Notas iniciais
*Desculpa pela demora.
*Espero que vocês gostem do capítulo.

27 de Novembro de 2011.

“Diário de Smallville:

Cientista da Smythe Corporation é assassinado de forma misteriosa.

Por: Ellen Bryce.

Na noite de ontem, o corpo do cientista Finnegan Hudson, 45, foi encontrado sem vida na casa onde vivia, situada nas proximidades do centro da cidade de Smallville. Finn Hudson, 19, o filho do homem foi quem encontrou o corpo já sem vida, na cozinha de sua casa, após segundo ele “ouvir a voz alterada de seu pai.”

O homem foi morto por seis golpes por uma arma pontuda, provavelmente uma faca de cozinha, que foi levada pelo assassino, que entrou e saiu andando, já que nenhum dos vizinhos da família Hudson ouviu ou viu veículos nas proximidades durante o momento do crime.

A polícia de Smallville está trabalhando duro no caso, mas até o presente o momento nenhuma pista do assassino, ou possíveis motivações foram encontradas.

Vizinhos, e colegas de trabalho de Hudson afirmam que ele era um homem bastante simpático, e até mesmo brincalhão, tratando a todos sempre com muito respeito. O choque ao saber da morte dele foi terrível para essas pessoas.

Lionel Smythe, não quis comentar sobre o ocorrido, mas através de sua assessoria de imprensa afirmou que vai cobrar da polícia respostas sobre quem teria agido de forma tão brutal contra um dos melhores funcionários de sua empresa, e exemplar pai de família.

O velório ocorrerá na tarde de amanhã, a partir das 14h30min, na igreja de Saint Paul, localizada na cidade de Metropolis, cidade natal da vítima, e o enterro ocorrerá no cemitério homônimo que fica aos fundos da igreja.

Finnegan Hudson trabalhava na Smythe Corporation há 16 anos, e foi precedido em sua morte por seus pais, Andrew e Margaret Hudson, e deixou sua esposa, Carole Hudson, 42, um filho, Finn Hudson, uma irmã, Farah Winslet, 41, o cunhado, John Winslet, 42, dois sobrinhos, e muitos amigos.

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“Eu odeio a aula de educação física.” Rachel murmurou para Brittany, enquanto as duas adolescentes estavam a caminho do ginásio, naquela que seria a primeira aula do dia. “Não sou contra quem gosta, só acho que deveria ser uma matéria opcional.” Brittany apenas dava risadinhas. Rachel não mudava nunca, e ela esperava que isso não acontecesse.

Assim que as duas chegaram no local, viram um grupo de garotas em uma rodinha, e duas cordas que estavam amarradas no teto da quadra.

“Ah, eu odeio isso!” Rachel exclamou, e até mesmo Brittany, que era uma grande amante de esportes, detestava escalar a corda.

“Bom, meninas, vocês já sabem qual é a atividade da aula de hoje.” Shannon Beiste, professora de educação física, e treinadora do time de futebol feminino, perguntou. “Bom, quem vai começar?” Brittany desviou o olhar e Rachel cruzou os braços, ambas evitando o contato visual a intimidadora treinadora. “Berry e Pierce, vocês terão a honra.”

As duas adolescentes se entreolharam, e sem dizer uma única palavra em protesto, e caminharam até o meio da quadra, cada uma próxima de uma corda, e ao som do apito de Beiste, elas começaram a escalar.

Como era de praxe, Brittany foi mais veloz e mais forte que Rachel, e quase chegou ao topo primeiro, se não fosse pela forte e repentina ardência em seus olhos, que a fez parar, possibilitando Rachel de alcançá-la.

“Britt, está tudo bem?” A morena perguntou, então no momento em que Brittany virou-se para responder à sua amiga, ela se assustou, porque ela não viu o rosto de Rachel, bom, na verdade era sim o rosto de Rachel, mas Brittany estava vendo através de sua pele, e a imagem não era nenhum pouco agradável.

O susto foi tamanho, que acabou ocasionando a queda da loira, o que causou um alvoroço entre as meninas, que correram e formaram um círculo em volta da garota que caíra sentada, e mantinha seus olhos fechados.

“Pierce, você está bem?” Beiste perguntou.

“Sim, treinadora.” Ela respondeu, mas mantinha os olhos fechados.

“Abra os olhos, Pierce.” Brittany sentiu a mão da treinadora em seu ombro direito, mas Brittany não acatou a ordem e manteve seus olhos bem fechados. “Pierce!” Após a última ordem, Brittany abriu um dos olhos, e ao ver o rosto da treinadora Beiste normalmente, ela abriu o outro, totalmente aliviada. Ela não fazia idéia do que acabara de lhe acontecer. “Vamos, eu vou te levar à enfermaria.” A mulher começou a levantar a garota.

“Não precisa, treinadora, eu estou bem.” Brittany lhe garantiu, porque apesar de ter caído de uma altura considerável, ela não tinha nenhum ferimento, ou mesmo dor.

“Como não precisa? Você não tropeçou nos próprios pés, você caiu de quase quatro metros de altura, garota, você vai para a enfermaria agora mesmo.” A mulher respondeu, e Brittany decidiu que era melhor não discutir, então ela apenas se levantou e acompanhou a treinadora, sob olhares surpresos das outras meninas que estavam ali.

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Após o treino das Cheerios, Santana arrumava suas coisas para tomar banho, quando Sugar Motta adentrou o local.

“Santana, nós podemos conversar?” Ela perguntou, ignorando os olhares e risinhos maldosos de algumas das líderes.

“Claro, Sugar, só espere eu tomar um banho, eu não demoro.” A morena respondeu.

“O que eu tenho para dizer é rápido, e muito importante.” Sugar argumentou.

“Tudo bem, fala.” Santana cruzou os braços e ficou esperando o que sua amiga iria lhe dizer, se bem que, para ser sincera, ela já fazia uma certa idéia de qual seria o assunto da conversa.

“Por que você está ignorando Amanda?” Um sorriso irônico surgiu nos lábios da morena, ao ouvir a pergunta da amiga.

“Eu tinha certeza que você iria falar dela para mim.” Santana sacudiu a cabeça, incrédula. “Foi ela quem te mandou aqui? Por que ela mesma não vem falar comigo?”

“Ela não fez nada disso, não tire conclusões precipitadas Santana, esse é um grande defeito seu, e você faz isso toda hora.” Sugar falou, mas não era na verdade não era o que ela tencionava dizer para sua melhor amiga.

“Ah, então o que é? Agora, eu sou a culpada da história?” Santana falou impaciente.

“Eu não estou dizendo isso, tanto você quanto Amanda são vitimas nessa história.” Santana abriu uma risada debochada.

