Não É Fácil
8 O anel
Notas iniciais
*Boa leitura
Os barulhos de batida na porta no andar debaixo acordaram Santana, que sentiu os braços de Amanda envoltos ao seu corpo. Ela sorriu ao lembrar-se de tudo que acontecera na noite anterior, dos beijos, carícias, e de como tudo havia acontecido da forma mais perfeita possível, mas as batidas se repetiram, fazendo a morena se levantar e vestir-se para ver quem batia na porta de sua casa em uma hora tão cedo em pleno domingo.
Assim que ela desceu e atendeu a porta, surpreendeu-se.
“Oi Sra. Pierce.” Santana cumprimentou a sua vizinha, e apesar de estar sonolenta, abriu um simpático sorriso.
“Oi Santana.” Ela respondeu, e a adolescente notou que havia algo errado com a mulher. Ela estava nervosa. “Me desculpe se eu te acordei, mas é um caso de necessidade.”
“Imagina, Sra. Pierce, a senhora e o seu marido sempre ajudaram à mim, e a minha avó, me diga, qual é o problema?” Santana perguntou.
“Você viu Brittany?” Martha falou preocupada, e deixou Santana surpresa.
“Desculpe Sra. Pierce, mas eu não a vi.”
“Nós estamos muito preocupados, ela nunca saiu sem avisar, ela é muito responsável.”
“A senhora já falou com os amigos dela?”
“Sim, nós já ligamos para Rachel e Mike, mas nenhum deles sabe dela.” Martha respondeu.
“Eu prometo que se eu souber de alguma coisa, eu ligo aviso a senhora e o seu marido imediatamente.” A adolescente garantiu.
“Muito obrigada.” Martha agradeceu, antes de voltar para a sua casa.
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Martha chegou em casa, a cada minuto sem notícias de sua filha, mais seu coração se apertava, porque ela tinha certeza que algo havia acontecido à ela. Brittany conhecia bem os seus pais, e o quão preocupados com ela eles eram.
“Alguma notícia dela?” Jonathan perguntou, assim que a esposa entrou na casa. O homem já havia rodado toda o seu rancho e os arredores atrás de sua filha, mas não havia encontrado nenhum sinal dela.
“Não.” Martha respondeu desanimada. “Eu acho que alguma coisa ruim aconteceu, espero estar enganada, porque eu não estou agüentando mais essa aflição.” Jonathan abraçou Martha. Ele queria dizer para ela que tudo estava bem, e que Brittany iria aparecer logo, sã e salva, mas ele não tinha nenhuma certeza disso.
Nesse momento a porta da casa Pierce se abriu, e Brittany entrou. Jonathan e Martha correram ao seu encontro, ela assobiava e sorriu ao vê-los.
“Ah, oi família.” Martha a abraçou.
“Brittany, minha filha.” A mulher deu um beijo na bochecha esquerda da filha, e olhou para o céu. “Obrigada Senhor.” Ela suspirou aliviada.
“O que aconteceu, mãe?” A garota perguntou, com um sorriso amarelo diante do comportamento de sua mãe.
“Como assim o que aconteceu? Onde você esteve esse tempo todo, Brittany?” Jonathan perguntou com a voz firme. Como ela podia sair sem avisar, levar horas para voltar e aparecer como se nada tivesse acontecido, ainda por cima perguntando o que havia acontecido.
“Eu fui dar uma volta.” Ela deu os ombros. “Que mal há nisso?”
“Que mal há nisso? Desde quando você tem autonomia para sair sem permissão e sem avisar?” Jonathan não podia, nem mesmo queria acreditar naquele tipo de atitude vindo de Brittany. Algo estava errado.
“Desde sempre, eu sou uma pessoa livre, em um país livre, posso usufruir do meu direito de ir e vir quando bem entender.” Brittany respondeu, em um tom desafiador.
“Brittany, que modos são esses?” Martha a repreendeu, e a garota deu uma risada debochada. “O que está acontecendo com você?”
“Nada, mãe, eu só estou começando a entender que os meus poderes não são obstáculos, e sim benefícios.” Brittany respondeu. “Eu estou deixando de ser tão babaca.”
“Você está tendo uma idéia totalmente errada, vá para o seu quarto pensar no tipo de atitude que você teve comigo e com a sua mãe.” Jonathan falou, e Brittany rolou os olhos.
“Tudo bem, eu estou mesmo precisando de um descanso.” Brittany ironizou, e foi para o seu quarto. Jonathan olhou para a esposa.
