — e às vezes socos — não serviam em nada para afastar Katsuki, ao menos depois de ter que ouvir do professor de sala, o garoto teria algum senso de limite.
Parece que ela estava errada.
— Ei, Orelha, aqueles idiotas vão assistir um filme no quarto do Cabelo de Merda — Bakugou chamou-a por trás, já puxando-a pela cintura — Você quer ir com eles ou prefere jogar comigo?
Sério, eles mal tinham chegado no dormitório. eles ainda estavam de uniforme.
— Droga, Bakugou, dá uma pausa — Jirou bufou desvencilhando-se dele corando furiosamente — O que tem de errado com você esses dias, ein? Eu não acredito que o sensei tenha brigado com a gente.
— Tch. Não tem nada demais — Katsuki reclamou novamente a puxando para si — Você estava sempre reclamando de frio essa semana. Eu sou mais quente que o normal, eu estou só te aquecendo.
Espera.
Espera um pouco.
Bakugou está… ronronando?!
Jirou estagnou surpresa, confusa e completamente vermelha. Ok, a última parte foi porque Bakugou enterrou — pela milésima vez — O rosto no seu pescoço.
— Kyouka-chan, tudo bem? — Momo chamou-a com uma expressão nada amigável.
Não parecia possível, mas Jirou ficou ainda mais vermelha.
— O que você quer, Rabo de Cavalo? — Bakugou resmungou menos amigável ainda.
— Kyouka-chan, podemos conversar? — Momo pediu pegando a mão de Jirou e guiando-a para o dormitório feminino.
Bakugou não gostou nada disso. Ele sabia que Jirou gostava de Momo, demorou um pouco para perceber que estava com ciúmes. Katsuki quis explodir a própria cara quando notou. Ele vinha usando toda a parte racional de seu cérebro para convencer-se de que não gostava de Jirou.
Porra, ele foi repreendido por comportamento inadequado. E nem foi por entrar em uma luta! A verdade é que toda vez que Katsuki abraçava Jirou ele dizia a si mesmo “Viu? Não tem nada de errado em tocá-la” “Não aconteceu nada por cheirá-la” “Não sentiu nada beijando o pescoço dela” “Ela continua sendo só sua amiga, mesmo segurando-a pelos quadris” e por aí vai.
Ainda assim, ele não pôde deixar de se enfurecer por ver que a Rabo de Cavalo só precisava de duas palavras para arrancá-la dos seus braços como um cachorrinho.
Enquanto isso, Momo levou Jirou para seu quarto com uma expressão séria. Pedindo para que Jirou se sentar na cama e fitando-a tão solene que Kyouka ficou um pouco desconfortável.
— Kyouka-chan, você quer falar alguma coisa sobre Bakugou? — Momo começou calmamente apoiando as mãos nas coxas, a coluna ereta e os ombros retesados.
— Momo, que cara é essa? — Jirou estreitou os olhos e inclinou um pouco a cabeça, desconfiada.
— Kyouka, você sabe que você pode confiar em mim, certo?
— Hm… sim. Claro que sei.
— Então, você sabe que eu não contaria para ninguém se você me dissesse... — Yaoyorozu segurou a mão da amiga e a olhou compreensiva — que você está namorando, certo?
— Você também não, Momo… — Jirou gemeu deixando os ombros caírem.
— Me desculpe, eu sei que você não gosta de falar sobre isso e te deixa desconfortável. Mas você é minha melhor amiga, eu te conto tudo, então… — Yaomomo soltou a postura rígida e agora parecia uma garotinha arrependida — Eu ia gostar se você me contasse tudo também.
Jirou suspirou. Não há muito o que fazer, apesar de não ser como antes, negar algo à Momo ainda era um pouco difícil.
— Não tem nada, ok? Bakugou e eu somos só amigos. É tudo.
— Amigos bem íntimos — Yaoyorozu insistiu.
— Oh, pare. Você tem permissão para me abraçar tanto quanto ele — Jirou revirou os olhos
— Mas é... bem diferente. — A morena tentou erguendo uma sobrancelha.
— Eu já disse que ele é um pouco exagerado — A garota punk resmungou com um beicinho e cruzou os braços.