“E quem é o vilão? Não responde não, eu já sei: a culpada de tudo isso é a Brittany, não é?” Santana ironizou, e o silêncio de Sugar consentiu com as palavras ácidas da amiga. “Eu sabia, é muito fácil para Amanda jogar tudo nas costas da Brittany.”

“E é muito fácil para você acusar Amanda de tudo, quando nem sequer sabe o que essa tal Brittany é.” Sugar disse, irritada. “Você acha que conhece essa garota, mas não sabe quem ela é de verdade, ninguém sabe, nem mesmo os amigos dela sabem.” Santana balançou a cabeça.

“E você sabe?” Santana a questionou.

“Sim, eu sei!” Sugar respondeu seca.

“Ah, então me diga, o que ela é?” Santana a desafiou, Sugar deu um passo para trás e engoliu seco. “Fala Sugar, o que ela é?”

“Esqueça isso.” A garota falou baixo. “Você não vai acreditar se eu te contar.”

“Ah claro, você provavelmente está inventando essa história toda, assim como Amanda que uma vez fez a garota de espantalho em represália a uma coisa que ela nem sequer teve culpa alguma.” Santana falou irritada. “Está na hora de vocês duas pararem com essa implicância boba com a Brittany, ela não fez nada para vocês, vem de uma ótima família, e é uma menina com muitas qualidades, só não vê quem não quer.”

“Tudo bem Santana, se você acredita mesmo que a Brittany é a personificação da bondade, eu lamento, espero que não só você, mas todo mundo, inclusive os amigos dela vejam a verdade enquanto é tempo, e então você vai se lembrar do que eu estou te falando hoje.” Sugar parecia magoada. “Além do mais, eu te aconselho, como a grande amiga que sempre fui para você, a pensar duas vezes antes de trocar a sua namorada por essa... Coisa, e assim irá evitar grandes surpresas desagradáveis.” Sugar simplesmente virou as costas para deixar o local, mas voltou a encarar Santana. “Ah, e só mais uma coisa: Amanda está passando por um momento decisivo para a sua vida, e precisa de todo o seu apoio, já que ela não tem praticamente nenhum em casa, e Santana, não se esqueça, ela sempre esteve ao seu lado quando você precisou dela, agora é a sua vez de mostrar lealdade.” Ao dizer isso, Sugar deixou o vestiário, e Santana ficou para trás, pensativa.

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Após a aula, Santana e Rachel seguiram para o Talon, onde planejavam uma matéria especial para o Smallville Torch, e também falar daquele que era o assunto de quase todos na cidade: O assassinato de Finnegan Hudson.

“Eu vi hoje no noticiário que ainda não encontraram nenhuma pista do assassino do Dr. Hudson, já estão começando a chamá-lo de Assassino Invisível.” Rachel comentou, enquanto as duas adentravam o coffee shop.

“Será mesmo possível que exista um assassino invisível?” Santana perguntou, e as duas sentaram-se em uma mesa de canto, onde rapidamente foram atendidas pela jovem garçonete.

“Olha, em qualquer outra parte do mundo, eu acharia absurdo, mas aqui em Smallville, tudo é possível.” Rachel respondeu logo após a garçonete anotar os pedidos e sair dali. Rachel continuou a falar, mas suas palavras se tornaram distantes, pois ela viu Amanda sentada no balcão, com um envelope em mãos, para o qual ela olhava fixamente, que nem sequer percebera a presença de Santana ali.

Ela ficou olhando para a ruiva por um tempo, e a conversa de Rachel estava cada vez mais distante, até chegar a um ponto de ser ininteligível e inaudível para ela.

“... Então, eu pensei que essa matéria seria ideal para...” Ao perceber a ‘distância” de Santana, ela parou de falar, o que não fez diferença nenhuma para a outra adolescente. Rachel virou a cabeça e viu para quem a sua colega olhava tão fixamente, e as duas só voltaram sua atenção uma para outra, assim que a garçonete voltou com um café forte e um cappuccino, para Santana e Rachel, respectivamente. Nesse instante, Santana percebeu a sua falta de consideração para a outra garota.

“Rachel, me desculpa, eu estava distraída, o que você estava falando?” Ela perguntou, sentindo-se envergonhada.

“Está tudo bem.” Rachel falou antes de tomar um gole de sua bebida favorita. “Eu... Eu acho que você deveria falar com ela.” Rachel sugeriu, sentindo um peso na consciência por de certa forma estar fazendo um movimento para uma possível reconciliação entre a garota que Brittany gostava, com aquela que ela detestava.

“Eu acho que você tem razão.” Santana respondeu e abriu um sorriso. “Obrigada Rachel.”

Santana se levantou e caminhou até o balcão, e assim que Amanda notou sua presença, ficou visivelmente inquieta.

“Oi Amanda.” Ele a cumprimentou.

“Oi Santana.” A ruiva respondeu, e abriu um sorriso. “Eu vi quando você chegou, mas eu não pensei que você viria falar comigo.”

“Nem eu.” Santana respondeu com sinceridade. “Você quer se sentar em uma mesa comigo?”

“Claro.” Amanda respondeu, um sorriso animado surgiu em seu rosto.

As duas se sentaram na primeira mesa, que estava vazia.

“Eu... Senti sua falta.” Amanda falou baixo. “Semana passada, quando você esteve em coma, eu fiquei tão preocupada, mal consegui dormir naqueles dias, foi um pesadelo para mim, você nem faz idéia.” Amanda desabafou. “Eu estive no hospital, mas a sua avó não me deixou entrar para ver você, eu só soube da sua situação porque a Sugar me falava tudo.”

“Eu sinto muito...” Santana começou.

“Não se preocupe, isso não é sua culpa, e além do mais, só de saber que você saiu muito bem dessa, já foi o suficiente para mim.” Apesar do sorriso que Amanda mantinha em seu rosto, a tristeza ainda estava presente em seu olhar. “Eu amo você, você sabe, mas eu não quero que você se sinta pressionada, porque apesar de ser desse jeito, esquentadinha, eu vou entender perfeitamente se você quiser terminar, se você quiser outra pessoa...”

“Amanda, eu não quero terminar, muito menos por outra pessoa, de onde você tirou isso?” Ela pegou nas mãos de Amanda. “Eu amo você também.”

“Obrigada Santana, você é a melhor menina que eu poderia ter encontrado, eu tenho muita sorte de você me corresponder.” Amanda entendia exatamente o que Brittany sentia por sua namorada, mas para o seu azar, e sorte da jogadora, Amanda conseguira chegar primeiro, mas para ela não restavam dúvidas de que Brittany também teria chance de ser a namorada de Santana se não fosse por sua timidez excessiva. “Eu posso te pedir mais uma coisa?”

“Claro, Mandy.”

“A treinadora Beiste me falou que na sexta-feira, durante o jogo do nosso time contra Topeka Galaxy, um olheiro da Universidade de Metropolis, para me avaliar, e talvez eu possa conseguir uma bolsa de estudos se tiver um bom desempenho.” Amanda falou animada.