“O que há de errado com ela?” Ele perguntou, frustrado, pois se havia alguém no mundo que ele não esperava esse tipo de comportamento, esse alguém com certeza era Brittany.
“Jonathan, pelo visto a nossa filha está com a famosa rebeldia adolescente.”Martha falou.
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“Smallville Eagles consegue uma virada incrível contra Topeka Galaxy, e capitã Fordman é a heroína da noite.” Por Santana Lopez, pg.2.
Era essa a manchete de Smallville Torch na manhã de segunda-feira, e a primeira matéria de Santana a ser a principal notícia do dia, acima da matéria do Sandman feita por Rachel, que segundo o diretor, iria assustar os alunos.
“Oi Rach.” Mike cumprimentou sua amiga, que estava com um jornal em mãos, e o garoto estava exausto, após passar praticamente todo o final de semana trancado na delegacia junto de seus pais, falando sobre Tina Cohen-Chang.
“E aí Mike, como você está?” Ela perguntou.
“Um pouco cansado, mas bem.” Ele respondeu e abriu um pequeno sorriso.
“Eu posso imaginar.” Rachel comentou, e teve uma idéia, que provavelmente iria animar o seu amigo, porque era algo que eles não faziam a algum tempo. “O que você acha de um cinema hoje?”
“Ótima idéia.” Mike respondeu, e de repente suas bochechas enrubesceram. “Mas... É... Vamos só nós dois?” Dessa vez quem enrubesceu foi Rachel.
“Britt pode ir com a gente.” Ela respondeu rapidamente, quase atropelando as suas palavras. “É sempre assim, nós três, os amigos.” Ela completou, sentindo-se patética, pois estava perdendo o equilíbrio em suas pernas.
“Claro.” Mike concordou. “Amigos, nós somos amigos, nós três.” Ele concluiu, falando mais para si mesmo, do que para a morena em sua frente, e olhou para o relógio. “Eu tenho que ir agora, Rach, eu tenho treino de futebol.”
“Até mais.” Rachel se despediu do amigo, que seguiu para o treino.
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Santana e Amanda andavam de mãos dadas e sorridentes pelo corredor. O final de semana havia sido a definição da perfeição para ambas as garotas, e parecia que o que sentiam uma pela outra, estava ainda mais forte.
“Obrigada pela matéria, eu me emocionei quando li as coisas que você disse sobre mim, nunca imaginei que alguém iria dizer algo assim para mim” Amanda agradeceu à namorada. “Eu te amo demais.”
“Eu também te amo.” Santana respondeu e aproximou-se de Amanda, com a intenção de beijá-la nos lábios, mas ao lembrar-se de onde estavam, o beijo foi apenas no rosto. Amanda riu após a demonstração de carinho, e seguiu para o seu armário, e assim que o abriu, o seu sorriso desapareceu.
“Mas o que é isso?” Ela perguntou, em um misto de incredulidade e raiva. O seu armário estava todo cheio de lixo.
“O que aconteceu?” Santana, que estava há poucos metros atrás da jogadora.
“Encheram o meu armário de lixo.” Amanda respondeu, sentindo um nó na garganta, mas esforçando-se ao máximo para não chorar na frente de ninguém, já que os alunos que viram o que estava acontecendo, diminuíram o ritmo de seus passos, e ficaram olhando para a capitã do time de futebol.
“Gostou do presentinho, Fordman?” Amanda, Santana e alguns dos alunos que estavam próximos olharam para o final do corredor, e viram quem havia perguntado aquilo. Para a surpresa de todos, eles logo reconheceram a garota de cabelos presos, jaqueta de couro, jeans rasgado, All Star, e um sorriso desafiador nos lábios.
“Brittany?” Santana perguntou surpresa, e a loira deu uma piscadela em sua direção. O que havia acontecido à sua vizinha?
“Por quê?” Amanda a questionou, e Brittany.
“Ué, você me trata sempre como lixo, achei que você gostasse.” Amanda e Santana se entreolharam.
“Isso não vai ficar assim!” Amanda falou séria.
“E o que você vai fazer? Chamar aquelas gorilas das suas amigas e me fazer de Espantalho outra vez?” Amanda parecia mortificada diante de tamanha humilhação. “É isso o que você vai fazer, Fordman?”
“O que está acontecendo aqui?” Era a voz do diretor Figgins, que chegou no corredor e viu o armário vandalizado de Amanda. “Quem fez isso?” Ele questionou rispidamente. “Fordman, me diga, quem vandalizou o seu armário?”