— Kyouka, isso vai além de ser um pouco exagerado. Se não há nada entre vocês. Então porque você permite?
— Eu não permito. Eu só não consigo fazer ele parar — Ela suspirou encolhendo as pernas frustrada.
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos. Até Yaoyorozu se aproximar séria e preocupada.
— Kyouka-chan, Bakugou…?
— Não — Jirou interrompeu — Não se preocupe com isso, Bakugou nunca faria algo assim. Eu só… eu pedi para ele parar, mas eu não sei o que aconteceu nesses últimos dias — Jirou gemeu escondendo o rosto — Ele estava parando, então do nada parece que piorou.
— É visível que você fica envergonhada com isso. Eu não duvido que vocês sejam bons amigos, mas, vale a pena ficar desconfortável? Por que simplesmente não se afasta?
Jirou mordeu o lábio e pensou um pouco antes de responder. Isso não ia ser estranho não é? Contar para sua primeira paixão sobre a sua segunda paixão? Afinal, Momo nem sabe que Kyouka gostou dela desse jeito. E Jirou sabia que era horrível ter que lidar com um amor não correspondido sozinha, foi assim por muitos meses até Bakugou descobrir e ela ter com quem desabafar. No fim de tudo, Yaoyorozu ainda era sua melhor amiga, talvez contar tudo a ajudasse a superar Katsuki.
— É porque… talvez… só talvez... — Ela desviou o olhar e praticamente cuspiu um: — Eu goste dele.
Yaoyorozu piscou duas vezes e arrumou a postura com um pouco de surpresa.
— Eu disse Talvez! Eu não tenho certeza. — Kyouka acrescentou rapidamente — E mesmo que gostasse, eu sei que ele não gosta de mim.
— Tem certeza? — Momo retomou a conversa depois de compreender o panorama.
— Sim. Absoluta, chances negativas de alguma coisa acontecer — Kyouka afirmou categórica. — Você já falou com ele sobre isso? Ele parece prestes a beijar você a todo instante.
— Eu já disse. — Jirou revirou os olhos — Eu falei para parar com isso porque…
— Não, Kyouka. Você já com ele sobre vocês? — Yaomomo explicou aproximando-se da amiga.
— Não tem vocês, Momo. Ele gosta de outra pessoa.
— Oh…
— É, eu sei. — Jirou suspirou — Foi por isso que eu não me importei de ser mais carinhosa com ele. Mas agora… agora eu só quero superar isso e seguir em frente, ok? Então, por favor, você pode ignorar o assunto?
— Ok. Mas se precisar de mim, eu estou aqui, ok? — Momo concordou abraçando a garota.
— Obrigada.
Jirou encostou a cabeça no ombro de Yaoyorozu e se deixou ser consolada. Isso devia ser alguma espécie de piada do destino. Um castigo por Kyouka ser tão irônica e sarcástica o tempo todo. Que outro motivo existiria para ela ter se apaixonado por Momo, ser consolada por Bakugou, então ficar apaixonada por Bakugou e estar sendo consolada por Momo?
— E você devia ter sido mais carinhosa comigo, não com ele — Yaoyorozu choramingou puxando Kyouka para mais perto de si.
Definitivamente Jirou superou Yaoyorozu. Porque a garota punk nunca sentiu vontade de socar Yaomomo como agora. Que filha… Nada disso teria acontecido se… Jirou tivesse sido mais óbvia ou tivesse se declarado para Momo. A culpa era dela, não da morena.
Talvez ela não tenha superado tanto assim. Pelo visto, ela ainda não conseguia ficar com raiva de Yaoyorozu.
É possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? Ela realmente gosta de Bakugou? Claro que sim, ela não consegue passar um dia sem suspirar por ele (e sofrer por não ter a menor chance). Ela ainda gosta de Momo? Talvez não como um interesse romântico. Não é mais como antes, isso é certeza. Teria ela confundido amizade com paixão? Nãaao. Ela queria Momo tão mal que às vezes corava só de vê-la ao lembrar o que sua mente divagava.
Uma coisa era certa: Isso estava virando bagunça!
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