“Isso é ótimo! Além do mais Metropolis é perto daqui, nós vamos poder nos ver com muita freqüência.” Santana sorriu.

“Bom, você vai estar lá para mim?” Amanda perguntou em misto de insegurança e esperança.

“Mas é claro que sim, e eu tenho muita confiança de que você vai arrebentar, e conseguir essa bolsa, eu sempre soube que o seu talento te levaria para um lugar bem melhor que essa cidade.” Santana respondeu e deu um beijo no dedo anelar da mão esquerda de Amanda. “E nós vamos estar juntas quando isso acontecer.”

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Brittany chegou em casa e encontrou seus pais assistindo televisão juntos.

“Olá família.” Ela cumprimentou os dois, e colocou sua mochila ao lado do sofá em que sentou.

“Olá filha, como foi o seu dia na escola?” Martha perguntou, e Brittany suspirou.

“Hoje aconteceu mais uma coisa estranha comigo, e eu acho que ganhei uma nova habilidade.” Ela respondeu. “Eu tive alguns flashes de visão de Raio-X.”

“Quando aconteceu isso?” Jonathan perguntou, intrigado.

“A primeira vez aconteceu na aula de educação física, logo de manhã.” Brittany respondeu. “A professora Beiste passou o exercício de escalar a corda, e quando eu estava quase lá em cima, eu senti meus olhos arderem para valer, e quando a Rachel parou ao meu lado para perguntar se estava tudo bem, eu olhei para ela e vi os seus músculos e não o seu rosto.” Lembrar daquela imagem não era algo agradável para Brittany, assim como não foi para os seus pais imaginá-la. “Eu levei o maior susto e até caí de lá de cima.” A garota concluiu.

“Você se machucou filha?” Martha perguntou preocupada, ela sabia o quão alto ficavam essas cordas, e sempre considerou esse exercício um tanto quanto perigoso. Mais de um aluno já havia se machucado feio praticando-o.

“Está tudo bem, mãe, você sabe, eu tenho uma boa resistência.” Brittany assegurou à mãe, com um sorriso tranqüilizador.

“E depois disso, aconteceu outras vezes a visão de Raio-X?” Jonathan perguntou.

“Sim, e o pior é que eu não posso controlar, meus olhos simplesmente começam a arder e quando eu percebo já estou vendo tudo em Raio-X, é horrível.” Brittany se referiu não só o incidente com Rachel, mas também em um na hora do almoço, em que uma dessas malditas visões aconteceu bem quando ela passava em frente ao vestiário masculino, e ela foi obrigada a ver um bando de garotos seminus, o que lhe deu náuseas, mas é claro que os seus pais não precisavam saber disso.

“Tente fazer isso agora, veja o que tem dentro do bolso do meu casaco lá no cabide.” Jonathan apontou para o casaco que estava ao lado da porta de entrada da casa, e a garota olhou fixamente para ele, até espremendo os olhos, mas nada aconteceu. “Nada?”

“Nada.” Ela respondeu, frustrada.

“Talvez você precise de um pouco de tempo para aprender a controlar isso.” Martha falou, e Brittany apenas abriu um pequeno sorriso. Ela queria que aquilo desaparecesse de vez.

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A porta principal da mansão Smythe se abriu, e Rachel adentrou o local, onde foi recebida por Sebastian.

“Fique bastante surpreso em saber que você gostaria de falar comigo.” Ele falou, sentado em sua cadeira.

“Sebastian, eu vou ser breve, eu sei que você tem uma empresa para administrar, portanto não quero tomar muito do seu tempo.”

“Não precisa ter pressa, sente-se, fique a vontade, aceita um café ou um chá?”Ele perguntou, logo que a garota sentou-se.

“Não, muito obrigada.” Rachel respondeu e abriu um sorriso simpático, para diminuir a recusa.

“Então, diga-me, no que posso ajudá-la?”

“Eu gostaria de falar sobre o Sr. Chang.” Rachel respondeu com cautela, pelo o que ela vira, Sebastian se mostrava um bom rapaz, mas eles ainda não eram o que ela poderia chamar de amigos.

“Na verdade, eu já estava esperando por isso, é facilmente notável que dentre os seus amigos, você é a mais perspicaz e com a personalidade forte, mas mesmo assim nós dois sabemos que eu não devo nenhuma satisfação à você ou ninguém.” Ele falou em um tom frio.

“Você está certo, mas, mesmo assim, Mike é meu amigo, e eu conheço o Sr. Chang há muitos anos, ele sempre falou com muito orgulho sobre o seu trabalho, eu não consigo entender porque ele foi dispensado.” Sebastian abaixou a cabeça e abriu um sorriso irônico.

“Rachel, eu entendo você, e admiro o seu faro jornalístico e principalmente a sua coragem de vir até aqui e dar a cara a tapa por algo que não te afeta diretamente.” Sebastian falou.

“Está enganado Sebastian, Mike e Brittany são meus verdadeiros amigos, e eu os estimo como se fossem da minha própria família, então, o que as afeta me afeta também.” Rachel falou, e Sebastian mordeu o lábio inferior, tentando imaginar como seria o laço de Rachel com Brittany e Mike, já que amizade verdadeira era uma coisa que ela nunca havia tido em toda a sua vida, e amor na família era somente algo que ele presenciara na televisão. “Olha, eu não deveria falar disso com ninguém, principalmente com você, que conhece o Sr. Chang há tanto tempo, porque isso será um grande choque, mas eu não quero que você saia por aí, mais uma vez, pensando que eu sou o bicho-papão de Smallville.” Ele falou, e suspirou, com um ar magoado. “Não pense que não me dói ser sempre olhado com desconfiança por todas as pessoas, por causa de erros que nem fui eu quem cometeu, mas eu não condeno ninguém por isso, afinal, é quase como uma herança não é? Mas se tem alguém que conhece bem que tipo de pessoa Lionel Smythe é, esse alguém sou eu, o que essas pessoas todas passaram nas mãos do meu pai, não é nem dez por cento do que eu passei, acredite em mim.”

Rachel não tinha motivos para desconfiar do testemunho de Sebastian, todos na cidade de Smallville conheciam bem o tipo baixo e vil que Lionel Smythe era, e ela não duvidava que ele mantinha essa mesma postura com o seu filho.

“Eu posso imaginar.” Rachel falou em solidariedade.

“Não é fácil para mim te dizer essas coisa sobre o meu próprio pai, mas infelizmente essa é a minha realidade.” Sebastian suspirou fundo. “Eu sei que ele já prejudicou a vida de muita gente, e por causa dele, eu sempre serei visto com olhos de desconfiança, e tenho o ônus da prova, sou culpado até que se prove o contrário.” Rachel abaixou os olhos, envergonhada de ter ido falar com o rapaz sobre aquele assunto, mas a tristeza de Mike estava se tornando insuportável para ela, e ela precisava tirar tudo a limpo.