“Brittany Pierce!” A ruiva respondeu sem medo e apontou para a loira, que levantou uma sobrancelha, em sinal de desprezo.
“Isso é verdade, Srta. Pierce?” Figgins perguntou.
“Sim, fui eu.” Ela respondeu, sem demonstrar nenhum medo ou arrependimento.
“E como a senhora explica esse ato?”
“Vingança, ela fez de mim o Espantalho do Homecoming desse ano, agora eu só estou devolvendo o favor.” Brittany explicou, simploriamente.
“O quê?” Figgins pareceu surpreso, e olhou para Amanda, que estava vermelha. “Isso é verdade, Srta. Fordman?”
“Não, eu não fiz nada, isso é mentira diretor Figgins.” E enquanto as duas discutiam, o número de alunos ao redor da situação só aumentava, inclusive Rachel, que acabou voltando, acompanhando o fluxo de alunos, e surpreendeu-se ao ver a sua amiga tão diferente, não só visualmente, mas também em sua postura. A Brittany que ela conhecia há dez anos jamais faria algo assim.
“Ora Fordman, pelo menos uma vez não seja uma covarde, e assuma o que você fez.” Brittany a desafiou, e olhou para Santana, que estava totalmente sem reação. “Santana, você está vendo quem é a sua namorada? Uma covarde, que não assume os próprios atos! Mas eu posso provar que estou dizendo a verdade, olhem só isso.” Brittany abriu a jaqueta e deixou a mostra para todos a camiseta vermelha com um grande ‘S’ em vermelho. “Isso te lembra alguma coisa, Fordman?”
Amanda ficou desnorteada ao ver a cena, e o diretor Figgins sem palavras por alguns segundos.
“Agora chega!” Ele ordenou, assim que o sinal da primeira bateu. “Todos para as suas aulas, agora!” Ele falou em voz alta, e os alunos o obedeceram. “Pierce e Fordman me acompanhem até a diretoria.”
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Assim que o diretor Figgins entrou em sua sala, ele ligou e falou com os Pierce e os Fordman, e os chamou para uma conversa séria sobre o comportamento de suas filhas.
A ligação de Figgins deixou Jonathan e Martha perplexos, pois eles sabiam que Brittany não era nenhum anjo, e já pegara várias detenções, principalmente por atrasos, mas nunca por agredir colegas ou vandalizar a escola. Aquele comportamento era totalmente atípico por parte da garota, e o que os assustava era que aquilo já vinha desde o dia anterior.
Logo que chegaram à escola, encontraram o Sr. E a Sra. Fordman, e eles pareciam tão aborrecidos quanto os Pierce, e assim que entraram na sala do diretor, viram as duas adolescentes sentadas lado à lado, sem se olhar, e com expressões furiosas.
“Eu lamento ter que chamá-los aqui, mas o que aconteceu hoje entre as suas filhas foi algo muito sério.” Figgins falou, para os pais que ouviam em silêncio. “A Srta. Pierce está sendo punida por vandalizar o armário de Amanda Fordman, que por sua vez, está sendo punida por fazer de Brittany Pierce o Espantalho do festival Homecoming.” Jonathan e Martha ficaram extremamente chateados ao ouvir aquilo. Todos em Smallville sabia o que ser o ‘Espantalho’ significava, e saber que sua filha passou por aquilo e não disse nada à eles, magoou.
“Brittany, isso aconteceu mesmo?” Martha perguntou, tom de voz baixo e entristecido, e a adolescente mostrou a camiseta que era a marca registrada do Espantalho para a mãe, sem nenhuma emoção.
“E qual será a punição diretor Figgins?” Betty Fordman perguntou.
“As duas garotas irão ter que obrigatoriamente participar do jornal da escola, que conta com poucos membros, e para a sua filha, Sra. Fordman, o castigo terá que ser mais exemplar.” Amanda olhou assustada para o diretor. “Eu sinto muito, mas, a atitude que ela teve, fazendo uma aluna mais jovem passar um processo humilhante e terminantemente proibido pelas regras da escola irá resultar em sua expulsão do time de futebol.”
“O quê?!” Ela perguntou, dando um pulo da cadeira. “Não pode ser, estamos a um jogo da final! Eu não posso perder minha única chance de entrar para uma Universidade boa...” Amanda implorou ao diretor, praticamente em lágrimas.
“Eu lamento Srta. Fordman, mas esse tipo de atitude que a senhorita com Brittany Pierce exige uma punição exemplar para todo o corpo estudantil.”
“Isso só pode ser um pesadelo!” Amanda falou, colocando as mãos na frente de seu rosto, e ainda teve que ouvir a risada debochada de Brittany.
