Notas iniciais
Esse capítulo vai ser pela visão do Pedro! Continuem comentando, isso me estimula a escrever cada vez mais!! Obrigada pelo carinho!!

– Pedro? — minha mãe me chamou baixinho, com medo de me acordar. Ouvi a porta encostar e senti o corpo dela perto de mim — Pedro?

Como não teve resposta, ela saiu do quarto, me deixando saindo novamente. Obviamente, eu não estava dormindo.

Há dois dias atrás, o amor da minha vida descobriu o quanto eu sou um idiota. Por um ataque de ciúmes do João, Karina descobriu da pior maneira possível sobre meu acordo com Bianca. Nunca na minha vida irei me perdoar por fazê-la sofrer daquele jeito.

Flashback

"Karina, espera! KARINA!" Ela corria na minha frente e por mais que ela tivesse mais condicionamento físico que eu, por ser maior que ela consegui segurá-la depois de corrermos uns 4 quarteirões. "Karina... olha pra mim".

Eu estava exausto pela corrida, arfava em busca de ar. Karina não tentou sair dos meus braços, apenas ficou parada me encarando. Quando encontrei os olhos dela, senti os meus marejarem e não consegui falar nada. Quis abraçá-la, mas ela me empurrou.

"Por que você me enganou desse jeito, Pedro? Fala tanto do seu pai, mas acabou sendo pior do que ele!" Karina gritava descontrolada no meio da rua e eu parei de encará-la, de vergonha "Olha pra mim, moleque!"

A olhei novamente e meu coração despedaçou quando vi as lágrimas dela escorrendo. Eu poderia suportar qualquer coisa, menos vê-la chorando. Karina enxugou as lágrimas com as mãos e me olhou de cima a baixo.

"Eu... tenho nojo de você. Pensei que você fosse diferente, uma pessoa sincera. Me enganei tanto... jamais vou te perdoar".

"Eu te amo". Foi a única coisa que consegui pronunciar. Tinha milhares de explicações para fazer, mas não conseguiria agora, eu não sabia nem por onde começar. Só queria que ela soubesse disso. "Você tem toda razão em me odiar, de não querer mais nada comigo. Mas eu só queria que você soubesse, que eu me apaixonei de verdade por você".

Karina revirou os olhos e saiu andando.

"Onde você vai, Karina? Pode me odiar, mas não vou deixar você fazer besteira".

"Vou atrás de alguém que não tenha me enganado. Me esquece, Pedro". Karina parou alguns instantes e depois virou-se pra mim, com os olhos marejados novamente "Eu espero de verdade que você tenha se apaixonado por mim. Porque agora, quem vai sofrer vai ser você. Vou fazer você se arrepender pelo que fez".

Aquelas palavras ficaram me tormentando em todos os minutos que se passaram depois daquele dia. Como Bianca entrou em desespero e passou mal de tanto remorso, Gael e Dandara acabaram sabendo de tudo no mesmo dia. Pensando em fazer o certo, Dandara ligou para meus pais e contou toda a história. Por isso, eu tive que contar minha versão da história várias vezes e cada vez aquilo me machucava mais.

Trancado no meu quarto, sem comer e sem dormir, eu ficava tocando nossa música, ouvindo nossas bandas favoritas e admirando suas fotos. Minha linda, minha boneca... eu a tinha perdido pela minha estupidez. As pessoas tentavam falar comigo, mas eu não reagia. Não respondia minha mãe, não atendia os telefonemas do meu pai, até Tomtom eu não queria ver. Eu estava morrendo de vergonha. Na tarde de ontem, desci para beber água e vi minha mãe conversando com a Dandara algo sobre Gael ter vindo na minha casa de manhã para tirar satisfações comigo. Eu estava decidido que a primeira coisa que eu iria fazer, depois me recuperar o suficiente, era me desculpar com Gael. Mesmo que ele me matasse depois, eu precisava ter pelo menos alguma atitude digna de homem.