“Sebastian, eu nunca quis te ofender, me desculpe...”

“Eu não estou ofendido, Rachel, acredite em mim.” Sebastian lhe garantiu. “Então, vamos voltar ao assunto original?” Rachel concordou com um movimento da cabeça. “Você sabe, meu pai é um homem de negócios, muitos negócios, e durante esses anos eu estive em um colégio interno de Metropolis, longe de praticamente tudo e todos, e nesse espaço de tempo o meu pai deixou alguns de seus negócios no ‘piloto automático’, os que ele considerava menos interessantes, e é claro que a fábrica de creme de milho estaria no meio desses negócios, então, agora que eu fui nomeado o presidente e pude colocar as minhas mãos em toda a papelada e documentação dos últimos anos, eu vi tudo de errado que estava acontecendo lá.” Nesse instante o rapaz deu uma pausa, e fez uma expressão desconfortável pelo que seria dito posteriormente. “Infelizmente o Sr. Chang era o líder de um esquema de corrupção que vinha de anos.” Rachel ficou pasma e sem palavras com a informação. Como? O Sr. Chang envolvido em um esquema de corrupção? Logo ele, que sempre pareceu um homem tão ético e tão íntegro. “Eu fiquei tão surpreso quanto você quando soube também.” Sebastian suspirou. “Eu estou tentando manter isso no mais absoluto segredo, porque se o meu pai souber, eu tenho medo de que tipo de represália ele infligiria ao Sr. Chang ou à sua família, ele é um homem vingativo, e confiava bastante em Michael, se souber do que aconteceu, não vai deixar barato.”

“Eu... Eu entendo.” Rachel respondeu ainda baqueada pela notícia.

“Eu espero que você faça o mesmo.” Sebastian disse, e Rachel concordou.

“Claro que sim, essa história vai morrer aqui comigo.” Ela garantiu, pois a última coisa que ela queria era arrumar mais problemas para Mike e a família Chang, mesmo que o Sr. Chang tivesse feito tão algo tão vergonhoso. “Bom Sebastian, eu vou indo, logo vai anoitecer e meus pais vão ficar preocupados.” Rachel disse, se levantando de sua cadeira. “Obrigada por me atender.”

“Não há o que agradecer, eu é que fico aliviado por ter uma pessoa que sabe que eu não sou um monstro nessa história, eu só fiz o que qualquer administrador faria.” Ele falou, e Rachel sabia que ele tinha certeza. “Até mais, Rachel.”

“Até mais, Sebastian.” Rachel falou, antes de deixar a sala, fechando a grande porta, e após alguns minutos que a garota deixara o local, o rapaz caiu na gargalhada. Ao ver Rachel entrando pela porta ele imaginou que teria que usar mais o seu talento de ator, para convencê-la daquela história idiota sobre o esquema de corrupção em sua empresa. Apesar de perspicaz, a garota ainda era uma adolescente, tolinha por sinal, a ponto de acreditar naquela história e chantagem barata que ele acabara de fazer.

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No dia seguinte, Rachel e Brittany estavam na quadra, esperando por Santana. A jornalista combinara com a líder de se encontrarem após o treino das Cheerios para uma matéria com Amanda e o jogo decisivo contra Topeka Galaxy pela semifinal do campeonato regional. É claro que Rachel achava futebol um assunto trivial, ainda mais com algo tão importante como o assassinato de Finnegan Hudson sendo discutido não somente em Smallville, mas também nas cidades próximas, até mesmo o Planeta Diário fizera uma matéria falando do assunto.

“Deve ser estranho para Santana, ter que entrevistar a Amanda agora que elas não estão mais juntas.” Brittany comentou, tentando não parecer tão animada com a novidade, já que Santana estava visivelmente chateada nos últimos dias, mas que a aproximara de sua vizinha, porque desde que ela saira do hospital e Brittany a levara para a torre, elas estavam bem mais próximas que antes, o que não significava que elas estavam o tempo todo juntas, mas sim que elas conversavam mais do que o simples cumprimento por educação.

Rachel suspirou, sentindo-se péssima pelo conselho que dera à Santana no dia anterior, mas era o mais certo a se fazer no momento.

“Britt, elas voltaram.” A notícia pegou Brittany de surpresa.

“Como assim?” A loira questionou.

“Ontem, elas se encontraram no Talon, conversaram e se acertaram.” Se Brittany fosse um cachorro, naquele momento suas orelhas estariam baixas. Ela abaixou a cabeça e sentiu seu coração entristecer. Brittany já havia decidido que aceitaria os sentimentos de Santana por Amanda, mas parece que sua parte emocional jamais concordou com o seu racional que essa era a melhor coisa a se fazer para evitar decepções, e quebrar seu coração mais vezes como estava acontecendo nesse momento. Ela tinha que aceitar que o seu romance com Santana jamais sairia do terreno platônico, porque a morena jamais iria corresponder seus sentimentos na mesma intensidade, mas ela se lembrava do beijo na piscina na semana anterior, e mais uma vez aquela esperança voltava a habitar seu peito, acreditando que Santana sentia algo por ela, mas tudo ainda estava preso em seu subconsciente, mas tudo isso desapareceu da cabeça de Brittany, no momento em que ela sentiu aquela ardência quase infernal em seus olhos, e a conseqüência disso ela já sabia qual seria, logo agora que ela estava contente por isso não ter lhe ocorrido nas últimas 18 horas, mas a sua localização no momento, fez com que a visão não se tornasse um martírio.

Ao fundo do ginásio se encontrava o vestiário feminino, e dentro dele, praticamente todas as Cheerios, algumas vestidas apenas em suas roupas íntimas, e outras apenas com toalhas. Brittany abriu um sorriso, porque ela sempre se imaginou no vestiário com as Cheerios, mas classificou ao lado de ganhar na loteria como as duas coisas impossíveis de acontecer em sua vida. Bom, agora isso estava meio que acontecendo para ela, quem sabe ganhar na loteria fosse a próxima?

Inconscientemente, olhos azuis começaram uma busca por Santana, e pasmén, ao encontrá-la, o coração de Brittany começou a bater de forma tão acelerada e forte, que ela achou que fosse abrir um buraco em seu peito, mas mesmo assim, seus olhos permaneceram fixos no monumento que era o corpo de sua vizinha, e ela estava somente de toalha, com seus longos, brilhantes e no momento, molhados, cabelos negros caindo por seus ombros, e Brittany mal pôde acreditar quando Santana tirou a sua toalha. Olhos azuis começaram a percorrer pelas costas da morena.