“Bem-vinda ao grupo dos otários zoados diariamente nessa escola, Fordman.” Brittany ironizou, feliz da vida, pois a linha que a separava de Amanda não existia mais. Agora ambas se encontravam no mesmo patamar, e o caminho para conquistar Santana estava ainda mais fácil para ela.
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Amanda chorava no corredor, ainda inconformada pelo fato de ter sido expulsa do time de futebol, que era a sua grande paixão, e a única forma que ela via para mudar de vida e deixar aquela cidadela em que vivia.
Ela ouviu o passo de seus pais passando por ela, e George parou em sua frente, com uma expressão decepcionado.
“Pai, eu sinto muit...” Ela começou a se desculpar, mas o homem lhe fez um sinal para calar-se.
“Você é uma vergonha, Amanda!” Ele disse em um tom frio. “ Eu sempre soube que você era capaz de fazer coisas idiotas, mas, dessa vez você se superou.” Ele bateu palmas lentas e irônicas. “Eu tenho vergonha de dizer para as pessoas que você é minha filha, e espero que quando você terminar essa escola você já tenha encontrado algum rumo para a sua vida, pois eu não vou sustentar filha fracassada.”
Aquelas palavras acabaram com Amanda, e ela ficou sem reação. Seu pai simplesmente lhe deu as costas e foi embora, acompanhado de sua esposa, Betty.
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A ‘novidade’ sobre o revés sofrido pelo time de futebol feminino da escola, logo se espalhou, e já no almoço, todos os estudantes já sabiam do ocorrido.
Rachel e Mike ficaram extremamente surpresos ao saber do que sua amiga fora vítima, eles nem poderiam imaginar que ela havia passado por isso.
E a fama de ‘bad girl’ de Brittany havia chamado a atenção de vários garotos, e garotas também, e dentre elas, uma especial.
Brittany andava pelo corredor, arrancando suspiros e olhares de vários estudantes, quando uma loira, determinada veio em sua direção. Brittany sorriu.
“Olá Pierce.” Ela cumprimentou Brittany. “Você sabe quem eu sou?” Claro que ela sabia, todo mundo em Smallville High sabia.
“Sei, você é Alicia Baker, a capitã das Cheerios.” Brittany respondeu. “Não é surpresa alguma alguém te conhecer, surpresa é você saber meu sobrenome.”
“Talvez, mas isso está mudando agora, não é?” Alicia perguntou.
“Sim.” Brittany respondeu.
“Ótimo, porque acho que nos daremos muito bem.” Alicia deu uma piscadela sugestiva. “Você sabe da festa no Talon hoje?” Brittany fez que sim com a cabeça. “Então, o que você acha de irmos juntas?”
“Ótimo.” A loira concordou. “Então, eu te pego na sua casa, certo?”
“Certo.” Alicia respondeu, e antes de sair, colocou a mão no ombro de Brittany e lhe deu um beijo no rosto, provocantemente a milímetros de seus lábios. “Até mais, Pierce.”
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Rachel e Mike lanchavam juntos, quando Brittany se aproximou deles, e sentou-se a mesa junto deles.
“E aí amigos?” Ela os cumprimentou. “Como está sendo o dia de vocês?”
“A pergunta mais correta seria: como está sendo o seu dia?” Rachel falou.
“Certo, o meu dia está sendo incrível, o melhor dia da minha vida até agora.” Ela respondeu e deu uma risadinha.
“Você acha que o que está fazendo é certo?” Rachel a questionou, e Brittany a olhou como se tivesse ouvido a pior ofensa do mundo.
“Como assim?”
“Nós ouvimos o que aconteceu entre você e Amanda, e sabemos que ela foi expulsa do time.” Rachel explicou.
“Bem feito, ela mereceu isso, foi uma covarde comigo naquele dia.” Brittany retrucou, com sinais de impaciência.
“Mas você não está sendo nem um pouco diferente hoje.” Rachel alfinetou a amiga.
“Você acha que eu sou uma covarde, é isso?” Brittany a questionou, irritada.
“Não acho que você é covarde, mas essa não é você.” Rachel argumentou, não deixando se intimidar pela postura agressiva da loira.
“É verdade, Britt, nós te adoramos, e ficamos tristes pelo o que aconteceu, mas você poderia ter resolvido as coisas de outra maneira.” Mike disse, em defesa de Rachel, o que causou um riso debochado por parte de Brittany.
