Notas iniciais
AMOOOORES, DESCULPA DESCULPA E DESCULPA!!!! Sei que sumi, mas tá dificil dar conta de tudo, mas to tentando, não vou parar a FIC. Muitas pessoas estão me perguntando se eu já decidi o casal e a resposta é: ainda não. Comecei Perina agora, quero ver as reações de vocês. MUITO OBRIGADA por todos os comentários, amo ver voces acompanhando e é por causa disso que ainda não desisti! APROVEITEM!!!

Levantei tão rápido que nem sei se cheguei a cair de verdade. Nunca fui de querer brigar e muito menos de saber bater, mas a raiva tomou conta do meu corpo. Tentei ir pra cima dele, mas Duca se colocou entre nós, espalmando uma mão em mim e a outra no marginal. Cobra tentou dar uma rasteira nele, mas Duca foi mais rápido e fez algum golpe de Muay Thay que o fez cambalear. Olhei rapidamente ao redor e percebi que algumas pessoas começaram a prestar atenção.

– Fica na tua, Cobra! — pedia Duca — você sempre quer chamar a atenção.

– Só vim dar um recadinho pro guitarrista.

– Pode falar, minhoca- comecei tentando parecer seguro — tô escutando.

– Fiquei sabendo da parada do dinheiro. Sabe guitarrista, sempre achei que você fosse um babaca, um idiota que serve só pra fazer piada sem graça. Mas você se saiu bem espertinho.

Cruzei os braços tentando controlar a raiva. Ele não podia me tirar do sério.

– E o que você tem a ver comigo e a Karina?

– Nada — respondeu ele levantando os braços como se estivesse se rendendo — mas curto a Karina, considero ela uma amiga.

– A única que te aguenta. — sussurrou Duca com deboche, mas Cobra escutou.

– Exatamente. E é por isso que fiquei puto com essa história. Tá proibido de chegar perto dela, guitarrista.

Dei uma risada tão alta que mais pessoas começaram a prestar atenção em nós. E só podia ter entendido errado ou mais uma vez Cobra estava bêbado.

– Quem é você pra me impedir disso?

– Se eu te der uma surra, eu te desmonto e você sabe disso. Tá avisado.

E antes que eu pudesse elaborar uma resposta, ele saiu. Deu uma encarada nos curiosos e seguiu para o QG com as mãos no bolso.

– Fica sussa, Pedro. Cobra é estranho, mesmo. — disse Duca, observando Cobra dentro do QG — ele e a Karina acabaram se tornando de uma certa forma amigos... ele gosta de proteger ela. Só isso.

Duca não me pareceu seguro do que dizia. O encarei e automaticamente ele passou a olhar para os próprios pés.

– Não precisa disfarçar, Duca.

Nunca duvidei que Cobra defendesse Karina. Em outras situações, ele já tinha me ajudado a consolá-la, dar conselhos e de certa forma, ele fazia aquilo que eu não conseguia fazer: dar uns berros com alguém, humilhar alguém que humilhasse ela, ameaçar, coisas desse tipo. Eu era grato pelo carinho que ele tinha por ela. Mas eu não era tão idiota como todos achavam. Podia ser de bem com a vida, acreditar no bem, no amor e no melhor das pessoas... mas eu não era cego. Eu sabia que de certa forma, Karina chamava atenção na academia. Ela era uma das únicas meninas e mesmo sendo marrenta e totalmente alheia à vaidade, eles reparavam nela. Eu mesmo fui vitima do encanto que ela jogava por ai sem perceber. A lógica é a seguinte: quanto mais relaxada e masculinizada ela era, mais acende a imaginação. Era interessante imaginar o que ela escondia.

Sempre a achei bonita. Desde o momento em que a vi no restaurante pela primeira vez. Olhos incrivelmente azuis, boca bem desenhada, rosto de boneca. Mas no instante seguinte ela me provou que de boneca, só o rosto. Com o tempo, fui reparando mais nela. No show do NX Zero, quase não acreditei quando consegui beijá-la. E depois, passei a observá-la melhor enquanto ela dançava, puta comigo por ter sido expulsa. Ela usava uma roupa mais apertada e eu pude ver que além de linda, ela também era, digamos, gostosa. Abençoados sejam os treinos pesados de muay thai.