“Britt, o que você está fazendo?” A voz de Rachel fez a loira se assustar e perder o foco.

“N-nada, Rachel.” Ela respondeu, e quando voltou seus olhos para a mesma direção apenas viu a parede branca.

“Você parecia estar vendo alguma bem agradável.” Brittany se sentiu uma pervertida, ela provavelmente deveria estar com um sorriso denunciador nos lábios, enquanto olhava fixamente para a parede que separava o ginásio do vestiário feminino lotado de líderes de torcida.

“Você não acha que eu estava vendo através da parede, acha?” Rachel riu com a pergunta desconsertada de Brittany.

“Mas é claro que não Britt, a menos que você tenha visão de Raio-X, isso é impossível.”Brittany deu uma risada sem-graça. Se seus amigos tivessem alguma idéia do que ela era e podia fazer, provavelmente não seriam mais seus amigos.

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Assim que Santana terminou de se vestir, foi ao encontro de Rachel, e surpreendeu-se ao ver que Brittany estava com ela.

“Oi Rachel, oi Brittany, que surpresa boa ver você aqui, se juntou a nós no Smallville Torch?” A animação no tom de Santana, fez Brittany se sentir muito mais alegre a ponto de abrir um enorme sorriso.

“Não, na verdade, eu sou a carona da Rachel, meu pai me emprestou o carro hoje.” Brittany com firmeza e sem gaguejar nenhuma vez, um grande feito para ela, e então ela decidiu dar um passo maior. “Se você quiser, eu posso te dar uma carona também, já que somos vizinhas, né?” Brittany sugeriu confiante, e só depois caiu a ficha de que como Rachel morava na cidade, e por isso seria a primeira a ser entregue, deixando ela e Santana sozinhas por quase meia hora o restante do caminho.

“Oh, eu agradeço o convite Brittany, mas Amanda e eu já temos planos para essa tarde.” Santana disse simpaticamente, mas Brittany não pôde evitar uma pontada de decepção.

“Sem problema.” Brittany respondeu, e no momento seguinte Amanda virou o corredor, e sem demora se aproximou das três adolescentes.

“Estava procurando por vocês, meninas.” Ela falou, passando uma mão em volta da cintura de Santana. “A entrevista vai demorar para começar?”

“Não, pode começar agora mesmo, só temos que ir até a sala do Smallville Torch.” Rachel respondeu.

“Vamos para lá então.” Amanda disse. “ Você vai também, Pierce?” Brittany que estava distraída em seus próprios pensamentos, onde ela mesma dava uma lição naquela jogadora prepotente que era Amanda.

“O quê?” Ela perguntou.

“Você vai com a gente, Britt?” Rachel perguntou.

“Não, eu... Vou procurar o Mike, preciso falar com ele, vejo vocês mais tarde.” Brittany inventou uma desculpa qualquer, porque ela não suportava ver toda aquela interação entre Santana e Amanda.

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Brittany andava normalmente pelo corredor, quando de repente uma súbita e intensa dor invadiu todo o seu corpo. Foi tudo tão rápido, que quando ela se deu conta, estava caída no meio do corredor, ouvindo uma onda de gargalhadas dos poucos estudantes que estavam ali, entre eles Puckerman, o quarterback.

“Andou bebendo, loira?” Ele ironizou, e no momento em que Brittany levantou a cabeça, ela teve mais uma visão de Raio-X, e o que ela viu dessa vez, a assustou. Dentre todos os esqueletos dos alunos, havia um que estava revestido por placas verdes brilhantes, provavelmente kryptonita, o que provavelmente fora a causa de sua queda.

“Britt, você está bem?” Mike perguntou, agachando-se ao lado de sua amiga, e segurando em seus braços para ajudá-la a se levantar.

“Obrigada, Mike.” Ela agradeceu, encostando-se na parede, como se tivesse exausta após uma dura rotina de exercícios. Mike notou que a cor dos olhos de Brittany não estavam azuis, como o normal, mas sim esverdeados.

“Britt, você está bem? Seus olhos... Eles estão verdes.” Ele perguntou assustado com a situação. Brittany estava com as mãos nos joelhos, com dificuldade para se manter em pé, respirar, e ainda suava frio. Para a sua sorte, e espanto de Mike, a dor gradativamente foi desaparecendo, até que em poucos segundos, a loira estava totalmente recuperada, e os seus olhos voltaram ao tom de azul natiral. “Britt, o que está acontecendo?”

“Eu não sei.” Ela respondeu, e não estava mentindo.

“Você está bem, agora?” Ele perguntou, ainda confuso.

“Sim, agora eu estou bem.” Brittany garantiu.

“Isso é estranho.” Ele comentou.

“Eu sei.” Brittany tinha que concordar, enquanto os dois caminharam juntos, e quando Mike abriu seu armário, e encontrou um pedaço de papel.

“Britt, olha isso.” Ele entregou o papel para sua amiga, que nada entendeu, pois nele estava tudo escrito em uma língua oriental, provavelmente chinês, país de origem da família Chang.

“O que está escrito aqui?” Ela perguntou.

“Eu não sei.” Ele deu os ombros. “Eu não entendo chinês.”

“E quem te mandou isso, se você nem pode ler?”

“Eu não sei, as pessoas nessa cidade são estranhas.” Ele falou e fechou o armário. “Eu tenho que ir agora, Britt, você vai ficar esperando pela Rach, não é? Então, te vejo mais tarde.”

“Até mais, Mike.” Brittany se despediu do amigo.

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“... Bom, se nós conseguirmos vencer esse jogo será um grande feito, pois há doze anos o Smallville Eagles não chega a uma final, e nunca conquistou o título regional.”

“Ótimo! Terminamos.” Rachel falou sorrindo, mais feliz ainda por não cair no sono, não que Amanda fosse uma pessoa tediosa, ela não era a melhor para falar da capitã do time de futebol, já que sua melhor amiga a detestava, mas ela não gostava nem um pouco de futebol.

“Eu fui bem?” Amanda perguntou, e Santana que estava ao lado de Rachel abriu um orgulhoso sorriso.

“Excelente, amor.” Ela respondeu. “Agora só precisamos da resenha do jogo para a matéria da próxima segunda.”

“Meninas, eu vou até a lanchonete, estou faminta, vocês me acompanham?” Rachel perguntou, arrumando as coisas em sua bolsa.

“Não, obrigada.” Santana respondeu, e era claro que Amanda ficaria com sua namorada.

Assim que Rachel saiu, Amanda e Santana se levantaram.

“Eu tenho a impressão de que ela não gosta de mim.” Amanda falou, e Santana apenas balançou a cabeça. “Aposto que a Pierce fala o diabo de mim para os amigos dela.”

“Para de implicar com a Brittany, ela é uma garota legal.” Santana falou.