“Mas é claro que você iria postar em defesa da sua garota, não é Mike?” Mike e Rachel arregalaram os olhos. “Vocês dois estão me julgando agora porque não sabem como é estar no meio de um milharal deserto, à noite, amarrada em uma cruz de madeira, só com uma camiseta e uma bermuda velhas.” Mike e Rachel ficaram calados. “Eu achei que vocês eram meus amigos, mas agora eu vejo que não passam de dois frustrados sexualmente, que para serem menos amargos, deveriam ir para a primeira moita, e se comerem lá!” Brittany ainda falou com raiva, antes de deixar a mesa e os amigos estupefatos para trás.
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Amanda pegava as últimas coisas do armário de seu vestiário. Aquilo estava sendo terrível para ela, e as palavras de seu pai ainda ecoavam em seus pensamentos. Apesar de todos os problemas que tinha com o seu pai, ela o admirava, era um homem forte, que venceu inúmeros desafios enquanto estava no exército, e ser vista por ele como fracassada era algo extremamente doloroso para ela.
“Eu sinto muito Fordman.” Era a voz da treinadora Beiste, e Amanda sentiu o nó em sua garganta apertar ainda mais. Ela era a esperança da treinadora Beiste para a conquista do campeonato regional.
“Eu é quem sinto, treinadora.” Amanda respondeu baixo, e nem sequer virou-se para olhar nos olhos da mulher, que provavelmente deveria estar decepcionada, assim como o seu pai. E aquilo seria demais para ela em um único dia. “Eu sou um fracasso, eu sei disso.”
“Você não é um fracasso, Fordman, mas cometeu um erro grave, e a punição é justa, apesar de eu te adorar e reconhecer todo o seu talento.” Beiste consolou a garota, e colocou a mão em seu ombro. “Eu tenho certeza que você vai se dar muito bem em sua vida, você tem competência de sobra.”
“Obrigada, treinadora, eu espero que as Águias vençam a final, pois a senhora merece esse título mais do que ninguém.” Amanda falou para a mulher, e lhe abraçou.
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Brittany chegou em casa, e encontrou os pais esperando por ela, sentados na mesa da cozinha, visivelmente irritados. Ela os ignorou, e seguiu para o seu quarto.
“Brittany Susan Pierce, venha aqui!” Jonathan ordenou.
“Depois.” Ela respondeu, e continuou seguindo para o seu quarto.
“Agora, Brittany, e eu não estou brincando.” Jonathan falou, ainda mais sério, fazendo a garota parar, bufar audivelmente, e voltar meio a contra gosto na cozinha.
“Fala logo o que é, estou cansada.” Ela disse, e cruzou os braços. Jonathan e Martha estavam horrorizados com aquele comportamento.
“Desde quando você fala assim com os seus pais?” Jonathan perguntou, magoado.
“Desde nunca, afinal, eu nem sei quem eles são.” Ela respondeu com um sorriso irônico.
“O que está te fazendo agir dessa forma? Essa não é você!” Martha, que perdera a paciência após o último ato de Brittany, se levantou e apontou para a garota.
“Olha só, você está falando como se soubesse quem eu sou.” Brittany respondeu.
“Claro que eu sei quem você é, você é minha filha.” Martha falou, chorando.
“Está errada, eu não sou sua filha, vocês não tem nenhuma autoridade sobre mim, me deixem em paz!” Brittany esbravejou, e saiu da cozinha, indo para o seu quarto.
“Nós precisamos trazer a nossa filha de volta.” Martha falou. “Essa não é a nossa Brittany.”
“Eu sei que não.” Jonathan respondeu. “E eu acho que sei qual o problema.”
“O quê?” Martha perguntou.
“Você viu o anel de kryptonita vermelha na mão dela?” Martha fez que sim com a cabeça. “Se a kryptonita verde a deixa fraca, essa daí a deixa rebelde, e nós precisamos tirar esse anel dela.”
“Como? Ela é muito mais forte e rápida do que nós dois.” Martha argumentou.
“Eu sei, mas eu tenho uma idéia.” Ele respondeu. “Vai ser difícil para nós, mas precisamos ir até o fim, pelo bem da própria Brittany.”
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Já era início de noite quando Brittany bateu na porta da casa de Alicia, e foi atendida pela adolescente, que estava vestido de forma extremamente atraente, e com um sorriso provocante nos lábios.
“Você está linda, Pierce.” Alicia a elogiou.
“Você também está agradável aos olhos, Baker, como sempre.” Brittany respondeu, em um tom galanteador, então Alicia mostrou a chave de seu carro.