A segunda coisa que eu faria, era conquistá-la de novo. Nem que me esgotassem todas as fichas, eu inventaria mil oportunidades e continuaria até encontrar uma maneira de tê-la de volta. Não conseguiria viver em um mundo onde ela não exista, não conseguiria viver sem poder beijá-la, abraçá-la, protegê-la. Karina era tudo que me fazia bem, tudo que eu precisava para continuar sorrindo.

Quando chegou a noite, resolvi que era hora de sair daquele quarto. Aproveitei que minha mãe e Tomtom estavam no restaurante e desci. Comi qualquer coisa que estava na geladeira. Tomei coragem e resolvi sair de casa. Meus pés me trairam e acabei chegando na praça. Sentei em um dos bancos e passei a observar as pessoas caminhando apressadas. Vi que Dona Dalva me olhava emburrada enquanto terminava de fechar a banca com a ajuda de Duca. Ouvi ela resmungar alguma coisa enquanto me encarava, mas eu não conseguia entender. Provavelmente estava me xingando, pois Duca a olhava sério e pedia calma com as mãos. Não tinha problema, eu merecia. Depois de algum tempo, Duca levou Dona Dalva para casa. E quando eu estava finalmente me levantando para ir embora, ele voltou e veio caminhando em minha direção.

– E aí, cara. — começou ele, com as mãos no bolso — tá melhor?

– Não. Só quando tiver ela de volta. -Duca deu uma risada baixa e balançou a cabeça — Brigadão pela força.

– Cara, eu torço por vocês dois. Sei que ninguém gosta mais dela do que você — Duca deu um tapinha nas minhas costas e sentou do meu lado — Mas não vou mentir, tá muito complicado.

– Como ela tá? Tá segura? Fez besteira?

Soube que ela tinha voltado para casa, pois escutei minha mãe contando para Tomtom na manhã após o ocorrido. Sabia que provavelmente ela estava bem fisicamente, pois nenhuma notícia ruim tinha chegado. Duca suspirou e me contou o que sabia enquanto brincava com o zíper do moletom.

– Karina só apareceu ontem de manhã. O pai dela quase surtou de tanta preocupação... Karina desaparecida, Bianca tendo que ser levada ao hospital.

– Hospital?

– Ela teve uma crise histérica. Chorava, berrava, começou a passar mal de verdade. Eu que levei ela... deram uns calmantes para ela. Daí eu passei a noite com o Gael enquanto a Dandara cuidava da Bianca no hospital. Quando decidimos chamar a polícia, a Karina apareceu logo depois do sol nascer.

Respirei fundo para me acalmar. Tinha medo que algo tivesse acontecido com ela de madrugada, sozinha na rua.

– Ela tava... estranha.

– Como assim?

– Chegou e a primeira coisa que fez... foi tomar banho. Um banho bem demorado. — Duca fez uma cara estranha como se recordasse da cena — depois se recusou a falar alguma coisa. Se trancou no quarto. Gael disse para ela atrás da porta que já sabia de tudo e que queria conversar com ela. Depois de algumas horas, ela saiu, mas só para pedir para ficar em outro lugar... não queria ver a Bianca. Ofereci minha casa e ela só aceitou porque era a única opção. Ela não tá falando comigo também. Só com a Dona Dalva.

– Por isso sua avó tava me xingando.

Duca riu e se levantou, espreguiçando-se.

– Ela tá, de certa forma, bem. Comendo, dormindo, se cuidando. Não tem treinado e só vai na escola pra poder sair um pouco daqui. Vou tentar falar com ela sobre você. Só dá um tempo.

Abracei Duca.

– Valeu, cara, de verdade.

Ouvi som de passos apressados.

– Que casal lindo. Você vale mais ou menos do que a Karina, Duca?

– Vai embora, cara — Duca se afastou de mim, ficando de frente para ele.

Olhei para trás e vi a última pessoa que eu queria. A que fazia meu sangue ferver de raiva.

– O que você quer agora, Cobra?

– O que eu quero, guitarrista? Quebrar a sua cara.

Vi Cobra vir para cima de mim e antes que eu pudesse raciocinar do que iria acontecer ou que Duca reagisse, Cobra me acertou um soco que me fez cair para trás.

Notas finais
Uhuuull, mais um!!!