“Não consigo lidar com a idéia de que ela quer minha namorada.” Amanda falou, e Santana deu um risinho. Ela sabia que Brittany realmente gostava dela, mas isso não a impedia de ter uma amizade com a garota, porque afinal de contas, essa paixonite não iria durar a vida toda, uma hora Brittany iria desencanar. “Você sabe disso.”

“Mandy, esse ciúme é bobo, porque Brittany não tem nenhuma chance comigo.” Santana falou se aproximando de Amanda, e colocando suas mãos na nuca da outra garota, que sentiu suas pernas ficarem trêmulas. “Você é a única que eu preciso.” Ela sussurrou no ouvido esquerdo de Amanda, e deu um beijo logo abaixo da orelha, em seguida mudou de lado. “A única que eu quero.” Santana deu uma mordiscada no lóbulo direito de Amanda, fazendo a outra gemer, e em seguida ela colocou seus lábios bem próximos aos de Amanda. “E o mais importante: a única que eu amo.” Um apaixonado e caloroso se deu inicio naquele momento.

Amanda entrelaçou seus braços na cintura de Santana, e a puxou para mais perto de si. As duas se perderam no momento, cada vez mais próximas, até que o som da porta se abrindo as assustou, fazendo-as separar.

“Rach, eu vou fic...” Brittany falava animadamente, ao abrir a porta da sala do jornal, como sempre fazia, já que Rachel lhe dera permissão para isso, mas dessa vez... Dessa vez, ela teve uma grande e terrível surpresa: Amanda e Santana agarradas, em meio a um intenso beijo.

As duas se afastaram no momento em que a porta se abriu. Bochechas púrpuras, respiração pesada, e expressões assustadas. Brittany ficou imóvel durante alguns segundos, extremamente pálida e com os olhos arregalados, encarando o casal. Um pequeno sorriso surgiu no rosto de Amanda, como se ela pudesse ver ou sentir o nó que nascia na garganta da loira.

“É... Eu... Me desculpa.” Foi a única coisa que Brittany conseguiu dizer antes de fechar a porta, e dar de cara com Sugar Motta, que sorria.

“Eu disse para você, não disse? Santana ama Amanda.” Brittany baixou os olhos e colocou a mão na cintura. “Pena que você só vê quando elas são jogadas na sua cara.”

“Me deixa em paz.” Brittany murmurou e saiu dali.

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Brittany não sabia como explicar o quão patética e iludida ela se sentia naquele momento. A dor que ela sentia naquele momento não era física e mal poderia ser descrita, mas era tão intensa e ardia dez vezes mais que a causada pela kryptonita verde.

Ela estava naquele momento, sentada dentro da caminhonete de seu pai, debruçada no volante, chorando e lamentando-se por ser tão ingênua a ponto de acreditar que Santana nutrisse algum sentimento por ela, somente pelo beijo da semana anterior, onde Santana estava agindo completamente fora de si. Aquilo, claramente, não significara nada para a morena, uma vez que, ela também tentou seduzir Sebastian, e era bem claro para qualquer um, que ela não sentia nada pelo rapaz, mas o seu coração, preferiu ignorar esse fato e criar uma ilusão, que o fez partir em mil pedaços, assim que ela abriu a porta do Smallville Torch minutos atrás.

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Após chegar em casa, Brittany se trancou em seu quarto, e só saiu de lá quando sua mãe lhe chamou para jantar.

Quando a adolescente chegou na cozinha, encontrou seu pai lendo o Planeta Diário, logo o artigo que falava sobre a morte do Dr. Hudson.

“De todas as coisas estranhas que eu já vi acontecer nessa cidade, essa com certeza ganha a cereja do bolo.” Jonathan comentou fechando o jornal, quando seus olhos caíram sobre Brittany. “Quer dizer, quase.” Brittany abriu um sorrisinho.

“Por que você está tão triste hoje filha?” Martha perguntou, enquanto servia o prato de sua filha.

“Eu não estou triste, mãe, só um pouco... Cansada.” Brittany respondeu, muito desanimada.

“Cansada do quê?” Martha perguntou mais uma vez.

“De ser uma ninguém, de ser pisada e deixada de lado, por praticamente todo mundo naquela escola, mal sabem eles que se não fosse por mim, hoje todos estariam mortos.” Brittany desabafou. “Eu arrisco minha vida por ela, e quem ganha o reconhecimento? Aquela jogadora idiota!” Jonathan e Martha se entreolharam.

“Por ela quem?” Martha perguntou, e Brittany se assustou.

“O quê?” Ela perguntou.

“Você disse que arrisca sua vida por ela, ela quem?” Martha perguntou, e Brittany desviou o olhar, parabenizando internamente a sua boca grande.

“E-eu quis dizer eles, todos eles, menos os meus amigos, os únicos que me respeitam naquela escola.” Brittany tentou contornar o que falara. “As coisas seriam diferentes se eu fosse do time, ou pelo menos popular, porque eu só queria sentir o gosto da glória pelo menos uma vez na minha vida.”

“Eu tenho certeza que você é uma pessoa melhor do que todas essas meninas do time...” Martha começou.

“Talvez.” Brittany a cortou. “Mas quem se importa? Ninguém dá a mínima para mim naquela escola, como eles vão saber quem eu sou?”

“Brittany, minha filha, tente entender uma coisa:” Jonathan começou. “Eu acredito que você não está aqui, nesse planeta, por acaso, e com certeza é para fazer coisas muito mais importantes do que vencer partidas de futebol e ser popular na escola, você é especial, e possui grandes habilidades e um coração maior ainda, por que eu já vivi mais de quarenta anos, e conheci muitas pessoas, a maior parte delas de boa índole, e eu posso afirmar com toda a certeza, que de todas essas pessoas que eu conheci, você é a melhor delas, Brittany, eu não estou mentindo, você é a melhor que eu conheço, e eu agradeço à Deus todos os dias quando acordo por ter me dado a chance de poder ser o seu pai.” Brittany secou uma lágrima emocionada que escorreu por seu rosto. “Eu amo você, minha filha.”

“Eu amo vocês dois, também.” Brittany disse.

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Assim que Amanda terminou o último treino naquela tarde de sexta-feira, ela caminhava até o vestiário quando sentiu uma mão em seu ombro, e rapidamente virou-se para ver que se tratava de Santana.

“Te assustei?” A morena perguntou sorrindo.

“Um pouco.” Amanda respondeu e deu um beijo no rosto de sua namorada.

“Nós podemos conversar um minuto?” Santana perguntou, demonstrando certo nervosismo.

“Está tudo bem, amor?”

“Sim, eu só quero falar de um assunto sério, não grave, com você, pode ser agora?” Amanda confirmou com a cabeça, então Santana segurou a mão de sua namorada, e as duas sentaram-se em um ponto afastado, na arquibancada.