“Vamos, e tornar dessa noite inesquecível.” Alicia deu uma piscadela sugestiva, e acompanhou Brittany até o seu carro, e seguiram para o Talon.
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É claro que o momento em que Brittany e Alicia entraram no Talon de mãos dadas, praticamente todos os olhares se voltaram para elas, afinal, a até então rejeitada da escola, estava agora saindo com a garota mais popular de toda Smallville High, mas os olhos azuis de Brittany, estavam em uma procura constante por outra garota, e quando eles se cruzaram com os olhos negros de Santana, ela percebeu que havia chegado o momento que ela tanto aguardara, tudo o que restava era apenas uma questão de tempo, resumida em minutos.
“Baker, você quer dançar?” Brittany perguntou, e nem esperou para ouvir a resposta da outra loira, para passar a mão em sua cintura, e começar a dançar com ela.
Santana, que estava acompanhada de sua abatida namorada, assim como todos, estavam estranhando o novo ‘casal’ , e vê-las dançando juntas daquele jeito, a fez sentir algo estranho, um gosto amargo, que ela não sabia explicar de onde, nem porque vieram, mas ver a sua vizinha dançando com uma garota, lhe deixou um tantinho mais triste, algo que não foi percebido por Amanda, que absorta em sua própria tristeza, já estava tomando a sua terceira garrafa de Ice, e mal dava atenção para a morena ao seu lado.
Enquanto dançava com Alicia, Brittany lançava vários olhares furtivos para Santana, que buscava se distrair das mais diferentes formas, trocando algumas palavras com Amanda, tomando alguma bebida, ou até mesmo observando as pessoas (que não fossem Brittany ou Alicia) dançando, até que ela finalmente caminhou em direção ao banheiro, e sem pensar duas vezes, Brittany largou Alicia, e a seguiu.
“Ei Pierce, onde você pensa que vai?” Alicia perguntou, apertando o passo e postando-se a frente de Brittany.
“Eu não penso, eu estou indo, e ninguém vai me impedir.” Brittany falou irritada.
“Você não pode fazer isso comigo.” Alicia disse, sentindo-se humilhada.
“Eu posso sim, eu posso qualquer coisa garota, não há ninguém que possa me parar!” Brittany disse, e desviou-se da líder, e caminhando até o banheiro.
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Santana lavava o rosto, quando ouviu o barulho da porta do banheiro se abrindo e fechando atrás dela, e assim que ela olhou no espelho, viu a loira, com um sorriso indefinido nos lábios. Santana sentiu um arrepio percorrer por sua espinha dorsal, e uma certa palpitação no meio das pernas, que lhe fez corar. Ela não devia sentir isso por outra garota, principalmente pela responsável pela tristeza de sua namorada.
“ O que você quer aqui?” Santana perguntou, tentando manter o tom frio, e distante, mas a sua voz vacilou, e ela teve certeza que Brittany percebeu, mas se manteve em silêncio. “Eu... Eu estou falando com você, Brittany!”
“Não fale assim comigo Santana, eu sempre fui legal com você.” Brittany a repreendeu em um tom brincalhão, enquanto se aproximava da estática morena, e colocou suas mãos em sua cintura. Santana estremeceu com o toque. “Estou esperando por esse momento há tanto tempo.” Brittany falou, olhando fixamente nos olhos de Santana. “Ter você assim, tão perto, poder te olhar nos seus olhos, sem medo algum, e dizer o quanto eu sinto por você...” Enquanto ela falava, seus rosto ia perigosamente se aproximando de Santana, que não teve tempo de fazer nada, apenas sentiu os lábios de Brittany colando-se aos seus, e um súbito calor e tremor tomar conta de seu corpo, e sabia que se não fosse pelo modo firme que Brittany a segurava naquele instante, ela provavelmente teria caído.
No controle da situação, Brittany guiou Santana até a parede, onde a encostou na parede, deixando as suas mãos livres para acariciar o abdômen de Santana por debaixo de sua blusa, fazendo Santana soltar um gemido entre o acalorado beijo, e Brittany abrir um pequeno sorriso.
“Por favor, Brittany, pare com isso...” Santana implorou, mas não porque não estava gostando do carinho de Brittany, mas exatamente pelo oposto. Estava gostando demais daquilo quando não deveria, pois, enquanto seu corpo pedia mais de Brittany, ela repetia em um mantra mental, que tinha uma namorada, e que amava essa namorada.