E do mesmo jeito que eu cheguei a essa conclusão, sei que outros também chegaram. Quando começamos a namorar, passei a frequentar mais a academia e por vezes esperava que ela acabasse o treino perto dos vestiários e inevitavelmente ouvia alguns comentários. Em uma sexta feira qualquer, um dos lutadores fez um comentário que me deixou puto por vários motivos. Ele disse para um amigo: “Karina quase me machucou, tá mais brava do que o normal. Será que o namorado dela, o Pedro, aguenta toda essa violência dela na cama? Ela tem cara que quer dominar tudo” ouvi algumas risadas estúpidas e então ele completou “ela merece muito tapa naquela bunda gostosa dela. Um dia eu ainda derrubo a Karina no tatame e mostro pra ela quem realmente manda”.

Vamos aos motivos pelos quais eu fiquei puto: nunca transei com a Karina e era meio frustrante saber que todos achavam o contrário. Nunca tive sequer a oportunidade de tocar no corpo dela. Odiei o fato dele ter imaginado como ela poderia ser transando. Odiei aquela risada estupida. Eu tenho uma raiva imensa que reparem na bunda dela. Aquilo era com certeza a maior perdição do corpo dela e eu não admitia que olhassem para lá, imagine chamar a bunda da minha namorada de gostosa. E por ultimo, mas não menos importante, eu morria de medo do que poderiam fazer com ela naquela academia. Karina já havia me dito que jamais se envolveu com nenhum daqueles garotos e que sempre eles a respeitaram, mesmo que alguns corajosos já tenham chamado ela para sair. Mas mesmo ela sendo brava e sendo a filha do Mestre, eu tinha medo que alguém passasse dos limites com ela, que rolasse uma mão boba na hora da briga, que apertassem ela mais do que precisava ou até mesmo que alguém a jogasse no tatame para fazer exatamente aquilo que eu não podia nem mesmo imaginar. Por esse motivo, acompanhava os treinos extra dela durante a noite ou pedia para Duca cuidar dela. Não queria deixa-la sozinha com nenhum daqueles lutadores.

O fato é que em algumas vezes em que eu a encontrava na praça antes dela ir para a escola, eu via Cobra a secando. Ele costumava secar todas as garotas que passavam e Karina era uma delas. Eu não confiava nele. E agora, depois daquele show sem motivo, confiava menos ainda.

Duca despediu-se e seguiu para a casa da avó. Pensei em seguir meu rumo e ir para casa, quando meus olhos encontraram-se com os dele no QG. Cobra me olhava firme enquanto escolhia a chave para trancar as portas. Com uma certeza que eu não sabia de onde veio, respirei fundo e caminhei em direção a ele. No mesmo instante, Cobra riu, olhou para os lados e abriu novamente a porta. Passei pela entrada sem encará-lo e o observei passar a chave e fechar as cortinas. Engoli seco quando ele teatralmente virou a placa “FECHADO” para a rua. Cobra encostou o quadril no balcão e cruzou os braços em uma típica posição de ataque.

– Veio apanhar?

Ri enquanto sentava em um das cadeiras jogadas ali. Ouvi Cobra resmungar algo como "Folgado" antes de tomar impulso e sentar-se no balcão. Olhei fixamente para ele e medi minhas palavras antes de começar.

– Vim falar com você. O que foi aquele showzinho, Cobra? Não caio na história do somos como irmãos.

Cobra não riu dessa vez. Ficou absorto em pensamentos uns instantes. Depois, vi o rosto dele se iluminar como se ele tivesse tomado uma decisão importante. Desceu do balcão e seguiu para algum cômodo nos fundos. Precisei esperar alguns segundos antes que ele voltasse, trazendo um lençol branco todo enrolado.

– Que isso? — perguntei sem entender.

Cobra deixou uma das pontas do lençol cair, revelando na extensão do tecido algumas manchas vermelhas. Sangue.

– Não faz ideia do que seja isso, guitarrista?

– Se eu não soubesse que a Karina tá na casa da Dona Dalva segura, diria que você tinha matado ela — terminei com um sorriso de deboche. Cobra continuou sério — o que isso, Cobra?

– É a prova da perda da inocência da sua menininha.

Gelei. Minhas mãos começaram a suar. Meu estômago embrulhou.

– Ontem, guitarrista, bem aqui dentro desse QG, a Karina sangrou em cima desse lençol — ele se aproximou alguns passos enquanto eu começava a passar mal de angústia e raiva — eu transei com ela, Pedro. Fui eu quem tirei a virgindade da sua namorada.

Notas finais
COMENTEMMM!!!!