“Então, qual o assunto?” Amanda perguntou, e era notável a insegurança de Santana.

“Eu estive pensando nesse assunto há um tempo já,desde antes de todos aqueles problemas que ocorreram entre a festa de Sebastian e a flor de Nicodemus.” As palavras de Santana saíram um pouco mais rápidas que o normal. “E ontem quando a minha avó me disse que iria para Gotham City nesse final de semana, e eu não poderia perder essa chance, de te dizer que quero ter a minha primeira vez com você.” O sorriso de Amanda não podia ser mais genuíno e alegre. “Você quer isso também?”

“Claro que sim, eu já disse uma vez, se você estiver pronta, eu também estou.” Amanda respondeu e acariciou o rosto de Santana. “Eu te amo tanto, Santana.”

“Eu te amo também, Mandy.” Santana deu um beijo rápido nos lábios de Amanda. “E toda vez que estamos juntas eu sempre quero mais de você, eu quero tudo de você.” Santana murmurou.

“Eu posso dizer o mesmo.” Amanda respondeu.

“Então, amanhã, as sete, está bem para você?”

“Está ótimo, minha querida, eu estarei lá.” Amanda respondeu e mais uma vez beijou Santana.

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Era início de noite quando Brittany chegou à casa da família Chang, e após tocar a campainha uma única vez, foi atendida por Megan, a irmã caçula de Mike, de 10 anos.

“Oi Britt.”

“Oi Megan.” Brittany respondeu o cumprimento e adentrou a casa, que era tão familiar para ela, e logo encontrou a sempre simpática Sra. Chang.

“Olá Brittany.” A mulher a cumprimentou com o seu usual sorriso.

“Olá Sra. Chang.”

“Mike avisou que você vinha, pode subir, eles está no quarto.”

“Obrigada, Sra. Chang.” A garota agradeceu, enquanto tomava o rumo do quarto do amigo. Ela bateu na porta e após ouvir um ‘pode entrar’ de dentro do quarto, ela abriu a porta.

“Sabia que era você.” Mike falou assim que viu a amiga, e jogou para ela um dos controles de seu X-Box. “Pronta para o desafio?”

“Vamos nessa.”

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Santana procurava por Rachel na arquibancada, quando sentiu alguém segurar em seu ombro e quando ela virou, viu Sugar.

“Oi.” Sugar a cumprimentou, meio tímida.

“Oi Sugar.” Santana a cumprimentou. Após a discussão dias antes no vestiário, ambas as garotas estavam se evitando. “Como você está?”

“Bem, e feliz por ver que você e Amanda voltaram as boas.” Sugar disse sorrindo. “Eu também queria pedir desculpas pelo meu comportamento no vestiário naquele dia.”

“Nós duas erramos, e eu também quero me desculpar.” Santana respondeu.

“Está desculpada.” Sugar falou, e Santana sorriu.

“Você também está.” Santana disse, e abraçou sua melhor amiga de anos.

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“Ganhei de novo!” Brittany comemorou, e Mike olhou para ela incrédulo.

“Caramba Britt, como você consegue fazer isso? Sem brincadeira, você fez uns dez combos em três segundos, é quase como se seus dedos se movessem em velocidade sobre humana.” Brittany segurou o riso ao ouvir isso. “Ainda bem que eu não aposto dinheiro com você, senão já estaria te devendo a minha casa.” Mike brincou e Brittany riu. “Mas eu quero revanche!”

“Pela centésima vez, né?” Brittany ironizou, no momento em que a Sra. Chang entrou no quarto de seu filho.

“Com licença, meninos, mas eu tenho que pegar as roupas do Mike para levar para lavanderia amanhã.” A mulher explicou, quando começou a mexer no monte de roupas que Mike deixara em cima da cama, ao lado de sua mochila. “Michael, o que é isso?” Mike e Brittany olharam para a mulher, que lia o bilhete que o garoto encontrara dias antes, com os olhos arregalados.

“Eu não sei, estava no meu armário, por quê?” Ele perguntou, assustado.

“Michael, nós precisamos levar isso a polícia imediatamente.” A mulher falou, cada vez mais chocada com o conteúdo do bilhete.

“ O que está escrito aí, mãe?” O rapaz perguntou.

“Um já foi, agora é a vez de todo o resto. Sexta-feira é a oportunidade perfeita para a conclusão da minha vingança. Por favor, fique longe do estádio nesse dia, eu não quero que você tenha o mesmo destino dos outros. Ass. Assassino invisível.”

“Eu tenho que ir.” Brittany falou, levantando-se no mesmo instante. Ela era a única que poderia impedir uma tragédia. A polícia jamais chegaria a tempo. “Eu vejo vocês mais tarde.” E sem dar tempo, para qualquer um dos Changs dizer alguma coisa, ela deixou o quarto e logo a casa.

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Em menos de um minuto Brittany já estava a um quarteirão do estádio Wolt Arnold. Ela começou a andar lentamente pelas ruas, de todas as formas tentando usar a sua visão de Raio-X, para que assim pudesse enxergar o tal assassino, que não seria invisível para esse tipo de visão, mas ela não conseguia nada.

Ao virar a esquina de uma rua deserta, Brittany sentiu novamente toda aquela dor intensa por todo o seu corpo, que ocasionou a sua queda, dessa vez, de joelhos. Então ela sentiu quando duas mãos a empurraram com um força tremenda, e ela se chocou contra uma parede, causando uma rachadura.

Ao cair no chão, Brittany teve um outro flash de sua visão de Raio-X e viu a mesma pessoa, com o esqueleto revestido de kryptonita há poucos metros de distância.

“Q-quem é você?” Brittany perguntou, tentando inutilmente se levantar, e sentindo-se cada vez pior a cada passo que a tal pessoa dava em sua direção. “E-eu pos... Posso ver você, assassino invisível!” A visão de Brittany voltou ao normal, e ela não viu mais ninguém em sua frente. “Mostre a sua cara!” Brittany esbravejou, apesar da dor em seu corpo intensificar cada vez mais, e o assassino se materializou em sua frente.

“Olá, Brittany Pierce.” Ela logo reconhecer de quem se tratava: Tina Cohen-Chang, uma das alunas menos populares de Smallville High.

“V-você?” Brittany surpreendeu-se.

“Ninguém nunca iria desconfiar, ninguém sabe que eu existo.” A asiática ironizou. “Quer dizer, quase ninguém.” Tina agachou-se ao lado de Brittany. “E você, o que faz aqui?”

“Deixa eles em paz.” Brittany falou, tentando mais uma vez se levantar.

“O que é isso? Voltamos à época dos heróis? Brittany, isso é tão anos 40.” Tina falou e riu. “Além do mais, que grande perda de tempo da sua parte tentar salvar pessoas que não estão nem aí para você, porque aos olhos deles, você não é muito diferente de mim, não é?” Brittany não disse nada. “Você sabe que eu tenho razão.”