“Você quer realmente que eu pare?” Brittany a provocou, com a boca colada no lóbulo da morena, e deu uma mordidinha nele. “Eu não sei como pude resistir tanto tempo Santana, você tem o corpo de uma deusa.” Brittany começou a beijar o pescoço de Santana, causando na outra arrepios que percorriam todo o seu corpo, enquanto continuava acariciando o corpo da outra por baixo de sua blusa.
Cada vez mais envolvida, Santana segurou no colarinho da jaqueta de couro de Brittany, e a puxou para si, diminuindo o espaço, que já era minúsculo, entre elas, e após alguns segundos, a porta do banheiro se abriu, e por ela entrou Amanda Fordman, com uma nova garrafa de Ice em mãos, e olhou estarrecida para a namorada aos beijos e amassos com sua pior inimiga, e tão envolvidas naquilo, que nem sequer perceberam a sua presença ali.
Já com uma certa dose de álcool no sangue e na cabeça, Amanda sentiu um nó nascer em sua garganta, e uma raiva que fez o seu rosto arder, e os seus olhos começarem a lacrimejarem.
Sem pensar muito, e tomada pela raiva, Amanda jogou a garrafa que estava em sua mão nas costas de Brittany, o que a despedaçou, mas nada causou à outra, além de um susto em Santana, que ao ver Amanda ali, quase passou mal. Ao olhar para a rival, Brittany abriu um sorriso desafiador, muito semelhante ao que Amanda tinha na semana anterior, quando Brittany viu ela e Santana se beijando na sala do Smallville Torch.
“Mandy... Eu posso explicar...” Santana começou, mas a ruiva mantinha os seus olhos fixos em Brittany. O ódio podia ser visto de longe.
“Eu vou matar você, Pierce!” Amanda vociferou, fazendo Brittany rir.
“Você já é patética normalmente, Fordman, bêbada piora dez vezes, nem vou perder meu tempo com você.” A ironia de Brittany só fez a raiva de Amanda aumentar.
“Está com medo, Pierce?” Amanda perguntou, partindo para cima de Brittany, que somente com um pequeno empurrão, lançou Amanda de forma violenta contra a parede, que em seguida caiu no chão.
“Amanda!” Santana exclamou, ajoelhando-se ao lado da garota, que estava tonta, devido a uma forte pancada na cabeça.
O barulho do choque de Amanda contra a parede foi alto, e chamou a atenção das pessoas que estavam do lado de fora de banheiro, que acabaram entrando ali para ver o que estava acontecendo, e acabaram tendo um showzinho ao ver Amanda caída no chão, cabeça sangrando, Santana ao seu lado, e Brittany em pé olhando para as duas com desprezo.
“Vamos Santana, aqui não é nosso lugar.” Brittany falou, ignorando completamente as outras pessoas, e se aproximando da morena, segurando-a pelo braço.
“Não me toque, Brittany Pierce!” Santana falou, irritada e nervosa, e Brittany se afastou, pela primeira vez mostrando tristeza desde que colocara o anel em seu dedo dias antes.
Chateada, Brittany abaixou a cabeça, e saiu dali, gritando para quem estava em sua frente, que saíam sem pestanejar, enquanto Santana ficou ao lado, esperando que ela retomasse sua consciência totalmente, mas quando isso aconteceu, a situação só piorou. “Mandy, você está bem?” Santana perguntou, passando a mão no rosto da ex-jogadora, que usou sua própria mão para tirar rispidamente a de Santana de seu rosto.
“Não me toque, você é uma traíra, e não é mais minha namorada.” Amanda falou irritada, enquanto se levantava com dificuldade, apoiando na parede. “Vá atrás de sua nova garota, Santana, o que está esperando? Vá antes que ela cruze o caminho com a Baker e você fique sozinha.” Amanda ironizou, antes de sair cambaleando e com a mão na cabeça. Santana ficou para trás, em lágrimas e sob olhares julgadores e maliciosos das outras pessoas.
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Santana deixou o Talon, desolada, arrependida pelo seu ato impensado e ingênuo, que a fez perder Amanda, somente por uma vingança de Brittany.
Ela atravessou a rua, e andou por duas quadras, até sentir alguém lhe segurar pelo braço.
“Santana, espera.” Ela reconheceu a voz de Brittany, e virou para encará-la.
“O que mais você quer? Já não conseguiu concretizar a sua vingança?” Santana perguntou, impaciente.
“Você realmente acha que aquele beijo foi somente por vingança?” Brittany a questionou, e Santana nada disse. “Sério, Santana, você nunca percebeu? Eu amo você, eu amo você mais do que Amanda Fordman ou qualquer outra garota vai amar, acredite em mim.” Brittany falou séria. “Eu amo você, Santana.” Ela repetiu com mais firmeza.