“T-Tina, por f-favor...” Brittany implorou.

“Por que você se importa tanto, Brittany? Sinceramente isso para mim já saiu do nível altruísta para o nível idiota.” Tina deu uma risada debochada. “Ninguém liga para você Brittany, encare isso, eu sei que é difícil, mas pense na situação hipotética de você estar no lugar deles agora, pode apostar que ninguém moveria um músculo para te ajudar, e admitir a situação é um grande passo na terapia, se bem que, você não vai precisar se preocupar muito com isso agora.”

“O que você quer dizer com isso?” Brittany perguntou assustada.

“Brittany, sabe que eu costumava ser uma garota normal? E isso nem faz muito tempo, foi até as nossas últimas férias de verão, mas tudo mudou quando um agora ex-vizinho meu, o maravilhoso Dr. Finnegan Hudson me seqüestrou e levou para o laboratório dele, onde ele me usou como um rato para fazer todo o tipo de experiência, e quando eu disse para ele que a polícia iria me procurar, ele riu da minha cara, dizendo que ninguém se importava com uma menina invisível.” Brittany pôde ver uma lágrima escorrendo pelo rosto da adolescente. “Ele só não esperava que as suas experiências realmente me deixassem invisível, e com força sobre-humana, e o final da história você e toda a região já sabem.”

“Tina, eu sinto muito...” Brittany começou.

“Nossa, se você quer ser uma heroína está no caminho errado, os heróis nunca imploravam ou se enfraqueciam, eles não eram patéticos como você.” Enquanto falava Tina tirou de seu bolso uma faca. “Quer saber? Eu vou fazer um favor à você, eu vou te livrar de passar vergonha por ser a heroína mais patética que o mundo já viu!”

Em um movimento rápido, Tina tentou cravar a faca que estava em sua mão no peito de Brittany, mas fracassou, pois nada aconteceu à loira, pois a faca entortou, como se ela tivesse forçada contra um montante de aço.

“Mas... Como?” Tina se questionou, diante da imagem da faca entortada. “O que você é? Você não é normal!”

Um vento forte começou naquele instante, trazendo uma grande quantidade de areia, que Brittany nem saberia dizer de onde surgiu. Ao ouvir o barulho da faca que estava nas mãos de Tina cair no chão, ela abriu os olhos, e viu que a garota parecia estar sendo asfixiada pela areia.

“Tina, o que está acontecendo?” Ela perguntou, mais uma vez tentando se levantar, para ajudar a outra menina, que parecia estar em apuros.

Tina estava sendo levada pela areia, que após algum tempo tomou forma humana, e essa forma estava estrangulando Tina.

“Ei pare com isso!” Brittany exigiu, mais suas palavras não surtiram nenhum efeito, e a forma só se dissipou quando a asiática caiu sem vida no chão, e Brittany recuperou suas energias novamente. “Oh meu Deus!” Brittany levou as mãos à cabeça, e ao olhar para a parede viu escrita em letras vermelhas, como uma pichação: “SANDMAN ESTEVE AQUI.”

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Quando o juiz apitou, a torcida de Smallville comemorou como nunca. As Águias venceram o time de Topeka por 3 x 1 , de virada, e com dois gols da capitã Amanda Fordman, que fora considerada a heroína do jogo.

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No dia seguinte, faltando dez minutos para as sete, Amanda tocou a campainha da casa de Alma Lopez, ela foi atendida por sua namorada, que estava usando um vestido preto, e os cabelos soltos.

“Uau, está linda Santana.” Amanda falou, olhando abobada para a bela morena em sua frente. “Para você.” Ela entregou para Santana um bouquet de rosas brancas.

“Obrigada, Mandy, são lindas.” Santana disse. “Entre.”

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Após um farto jantar, Amanda e Santana dançavam juntas ao som de ‘Slow dancing’ de Johnny Rivers. A morena estava com sua cabeça apoiada no ombro da namorada, que o tempo todo lhe dizia coisas românticas.

“Você... Você acha uma boa idéia irmos para o meu quarto agora?” Santana perguntou, segurando firme uma das mãos de Amanda.

“Se você estiver pronta, eu acho que sim.” Amanda respondeu, tentando não deixar seu nervosismo transparecer, afinal, ela era a mais velha e experiente, e já havia estado com outras garotas antes, mas com Santana seria diferente, porque era a primeira garota que envolvia mais do que atração sexual, era a primeira que envolvia amor.

Em segundos elas estavam no quarto de Santana, e Amanda, inapta para conseguir se manter em pé, sentou-se na ponta da cama da namorada.

“Mandy...” A voz baixa de Santana fez os olhos da jogadora mudarem de direção e seu queixo cair diante de tão bela imagem. Santana estava somente de lingerie bem à sua frente. Claro que Amanda já havia visto Santana assim, nas fotos que a namorada enviou para ela, mas essa era a primeira vez que ela via tudo isso ‘ao vivo’.

“Uau...” Amanda murmurou, embevecida. Seus olhos não desgrudavam do belo corpo moreno, e Santana mantinha no rosto aquela expressão determinada, que a deixava 10 vezes mais sexy. “Você é... Maravilhosa, não existem palavras para descrever...” Santana sorriu e sentou no colo da ruiva, que começou a beijá-la.

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Do seu quarto Brittany podia ver o carro de Amanda estacionado há poucos metros de distância da casa Lopez. Era óbvio que ela iria passar a noite toda lá, para o desgosto da loira.

Chateada e sentindo-se de mãos atadas, Brittany voltou a arrumação de seu quarto, pois como o Natal estava próximo, ela decidiu pegar roupas e outras coisas que ela não usava mais para doar para o asilo de Smallville.

No meio do processo, ela encontrou a pequena caixa de chumbo, onde estava guardado o anel de kryptonita vermelha que Sebastian lhe dera. Ela tirou o anel da pequena caixa e sem nada a perder, colocou-o em seu anelar direito.

Brittany fechou os olhos, pois uma sensação enorme de fúria e inquietação lhe invadiu, e assim que ela os abriu novamente e olhou para o espelho, eles já não estavam mais azuis, mas sim da mesma cor da pedra do anel, vermelhos brilhantes.

Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.

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Próximo capitulo: O Anel.

Quais são os efeitos da kryptonita em vermelha? Como isso irá afetar os seus relacionamentos e a forma como os outros a vêem na escola?

Notas finais
*Prometo que no próximo capítulo terá Brittana ;) e espero que vocês não tenham ficado com raiva de mim pelo o que aconteceu.
*Agora as coisas vão ficar mais interessantes, mais uma personagem vai aparecer e o segundo maior vilão da história foi revelado.
*Por favor deixem reviews e até a próxima