“Eu não acredito em você, porque mentiu para mim esse tempo todo.” Santana respondeu, friamente.
“Menti? Quando?” Brittany perguntou, sentindo-se ofendida.
“Todo esse tempo você fez todo mundo acreditar que era uma boa e tímida garota, mas Sugar estava certa, você não era o que todo mundo pensava, é só uma pessoa egoísta e vingativa.” Santana falou, evitando olhar para a magoada Brittany, que a aplaudiu ironicamente.
“Parabéns pela conclusão, Santana, realmente você não poderia estar mais errada.” Brittany falou. “Eu não sei como pude perder tanto tempo gostando de você, mas agora eu vejo, você é como Amanda Fordman, não tem nada de diferente, a mesma covarde que só enxerga a si mesma.” Brittany disse, antes de dar as costas para Santana, que mais uma vez, foi deixada sozinha.
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Mike estacionou na frente da casa dos Berry, e sorriu para a amiga que estava ao seu lado.
“Foi um passeio legal, você não acha?” Ele perguntou.
“Sim, foi bem legal.” Rachel respondeu. “Mas, eu não consigo esquecer o jeito que Brittany está.”
“Eu também não.” Mike respondeu. “É muito triste ver como ela ficou diferente, e frustrante saber que não há nada que nós possamos fazer para mudar isso.”
“É.” Rachel concordou, e um constrangedor silêncio nasceu ali. “Acho que é melhor eu descer.”
“Te vejo amanhã.” Mike se despediu, e Rachel lhe deu um beijo no rosto, e levou a mão até a maçaneta do carro, mas não fez nenhum movimento para abri-la. “Está tudo bem, Rach?” Mike perguntou, estranhando aquele comportamento, quando Rachel se virou, o agarrou e lhe deu um beijo caloroso.
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Jonathan e Martha assustaram-se com o som violento que veio da porta, assim que uma transtornada Brittany adentrou a casa.
“O que aconteceu, filha?” Martha perguntou, mas Brittany não respondeu e foi para o quarto, seguida pelo casal Pierce, que a viu tirando as roupas de seu armário e colocando-as em uma mala. “O que você está fazendo?”
“Qual o problema, Martha Pierce? Não sabe mais reconhecer uma mala? Eu estou deixando essa cidade de merda!” Brittany respondeu agressivamente, e Martha e Jonathan se entreolharam.
“É agora ou nunca, Martha.” Jonathan murmurou para a esposa, e tirou do bolso uma pequena caixa de chumbo, e assim que a abriu, usou o seu conteúdo, que era um pedaço de kryptonita verde, para deter a filha.
No mesmo instante Brittany sentiu suas forças desaparecerem, e o seu corpo ser tomado completamente por uma dor latejante, que a fez cair no chão.
“Por favor, pare com isso...” Brittany, que se contorcia de dor, implorou. “Por favor, papai.”
“Jonathan...” Martha falou, penalizada pelo estado em que sua filha se encontrava.
“Tire o anel dela Martha, rápido!” O homem disse agitado, pois também era difícil para ele ver Brittany se contorcendo no chão de dor.
Martha se aproximou da adolescente, e ajoelhou-se ao lado dela.
“Por favor, mamãe, diga para ele parar, faz ele parar...” Ela implorou, enquanto Martha tirava o anel de seu dedo.
“Tudo vai ficar bem, querida.” Martha lhe disse, assim que tirou o anel de Brittany, e lhe entregou para Jonathan que o colocou na caixa junto com a kryptonita verde, e fechou a caixa, fazendo tudo de ruim em Brittany desaparecer no mesmo segundo, tanto a sua dor, quanto a sua rebeldia, e tudo ficou claro, e as lembranças do que ela havia feito, e para quem ela havia feito pesaram em seu ombro, e ela começou a chorar envergonhada.
“Eu sinto muito, mãe.” Ela falou, enquanto colocou as mãos em seu rosto.
“Está tudo bem, filha.” Martha lhe disse e lhe deu um beijo na testa.
Mas Brittany sabia que não estava tudo bem, e que ela precisaria trabalhar duro para consertar os erros que cometera por causa da kryptonita vermelha.
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Próximo capítulo: Origens.
Brittany descobre que não é por acaso que ela está em Smallville, e de uma forma bem inusitada, enquanto lida com as conseqüências de seus atos sob a influência da kryptonita vermelha.
Notas finais
*Obrigada por lerem e até a próxima
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